terça-feira, 29 de junho de 2010

Peça de Teatro Missionária - O CHAMADO

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O desafio de um CHAMADO Missionário; Na peça começam os próprios irmãos a “jogar água” no “fogo missionário” que começa a despertar no coração do personagem principal.
Não satisfeito com seus emissários da igreja, o diabo vai pessoalmente ao quarto do jovem que recebeu o chamado. Ali discutem, o diabo ameaça e...

Veja o vídeo aqui

7 Personagens + figurantes.

Peça:
Cena 1
Final do Culto.
Pastor: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28: 19).
Pastor fecha a bíblia.
Pastor: Irmãos, Deus nos chama para pregar o evangelho, e hoje, Ele está chamando a ti. Oremos: Pai, toca no coração daqueles que Tu tens chamado, para que venham cumprir a Tua vontade e pregar a Tua palavra, abençoa a todos nós, no nome de Jesus Cristo, amém.
Todos: Amém.
As pessoas se reúnem para conversar e em um dos grupos surge a seguinte conversa entre P. Principal, P. Secundário 1 e P. Secundário 2
P. PRINCIPAL: Cara, imagina viver pra pregar a palavra de Deus.
P. SECUNDÁRIO 1: Ah! Deixa disso, o pastor viaja nessas histórias de pregar o evangelho, ninguém acredita mais hoje em dia, é só pra gente pagar mico e ficarem rindo da nossa cara.
P. SECUNDÁRIO 2: É verdade, eu já tentei, mas não consigo convencer ninguém.
P. SECUNDÁRIO 1: Eu tô na igreja e tô bem, o pessoal é curioso, eles vão aparecer aqui pra ver como é que é, eu não preciso falar nada.
P. SECUNDÁRIO 2: É mesmo.
(P. Secundário 2 se volta pra P. Principal)
P. SECUNDÁRIO 2: Se Deus quiser que tu pregue Ele vai te dar um chamado especial. Bom, mas agora eu tenho que ir, tchau, até mais.
P. PRINCIPAL: É, eu também, beleza, até mais.
Cena 2
P. Principal vai para casa. Chegando lá encontra seu pai no sofá com uma garrafa de cerveja na mão. O pai fala com um tom de embriaguez.
Pai: Onde você estava?
P. PRINCIPAL: Na igreja pai, eu tinha te falado.
Pai: Não é possível, eu já te falei pra parar de ser idiota e cair na conversa desses pastores que só querem tirar dinheiro das pessoas.
P. PRINCIPAL: Mas pai...
(Pai altera a voz e fala bravo.)
Pai: Mas nada, e nem vem me falar desse tal de Jesus! Você sabe que eu não acredito nessas coisas, e vai agora para o teu quarto que amanhã nós vamos ter uma conversa séria sobre essa tal igreja.
(O filho sem se alterar responde.)
P. PRINCIPAL: Tá bom pai, boa noite.
(Pai sai de cena.)
Cena 3
(P. Principal vai até quarto e fala:)
P. PRINCIPAL: P. Secundário 1 e P. Secundário 2 estão certos, não adianta, eu não consigo nem falar com meu pai, vou conseguir falar com gente que eu nem conheço, que bobagem eu tinha pensado... Isso não é pra mim.
(P. Principal liga a televisão no noticiário.)
TV: Hoje na África morreram 250 pessoas numa guerra que parece não ter fim, entre eles 122 eram crianças. No Brasil, tivemos um fim trágico em um assalto a uma loja de conveniências onde estavam mantidos 5 reféns desde ontem. A polícia invadiu o local, mas numa ação de desespero o delinquente atirou contra as pessoas, 3 morreram e duas estão hospitalizadas em estado grave. A polícia disparou contra o ladrão que morreu com dois tiros no rosto. Mas o dia não foi só de tragédias, na China hoje começa uma grande festa em questão de dizerem eles ter achado a nova reencarnação de Buda...
(P. Principal desliga a televisão)
P. PRINCIPAL: Aonde esse mundo vai parar, se essas pessoas conhecessem a Deus, as coisas não seriam assim. Se pelo menos existisse alguém disposto a falar, alguém que tivesse a oportunidade.
(começa a orar.)
P. PRINCIPAL: Senhor, como eu queria pregar o evangelho, como eu queria levar a tua palavra àqueles que não conhecem, mas parece impossível.
(Surge o Diabo.)
DIABO: É, não tem jeito mesmo, pode esquecer.
P. PRINCIPAL: Senhor, eu acredito no teu poder, e te peço que tu me uses.
(P. Principal se sente perturbado, coloca as mãos na cabeça ao ouvir em pensamento o que o diabo fala.)
DIABO: Fala sério, que usar o que, olha para o teu pai, tá perdido, tu não consegue convencer nem ele.
P. PRINCIPAL: Não sou eu quem convenço, é o Espírito Santo.
DIABO: Ah! O crente lê a bíblia?! Tá bom, está escrito: “Honra teu pai e tua mãe” (Ex 20: 12). Ora, teu pai não quer te ver na igreja, vai desobedecer a ele?
P. PRINCIPAL: Jesus disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10: 37) e também está escrito “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16: 31).
DIABO: Mas como tu vais pregar, quem te dará o que comer ,o que beber e o que vestir. Ele disse: “No suor do rosto comerás o teu pão” (Gn 3: 19).
P. PRINCIPAL: Cristo também disse: “ Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6: 33*), Ele falou: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6: 35), e a “Minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar sua obra” (Jo 4: 34).
DIABO: Tu nunca saiu da tua casa pra pregar nem para o teu vizinho, tu nem sabes o que falar e eles vão rir da tua cara.
P. PRINCIPAL: Jesus disse: “Eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem” (Lc 21: 15) e também falou: “Não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora vos será concedido o que haveis de dizer, visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós” (Mt 10: 19,20) , e eu “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1: 16).
DIABO: Pra que se humilhar desse jeito, Ele já se humilhou naquela cruz, tu não precisas fazer isso.
P. PRINCIPAL: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16: 24).
DIABO: Você nem sabe se é isso que Ele quer pra sua vida, não seja precipitado, espera Ele te chamar.
P. PRINCIPAL: Ele me chamou, porque Jesus me disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16: 15).
(O diabo alterado fala bravo.)
DIABO: Não! Tu não vais sair porque eu vou te atribular, se tu tentares eu vou destruir, eu vou acabar com tua vida! Mas afinal, Tu morrerias por teu Deus?
P. PRINCIPAL: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma” (Mt 10: 28), “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 16: 25).
DIABO: Tolo, não tens medo do mundo e de mim!
P. PRINCIPAL: Está escrito: “Maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1Jo 4: 4), e “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8: 31) e também foi dito: “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4: 7). Saí satanás no Nome Santo de Jesus.
O diabo foge em desespero e P. continua sua oração.
P. PRINCIPAL: Meu Deus, se é o que tu queres pra minha vida, estou disposto a viver por Ti, me dirige.
Cena 4
No outro dia, P. Principal acorda disposto a falar com seu pai. Mas chega na sala e seu pai é quem fala:
Pai: Filho, eu quero pedir desculpas por ontem, eu estava meio alterado e...
P. PRINCIPAL: Pai, tudo bem, não importa, eu te amo.
(Pai e filho se abraçam)
Pai: Filho, apesar de tudo que eu sempre fiz e falei depois que você se converteu, você ainda assim me ama e me responde como se nada tivesse acontecido. Filho, a tua vida agora é realmente diferente, me fala desse Jesus, eu também preciso mudar, eu também preciso dele.
P. PRINCIPAL: Pai, vem comigo.
(P. Principal e seu pai saem conversando até a igreja. Falam com o pastor e eles oram juntos.)
Cena 5
Passa-se algum tempo. Na igreja estão P. Secundário 1 e P. Secundário 2 conversando.
P. SECUNDÁRIO 1: Ficou sabendo, o P. Principal vai sair em missões, vai pregar o evangelho, não é que saiu um missionário daqui mesmo.
P. SECUNDÁRIO 2: Eu falei com ele, e sabe, hoje eu sei que eu estava enganado quando conversamos aquela vez. Deus não precisa nos dar um chamado especial, Ele chamou a todos nós, nós só temos que aceitar e fazer a Sua vontade.
P. SECUNDÁRIO 1: É, tu tá certo.
Chega P. Principal e diz:
P. PRINCIPAL: É isso aí pessoal, tô indo. Deus abençoe vocês, e nunca deixem de pregar a palavra a quem vocês puderem. Orem por mim e pela missão, porque “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande mais trabalhadores” (Mt 9: 37,38).
(P. Secundário 1 e P. Secundário 2 abraçam P. Principal )
P. SECUNDÁRIO 1: Vai com Deus, e pode ter certeza que Ele tá contigo.
(P. Secundário 1 e P. Secundário 2 saem (começa a tocar “O Chamado” - 4/1), P. Principal começa arrumar uma mochila que está encima de uma cadeira, coloca nela algumas bíblias e outras coisas.
No refrão da música o pastor e seu pai o chamam da porta da igreja, P. Principal coloca a mochila nas costas, olha para ao redor da igreja e vai até eles, as luzes se apagam e a música aos poucos termina.
FIM (da peça, porque a nossa missão está apenas começando!)
Citações bíblicas da versão Almeida Revista e Atualizada (exceto quando especificado)
*Almeida Revista e Corrigida


FONTE: http://www.teatrocristao.net

quinta-feira, 24 de junho de 2010

MIL BOLSAS DE ESTUDO PARA LÍDERES NO BRASIL E ÁFRICA

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www.seminarioevangelico.com.br

Graça e paz!

Com certeza Deus age nos momentos e lugares menos esperados. Foi o que aconteceu na semana passada, quando o Pr. Hernani Heinz, facilitador do SETEB, visitava parentes na Suíça por ocasião do falecimento de um primo. No velório, ele se encontrou com o Pr. Hans Lehr da Global Association Evangelistic (Associação Evangelística Global), um ministério da Suíça que com a liderança do Pr. Lehr renovou a sua visão de evangelizar, plantar igrejas e capacitar líderes. Eles conversaram o dia inteiro e uma nova parceria surgiu entre o SETEB e a GAE.

Apesar da GAE ter 36 anos de existência, sua atuação direta sempre pouco expressiva. E, embora tenham investido mais de 3 milhões de francos em missões, os resultados colhidos foram poucos. Com a liderança do Pr. Lehr nos últimos dois, eles ganharam um novo fôlego e recomeçaram a investir em missões, trabalhando em parceria com missões e ministérios nacionais. E, através do Pr. Heinz, o SETEB foi escolhido para participar de um audacioso projeto da GAE: CAPACITAR 5.000 LÍDERES CRISTÃOS ATÉ 2015!

Em parceria com a GAE, nós proveremos 1.000 bolsas de estudo para líderes de igrejas (pastores/presbíteros/bispos, diáconos, missionários, plantadores de igrejas e líderes de ministérios/departamentos nas igrejas).
Destas 1.000 bolsas de estudo, 50% será para líderes no Brasil e 50% para líderes na África.
Para os líderes africanos, as bolsas serão dadas 100% grátis. Para os líderes brasileiros, haverá uma pequena taxa de matrícula e mais nada. Essa taxa de matrícula servirá para ajudar a financiar o estudo dos líderes africanos.

A GAE pediu uma prévia do interesse pelas bolsas e nos deu um prazo até 25-06-2010, sexta-feira próxima, para repassarmos o máximo de bolsa que pudermos. Se nós conseguirmos repassar pelo menos 10% das bolsas destinadas ao Brasil (50 bolsas), nós receberemos o restante.

Assim, precisamos de sua ajuda, pois além de ser uma grande oportunidade de abençoar a 500 pastores no Brasil, incluindo você mesmo!

POR ISSO PEDIMOS A SUA AJUDA NO SENTIDO DE DIVULGAR esta oportunidade para os líderes de sua igreja/denominação. Certamente sua igreja deve ter professores de EBD ou líderes de jovens, ou presbíteros e diáconos, ou qualquer outro tipo de líder de igreja. Você sabe que eles precisam de uma melhor capacitação teológica/ministerial e essa é uma grande oportunidade para eles.

Você também poderá divulgar entre seus contatos nas redes sociais das quais você faz parte (orkut, facebook, etc).

ATÉ 25-06-2010, os valores PARA NOVOS ALUNOS serão:
Básico ou Médio em Teologia = R$ 10Bacharelado Regular ou Intensivo = R$ 20Mestrado ou Doutorado = R$ 30
PARA ALUNOS E EX-ALUNOS DO SETEB, será cobrado apenas um valor único de R$ 10. Assim, você que é ou já foi aluno do SETEB poderá matricular-se em um curso ou habiltação. Por exemplo, se você já está cursando um bacharelado com habilitação em ministério poderá escolher outra habilitação como, por exemplo, aconselhamento cristão, ou poderá escolher um mestrado para quando terminar o curso atual. Será possível adquirir quantas habilitações ou curso pagando apenas R$ 10 por cada um.

Para matricular-se em um curso/habilitação, basta efetuar o pagamento em uma das contas abaixo e nos enviar os dados, assim como o(s) curso(s) ou habilitação que deseja fazer.

Assim, deposite o valor correspondente em nome de José Evaristo de Oliveira Filho em uma das contas abaixo:
BANCO DO BRASIL, AGÊNCIA 3526-2, CONTA CORRENTE 26146-7
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, AGÊNCIA 0560, OP. 013, POUPANÇA 144850-9
BANCO ITAÚ, AGÊNCIA 1468, POUPANÇA 25113-5/500

Cremos que esta é uma oportunidade de Deus para muitos líderes no Brasil que necessitam de uma melhor capacitação. Nós seremos parte disso, e queremos que você também seja.

Em Cristo,

Pryscilla Rayssa
Secretária Acadêmica

domingo, 20 de junho de 2010

Evangelismo, Evangelização, Folhetos: Imagens de Uso Livre


Sammis Reachers

Para o blog Imagens Cristãs, fiz algumas fotos tendo por tema a obra de Evangelização, dando ênfase às imagens de folhetos.

Todas as imagens são de uso liberado para qualquer fim (ilustrar seu blog ou site, apresentações, trabalhos, jornais e informativos, etc).

Foram tiradas com uma máquina simples (Samsung S15), e tratadas pelo editor de imagens gratuito Photoscape. Para as fotos, utilizei os folhetos Porções Bíblicas da SBB e os livretes da World Missionary Press. Clique nas imagens para ampliá-las.

Você, irmão leitor, pode também colaborar com esta obra, produzindo e disponibilizando imagens de uso livre, escrevendo artigos, e de muitas outras formas. Veja aqui maneiras de como contribuir com o projeto Imagens Cristãs.

VEJA ABAIXO AS IMAGENS:





VEJA TODAS AS IMAGENS, CLICANDO AQUI.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

DESAFIOS DO NORDESTE

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Luiz Sérgio Freitas Ribeiro, missionário, presidente e fundador da Missão Juvep. Membro da Igreja Congregacional no Bessa, João Pessoa, PB. Nascido em Campina Grande, principal cidade do interior da Paraíba, tem raízes sertanejas. Possui formação em Missões e é graduado em Engenharia pela UFPB . Casado com Ana Tereza, pai de Daniel (17) e Isabelle (14). Presidiu o Congresso Sertanejo de Evangelização (1995) e o Congresso Nordestino de Missões (2002). Trabalha com plantio de igrejas no sertão nordestino desde 1983, é conferencista na área de missões e trabalha com preparo de novos missionários e no encorajamento e mobilização para o plantio de igrejas no sertão nordestino.(http://www.juvep.com.br)


Nordeste - Que desafios focar?

Esse pedaço de Brasil, que conhecemos como nordeste, setenta vezes maior que Israel e com uma população equivalente à soma populacional da Espanha e Portugal? 50 milhões de pessoas? Encerra grandes desafios não só para as autoridades governamentais, mas principalmente para a igreja evangélica brasileira.


Alguns desafios sociais

O nordeste tem os piores índices sociais do Brasil. Só para citar alguns exemplos:
Na educação, detém a maior taxa de analfabetismo; na saúde, é campeão na mortalidade infantil e lanterninha na disponibilidade de leitos e UTIs do SUS. No trabalho infantil, é a região que tem mais crianças ocupadas com menos de nove anos. Na Paraíba, quase a metade delas trabalha.

O povo nordestino é o que tem os mais baixos salários do país e os seus ‘cabras machos’ ganham menos que as mulheres das outras regiões. Até parece desaforo!
Pouca educação e dinheiro escasso formam um binômio que gera, inevitavelmente, violência. E a violência no nordeste, que não chega a ser a maior do país, está crescendo aceleradamente e Pernambuco está no topo do ranking regional.

"O Nordeste talvez tenha sido a região do país que mais sofreu com a falta de crescimento econômico e o aumento da dívida pública, pois é a que mais precisa de investimentos. Talvez essa seja a explicação para o aumento nos índices", disse a pesquisadora do IBGE, Ana Lúcia Sabóia.

Se fôssemos falar da corrupção, do narcotráfico, da imoralidade, da gravidez na adolescência, da acintosa concentração de renda etc, etc, iríamos ficar ainda mais horrorizados e compungidos com a hediondez do quadro!

Sobrevém o lamento – faltam-nos homens públicos comprometidos com a coisa pública! Faltam-nos, ou porque já não existem, ou porque são raríssimos e insuficientes (deixo para o leitor a tarefa de descobrir...).

A falta ou a escassez destes provoca a insuficiência de políticas e ações públicas para redimir o cidadão da favela e do sertão, os dois maiores focos da pobreza regional. E nacional.

Os pobres das favelas nordestinas e do sertão continuam comendo o pão que a classe dominante continua amassando. E à espera do pão que a igreja pouco tem levado para matar sua fome física e espiritual.

Além dos desafios sociais

O problema não é apenas econômico, social, estrutural. O problema tem um seriíssimo componente bem conhecido pelos crentes: o pecado. Seja individual, coletivo, estrutural. Egoísmo, desonestidade, cobiça, orgulho, falta de amor e falta de temor a Deus.

Além disso tudo, o nordeste é a região menos evangelizada do Brasil e que detém 70,72% dos municípios brasileiros com menos de 3% de crentes. Na zona rural, acreditamos que existam mais de 10 mil aglomerados humanos sem nenhuma presença evangélica, o que constitui um gigantesco desafio.

Onde vamos focar nosso esforço? Minha sugestão é que cada segmento da igreja foque seu esforço em favor de um nordeste diferente de acordo com seu chamado: promoção da justiça social, melhorar a qualidade de vida do bebê, da criança, do adolescente, do jovem, do homem, da mulher e do ancião; concomitante, e principalmente, intercedendo, evangelizando, discipulando, enviando missionários e plantando novas igrejas. Aliás, eu sugiro que todo esforço da igreja em favor de um nordeste diferente esteja atrelado à plantação de novas igrejas e que priorize suas áreas mais carentes, que são os sertões, zona rural e as favelas.
É preciso melhorar não somente a vida, mas, principalmente, a morte do povo nordestino, sobretudo do sertanejo. Como?! Pregando o Evangelho.

A forma mais eficaz de combater o pecado e melhorar, não só a vida, mas principalmente a morte do cidadão, é plantando igrejas, pois é plantando igrejas que se evangeliza uma região, ou uma nação, com mais eficácia.

Sobrevém o lamento? Faltam-nos homens de Deus e igrejas comprometidas com a salvação do povo sertanejo! Faltam-nos, não porque inexistam (existem, e muitos!); mas porque é insuficiente o número dos que se dispõe a fazer a sua parte em favor da proclamação do Evangelho no interior nordestino.

Divido com o leitor a tarefa de aumentar o número dos disponíveis!

Miss. Sérgio Ribeiro

Via blog Visão Missionária

sábado, 12 de junho de 2010

Lausanne III - Entrevista com Silas Tostes




"Lausanne III procurará ser criativo no entender e comunicar da Missão Integral para os dias de hoje. Mas, nem por isso, inovará além da Escrituras. De novo, seremos lembrados da santidade, da consagração, da oração e da atuação missionária da Igreja."

Silas Tostes é o presidente da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB). Ele fala ao Bom Líder sobre o III Congresso Lausanne que acontecerá em Outubro, na Cidade do Cabo, África do Sul. Reunirá mais de 4000 participantes de aproximadamente 200 nações e territórios.
Em 1974, na cidade Lausanne, Suíça, 2300 pessoas de 150 nações se reuniram para um Congresso Internacional de Evangelização Mundial. Desse congresso surgiu um Pacto entre os evangélicos para efetuar a Grande comissão. Billy Graham e John Stott apóiam este Pacto.
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Em 1989, 3.600 líderes de 190 nações participaram de Lausanne II em Manila, Filipinas. O resultante Manifesto de Manila reafirmou e expandiu o Pacto de Lausanne e o chamado para "Proclamar a Cristo até que Ele venha".

Leia o Pacto de Lausanne clicando aqui.

ENTREVISTA

Bom Líder - Qual a importância do Terceiro Congresso Lausanne para a Igreja Global?

Silas Tostes - Ocorrerá 21 anos após o último. O II Lausanne foi em 1989 nas Filinas. De lá para cá, houve muitas mudanças no cenário internacional. A China é cada vez mais potência. Os movimentos religiosos radicais, de várias expressões religiosas, proliferam por toda parte. O Ocidente é cada vez mais pós-moderno e pós-religião. A Igreja Brasileira cresce muito numericamente, mas as evidências do bom discipulado não é visto. Preocupa-se cada vez mais com os problemas ecológicos e por aí vai. Lausanne III se proporá a nos ajudar ouvir Deus para o contexto atual, como relacionar nossa atuação integral diante dos desafios de hoje, e; como fazer tudo isso de forma criativa para os nossos dias, com obediência que agrada a Deus. Nesse caso, Lausanne III preocupa-se em ser relevante para a Igreja de Jesus em todo o mundo, pois, receberá 5 mil pessoas de vários países.

Bom Líder - Quais as conseqüências que a Igreja no Brasil pode esperar em função do Congresso?

Silas Tostes - Quem sabe o grupo de convidados, formadores de opinião que são, consigam trazer do Lausanne III o mesmo espírito de serviço, amor e transformação que esperamos encontrar e vivenciar no congresso. E assim, quem sabe, poderiam a partir de suas vidas e atuação conjunta, influenciar aqueles que não puderam estar presentes, ou, que não entendem a Missio Dei nas mais diversas formas de atuação de Deus no mundo por meio de Sua Igreja. Lausanne III procurará ser criativo no entender e comunicar da Missão Integral para os dias de hoje. Mas, nem por isso, inovará além da Escrituras. De novo, seremos lembrados da santidade, da consagração, da oração e da atuação missionária da Igreja. Bem, o que isso tem a ver com a Igreja Brasileira? Tudo, não é? Se a mesma foi comprada pelo sangue de Cristo.

Bom Líder - A Igreja que chegou ao século XXI consegue responder aos desafios deste século?

Silas Tostes - Alguns desafios são respondidos somente pela Igreja, por exemplo, interceder pelo mundo. Há desafios que a Igreja precisa responder envolvendo-se na sociedade com a sociedade, quer sejam nas áreas: saúde, educacional... ou seja, é ser sal e luz no mundo. E, em vários casos, até com o mundo, pois ainda que o mesmo esteja nas nas trevas, poderá ser iluminado pela luz de Jesus na Igreja, conforme essa se relaciona com os vários segmentos da sociedade. Em parte, a Igreja consegue responder aos desafios, apesar de algumas áreas fracas. Poucos evangélicos são autoridades quanto aos problemas ecológicos de hoje, porém, há aqui e ali, mesmo que em números menores, especialistas evangélicos em outras áreas. Esses poderão nos ajudar a sermos mais relevantes no nosso contexto.

Bom Líder - Como está a participação missionária do Brasil na Evangelização Mundial?

Silas Tostes - É difícil responder 100%. Veja que muitos brasileiros estão no mundo enviados por suas igrejas. Vários deles são bons. Outros poderiam ter sido melhor preparados. Como há muita independência na atuação missionária, e como não temos como pesquisar todas as igrejas locais do Brasil, de fato, não sabemos o número total de missionários brasileiros no mundo. Há também brasileiros imigrantes, que depois tornaram-se missionários e não aparecem nas estatísticas. Tem missionários neo-pentecostais, como os pastores da IURD no exterior, que também não aparecem nas estatísticas. Mas os missionários das agências filiadas na AMTB juntos, representam 4 mil missionários em áreas transculturais.

Bom Líder - O missionário desta era está mais qualificado para a evangelização?

Silas Tostes - Se pensar nos avanços da linguística, da antropologia missionária, do uso da informática em traduções da Bíblia e muitas outras áreas, nas técnicas de comunicação, na abundância de pesquisas, nos muitos cursos de línguas, nos muitos livros, nos muitos seminários, nos cursos universitários... perceberemos que há melhor preparo hoje a disposição. Não quer dizer que o mesmo é utilizado. Há pessoas que vão aos campos sem se prepararem. Contudo, nada disso substituirá nossa vida com Deus, o ouvir a Sua voz, sermos espiritualmente capacitados e guiados por Ele.

Bom Líder - Qual o maior desafio da Igreja Brasileira neste século?

Silas Tostes - Se pensarmos naqueles que nunca ouviram o Evangelho e as restrições existentes, estamos pensando em mais de 2 mil povos. Se pensarmos nas restrições do mundo islâmico. Se pensarmos na proliferação da promiscuidade e imoralidade, também via internet. Se pensarmos na falta de atuação social e política da Igreja, ou na atuação corrupta dos chamados evangélicos. Se pensarmos nos novos valores morais de nossa sociedade quanto a namoro, sexo, casamento, aborto. Se pensarmos no crescimento numérico da Igreja por meio de programas na televisão, mas de baixa qualidade bíblica. Se pensarmos numa atuação constantemente independente entre os grupos evangélicos. Se pensarmos no baixo nível teológico dos pastores. Se pensarmos na falta de atuação da Igreja entre os excluídos. Se pensarmos na nossa necessidade de estarmos bem preparados para atuar com nossas profissões e negócios no serviço a Deus e à sociedade. Se pensarmos no uso das artes para louvor a Deus, para comunicação do Evangelho, ou para resgate de cidadania. Se pensarmos... qual seria o maior desafio? Certamente que será apenas este: sermos um, como crentes, para que o mundo creia em Jesus.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Abrindo o coração francamente. De novo!

  David e Cleonice Botelho

Queridos amigos,

Nós não estamos conformados com o atual quadro missionário brasileiro, na realidade, estamos indignados. Vocês poderiam perguntar: “por que?” Por favor, leiam abaixo a resposta  para essa pergunta.
No final dos anos 80, havia um crescimento anual de 12.8% no envio de missionários, mas no meio desta década esse crescimento apresentou uma redução drástica para 3.5% ao ano, segundo dados da Sepal. Os resultados dessa redução brusca começam a refletir significativamente na maioria das agências missionárias.
Nas conversas com líderes dessas organizações o que ouvimos de um modo geral é que, nunca na história de missões, as agências missionárias receberam um número tão pequeno de candidatos. Isto leva muitos ao desânimo, pois o custo aumenta muito quando o treinamento é feito com poucos candidatos. Por isto, algumas agências já não fazem treinamento há algum tempo.
Contudo, entendemos que outros líderes que estão à frente de algumas associações acham um exagero, e somos vistos como alarmistas diante desse caos. Ora, o que temos procurado é mostrar apenas a realidade.
Nosso objetivo é trabalharmos juntos para tentar mudar esta realidade que temos diante de nós.
 
Economia brasileira ascendente ainda não é a resposta
Acreditamos piamente que precisamos de profetas para nos despertar e nos levar a amar a obra missionária transcultural, principalmente aos povos menos evangelizados da terra, ou seja, os que nunca ouviram a mensagem das Boas Novas, nem ao menos uma vez. Esta mensagem é o Evangelho do Reino que deverá e será pregado a todas as gentes, como proclamou nosso Senhor Jesus.
Sim, os que nunca ouviram o Evangelho do Reino precisam ouví-lo pelo menos uma vez. Oswald Smith, pastor da Igreja dos Povos em Toronto - Canadá no século passado, cuja igreja sustentava centenas de missionários perguntou e sua pergunta deve ecoar ainda hoje em nossos ouvidos e corações:
“Por que uma pessoa tem o direito de ouvir o Evangelho duas vezes, enquanto outras nunca ouviram sequer uma vez?”.
Como igreja no Brasil não podemos, de maneira nenhuma, nos queixar da falta de recursos financeiros. Em 2002 o salário mínimo correspondia a 75 dólares, e hoje ele corresponde a aproximadamente 280 dólares, um crescimento de 3,7 vezes. Nessa hipótese, proporcionalmente o envio de obreiros aos povos da Janela 10-40 poderia ter aumentado em mais de três vezes.
Em pouco mais de duas décadas o Brasil se tornou uma das maiores economias do mundo e a igreja evangélica cresceu cerca de quatro vezes em tamanho. E o número de missionários enviados?
 
Os pastores e a leitura das Escrituras
A Sociedade Bíblica Ibero-Americana patrocinou uma pesquisa em profundidade durante seis meses, na cidade de São Paulo, com centenas de pastores e líderes evangélicos de várias denominações, que espontaneamente, participaram de entrevistas e responderam a um questionário específico.
Ao final da tabulação dessa pesquisa concluiu-se que 51% destes pastores e líderes ainda não haviam lido totalmente – ao menos uma vez – qualquer versão das Sagradas Escrituras.
Se a maioria dos pastores nunca leu uma vez sequer o manual de ensino, o guia sagrado, como pode entender e amar a obra missionária transcultural?
Como pode compreender a questão do recrutamento, treinamento e envio de missionários?
Como podem entender a importância de sustentar adequadamente aqueles que se prontificam a ir aos lugares mais inóspitos e esquecidos da terra?
Será que conhecem o Evangelho do Reino? Será que percebem que não poderão crer os milhões e milhões que nunca ouviram a Palavra do Senhor?
Compartilhamos olhando os números a nossa frente. São técnicos, racionais, práticos e criteriosos, porém são a “balança” para avaliarmos se estamos alcançando o alvo ou não.
 
É importante acertar o alvo?
O apóstolo Paulo, registrou no capítulo 15, verso 22, do livro de Romanos que entre Jerusalém e Albânia já não tinha mais trabalho para fazer, pois já tinham alcançado toda a região com o Evangelho. Por que? Porque haviam trabalhado arduamente para levar a Palavra do Senhor a todos os seus habitantes.
Isto nos faz lembrar de dois casos práticos:
“O marinheiro que não sabe para onde vai qualquer porto que aportar está bem.”
O outro sobre certo atirador que causava certa admiração aqueles que viam a precisão de seus tiros: todos acertavam o alvo.
Certo admirador quis surpreendê-lo. Levantou bem cedo e foi observar o atirador. E escondido viu que ele atirava nas árvores e depois circundava o local acertado para fazer parecer que havia acertado o alvo.
Quantas vezes agimos da mesma maneira e acreditamos que estamos acertando o alvo!
É que estamos exportando o modelo brasileiro de missões para toda a América Latina usando o exemplo de nossas igrejas e organizações missionárias. Infelizmente, de fato, não estamos alcançando o objetivo de levar as boas novas aos não alcançados, não completamos a tarefa. Exportar o quê? E o que dizer dos missionários enviados que sem treinamento levam apenas a religião cristã para os povos e, por desconhecerem, não pregam o Evangelho do Reino?
 
O desafio brasileiro
Somente no Brasil temos mais de 150 tribos indígenas sem nenhum obreiro.
Como podemos tomar conhecimento disto sem suspirar diante da realidade de que possuímos aproximadamente 300.000 igrejas evangélicas em nossa pátria?  Mais de 99% delas não possui sequer um missionário transcultural. E a esmagadora maioria não sustenta nem sequer um missionário para povo algum.
Somos a terceira maior igreja no mundo!
Convivemos com as notícias de um exemplo clássico brasileiro: o grave problema do infanticídio entre os povos indígenas. E daí? A maioria das igrejas indiferentemente nem perguntam.
Que alegria no meio deste deserto de indiferença poder ouvir pelo menos uma voz que tem se levantado para combater este grande mal.
Marcia Suzuki está à frente da ATINI que produziu o documentário Hakani mesmo tendo sofrido e ainda sofre uma grande oposição de vários políticos liberais que crêem que não se deve mudar tal quadro, porque entendem que infanticídio entre índios é assunto antropológico. Para Deus é assunto que a Cruz de Seu Filho resolveu. Jesus morreu por todos os povos indígenas e eles precisam saber disto. Será que a igreja brasileira não sabe?
Temos que interceder por uma abertura para que estes povos sejam alcançados. A FUNAI não tem permitido a entrada de obreiros. Devemos lembrar que não existem portas fechadas para o Senhor quando oramos especificamente.
Vou repetir: Mais de 99% das igrejas no Brasil não possui um missionário transcultural sequer. E a cada dia deparamo-nos com uma grande e crescente dificuldade de recrutar um missionário transcultural no meio evangélico. Quando um candidato se apresenta, o maior desafio torna-se a obtenção dos recursos, não só para o treinamento apropriado, mas, também, para o envio e acompanhamento no campo. Suas igrejas não se envolvem, e seus líderes apenas lamentam quando, não poucas vezes, perde esse membro, decepcionado pela falta de apoio para seu projeto missionário.
 
Cooperação x Competição
Por outro lado, quando deveríamos ver as agências missionárias se unindo para lutar contra o inimigo comum, temos visto várias agências desesperadas competindo por obreiros e buscando os mesmos em outras organizações que deveriam ser parceiras. Algumas agências denominacionais conservadoras estão buscando obreiros pentecostais treinados devido à grande carência de obreiros preparados.
 
Modismos brasileiros
Como brasileiros apreciamos os modismos tais como: músicas e danças contemplativas, teologia da prosperidade, quebra de maldição hereditária, celebridades gospel e outros movimentos, implantados em nossas igrejas. Estes modismos têm drenado todos os recursos econômicos, tempo e pessoas. Pouquíssimo tem sobrado para a obra missionária. Fato é que infelizmente estes movimentos nunca vêm acompanhados de uma visão de alcançar os menos evangelizados da terra com a Palavra do Senhor. Como poderia se tudo é voltado para nosso próprio conforto, sucesso, riqueza e bem estar?
A realidade pobre é que a média de investimento por crente na obra missionária transcultural é de apenas R$ 1.30 por ano. 
Todas estas tremendas aberrações precisam parar. Precisamos urgentemente de um avivamento missionário que inflame nossas vidas e sopre para longe a apatia, indiferença, comodismo, egoísmo, avareza e incredulidade. Que expulse esta letargia espiritual.
O remanescente precisa se contrapor com uma nova atitude! Como os nobres bereanos que eram pensadores, questionadores, que checavam os ensinos paulinos com as Sagradas Escrituras. Por isto foram elogiados pelo doutor Lucas, escritor de Atos. De fato, foram elogiados pelo próprio Espírito Santo. É preciso analisar pela Palavra se toda esta teologia, prática de igreja, etc realmente confere com as Escrituras. No coração de Deus pulsa alcançar os perdidos em toda a Terra. E que igreja é esta que diz que prega e crê na Palavra, porém não a pratica. Principalmente no que diz respeito a fazer discípulos de todas as nações.
 
Preletores dos Congressos missionários
Há um elitismo quando alguns acadêmicos são os escolhidos para trazerem as reflexões em nossos congressos. Alguns deles são pastores, mas as igrejas que pastoreiam não têm um programa missionário transcultural. Outros chegam a criticar alguns projetos missionários sem ter nenhuma experiência missionária.  São apenas teóricos alienados da realidade missionária.
São poucos os congressos missionários pentecostais que falam dos desafios missionários e grande parte dos preletores não tem idéia dos desafios dos povos muçulmanos, budistas, hindus, tribais e do grande desafio das milhares de línguas que nada têm da Palavra de Deus, além da importância do treinamento específico, da logística e estratégia necessárias e do cuidado missionário.
Convém lembrar que os verdadeiros avivamentos sempre eram acompanhados por uma grande visão missionária.
 
Indiferença de alguns
A indiferença é tão grande que há muitos casos de missionários que compartilham nas igrejas seu trabalho e visão. São levantadas ofertas para o sustento dos missionários e estas não são entregues a eles ou somente uma pequena parte lhes é entregue. Mentira. Furto descarado. Misericórdia, Senhor Jesus!
O mesmo ocorreu no tempo de Neemias quando os quinhões deixaram de ser dado aos obreiros da casa do Senhor e cada um deles fugiu para os seus campos.
Então a voz de Neemias ecoou: - “porque se abandonou a obra de Deus?”.
Como resultado da voz profética do líder, a nação de Israel foi desafiada a trazer de volta os dízimos dos cereais. Então os celeiros se encheram e como resultado os obreiros voltaram para trabalhar na casa do Senhor.
Há um pensamento, quase generalizado, onde se estereotipa o missionário como um “ET” que deve ir para o campo sem o apoio ou a retaguarda. É como o caso de Urias que foi enviado por Davi para o “Front da batalha”. Sim, Davi que estava em pecado! Davi pediu para tirar a retaguarda de Urias e o resultado foi a morte de um inocente.
Se algo não for feito a tempo para levantar os recursos dos obreiros deste século 21 veremos a morte da visão missionária transcultural nesta nação, como tem ocorrido em vários países do hemisfério norte.
Estamos cometendo o pecado da omissão. Não é isto que Tiago disse? Aquele que sabe fazer o bem e não o faz está pecando?
 
Exemplo do remanescente a ser imitado
A Segunda Igreja Batista de Itapeva – Mauá – periferia de São Paulo, com aproximadamente 160 membros investe no sustento de três missionários. Enviou recentemente seis candidatos para o treinamento do Projeto Uniasia, inclusive o próprio filho do pastor.
O coração desse pastor ainda continua apaixonado pelo Senhor e pela extensão de Sua obra até os confins da terra.
Se cada igreja no Brasil enviar somente um obreiro para treinamento para ser enviado aos povos não alcançados iremos ver uma revolução missionária no mundo.
 
O que devemos fazer para reverter à situação?
Algo precisa ser feito. E de um modo diferente conforme disse Einstein: “É loucura esperar resultados diferentes se continuamos fazendo a mesma coisa”.
O que dizer de empresas e negócios que poderão ser levantados para gerarem recursos para a Obra? O que dizer de levantar homens de negócios para abrirem empresas em alguns destes países não alcançados para empregarem missionários brasileiros competentes que possam gerar seu sustento enquanto fazem discípulos nestas nações?
Isto nos faz lembrar da famosa frase de Martin Luther King Jr, pastor batista americano que viveu que nos anos 60 e foi preso mais de 120 vezes. Ele via os negros sofrendo um preconceito racial terrível onde não podiam estudar nas mesmas escolas, andar nos mesmos ônibus, comprarem nas mesmas lojas e freqüentarem os restaurantes dos brancos.
Ele disse: “Esperar que Deus faça tudo enquanto nós não fazemos nada. Isto não é fé é superstição”.
 
Somente unidos poderemos mudar o quadro
Entendemos que é hora de unir as forças. Criar uma sinergia entre as igrejas missionárias e as organizações missionárias.
Há algumas décadas atrás a extinta revista Cruzeiro possuía uma página, sobre a direção de Péricles, onde o personagem era o “Amigo da Onça”.
Nessa página havia um quadro que mostrava dois cavalos no meio de um curral, amarrados um ao outro com uma corda bem curta. Nos cantos havia grama, mas cada um queria comer no seu canto, e eram limitados pelo tamanho da corda.
No quadro seguinte mostrava os dois lado a lado comendo juntos num dos cantos e no último quadro, também lado a lado, os dois comendo no outro canto.
A moral da história é que a unidade permite que ambos possam comer.
Associamos isto com o quadro atual. Devemos nos unir para mobilizar, recrutar, treinar, enviar, sustentar e acompanhar o remanescente. Juntos podemos despertar os que estão inertes, omissos e indiferentes a causa de alcançar os esquecidos e negligenciados pela igreja no mundo.
O Senhor nos entregou a tarefa de fazer discípulos de todos os povos. Desde o momento que Ele disse isto já se passaram dois milênios. E muita terra ainda há para se conquistar.
 
O grande desafio global:
- Há 24.000 povos no mundo e ainda faltam 6800 para serem alcançados.
- Há 6.909 línguas no mundo e 2.432 delas não têm nem uma porção da Bíblia.
- 85.000 pessoas morrem a cada dia sem nunca terem ouvido nada de Cristo.
- 500 milhões de chineses  nunca ouviram nem o nome de Cristo.
- Das 600 mil cidades e vilas da Índia 500 mil delas não possui sequer um obreiro cristão.
- Há somente um missionário para atender a 380 mil muçulmanos.
 
A oração específica pode mudar o quadro
É claro que a resposta está na oração por obreiros para os povos não alcançados e pelas nações, pois Ele é o dono dos obreiros e das nações.
A Bíblia nos ensina a rogar ao Senhor da Seara por obreiros e a pedir nações por herança.
Temos orado por homens. Entre os não alcançados há duas mulheres missionárias para um homem missionário. É cômico pensar que os homens possam estar orando assim: - Eis me aqui, envia minha irmã.
Somente um grande avivamento espiritual e uma volta a Palavra de Deus é que fará com que pastores e igrejas peguem a visão missionária mundial.
Nós temos produzido literatura e vídeos para municiar os intercessores a orar com sabedoria por obreiros, recursos e oração para os lugares menos alcançados da terra. Acabamos de disponibilizar cinco documentários de muçulmanos que tiveram sonhos e visões com Jesus e se converteram. Eles não só encorajam os crentes, mas também são usados para evangelizar, pois ao final de cada documentário há um convite para tomar uma decisão ao lado de Cristo – ver o site: www.agoraleia.com
 
O nosso desafio vem da Ásia
No final de 2008 recebemos um desafio no Congresso Brasileiro de Missões realizado em Águas de Lindóia. Ao orarmos sobre este desafio entendemos que era clamor vindo do Senhor. Respondemos com o “sim” para levantar em 2.010 um contingente de 120 jovens para serem treinados para a Ásia.
Avaliando a atual realidade brasileira e para alcançarmos o objetivo do projeto Uniasia, nos prontificamos a receber os candidatos com apenas um terço do sustento necessário. Para cobrir os dois terços restantes, nos comprometemos a levantar juntos esses recursos em mobilizações. 
Louvamos a Deus pela parceria ampla que foi feita com um grupo da Ásia. É uma região com a maior população do planeta, com a maioria dos povos menos alcançados pelo Evangelho, com a maior quantidade de línguas sem sequer um versículo da Bíblia traduzido. É o centro dos três maiores blocos religiosos, depois do cristianismo: islamismo, budismo e hinduísmo.
No final do ano passado, enviamos para aquela região a equipe de logística e estratégia, composta de oito pessoas... Um pequeno, mas decisivo começo.
Neste início de ano recebemos 40 jovens de diversos estados e denominações diferentes. Alguns deles com cursos universitários e cursos bíblicos: um deles com curso bíblico, cursando o quinto semestre de direito, o quarto semestre de pedagogia, além de que tinha um emprego - primeiro lugar no concurso nacional do IBGE. Ele viu neste projeto uma oportunidade para ser um tradutor bíblico.
Ainda continuamos mobilizando arduamente em diversos estados brasileiros para levantar mais obreiros para a Ásia...
Recebemos os candidatos com um Salário Mínimo (R$ 510,00) mensalmente e estamos trabalhando juntos com os candidatos, pastores e internacionalmente, para levantar os outros dois salários durante o treinamento.
O projeto é de sete anos. Os candidatos passam dois anos na América Latina e país de língua inglesa. Os cinco anos restantes em universidades da Ásia.
O Uniasia proporcionará ao candidato a oportunidade de ter uma formação bíblica, Missiológica, transcultural, além de formação universitária no exterior e aprendizado da língua inglesa, espanhola e de uma língua asiática e a graduação universitária na Ásia.
Queremos convidá-lo agora para se unir conosco e ajudar a mudar este quadro nacional e global,  na esperança de vermos o nome de Jesus ser conhecido, enaltecido, glorificado e adorado entre todos os povos, línguas, raças e tribos da terra.
Clamando por misericórdia, sabedoria e Graça do Senhor para fazer a vontade do Mestre.

David e Cleonice Botelho

Horizontes América Latina
Diretor
Para investir no Projeto Uniásia: Missão Horizontes - Bradesco: Agência 1020 e Conta 3111-9
Convite:
Neste final de Junho e Julho vamos ter vários professores de várias universidades do exterior vindo a Monte Verde para ministrarem seis matérias: Apologética Cristã para o Islã; Fundar Igrejas em Contexto Islâmico; Quem é Alá; Ministério aos Muçulmanos e Seus Desafios,e abrimos para interessados.

sábado, 5 de junho de 2010

Blogs Missionários que merecem sua visita!

*


Amados irmãos, como muitos de vocês já sabem, um dos focos deste blog é promover a ampla divulgação de links missionários, com o objetivo (além, é claro, de informar e edificar)  de fomentar a união e a colaboração dos irmãos, para que possamos alcançar melhor, mais longe e mais rápido os que carecem da Luz de Cristo. 

Procuro também publicar sempre textos edificantes sobre Missões e seus assuntos relacionados, e dentre os muitos blogs missionários (confira nossa lista na barra lateral) que publicam material semelhante, não poderia deixar de destacar três deles, pelo primoroso trabalho que fazem neste sentido:

Missões e Adoração - Blog do irmão Gilson de Moura.  
O link: http://missoeseadoracao.net

Visão Missionária - Blog do irmão Valmir Barbosa. 
Link: http://valmirbarbosa09.blogspot.com

Páginas Missionárias - Blog do irmão Isac Rodrigues. 
Link: http://paginasmissionarias.blogspot.com

Visitem sempre e sigam também esses blogs, para aumentar seu conhecimento, conhecer mais irmãos e obras missionárias e ter acesso a recursos que podem auxiliar sua vida/ministério. E não deixem de visitar os demais blogs missionários da nossa seção de links. 

Estamos juntos, pelo Rei, pelo Reino!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Filme gratuito para evangelização durante a Copa de 2010

*


Vem aí o mais novo filme para evangelização durante a Copa do Mundo, o filme contem testemunhos exclusivos de jogadores brasileiros, além de um Francês, um Italiano e um Marfinense.

Entre os brasileiros estão: Kaká, Lúcio e Marcos Sena (Seleção da Espanha).
Fiquem atentos, pois o vídeo será  disponibilizado para downloads no site dos Atletas de Cristo e você poderá  usá-lo em sua cidade.

Atletas de Cristo -  www.atletasdecristo.org.

terça-feira, 1 de junho de 2010

MARIA SLESSOR, A PACIFICADORA DAS TRIBOS AFRICANAS

 *
Jefferson Magno Costa

É madrugada. A alguns quilômetros da orla marítima, uma mulher e seis crianças negras caminham para a margem de um rio. Chove. Homens e mulheres africanos perguntam:
- Por que nos abandonas, mãe?
Maria Slessor pára junto à canoa, volta-se, contempla aqueles semblantes escuros e fala docemente:
- Não fiquem tristes. Sei que vou para o meio de um povo feroz, mas eles também precisam ouvir falar de Jesus. Alegrem-se. Eu voltarei. Mas se não voltar, nós nos encontraremos nas margens do Grande Rio, diante do Grande Pai. E ali seremos todos de uma só cor, alvos como o marfim.
Em companhia das seis crianças, Maria entra na canoa, e parte, sob o olhar silencioso da tribo de Creek Town.
Maria Slessor nasceu na Escócia, em 1848. Era loura, de cabelos lisos e olhos azuis. Aos onze anos de idade foi obrigada a trabalhar na tecelagem para ajudar financeiramente sua mãe, pois seu pai, alcoólatra inveterado, após a morte de Roberto, o filho mais velho, abandonou a senhora Slessor e os quatro filhos restantes. Aos 14 anos Maria já era considerada uma hábil tecelã. Não sabia ela que futuramente Cristo a incumbiria de tecer as vestes brancas da salvação no coração dos negros africanos.
Sua mãe era evangélica, membro da igreja de Aberdenn, e costumava contar aos filhos alguns incidentes da Missão Africana, viasando despertar-lhes o interesse pela obra missionária. Atentos, eles ouviam a senhora Slessor falar-lhes de um rei africano e dos seus chefes de cor; das terras e das boas-vindas que costumavam oferecer aos missionários enviados; dos pretos de Calabar; de como Hope Waddell fora morar corajosamente no meio dos pântanos, e ali brilhar como uma luz, pregando aos selvagens o Evangelho de Cristo, e o quanto a Missão necessitava de obreiros e de manutenção.
Às cinco da manhã, Maria se levantava e ia para a fábrica, onde permanecia até às dezoito horas. Levava sempre a Bíblia consigo, lendo-a no caminho, quando ia e quando voltava, e durante os intervalos do seu trabalho. Nessa época tornara-se membro da igreja de Wishart. Ali, pouco tempo depois, começou a dirigir uma classe bíblica para meninos rebeldes. Para atrair aqueles que se recusavam terminantemente a frequentar a classe, ela promovia reuniões ao ar livre. Certa vez um grupo de rapazes perversos resolveu acabar com uma dessas reuniões. O líder do grupo aproximou-se de Maria, sob o olhar dos demais, inclusive das crianças, e começou a girar uma corrente em cuja ponta estava presa uma bola de ferro. E a girava velozmente, avizinhando-a da cabeça de Maria, mas esta, encarando-o firmemente, não denunciava nenhum sinal de medo. "Ela tem coragem" disse o rapaz, desistindo e abaixando o braço com que segurava a corrente. Em seguida sentaram-se todos, e juntamente com as crianças assistiram à reunião. Esse incidente contribuiu para mudar a vida daqueles moços, salientando também a coragem daquela que, não temendo lidar com garotos rebeldes nem enfrentar rapazes insubordinados, desafiaria, em plena selva, a agressividade e as lanças dos negros africanos.
A missão de Calabar, na África Ocidental, tinha sido fundada no ano de 1846. Kurumã estava sendo evangelizado por Robertt Moffat, enquanto David Livingstone, "o fogo das mil aldeias", abria caminho através de todo o restante do Continente. O sonho da senhora Slessor era que Roberto, seu filho mais velho, fosse à África auxiliar o trabalho desses missionários. Mas a morte prematura do rapaz fê-la pensar que nunca teria um filho missionário.
Quando, em 1874, Maria Slessor completou 26 anos, foi pedida em casamento. Mas neste mesmo ano o Império Britânico foi abalado com a notícia da morte de David Livingstone. Fizeram então apelo a voluntários para o continente africano, e Maria, decidindo entre a obra missionária e o casamento, optou pelo primeiro e ofereceu-se como missionária para Calabar. Nessa época, ela era aluna da Escola Normal de Edimburgo, e a coragem em seguir para um lugar conhecido como "sepultura dos brancos" deixou forte impressão em todos. Em agosto de 1876, no cais de Liverpool, Maria embarcava em um navio que a levaria a um continente que em nada se assemelhava à sua bela Escócia. Tornava-se então realidade o sonho da senhora Slessor.
Pelas areias brancas de Cabo Verde, pelo Desembocadouro dos Escravos, pela Costa do Marfim e pela Costa do Ouro, a bordo do navio "Etiópia", dois olhos azuis deslizavam sua curiosidade pela misteriosa paisagem que delineia a navegação costeira. Maria Slessor, recebendo brandamente no rosto a aragem fresca das praias africanas, contemplava interessadamente aquelas florestas que se erguiam, hostis e impenetráveis, margeando toda a costa. Chegando a Calabar, desembarcou e foi conduzida a Duke Town, uma vila litorânea onde residiam alguns missionários. Ali ela viveu durante quatro anos, ajudando nos cultos e estudando a língua local e alguns dialetos nativos.
Era madrugada ainda quando Maria se levantava para tocar o sino, convocando os crentes à oração. O seu espírito, entretanto, ansiava por um trabalho de maior alcance, a liberdade pioneira, o desbrava-mento daquele solo enegrecido pelo pecado. Muitas vezes ela caminhava para a mata fechada e contemplava demoradamente as árvores que se erguiam ao longe, indecifráveis, sumindo no horizonte além. Era ali que se travavam, entre tribos que praticavam a feitiçaria e o canibalismo, os choques mais horrendos e cruéis já contemplados pela natureza humana. E era ali que ela deveria estar, entre eles, modificando-lhes as práticas da ignorância e falando-lhes do amor de Jesus.
Foi de um vilarejo chamado Cidade Velha que lhe veio o primeiro convite para ir evangelizar e morar entre os negros. Ela aceitou, agradecendo a Deus. Agora poderia expandir plenamente a sua vocação missionária. Seguiu para lá acompanhada de um guia e alguns carregadores. Quando a vereda por onde caminhavam se dividiu em duas, eles se depararam com um crânio humano enfiado em uma estaca. Ali estava designada a entrada da Cidade Velha.
Durante mais de dois anos, Maria Slessor viveu naquele povoado como a única mulher branca entre negros, alegre por estar no meio deles, comendo na mesma mesa e falando-lhes da obra salvadora de Jesus. As paredes de sua casa eram de taipa e o teto de palha, e havia sempre várias crianças dormindo ali - órfãos e desprezados que Maria abrigava. Pensando nestas e nas outras crianças, fundou uma escola onde lhes ensinava não só o idioma deles, mas também a darem os primeiros passos nos caminhos eternos. Aos domingos pela manhã, dois meninos carregando um sino em um pau de bambu, percorriam toda a vila até o local da reunião, trazendo atrás de si um número sempre crescente de negros curiosos que se achegavam para ouvir a "Mãe Branca". E quando a noite se declinava sobre o povoado, recebia sempre em sua fronte escura a claridade do cântico daqueles nativos que cultuavam a Deus à luz das tochas vermelhas.
Certa vez uma canoa pintada de vivas cores e conduzida por quatro negros de pele oleosa e rostos pintados de vermelho aproximou-se das margens do rio que banhava o vilarejo. Era a canoa do rei Ocon, chefe da tribo Ibaca, que a enviara juntamente com o convite para que Maria fosse morar em sua tribo. Ela aceitou. Esta seria uma grande oportunidade de evangelizar um povo que desconhecia Cristo. Logo, toda a Cidade Velha ficou alvoroçada e entristecida. Mas às três horas da madrugada, despedindo-se de todos, Maria era conduzida rio acima, sob a cobertura de uma esteira improvisada para protegê-la da chuva e da água levantada pelos remos. Por um longo espaço de tempo aqueles homens remaram, e quando a madrugada enrubescia as primeiras horas do dia, sob o latido de cães e o cantar dos galos, chegaram a Ibaca.
Deram-lhe uma casa semelhante à outra onde morava anteriormente. Multidões vieram das vilas vizinhas para ver sua pele branca. Pela manhã e à noite realizava cultos; durante o dia dava remédios aos doentes, fazia curativos em suas feridas ou lhes aconselhava o que deviam fazer. Homens, ao natural ferozes e barulhentos, ficavam em completo silêncio ao verem Maria aproximar-se para lhes contar histórias. Ali, ela falou o Evangelho de Cristo a todos os que se achegaram para vê-la.
Pelos fins de 1882, um tufão passou com extrema rapidez sobre a vila e derrubou a casa de Maria. Ela foi levada a Duke Town, mas o seu estado de saúde se agravou, fazendo-se necessária a sua volta à Escócia. Depois de três anos, recuperada e novamente pronta para enfrentar as dificuldades, voltou à África, desta vez dirigindo-se para a tribo de Creek Town. Viveu durante seis meses nesse povoado, até quando soube que o rei Eio, chefe da tribo Coiong, praticante da magia negra, a convidara para evangelizar sua tribo. Todos se opuseram à sua ida, alegando que aquela tribo não merecia confiança e que o convite era uma cilada. Mas ela não se impressionou, e, acompanhada de seis crianças e alguns carregadores, embarcou na canoa enviada pelo rei.
Quando alcançaram a desembocadura de Equenque, a canoa foi abandonada, e, sob uma pesada chuva e o choro das crianças, iniciaram a jornada a pé, através de mais de uma légua de mata fechada. Sentindo no corpo as roupas encharcarem-se e os pés atolarem-se na lama, Maria avançava cantando trechos de hinos, a fim de encorajar as crianças. Mas em certos momentos era tão grande o seu cansaço que ela só conseguia pronunciar: "Pai, tem misericórda de mim!" Chegaram finalmente à tribo. Reinava ali um silêncio profundo. Maria gritou e dois escravos apareceram. Um deles acendeu o fogo e trouxe-lhe água, enquanto o outro correu com a notícia de que a "Mãe Branca" era chegada.
É noite. Em uma área larga, no centro da tribo, há uma multidão de negros sentados, formando um grande círculo. As casas, distribuídas de modo a formar uma larga circunferência, erguem-se em volta dos ombros escuros. No centro da reunião há uma mesa coberta com uma toalha branca, e, em cima desta, acha-se aberta uma Bíblia. Quatro tochas presas a estacas se erguem de um lado e do outro da mesa. As chamas brilham nos rostos atentos. Junto à mesa há vários chefes sentados. E de pé, com os cabelos adquirindo tonalidade de ouro sob a vermelhidão das tochas, Maria Slessor prega ao maior ajuntamento de tribos negras já conseguido de uma só vez. O olhar azul contempla a multidão silenciosa e atenta. "Para alumiar os que estão no assento das trevas e na sombra da morte, para corrigir os nossos pés no caminho da paz" (Lucas 1.79), é o trecho lido naquela noite pelos lábios que ainda se abririam inúmeras vezes para pregar a Palavra da Vida.
Maria Slessor viveu ainda muitos anos entre as tribos africanas. Através de sua voz, milhares de negros tomaram conhecimento de Jesus Cristo e milhares o aceitaram como o Salvador. Ela foi, depois de David Livingstone, a missionária que mais conduziu negros aos alvos caminhos da salvação. Em janeiro de 1915, cansada e ainda em plena África, ela foi ao encontro dAquele que, na grandiosidade do seu sacrifício, foi erguido no madeiro para constituir-se na esperança de todos os povos.
 
Jefferson Magno Costa - Blog Sublime Leitura

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