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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Alcançando as fileiras de trás - Ilustração missionária

 


Alcançando as fileiras de trás

Neste momento, volte comigo para a história bíblica dos cinco mil que foram alimentados.

Um evangelista norueguês, que muito ministrou na África até a sua morte, anos atrás, compartilhou a seguinte analogia:

Imagine que essa história tenha sido bem diferente daquela que conhecemos nas Escrituras:

Jesus enche os cestos dos discípulos. Eles vão e dividem a comida com as pessoas que estavam sentadas em fileiras na grama. Eles começam com a primeira fileira. Todos da primeira fileira pegam sua porção. Depois, a segunda fileira e, depois, a terceira. Nesse tempo, os cestos ficam vazios. Então, os discípulos voltam a Jesus para enchê-los com mais peixe e mais pão.

Felipe, André e os outros voltam para as pessoas, mas em vez de irem para a quarta fileira, eles começam na primeira fileira novamente. Servem a fileira número 1, a número 2 e a número 3. Seus cestos se esvaziam de novo. Eles voltam a Jesus. Ele enche os cestos outra vez. E durante todo o dia, até o Sol se pôr, somente as três primeiras fileiras são servidas.

O que você acha que as pessoas das fileiras de trás diriam?

— Ei! O que está acontecendo? Como é que aqueles que estão nas primeiras fileiras são servidos vez após vez enquanto nós ainda não temos comida alguma?

Felizmente, não foi isso o que aconteceu. Todos conhecemos essa história bíblica.

Trágico é o que está acontecendo em todo o mundo cristão nos dias de hoje. A maioria das igrejas está servindo as fileiras da frente, vez após vez, enquanto mais de dois bilhões de almas ainda estão esperando nas fileiras de trás por um único pedaço de pão. Oitenta e sete por cento de toda obra missionária e das finanças ainda estão indo para os povos e nações que têm ouvido o evangelho de novo, e de novo.

Deus está procurando homens, mulheres e crianças que façam das fileiras de trás a sua prioridade. Oswald Smíth questionou: "Por que alguns devem ouvir o evangelho duas vezes enquanto Outros não o ouviram uma vez sequer?".  

Eu o convido a orar:

"Senhor, tu podes usar um menino no evangelho, também podes me usar. Eu te entrego meu pão e meu peixe. Toma a minha vida e usa-me. Eu atendo ao chamado para ir às fileiras de trás, onde quer que elas estejam. Nunca terei falta de pão, porque o Senhor o providenciará à medida que eu servi-lo fielmente. Em teu nome, eu vou".

Timothée Paton – É Tempo de Deixar a Praia


sábado, 13 de junho de 2026

A Oração do Mobilizador de Missões

 


Oração e compromisso do mobilizador de Missões

 Fabrício Freitas

Senhor da Seara, eu me coloco diante de ti com o coração quebrantado, consciente da grandeza do teu chamado e da urgência da tua missão. Tu és o Deus que chama, que envia e que provê, e eu sou apenas um servo, desejoso de te obedecer.

Obrigado por me permitir fazer parte da tua obra, por confiar a mim o privilégio de mobilizar outros para a tua missão. Reconheço que esta tarefa não é minha, é tua. Por isso, eu peço: renova em mim o teu Espírito, enche-me de paixão pelas almas, de amor pela igreja e de zelo pela tua glória entre as nações.

Usa minha voz para despertar os que dormem. Usa minhas mãos para plantar e colher. Usa minha vida como ponte entre o clamor do campo e o coração da igreja. Que eu nunca tema falar da tua obra. Que eu nunca me cale diante da tua voz. Que eu nunca me acomode diante da tua causa.

Senhor, ensina-me a interceder com lágrimas, a mobilizar com coragem, a ofertar com alegria, a servir com humildade e a planejar com excelência. Faz-me fiel no pouco e perseverante no muito. Que eu não vivo para ser aplaudido, mas para ver teu nome exaltado entre todos os povos.

Se for preciso semear com dor, que eu semeie com esperança. Se for preciso caminhar sozinho, que eu caminhe convicto. Se for preciso enfrentar oposição, que eu me firme na tua Palavra, mas que eu nunca perca o amor pela obra missionária, nunca esqueça o alvo, nunca abandone a cruz.

Que minha vida seja resposta de oração de missionários cansados. Que minha voz leve consolo aos corações desanimados. Que meus pés se apressem em anunciar boas notícias. E que meu coração permaneça firme, até que toda tribo, povo e nação te conheça e te adore.

Tudo é teu, Senhor. Minha mente, minhas mãos, meus recursos, meus dias. Recebe a minha entrega, fortalece o meu chamado e sustenta a minha caminhada até o fim.

Em nome de Jesus, o Senhor da Missão, eu oro.

Amém.


No livro Elo: Entre o campo missionário e o coração generoso da Igreja: Chamado e prática do mobilizador de missões. Rio de Janeiro: Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira, 2026.


domingo, 7 de junho de 2026

RAZÕES PARA IR AO CAMPO MISSIONÁRIO

 


RAZÕES PARA IR AO CAMPO MISSIONÁRIO

João Petreceli

Inicialmente, é comum atribuir ao plantio de igrejas uma das finalidades últimas da missão. Interessante lembrar que a ordem de Cristo não versava especificamente sobre isso, pois o intuito não é constituir uma réplica de um modelo empresarial, como uma franquia. Não são requisitos encontrar um ponto adequado, oferecer um bom pacote de serviços que atendam a necessidade do público-alvo e, assim, esperar as pessoas comparecerem. Infelizmente, quem detém esse ímpeto, até consegue algumas adesões, porém, normalmente, estão insatisfeitos com suas antigas igrejas. Não foi essa a missão entregue a nós pelo nosso Senhor.

Por que não há na Bíblia um mandamento para plantarmos igrejas? Ora, não é necessário. Se o alicerce estiver apoiado em fazer discípulos, o plantio será saudável. Desde a fundação dessa comunidade, veremos discípulos que crescem no firme propósito de serem mais parecidos com Cristo e, por isso, brilharão a luz do evangelho e salgarão a terra. Certamente, também descobriremos nesse meio outras pessoas que, apesar de declarar publicamente a fé, vivem para seus sonhos. No entanto, o discipulado será a chave para transformar esse grupo em terreno fértil para aperfeiçoá-lo na visão de Cristo.

Como vimos, defender apenas o evangelismo para iniciativa missionária é superficial e, se estiver desvinculado do discipulado, significa preparar terreno para as seitas e quaisquer ventos de doutrinas. Além disso, existe o perigo de gerar pessoas que perpetuarão mal testemunho e envergonharão o nome de Cristo, pois elas não assimilaram a real dimensão da vida cristã. Não alimente essa visão exclusiva de evangelizar, planeje formar discípulos para Cristo, sim, investir em homens e mulheres com teologia saudável e, sobretudo, desenvolver ética e missão que caminham juntos. A verdade é que obra missionária sem discipulado é [ou pode ser] um desserviço ao reino de Deus.

Outros são motivados para ir ao campo para se tornarem professores de seminários e, em certos casos, é oportuno; no entanto, o ato de ensinar teologia não reflete, necessariamente, em formar discípulos para Cristo. Enganam-se os que pensam que a simples transmissão de informações, como propõe o modelo grego, será o alvo da missão. Aprender a Palavra do Senhor com profundidade tem lugar reservado durante o discipulado, como ficou nítido no ministério de Cristo e dos apóstolos. Contudo, eles seguiam o modelo judaico, que alinha a doutrina e a prática, ou seja, propõe o ensino e obediência de tudo o que Jesus ministrou. Essa aplicabilidade estende-se para além da sala de aula, atinge a caminhada cristã como um todo e cria oportunidades para os conceitos se encaixarem no cotidiano. Não se dedique apenas ao magistério tradicional, aspire por servir ao reino, formando discípulos por meio do ensino formal e informal.

Por fim, a razão de alguns irem ao campo é para tão somente cuidar e amar pessoas. Esses indivíduos assim se expressam: "Não vou para pregar ou ensinar, mas para servi-las" e, dessa forma, concebem a versão evangélica da ordem dos franciscanos. Nesse afã, muitos citam a famosa frase atribuída a Francisco de Assis: "Evangelize, evangelize, evangelize e, se necessário, use palavras." Jesus não nos deu uma tarefa social para resolver problemas temporais e externos dos homens, mas uma missão espiritual, eterna e profundamente arraigada na raiz de todos os seres humanos. As estratégias sociais, esportivas, educacionais e artísticas são válidas desde que não sejam um fim em si mesmos.



Trecho do livro Conselhos para vocacionados à missão transcultural (Kingdom Words, 2025).