quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A MARGINALIZAÇÃO DE MISSÕES NA TEOLOGIA

Por Jamierson Oliveira

Em seu livro, A igreja é maior do que você pensa1, publicado pela Missão Horizontes2, o missiólogo Patrick Johnstone3, buscou descobrir as principais razões pelas quais o interesse por missões é tão pequeno na igreja cristã atual.

Ele identificou quatro razões que explicam as causas desse problema: (a) a lentidão dos primeiros discípulos em compreender o ministério transcultural de Jesus; (b) a falha terminologia bíblica que gera um vazio na própria teologia; (c) a ausência de registros históricos de todas as atividades missionárias, atenuando a importância dos avanços missionários; e (d) a falta da sistematização da teologia bíblica de missão nos credos teológicos. Nas palavras dele,

...pressionar congregações com desafios ou alfinetar a consciência em congressos produz pouco fruto. Até mesmo os livros especializados não resolvem o problema. Minha oração é que, em muitas congregações e escolas teológicas, tanto a teoria quanto a prática de missão possam ser mudadas significativamente.4

As quatro razões levantadas pelo autor:

1 – Missão5 menosprezada na igreja – Na igreja atual a mentalidade ou visão de mundo herdada excluiu missão por completo. Para muitos, hoje, missão significa um pouco mais que o evangelismo local e trabalho geral da igreja no mundo, para aliviar os males sociais. Mas o componente de evangelização mundial e envio de missionários são quase que ignorados.6

2 – Missão despercebida na interpretação das Escrituras – Essas três passagens bíblicas: Gênesis 12.3, Salmo 22 e Lucas 4.20-22 demonstram bem como ainda temos dificuldade para perceber missão nas Escrituras. Na primeira passagem, Gênesis 12.3, a última parte do versículo é uma poderosa expressão da missão de Deus ‘... em ti serão benditas todas as famílias da terra’, mas muitos nunca atentaram para isso. Já em Salmo 22, vê-se uma monumental poesia sobre a hora da crucificação e ressurreição de Jesus com detalhes impressionantes do fato. E mais, o versículo 27 é outro texto áureo de missões muito pouco notado e pregado quando se utiliza esse salmo em nossas igrejas. ‘Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao SENHOR; e todas as famílias das nações adorarão perante a tua face’. Aqui se vê que a cruz e a evangelização mundial se mesclam. Salvação e missão não podem ser divorciadas. E, finalmente, em Lucas 4 fica provado que sempre existiu certa dificuldade de compreensão das Escrituras. Nela, o evangelista narra o momento quando Jesus, tomando o livro de Isaías (cap. 61), leu o texto referindo-se a ele mesmo. Num primeiro momento, os ouvintes se maravilharam (v. 22), mas logo se encheram de ira e quiseram matá-lo (v. 28). O que motivou tamanha mudança de humor nos presentes? Porque a natureza missiológica de Jesus não foi compreendida por eles! Os judeus conheciam bem a passagem de Isaías 61, e esperavam que Jesus lesse a frase do verso 2: “... e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes...”, mas Ele omitiu essas palavras encerrando a leitura. Eles esperavam que Jesus fosse vingá-los da ocupação gentia (romana), mas Jesus quis demonstrar que seu ministério não era de vingança contra os gentios, mas de salvação, por isso ficaram irados com Ele. E isso também pode ser verificado na resposta dos dois discípulos no caminho de Emaús: ‘E nós esperávamos que fosse Ele o que remisse Israel...’ (Lc 24.21).7

3 – Missão despercebida na história da igreja – Por-que para muitas igrejas, as últimas palavras de Jesus referente à Grande Comissão (Mt 28.19), parecem não ter sido pronunciadas? A Grande Comissão tornou-se a Grande Omissão, e além das razões anteriormente citadas, uma terceira falha que afetou a compreensão dos cristãos atuais sobre a missão e missões é a negligência dos historiadores da igreja em não dar relevância aos, embora poucos, mas importantes eventos missionários. Alguns dos maiores movimentos missionários da história foram pouco publicados nos livros de História da Igreja, que se detém mais em falar sobre discussões teológicas estruturas eclesiais.8

Sobre esta terceira razão, talvez uma possível justificativa, que só reforça ainda mais o problema, seja que os escassos movimentos missionários da época eram tão menosprezados e seus missionários tão isolados que mesmo os mais interessados não tinham registros de suas atividades para que pudessem relatá-las em suas obras biográficas sobre a Igreja. Apesar de tudo isso, esses heróis anônimos da fé, motivados pelo Espírito Santo, mantiveram o propósito da evangelização mundial, a despeito da negligência da maioria. E escreveram uma história maravilhosa que, felizmente, conheceremos seus resultados na eternidade.

4 – Missão ignorada na terminologia bíblica e na teologia formal

É esta a quarta razão apresentada por Patrick Johnstone, que explica o porquê de missão ser tão menosprezada e mal compreendida pelas igrejas. Nos deteremos especialmente nela por estar mais dentro da pauta desta edição.

A pesquisa realizada pelos estudiosos Barret e Johnson, publicados no livro What in the World is God Doing, revelaram que tanto no desenvolvimento da teologia com seus credos quanto das próprias traduções e versões bíblicas, muitos termos-chave, para uma melhor compreensão de missões na Bíblia e na teologia, foram omitidos ou modificados por outras expressões que, infelizmente, dificultaram uma melhor divulgação do tema.

A diversidade do vocabulário (missiológico) e o número de referências são uma prova convincente de que os versículos da Grande Comissão são centrais para uma compreensão correta da totalidade do Novo Testamento.9

Uma terminologia ineficiente

Outro problema relevante nessa discussão, levantado por Patrick Johnstone, é o verdadeiro sentido etimológico das palavras apóstolo e missionário. Se tomarmos o sentido original da palavra bíblica apóstolo (do grego apostello), que significa “o enviado” ou “eu remeto, eu lanço”, perceberemos que a mesma correspondente à palavra missionário (do latim missio). As duas têm exatamente o mesmo significado. Ou, ainda, quando aparece a palavra apóstolo na Bíblia, os tradutores, contextualizando, poderiam ter optado por missionário. Em outras palavras, o missionário de hoje poderia, neste sentido, ser legitimamente chamado de apóstolo, e missões poderia ser comumente chamada de apostolado ou obra apostólica, e vice-versa.

Veja que lindo ficaria 1Coríntios 12.28: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente MISSIONÁRIOS (apóstolos), em segundo lugar profetas, em terceiro doutores...”. Se ao longo da história cristã o termo apóstolo tivesse tido seu verdadeiro sentido amplamente discutido e divulgado, essa indiferença e também a rejeição à obra missionária não existiriam na igreja hoje.

Segundo Patrick, o missionário é o primeiro (no tempo) que o Senhor envia para fundar igrejas. Os outros ministérios são uma conseqüência dessa atividade.

Sou missionário há mais de 30 anos e dou muitas palestras, mas se eu me colocasse no púlpito e dissesse ‘Sou um apóstolo’, a maioria das pessoas acharia que eu não teria o direito de fazer tal afirmação, pois não há mais apóstolos; ou que eu seria o líder de alguma seita herética!10

Hoje, infelizmente, a maioria dos ministérios da igreja, inclusive aqueles que não possuem fundo histórico bíblico, sente-se infinitamente superior ao apostolado, ou seja, à obra missionária. E, como resultado desta confusão terminológica, muitos obreiros estão vivendo no limbo, abandonados por suas igrejas no campo missionário. Talvez, o próprio missionário Paulo estivesse se sentido abandonado pela igreja local quando pediu ajuda: “Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim [...] fui constituído pregador, e apóstolo [missionário], e doutor dos gentios. Por cuja causa padeço também isto...”. (2Tm 1.8-13; grifo do autor) E ainda: “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” (2Tm 4.1; grifo do autor).

Citando Barret e Johnson, o autor ainda apresenta, organizadamente, uma extraordinária coleção11 de termos e várias palavras e frases-chave referentes à evangelização mundial e seu emprego nas traduções utilizadas na Bíblia que, se recuperadas têm uma força poderosa na formação de nossos obreiros:

A Grande Comissão pode ser resumida em um verbo-chave grego: evangelizar (euangelizo). Essa palavra é usada 56 vezes no Novo Testamento. Além disso, há 10 variantes próximas baseadas no verbo-raiz angelho. Há mais quatro sinônimos próximos e mais 19 quase-sinônimos, todos eles expressando aspectos do mesmo conceito, assim como, mais 500 palavras cognatas próximas (nomes etc.). A tarefa de evangelizar é detalhada pelo Senhor Jesus Cristo em sete mandamentos, que são imperativos e constituem a Grande Comissão. São eles: Recebei!, Ide!, Testemunhai!, Proclamai!, Discípulai!, Batizai!, Treinai!12

Todas essas palavras gregas são traduzidas em 596 termos, listados no livro mencionado anteriormente, como ampliações dos sete mandamentos. Portanto, o Novo Testamento é saturado com toda uma gama de palavras que se referem à evangelização mundial e local.

E, para nossa surpresa, embora a palavra evangelizar seja usada normalmente na forma grega, ela não aparece na maioria das traduções, como é o caso da versão King James. Apesar de ela ser substituída por outras palavras correlatas, estas, no entanto, não possuem a mesma força do termo original. Isso refletiu, ao longo da história, diretamente na construção teológica e eclesiástica da história da igreja, atenuando a doutrina bíblica de missões.

Os tratados teológicos

Dentro desta quarta razão apresentada por Patrick, este ponto, talvez, seja o mais curioso e surpreendente. Segundo ele, além de todas as razões anteriormente citadas, essa deficiência missiológica foi a que mais dificultou a construção de uma teologia cristã que valorizasse missões para um melhor entendimento da igreja.

Ele demonstra muito bem isso quando comenta as declarações doutrinárias dos credos e demais obras teológicas (pastoral e sistemática) de importantes teólogos.

Se por um lado eles foram tão importantes na conservação das demais doutrinas cristãs, tais como, Trindade, divindade do Senhor Jesus, personalidade do Espírito Santo etc, por outro, a maioria deles, surpreendentemente, omite qualquer referência sobre a tarefa transcultural e a natureza evangelística da igreja.

Esse problema documental perpetuou ainda mais a frágil e quase extinta noção de missões numa igreja cuja história está cheia de trágicos eventos. O reflexo disso pode ser visto claramente nos cursos teológicos e no dia-a-dia da igreja atual.

Basta você, leitor, estudar cada credo doutrinário da história cristã, exemplo: o Credo dos Apóstolos, o Credo de Cesaréia, o Credo de Nicéia, o Credo Niceno e o Credo Atanasiano, para perceber claramente a questão em pauta.13

A tese defendida pelo autor é que, assim como eles foram fundamentais para assegurar a nossa profissão de fé nas demais doutrinas frente às heresias dos primeiros séculos, deveriam também ter dogmatizado a doutrina bíblica de missão e a natureza missiológica do evangelho. Se isso tivesse ocorrido, com certeza, hoje, não haveria tanta desconfiança em crermos e praticarmos missões como uma doutrina bíblica autêntica.

A motivação do Credo dos Apóstolos não foi a evangelização mundial, mas o combate ao erro do Marcionismo. É trágico que a maior formulação da teologia cristã, que é freqüentemente a mais lida e estudada nas igrejas ao redor do mundo, não tenha uma única palavra sobre a Igreja e sua responsabilidade com o mundo perdido!14

Mais recentemente, por ocasião da reforma, encontramos Lutero e Calvino resgatando e desenvolvendo a verdadeira fé bíblica cristã e, embora tenham construído uma boa base para missiologia, também não foi essa a preocupação deles nem dos demais reformadores. Como é bem notado pelo autor, é impressionante que o resgate da Bíblia pela reforma não resultou num resgate imediato por missões mundiais.

Muitos dos teólogos sucessores foram ativamente hostis a qualquer pensamento de que missão era a responsabilidade da igreja. As grandes afirmações da Fé Reformada, a Confissão Belga ou o Catecismo de Heidelberg no continente europeu, a Confissão Inglesa de Westminster ou os Trinta e Nove Artigos Anglicanos omitem-se quanto ao assunto. Poucos teólogos luteranos e reformadores da Holanda, Grã-Bretanha e Alemanha procuraram investir contra a onda teológica, mas pouco resultado prático foi manifestado no envio real de missionários. O trabalho de missão foi conduzido por anabatistas, pietistas e morávios nos dois séculos seguintes, e foi ignorado pelos teólogos da época.15

É bem verdade que há razões que explicam esse comportamento. Mas em vista do prejuízo espiritual que isso trouxe para a evangelização mundial, nenhuma delas justifica tamanha negligência. Nesse contexto de inércia missionária, apenas alguns grupos de estigmatizados, como os anabatistas16, procuravam manter a chama acesa, com o riso de serem perseguidos e marginalizados. Mas a Grande Comissão tornou-se, para eles, o seu propósito de vida, e a eles devemos uma menção honrosa póstuma.

Após esse período, o problema ainda continuou com outros teólogos de grande expressão. E um exemplo citado por Patrick é a obra de Teologia Sistemática de A. H. Strong. Escrita há mais de cem anos, essa obra clássica da teologia evangélica, com mais de mil páginas, discorre brilhantemente sobre todas as doutrinas de fé. Mas missão mundial e a Grande Comissão de Mateus 28.19 são citadas apenas uma vez, e mesmo assim sem a idéia objetiva de evangelização transcultural.

Poucos grandes teólogos fizeram melhor. Seria um estudo interessante avaliar a cobertura da Grande Comissão e da missiologia em todos os trabalhos similares feito pelos principais teólogos. Acredito que os resultados revelariam exceções, mas na maioria, a ausência seria simplesmente evidente, e o meu argumento, confirmado.17

E é justamente isso que acontece com as demais obras de teologia sistemática e pastoral estudadas em nossos seminários. É obvio que esse quadro só poderia gerar pastores e líderes sem compromisso com missões. A pesquisa realizada pelo ICP, e publicada nesta edição (p. 46), demonstra bem isso. Missiologia é apenas uma matéria a mais do currículo, muito pouco enfatizada.

O missionário e teólogo luterano James Scherer percebeu isso nos seminários dos EUA, onde foi professor por muitos anos, país historicamente com grande atuação missionária:

Sempre me vinha à mente que o ensino de missões não tinha um lugar definido ou adequado no currículo teológico dos principais seminários. Essa falta de importância contrasta significativamente com a posição central de missão no Novo Testamento e nos primórdios da igreja [...] Assuntos como evangelismo, conversão, crescimento da igreja, testemunho a pessoas de outros credos e missão em unidade parecem totalmente estranhos aos alunos.

Recobrando a consciência

Este assunto exigiria muito mais espaço para um debate amplo e profundo sobre cada uma das particularidades envolvidas nesta questão. Esperamos que esta provocação, lançada por Patrick, e aqui parcialmente reproduzida, inspire grupos de discussão que levem este debate às conferências, aos congressos de missões, às salas de aula de cada seminário e aos estudos das igrejas.

Repetindo as palavras de Patrick Johnstone, que dizem: “...não quero aqui construir uma nova teologia baseada apenas nessas poucas afirmações”, entendo, porém, que alguma coisa precisa mudar! O alvo precisa ser corrigido.

Sem sombra de dúvida, nossa obediência pode apressar a sua volta! Maranata!

Notas:

1 Título em inglês: The church is bigger than you think, de Patrick Johnstone.
2 A Missão Horizontes está sediada em Monte Verde, Camanducaia (MG). É uma das mais dinâmicas agências missionárias brasileiras. Conheça um pouco mais deste ministério no site www.mhorizontes.org.br
3 Patrick Johnstone é ainda o autor do best seller Intercessão Mundial, considerado o melhor e mais atualizado manual de oração e informações sobre missões.
4 Ibid., p. 36, adaptado.
5 O autor dá significados diferentes para as palavras missão e missões. Sendo que missão é o plano global de Deus para a redenção da espécie humana (Rm 8.18-25) e missões as diferentes iniciativas e estratégias humanas para promover a missão de Deus.
6 Ibid., p. 37, adaptado.
7 Ibid., p. 41, adaptado.
8 Ibid., p.57
9 Ibid., p. 50.
10 Ibid., p. 54.
11 Veja em nosso site www.icp.com.br tabela em completa desses termos.
12 Ibid., p. 52.
13 Veja em nosso site www.icp.com.br a transcrição completa de todas essas declarações doutrinárias históricas.
14 Ibid., p. 59.
15 Ibid., p. 60.
16 Anabatistas – Movimento discidente da igreja oficial no século 16. Foram assim chamados por não concordarem, entre outras coisas, com a doutrina do batismo infatil e por rebatizarem seus novos convertidos. Sua história, pouco contada, é um relato comovente de missões e de como eram ardentes proclamadores do evangelho. Foram perseguidos pela igreja romana e pelos reformadores.
17 Ibid., p. 64.

FONTE: www.icp.com.br

Entrevista com o Pr José Carlos Alcântara da Silva

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O desafio de traduzir a Bíblia - Excelente entrevista no blog Equattoria

Para ler
Clique Aqui.

domingo, 10 de agosto de 2008

Jesus estará aqui esta semana


O Pr. João ficou eufórico quando soube da resposta à sua carta. Era verdade, o grande pregador do evangelho iria a Longani - África (nome fictício) e organizaria várias cruzadas evangelísticas tanto na capital como no interior...

Aparentemente, os poucos missionários estrangeiros na cidade não viam com bons olhos a estratégia de alcançar as multidões perdidas para Cristo. Eles se preocupavam em particular com a enorme comunidade islâmica da cidade...

A propaganda surtiu efeito. Lá estavam na primeira noite milhares de pessoas se acotovelando diante do palanque...a cena era comovente, pois muitas mães haviam trazido nas costas seus filhos aleijados. Cegos e aleijados adultos se misturavam à multidão. E o pregador começou: "Boa noite, linganienses. Nesta noite Cristo estará aqui e fará maravilhas entre nós..."

Então o pregador começou a orar: "Eu ordeno ao poder de Deus que desça agora e cure todos os doentes deste lugar.

Calafrios passavam pelo corpo de todos, principalmente de Oliver (missionário daquele país), pois ele estava lutando já fazia anos para discipular e preparar os pastores e evangelistas para a obra. Ele sabia se muita coisa desse errado naquelas reuniões, anos de trabalho com ensino e formação espiritual poderiam estar comprometidos...

O testemunhos [de cura] não pareciam muito convincentes, e isso ficava nítido a todos os presentes...a reunião terminou com o evangelista afirmando que Jesus estava provando a fé dos presentes...

A volta para casa não foi muito agradável...O missionário notou que, das milhares de pessoas que levantaram a mão para aceitar a Cristo na cruzada, pouquíssimas ingressariam nas igrejas locais como membros. Muitas ficariam revoltadas, pois acharam que o pregador havia mentido ao dizer que Jesus estaria ali para curá-las. O pior e que muitos achavam que Jesus não tem poder ou, se teve algum dia, foi só para Israel, pois ele provavelmente não gostava de negros pobres.

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Trecho de um dos vinte e um (21) casos reais que o Pr. e missionário Jarbas Ferreira da Silva, Presidente da MIAF BRASIL, relata em seu livro: "Tropeços na Ação Missionária -Tolice Humana ou Cilada de Satanás? - São Paulo: Vida Nova, 2003.

Segundo o Pr. Jarbas, o seu objetivo em escrever este livro com histórias presenciadas ao longo do seu ministério na África, é da possibilidade de "levantar material para debate, reflexão, reformulação e redefinição da estratégia missionária transcultural anterior à saída para o campo e em relação à visão e ação da Igreja e de suas comissões de missão de envio".

O Pr. acrescenta dizendo que "o livro não lida com o lado positivo da ação missionária", mas muito pelo contrário, num espírito de amor pelo comissionamento de Cristo para a Igreja, "visa levantar problemas e impulsionar um debate sério sobre erros e concepções românticas da vida no campo missionário".

Desta forma, desejando adquirir este livro que em sua constituição está dividido em três partes: I - Tropeços no relacionamento entre missionários e nacionais; 2- Tropeços no relacionamento entre os próprios missionários e 3- Tropeços no relacionamento entre missionários e agências, basta entrar em contato conosco pelo e-mail comunicacao@miaf.org.br ou pelo telefone: (43) 3357-1200.


MIAF BRASIL - http://www.miaf.org.br/

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Apostila para download - A Criança no Coração de Deus

Amados leitores, a dica de download de hoje é sobre um excelente material para quem trabalha com crianças: O manual A Criança no Coração de Deus. São apresentadas diversas e interessantes atividades, para que as crianças possam aprender e aplicar as descobertas espirituais que fazem por meio das Escrituras e das experiências pessoais, e também uns dos outros.

Para baixar o Manual, CLIQUE AQUI .

Fonte: Rede Evangélica Nacional de Ação Social - http://www.renas.org.br/.

terça-feira, 29 de julho de 2008

David Brainerd - Um arauto aos peles-vermelhas (1718-1747)


Certo jovem, franzino de corpo, mas tendo na alma o fogo do amor aceso por Deus, encontrou-se na floresta, para ele desconhecida. Era tarde e o sol já declinava até quase desaparecer no horizonte, quando o viajante, enfadado da longa viagem, avistou a fumaça das fogueiras dos índios "peles-vermelhas". Depois de apear e amarrar seu cavalo, deitou-se no chão para passar a noite, agonizando em oração.

Sem ele o saber, alguns dos silvícolas o haviam seguido silenciosamente, como serpentes, durante a tarde. Agora estacionavam atrás dos troncos das árvores para contemplar a cena misteriosa de um vulto de cara pálida, sozinho, prostrado no chão, clamando a Deus.

Os guerreiros da vila resolveram matá-lo, sem demora, pois, diziam, os brancos davam uma aguardente aos peles-vermelhas, para, enquanto bêbados, levar-lhes as cestas e as peles de animais, e roubar-lhes as terras. Mas depois de cercarem furtivamente o missionário, que orava,prostrado, e ouvirem como clamava ao "Grande Espírito", insistindo que lhes salvasse a alma, eles partiram tão secretamente como chegaram.

No dia seguinte, o moço, não sabendo o que acontecera em redor, enquanto orava no ermo, foi recebido na vila de uma maneira não esperada. No espaço aberto entre as "wigwams" (barracas de peles) os índios o cercaram e o moço, com o amor de Deus ardendo na alma, leu o capítulo 53 de Isaías. Enquanto pregava, Deus respondeu a sua oração da noite anterior e os silvícolas ouviram o sermão, com lágrimas nos olhos.

Esse cara-pálida chamava-se Davi Brainerd. Nasceu em 20 de abril de 1718. Seu pai faleceu quando Davi tinha 9 anos de idade, e sua mãe, filha dum pregador, faleceu quando ele tinha 14 anos.

Acerca de sua luta com Deus, no tempo da sua conversão, na idade de vinte anos, ele escreveu. "Designei um dia para jejuar e orar, e passei esse dia clamando quase incessantemente a Deus, pedindo misericórdia e que ele abrisse meus olhos para a enormidade do pecado e o caminho para a vida em Jesus Cristo... Contudo, continuei a confiar nas boas obras... Então, uma noite andando na roça, foi me dada uma visão da grandeza do meu pecado, parecendo-me que a terra se abrira por baixo dos meus pès para me sepultar e que a minha alma iria ao Inferno antes de eu chegar em casa...

LEIA O RESTANTE DESTA EMOCIONANTE BIOGRAFIA, CLICANDO AQUI.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Entrevista com José Bernardo - A tarefa essencial

Entrevista concedida pelo pastor José Bernardo à Agência Soma a respeito do Curso de Habilitação para o Trabalho Missionário da Escola Superior de Missões.

O crente enquanto aguarda a volta de Cristo ou sua morte física, o que vier primeiro, tem uma tarefa essencial de vida: evangelizar todo mundo. Para realizar essa tarefa, pode permanecer no espaço em que sua vida foi organizada ou, sendo chamado por Deus, seguir para campos mais distantes. Sair do seu ambiente para ir a lugares de cultura totalmente diferente exige um preparo especial. Pensando nisso, resolvemos entrevistar o Pr. José Bernardo, fundador e presidente da AMME Evangelizar, sobre a inauguração da Escola Superior de Missões da missão AMME Evangelizar em março de 2008.

1- Como surgiu a idéia de iniciar uma Escola Superior de Missões da AMME? E qual a necessidade que a ESM espera suprir no cenário de missões?

José Bernardo - O propósito da AMME é ajudar as igrejas evangélicas brasileiras a cumprir sua tarefa de evangelizar todo mundo. Na medida em que as igrejas que ajudamos apresentam a necessidade de ajuda no preparo de missionários para trabalho transcultural, nós nos propusemos a formar a escola. Estamos respondendo a uma demanda das igrejas que atendemos.

2- O que é necessário para estar realmente preparado para o campo missionário?

J.B. - Observo duas tendências no preparo de missionários: academicismo e pragmatismo. De um lado há escolas oferecendo tanta antropologia, filosofia, sociologia que não tem tempo de preparar os missionários para ganhar almas. Também há escolas que oferecem preparo tão rápido que mais parecem cursinhos de vestibular, o missionário chega no campo e se acha incompetente. Nós optamos por um programa baseado no que denominamos PME (Projeto Missionário Específico), ou seja, o projeto que cada aluno realizará no campo é o eixo do curso. Para tornar isso possível, o ponto forte de nossa escola é a mentoria. Cada aluno será acompanhado de modo particular, com orientações específicas a partir de entrevistas pessoais mensais.

3- Faça uma breve análise da realidade da maioria dos missionários hoje.

J. B. - A Igreja “resolveu” a questão de missões de forma simples, apenas colocando o rótulo de “missionário” em tudo o que faz: pizza missionária, safari missionário, viagem missionária à Disneilândia, compras missionárias, fachada de mármore missionária etc. Ser missionário vai no mesmo rumo; o irmão cansa de procurar emprego aqui no Brasil e decide ir para a Itália “fazer missões”. Mas cumprir a Grande Comissão tem parâmetros claros: 1) Tem que fazer discípulos - se não faz discípulos não é missionário; 2) Tem que ensinar o que Jesus ordenou - se não ensina o que Jesus ordenou não é missionário; 3) Tem que ensinar a obedecer (o que Jesus ordenou) - se não ensina a obedecer não é missionário. De um modo geral, falando da maioria, precisamos voltar ao firme fundamento da Grande Comissão bíblica, conforme Jesus a apresentou. A festiva Igreja Brasileira tem feito de missões uma festa. Precisamos de um pouco mais de choro e clamor pelos que se perdem. Como Igreja carecemos de seriedade!

4-Como será e quanto tempo durará o curso da ESM?

J. B. - No HTM a formação do aluno está baseada nas competências necessárias em quatro relacionamentos fundamentais para o missionário: a) o missionário e Deus; b) o missionário e a igreja local; c) o missionário e o campo missionário; d) o missionário e sua família. Fazendo jus ao caráter prático do curso, com o objetivo de efetivamente levar o aluno ao campo, as matérias o prepararão para desempenho nesses relacionamentos fundamentais.

O curso funciona em um sistema modular com um módulo de uma semana por mês. Os módulos iniciam sempre na 2ª feira e encerram no sábado. De segunda a sexta-feira o horário será das 19:30h às 22h e as aulas abordarão um dos conteúdos do curriculum. No sábado, com uma média de 3 a 4 horas, são realizadas atividades especiais, como ações práticas, debates sobre temas missionários, etc. São 16 módulos, com a duração de 2 anos. Duas viagens missionárias serão obrigatórias durante o curso de Habilitação para o Trabalho Missionário.

5-Quem pode se inscrever?

J. B. - Os alunos deverão ter: a) suficiente formação – curso superior em teologia (ou experiência ministerial equivalente acompanhada de formação superior em outra área, ou equivalente); b) comprovada experiência – atuando ativamente em ministérios da mesma igreja, por pelo menos dois anos, com ênfase na evangelização; c) claro chamado – um decidido interesse em ir para o campo missionário. Os alunos deverão contar ainda com o consistente apoio de uma igreja apoiadora e aprovação de seus líderes.

6-Haverá algo especial na abertura da escola?

J. B. - A semana de abertura da Escola Superior de Missões será de 17 a 22 de março. A programação se iniciará com um seminário sobre santificação, apresentado pelo missionário Edward Dudek - USA, um dos administradores da rede GlobeServe. O seminário será de 17 a 20. Atividades iniciais da Escola ocuparão os dias 21 e 22. Para este evento, a liderança das igrejas dos alunos está convidada a participar.

7-Se nossos leitores quiserem mais informações como deverão proceder?

J. B. - A escola é coordenada pelo missionário Saulo Piloto, missionário da AMME há alguns anos, pastor de evangelização e missões em sua igreja. Para maiores informações, fale com os missionários da AMME pelo tel. 0800-772-1232 e (11) 4473-4373, envie um e-mail para saulopiloto@evangelizabrasil.com e visite sempre o site www.evangelizabrasil.com

A única pergunta que importa



http://www.jmm.org.br/

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Rio Grande do Norte: Informações úteis para Missões


Dos 222 municípios brasileiros menos evangelizados 15% estão na “Janela Potiguar” (Rio Grande do Norte) . Um numero equivalente a 31 municípios com menos de 1% de Cristãos evangélicos( IBGE/CPR-RN). A saber:

· Água Nova
· Caiçara do Norte
· Carnauba dos Dantas
· Carnaubais
· Cerro Cora
· Cruzeta
· Equador
· Fernando Pedrosa
· Francisco Dantas
· Ipueira
· Jardim de Piranhas
· Jardim do Seridó
· Jucurutu
· Lagoa de Pedras
· Lagoa Salgada
· Major Sales
· Messias Targino
· Monte das Gameleiras
· Parau
· Parazinho
· Porto do Mangue
· Presidente Juscelino
· Rafael Fernandes
· Riacho da Cruz
· Rodolfo Fernandes
· Ruy Barbosa
· Santa Maria
· Santana do Matos
· Santana do Seridó
· São Bento do Trairi
· São José do Serido

  • Mais de 2,1 milhões de potiguares praticam um “Cristianismo” dotado com “Paganismo”. São adoradores de Galo, Padres, Santos, Pedras e outros seres inanimados. Prática não muito diferente dos hinduístas na Janela 10/40 e 35/45(IBGE).
  • 81.827 norte-rio-grandenses declaram não fazer parte de nenhuma religião. Um número bem próximo da quantidade total dos evangélicos no estado.
  • 46% dos potiguares são “Indigentes”, 1,3 milhão de pessoas vivem em estado de privação alimentar( sem seca!) ou no linear da sobrevivência biológica(IDEC/IPEA). Excluindo Natal, ou seja, considerando-se apenas o interior do estado, esse índice atinge 52%, em média(IDEC/1997).
  • 74,8% dos potiguares residem em domicílios com esgoto inadequado.
  • De cada 1000(Mil) crianças que nascem vivas, 88( oitenta e oito) morrem antes de completar um ano(IDEC-1995).
  • 7,79% dos norte-rio-grandenses vivem em estado de miséria com uma renda mensal inferior a R$ 80,00(Oitenta reais). Se a distribuição de renda do Brasil é uma das piores do Planeta, a do Rio Grande do Norte está entre as piores do território nacional(IDEC/1997).

Para mais informações, visite: http://missoesrn.zip.net/

domingo, 13 de julho de 2008

VIDA MISSIONÁRIA

Vida Cristã é vida missionária. Vida missionária (missões) é a nossa prioridade. Mas, de que forma podemos afirmar que missões são a nossa prioridade? Hoje, no Brasil, por baixo, somos mais de 25 milhões de evangélicos. Se cada um contribuísse com R$ 1,00 por mês, nós teríamos condições de enviar 12 mil missionários para o campo, cada um com a renda, só do real, de R$ 2.000,00. Se 25 milhões de cristãos, por baixo, se motivassem a orar 10 minutos por dia, nós teríamos campos com mais de 173.500 pessoas orando a cada 10 minutos. Imaginem só... se um põe mil pra correr e 173.500 quantos porão? (Js. 23.10). Se 25 milhões de cristãos quisessem mandar 12.000 missionários, isso corresponderia a 0,05% aproximadamente. Nós temos mais de 25 milhões e menos de 1.000 missionários trans-culturais. Vejam só!

Vida cristã é vida missionária. Vida missionária é vida comprometida com o ir, orar e contribuir. Há muito tempo, pensava-se que você poderia fazer missões indo, orando ou contribuindo. Graças a Deus, já é aceito que, fazemos missões das três maneiras. Você é missionário quando vai, ora e contribui. Se você não for aos povos não alcançados, terá que enviar alguém, ou, será indesculpável diante de Deus. Se não orar e não contribuir é culpado diante de Deus. A Palavra diz: “E este evangelho do Reino será pregado em todo mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim”; “Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia enumerar de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono do Cordeiro”. Será o Reino de Deus prioridade para os evangélicos? Ou é o nosso próprio reino, nossa denominação, nosso ministério, igreja? Por que será que todos temos que ir para todos os lugares, e não todos se unirem, e se fizerem representados por alguns?

Vida cristã é vida missionária. Vida missionária é vida totalmente comprometida com o cristianismo. É uma vida que reproduz Cristo na terra, reproduz as palavras, atitudes, disposição, entrega e o amor. Nós devemos fazer missões, desta forma, aqui, ali, além. Indo orando e contribuindo.

Vida cristã é vida missionária. Missões são as várias formas de se fazer a missão. A missão é a proclamação das boas novas. Quantos dos nossos melhores estão proclamando? Quanto das nossas arrecadações é destinado para missões?

Vida cristã é vida missionária. Vida missionária é a vida que mais agrada a Deus. Vida que nem sempre é vista, respeitada e valorizada, mas, é a vida que dá a Deus o que mais o alegra: almas. Uma alma vale mais que o mundo inteiro. Vale mais que conforto e aparências. Vale mais que aplausos e glórias.

Vida cristã é vida missionária. Vida missionária, vida que o mundo precisa, Deus espera, e que a igreja se revelará.

Por Pr. Vanilson Alcântara
Pastor da Segunda Igreja Batista Ebenézer Renovada de Aracaju


Fonte: http://blogdonatalino.blogspot.com

Epitáfio de William Carey



Nascido a 17 de agosto de 1761
Falecido em junho de 1834
Eu, verme miserável, pobre e incapaz,
Caio em teus braços carinhosos.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Conferência IDE ÀS NAÇÕES

Relatório da CPI do Sistema Penitenciário defende assistência religiosa em presídios

A assistência religiosa para a população carcerária é defendida por deputados como forma de inibir o domínio do crime organizado nos presídios. A presença de grupos religiosos em prisões de todo o país foi um dos aspectos investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário, que enfatiza a necessidade das instituições serem contempladas, “de forma obrigatória”, com espaços físicos para cultos, missas e reuniões. O documento ainda critica o cerceamento a estas práticas. O texto afirma que esta é uma “situação injustificável diante da importância das atividades religiosas como meio de amenizar o inferno em que vive a população carcerária”. O relatório da CPI apresenta outros dados relevantes para igrejas que desejam traçar estratégias de evangelização dentro dos presídios.

Membros da Comissão visitaram instituições em todo o país e observaram trabalhos regulares de assistência religiosa. O relatório enfatiza que este é um direito do detento e cita diversas leis, tanto nacionais como de outros países, que asseguram a organização do regime carcerário de maneira a permitir a prática religiosa e participação em serviços e reuniões. Isto inclui as visitas de líderes e representantes da religião professada pelo preso e o acesso a livros e publicações de caráter religioso e espiritual.

O relatório também alerta que “no atual ambiente carcerário, as organizações religiosas correm riscos de vida, tendo suas atividades limitadas”. Por isso propõe a construção de capelas, salas ou auditórios onde as reuniões possam acontecer. Conforme as observações da CPI, os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão possuem marcantemente a presença de igrejas evangélicas dentro dos presídios. Os deputados também constataram a atuação da Pastoral Carcerária, vinculada à Igreja Católica, com cerca de três mil voluntários em todo o Brasil que trabalham na defesa dos direitos e dignidade humanos no sistema prisional.

As informações sobre religião no sistema carcerário estão na versão final do relatório da CPI (em PDF), que será votado no dia 8 de junho. O documento ainda apresenta um perfil do presidiário no Brasil, dados sobre violência e informações variadas sobre os problemas enfrentados pela população carcerária, que podem contribuir com a elaboração de estratégias de atuação e evangelismo dentro dos presídios.
(por Priscila Vieira)

FONTE: http://www.agenciasoma.org.br

sábado, 5 de julho de 2008

Vale a pena todo o esforço…


Esta história foi recebida por e-mail. Não sei se é um fato ou um conto, mas tem muito a nos dizer: Vale a pena todo o esforço para cumprir o Ide de Cristo.

Todos os domingos à tarde, depois do culto da manhã na igreja, o pastor e seu filho de 11 anos saíam pela cidade e entregavam folhetos evangelísticos. Numa tarde de domingo, quando chegou a hora do pastor e seu filho saírem pelas ruas com os folhetos, fazia muito frio lá fora e também chovia muito. O menino se agasalhou e disse:
-’Ok, papai, estou pronto.’
E seu pai perguntou:
-’Pronto para quê?’
-’Pai, está na hora de juntarmos os nossos folhetos e sairmos.’
Seu pai respondeu:
-’Filho, está muito frio lá fora e também está chovendo muito.’
O menino olhou para o pai surpreso e perguntou:
-’Mas, pai, as pessoas não vão para o inferno até mesmo em dias de chuva?’
Seu pai respondeu:
-’Filho, eu não vou sair nesse frio.’
Triste, o menino perguntou:
-’Pai, eu posso ir? Por favor!!!’
Seu pai hesitou por um momento e depois disse:
-’Filho, você pode ir. Aqui estão os folhetos. Tome cuidado, filho.’
-’Obrigado, pai!!!’
Então ele saiu no meio daquela chuva.
Este menino de onze anos caminhou pelas ruas da cidade de porta em porta entregando folhetos evangelísticos a todos que via.
Depois de caminhar por duas horas na chuva, ele estava todo molhado, mas faltava o último folheto. Ele parou na esquina e procurou por alguém para entregar o folheto, mas as ruas estavam totalmente desertas. Então ele se virou em direção à primeira casa que viu e caminhou pela calçada até a porta e tocou a campainha. Ele tocou a campainha, mas ninguém respondeu. Ele tocou de novo, mais uma vez, mas ninguém abriu a porta. Ele esperou, mas não houve resposta.
Finalmente, este soldadinho de onze anos se virou para ir embora, mas algo o deteve. Mais uma vez, ele se virou para a porta, tocou a campainha e bateu na porta bem forte. Ele esperou, alguma coisa o fazia ficar ali na varanda. Ele tocou de novo e desta vez a porta se abriu bem devagar.
De pé na porta estava uma senhora idosa com um olhar muito triste. Ela perguntou gentilmente:
-’O que eu posso fazer por você, meu filho?’
Com olhos radiantes e um sorriso que iluminou o mundo dela, este pequeno menino disse:
-’Senhora, me perdoe se eu estou perturbando, mas eu só gostaria de dizer que JESUS A AMA MUITO e eu vim aqui para lhe entregar o meu último folheto que lhe dirá tudo sobre JESUS e seu grande AMOR.’
Então ele entregou o seu último folheto e se virou para ir embora. Ela o chamou e disse:
-’Obrigada, meu filho!!! E que Deus te abençoe!!!’
Bem, na manhã do seguinte domingo na igreja, o Papai Pastor estava no púlpito. Quando o culto começou ele perguntou:
- ‘Alguém tem um testemunho ou algo a dizer?’
Lentamente, na última fila da igreja, uma senhora idosa se pôs de pé. Conforme ela começou a falar, um olhar glorioso transparecia em seu rosto.
- ‘Ninguém me conhece nesta igreja. Eu nunca estive aqui. Vocês sabem, antes do domingo passado eu não era cristã. Meu marido faleceu a algum tempo deixando-me totalmente sozinha neste mundo. No domingo passado, sendo um dia particularmente frio e chuvoso, eu tinha decidido no meu coração que eu chegaria ao fim da linha, eu não tinha mais esperança ou vontade de viver. Então eu peguei uma corda e uma cadeira e subi as escadas para o sótão da minha casa. Eu amarrei a corda numa madeira no telhado, subi na cadeira e coloquei a outra ponta da corda em volta do meu pescoço. De pé naquela cadeira, tão só e de coração partido, eu estava a ponto de saltar, quando, de repente, o toque da campainha me assustou. Eu pensei:
-’Vou esperar um minuto e quem quer que seja irá embora.’
Eu esperei e esperei, mas a campainha parecia tocar cada vez mais alto e era mais insistente; depois a pessoa que estava tocando também começou a bater bem forte. Eu pensei:
-’Quem neste mundo pode ser? Ninguém toca a campainha da minha casa ou vem me visitar.’
Eu afrouxei a corda do meu pescoço e segui em direção à porta, enquanto a campainha soava cada vez mais alto.
Quando eu abri a porta e vi quem era, eu mal pude acreditar, pois na minha varanda estava o menino mais radiante e angelical que já vi em minha vida. O seu SORRISO, ah, eu nunca poderia descrevê-lo a vocês! As palavras que saíam da sua boca fizeram com que o meu coração que estava morto há muito tempo SALTASSE PARA A VIDA quando ele exclamou com voz de querubim:
-’Senhora, eu só vim aqui para dizer que JESUS A AMA MUITO.’
Então ele me entregou este folheto que eu agora tenho em minhas mãos. Conforme aquele anjinho desaparecia no frio e na chuva, eu fechei a porta e atenciosamente li cada palavra deste folheto.
Então eu subi para o sótão para pegar a minha corda e a cadeira. Eu não iria precisar mais delas. Vocês veêm- eu agora sou uma FIlha Feliz do REI!!!
Já que o endereço da sua igreja estava no verso deste folheto, eu vim aqui pessoalmente para dizer OBRIGADA ao anjinho de Deus que no momento certo livrou a minha alma de uma eternidade no inferno.’
Não havia quem não tivesse lágrimas nos olhos na igreja. E quando gritos de louvor e honra ao REI ecoaram por todo o edifício, o Papai Pastor desceu do púlpito e foi em direção à primeira fila onde o seu anjinho estava sentado. Ele tomou o seu filho nos braços e chorou copiosamente.
Provavelmente nenhuma igreja teve um momento tão glorioso como este e provavelmente este universo nunca viu um pai tão transbordante de amor e honra por causa do seu filho… Exceto um. Este Pai também permitiu que o Seu Filho viesse a um mundo frio e tenebroso. Ele recebeu o Seu Filho de volta com gozo indescritível, todo o céu gritou louvores e honra ao Rei, o Pai assentou o Seu Filho num trono acima de todo principado e potestade e lhe deu um nome que é acima de todo nome.

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domingo, 29 de junho de 2008

Entrevista com Silas Tostes – Coordenador do 5ª Congresso Brasileiro de Missões


Neste ano, teremos a 5ª edição do Congresso Brasileiro de Missões. Acontecerá entre os dias 13 a 17 de outubro de 2008 em Águas de Lindóia SP. O congresso é organizado pela Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) e pela Associação dos Professores de Missões do Brasil (APMB) e com participação do COMIBAM – Cooperação Missionária Ibero-americana e da Comissão de Missões da Aliança Evangélica Mundial. Esta entrevista foi concedida pelo pastor Silas Tostes, coordenador do 5º CBM.

1- Como está a preparação para o 5º CBM?

Silas Tostes - Poderia dizer que excelente, pois trabalhamos com muita antecedência. O processo que culmina num CBM é bem participativo. Temos 27 líderes de missões. Ouvimos a opinião de todos ao longo do processo. Depois de decidirmos a data e o local do CBM, a comissão de programa elabora uma pré-proposta. Essa é modificada inúmeras vezes, até que todo o grupo receba eletronicamente para fazer suas observações. Então, marcamos um dia para a comissão de programa e os demais convidados se reunirem para aprovar todo o programa. O resultado tem sido a realização de um congresso missionário com muita unidade. No geral, o pessoal sente ser parte do processo, e num certo sentido, donos do mesmo. Eliminamos a idéia de um grupo privilegiado, tanto nas decisões, como no ter despesas pagas. Certamente que, com um grupo grande assim, não podemos pagar despesas. Então, a porta está aberta para todos. Líderes de missões podem participar, mas todos pagam suas despesas durante o processo de organização e no 5o CBM.
Lançamos o 5o CBM em outubro de 2007. Estamos divulgando-o muito. O site do congresso recebe pelo menos 120 novas visitas ao dia. Há semanas que a média aumenta para 300 pessoas diariamente. Temos vários movimentos de oração e organizações divulgando o congresso. Deveremos ter muitos líderes e futuros missionários presentes.

2- Quais são os objetivos desse congresso?

S.T. - Desejamos contribuir para uma maior conscientização missionária. Cremos que é possível a Igreja Brasileira engajar-se mais em missões. Essa Igreja tem seus pontos fortes (sabemos dos pontos fracos também). Normalmente a Igreja Brasileira é bem criativa nas suas metodologias organizacionais, litúrgicas e evangelísticas. Costuma contextualizar-se bem, atingindo diferentes faixas da sociedade. Imagine se pudéssemos transferir isso tudo para as áreas mais necessitadas do mundo. Imagine se, ao fazê-lo, o fizéssemos de tal forma que os missionários fossem bem selecionados e treinados (teologicamente com experiência prática). Imagine se levássemos a Igreja Brasileira a ser mais atuante socialmente no contexto brasileiro e missionário transcultural. Estaríamos, então, levando essa Igreja a ser relevante em seus dias. O 5o CBM tem a pretensão de contribuir para essas mudanças. O congresso mostrará também que nesse momento: Missões Brasileiras já respondem ao clamor do mundo.

3- Como avalia o envolvimento do evangélico com a obra missionária? E como o evento pode fortalecer esse envolvimento?

S.T. - Nosso envolvimento missionário está aquém do crescimento numérico da Igreja Brasileira. A última estatística mostrou que temos por volta de 3700 missionários. Isso é pouco se formos 30 milhões de evangélicos. Não se trata somente de melhorar a estatística numérica. Não deveríamos levar ao campo nossas divisões e competições. Unidade da Igreja é parte essencial da expressão do verdadeiro Cristianismo. O ideal é melhorar a estatística numérica, com a melhora da qualidade daquilo que se mostra como cristão. O serviço em amor precisa tomar a primazia. A impressão que temos deixado para a sociedade é que estamos atrás do dinheiro das pessoas.

4- O que se tem feito para levar um maior número de participantes?

S.T. - Como mencionado acima, estamos divulgando e orando muito. Está tarefa de divulgação tem sido o esforço de muitas organizações juntas.

5- No 4º CBM foram tratados alguns desafios. O que evoluiu de três anos para cá no cenário de missões? Faça um breve apanhado dessas conquistas.

S.T. - Olha, nesse momento, uma nova pesquisa está sendo feita. As estatísticas atuais não refletem um possível impacto do 4o CBM na realidade da Igreja Brasileira. Esperamos ter os novos resultados antes do 5o CBM.

6- Quem serão os preletores principais já confirmados?

S.T. - Todos os preletores como aparecem no site www.5cbm.com estão confirmados: Bertil Ekstron, Barbara Burns, Durvalina Bezerra, Alex Araújo, Antonia Van Mer, Carlos Queiroz, Paul Freston, Reuben Ezemadu, Ronaldo Lidório, Olinto Oliveira, Rinaldo de Mattos, Ester Lucena, Afonso Cherene, Gideon Tanbunaan. E muitos outros para mini-cursos, reuniões temáticas e mesas-redonda. São 80 no total.

7- Como obter informações para participar do CBM? E a quem se destina?

S.T. - O congresso destina-se a líderes, pastores, apoiadores de missões, missionários, futuros missionários e todo aquele que deseja aprender sobre o assunto. A forma mais completa de informação é o site www.5cbm.com

8- Deixe uma palavra desafiadora para nosso leitor.

S.T. - Há uma realidade ao nosso redor que precisa mudar. Entendemos que Deus pode usar o 5o CBM como um dos instrumentos para mudança de mentalidade. Nossos atuais pontos fracos são os seguintes:
1. O crescimento numérico da Igreja no Brasil se dá em troca de promessas de vitórias. As idéias de sacrifício e entrega a Deus são pouco ensinadas. Sem entrega não tem missões;
2. O Brasil como celeiro de missões devido ao seu potencial é bom. Mas, como celeiro presumindo superioridade em terminar a tarefa é ruim. Isso é orgulho. Deus resiste ao soberbo e dá graça ao humilde. Coréia (12 mil missionários) e Nigéria tem mais missionários que nós. Sei que não é competição. Mas existe muita presunção entre nós. Deus parece estar usando muito mais outras nações;
3. Ficamos especializados em missões. Nem sempre entendem o que falamos. Precisamos de pessoas que mobilizem, produzindo paixão no coração. Pessoas que se destaquem nesse trabalho como George Verwer. Sem mobilização não tem mais obreiros para os campos. Precisamos de pregadores apaixonados pelos campos;
4. Ensinar Missões poderia ser de forma mais produtiva à luz dos feitos do Senhor na história, mostrando, por exemplo: como Ticunas e Terenas (grupos indígenas) e outros vieram a Jesus. Acho que criamos muitas dicotomias, como: missões nacionais versus estrangeiras; missões urbanas versus transculturais; missões versus templo; ir versus ficar; missões entre os pobres versus negócios; agências versus igrejas enviadoras; denominacional versus interdenominacional; curto versus longo prazo… De alguma forma, precisamos falar de missões de forma mais positiva, mais simples. Muitas vertentes conflitantes confundem o povo. Precisamos falar das vertentes existentes, mais somando do que subtraindo.
Se você deseja mudar esse quadro, participe do 5o Congresso Brasileiro de Missões: www.5cbm.com

FONTE: http://www.evangelizabrasil.com

terça-feira, 24 de junho de 2008

A Chave para o Problema Missionário


Este texto faz parte do capítulo 8 do livro " A Chave para o Problema Missionário", de Andrew Murray, publicado pela editora da Missão Horizontes.
Que o mesmo possa despertar não só líderes, mas o povo de Deus como um todo para a responsabilidade que nos cabe!
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Várias citações foram feitas no capítulo inicial, nas quais a principal responsabilidade para a solução do problema missionário era, de comum acordo, colocada sobre a liderança. Ao pastor pertence o privilégio e a responsabilidade do problema missionário no exterior. Essas palavras, aparentemente endossadas por toda a conferência, apontam, em relação ao ministério, para uma alta honra, uma falta grave, um dever urgente e a grande necessidade de buscar em Deus a graça de cumprir dignamente a sua vocação. Não precisamos procurar distribuir proporcionalmente a responsabilidade entre o ministério e os membros da igreja. Todos concordam em que uma responsabilidade santa e pesada repousa sobre o ministério nesta questão. Que todos os ministros admitam e a aceitem sinceramente, preparando-se para viver nessa conformidade.

Qual a base em que essa responsabilidade se apóia? Os princípios subjacentes são simples, mas de inconcebível importância. Eles são quatro: (1) As missões são a principal finalidade da igreja. (2) A principal finalidade do ministério é guiar a igreja neste trabalho e equipá-la para ele. (3) A finalidade principal da pregação para uma congregação deve ser treiná-la, a fim de fazer com que ela cumpra o seu destino. (4) E a finalidade principal de cada ministro com relação a isto deve ser preparar-se cuidadosamente para esse trabalho.

Ninguém deve pensar que essas declarações são exageradas. Elas podem parecer assim porque estamos muito acostumados a dar às missões uma posição subordinada em nossa igreja e seu ministério. Precisamos voltar à grande verdade central, "o mistério de Deus", de que a igreja é o Corpo de Cristo, absoluta e exclusivamente ordenado por Deus para executar o propósito de Seu amor redentor no mundo. Assim como Cristo, a igreja só tem um objetivo, ser a luz do mundo. Da mesma forma que Cristo morreu por todo homem e que Deus quer que todos sejam salvos, assim também o Espírito de Deus na igreja só conhece este propósito: o evangelho deve ser levado a toda criatura. As missões são a principal finalidade da igreja. Toda a obra do Espírito Santo na conversão de pecadores e edificação dos crentes, tem como seu principal objetivo, equipá-los para a parte que cada um deve desempenhar para atrair o mundo de volta a Deus. O alvo da igreja não pode ser nada além daquilo que é o eterno propósito de Deus e o amor do Cristo agonizante.

À medida que aceitamos isto como verdadeiro, veremos que a finalidade principal do ministério deve ser preparar a igreja para essa tarefa. Paulo escreve: "(Deus) concedeu... pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos (o que esses santos têm de fazer) para o desempenho do seu serviço (o objetivo final desse trabalho dos santos), para a edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.12). Através do ministério, o ser viço amoroso dos santos, é que o corpo de Cristo será reunido e edificado. Os pastores e professores são dados para aperfeiçoar os santos para este trabalho de ministrar.

Uma Escola ou Classe de Treinamento para Professores é muito diferente de uma escola comum. Ela procura não só treinar cada estudante, a fim de que adquira conhecimento para si mesmo, mas também para que transmita esse conhecimento a outros. Cada congregação deve servir como classe de treinamento. Cada crente, sem exceção, deve ser "aperfeiçoado", ser cuidadosamente preparado para a tarefa de ministrar e fazer a sua parte no trabalho e oração para os que estejam perto ou distantes. Em todo o ensino de arrependimento e conversão, de obediência e santidade, feitos pelo pastor, este deve ser definitivamente seu objetivo final: chamar os homens para servirem a Deus na obra nobre, santa, cristã, de salvar os perdidos e restaurar o reino de Deus na terra. A principal finalidade da igreja será necessariamente o objetivo final do ministério.

De acordo com isto, segue-se, então, naturalmente, a afirmativa de que o principal objetivo da pregação deve ser preparar todo crente e toda congregação para desempenhar a sua parte em ajudar a igreja a cumprir o seu destino. Isto determinará a freqüência com que deve ser pregado um sermão missionário. Se apenas uma mensagem missionária for pregada por ano, é possível que o principal objetivo seja obter uma coleta maior. Isto pode ser obtido sem que a vida espiritual se aperfeiçoe absolutamente. Quando as missões tomam o seu lugar como o propósito principal da igreja em que existe realmente um espírito missionário, o ministro pode sentir a necessidade, vez após vez, de voltar ao assunto-chave, até que a verdade negligenciada comece a dominar pelo menos alguns da congregação. É possível que, às vezes, embora não haja uma pregação direta sobre missões, todo o ensino sobre amor e fé, sobre obediência e serviço, sobre santidade e conformação a Cristo, possa ser inspirado por esta única verdade: devemos ser "imitadores de Deus e andar em amor, como Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo como sacrifício por nós" (Ef 5.1,2).

Isto leva agora ao que, em vista da responsabilidade do ministro, é o ponto crítico - o objetivo principal de cada ministro deve ser preparar-se para esta grande tarefa. Ser professor numa Escola de Professores ou de Treinamento exige um preparo especial. Inspirar, preparar e ajudar crentes não é fácil. Não basta ser um cristão sincero e ter tido treinamento no ministério. Trata-se de dar um espaço muito maior para as missões em nossos seminários teológicos. Mas até mesmo isto pode ser apenas parcial e preparatório. O ministro precisa preparar-se para combater com sucesso o egoísmo que se contenta com a salvação pessoal, o mundanismo que não cogita de sacrificar tudo ou sequer alguma coisa por Cristo, a incredulidade que mede o seu poder de ajuda ou de bênção pelo que sente e vê. Ele, sem dúvida, precisará de um treinamento especial para equipá-lo neste sentido, a parte mais elevada e santa da sua vocação.

Como o ministro pode preparar-se para cumprir a sua responsabilidade? A primeira resposta será, geralmente, pelo estudo. Muitas coisas pertinentes foram ditas sobre isto na Conferência, as quais são especialmente aplicáveis ao pastor, como representante e guia do seu povo.

A sra. J.T. Gracey salientou: "É possível que um dos maiores fatores no desenvolvimento do interesse missionário seja o estudo sistemático de missões".

Quantas vezes, no estudo da Bíblia ou na teologia, tudo é considerado simplesmente como um problema do intelecto, deixando o coração intacto. O indivíduo pode estudar e conhecer a teoria e a história das missões, faltando-lhe, todavia, a inspiração que esse conhecimento deveria dar. Estudar ciência com admiração, reverência e humildade é um grande dom - quanto mais isto é necessário na esfera superior do mundo espiritual e especialmente neste ponto, o destino maior da igreja, "o mistério de Deus"!

Para estudar missões, precisamos de uma profunda humildade que tenha consciência da sua ignorância e não confie em seu próprio entendimento; da espera e da paciência reverentes, dispostas a ouvir o que o Espírito de Deus pode revelar; do amor e da devoção que se deixam dominar e guiar pelo amor divino para onde quer que Ele leve.

O que o pastor precisa estudar especificamente? Existem três grandes fatores no problema missionário. (1) O mundo em seu pecado e miséria; (2) Cristo em Seu amor agonizante; (3) a Igreja como um elo entre ambos.

A primeira coisa é esta: estude o mundo. Descubra algumas das estatísticas que mostram a sua população. Pense, por exemplo, nos milhões de pessoas não evangelizadas que morrem todos os meses; despencando precipício abaixo e caindo nas trevas sombrias à razão de mais de uma a cada segundo. Ou pegue um livro que o coloque frente a frente com o pecado, degradação e sofrimento de algum país especial. Estude se us diagramas, seus mapas, suas estatísticas. Pare um pouco e pense se acredita no que leu, se sente as palavras lidas. Faça uma pausa, medite e ore, pedindo a Deus que lhe dê olhos para ver e coração para sentir essa miséria. Pense nesses milhões como seus semelhantes.

Olhe para a fotografia de um homem adorando uma cobra de pedra com uma reverência que poucos cristãos conhecem. Pense no significado disso até que não se esqueça mais. Esse homem é seu irmão. Ele tem, como você, uma natureza formada para adorar. Ele não conhece, como você conhece, o Deus verdadeiro. Você não se sente disposto a sacrificar tudo, até mesmo a sua pessoa, para salvá-lo? Estude o estado do mundo, algumas vezes como um todo, outras em detalhe, até que comece a sentir que Deus te colocou neste mundo sombrio com o único objetivo de estudar essas trevas e viver e ajudar aqueles que estão morrendo nelas.

Se você sentir, às vezes, que isso é mais do que pode suportar, clame a Deus para ajudá-lo a olhar novamente e novamente, até que conheça a necessidade do mundo. Mas lembre-se sempre, o intelecto mais forte, a imaginação mais viva, o estudo mais cuidadoso, não pode dar a você a compreensão certa dessas coisas. Nada senão o Espírito e o amor de Jesus podem fazer você sentir o que Ele sente, e amar como Ele ama.

Depois disso, vem a segunda grande lição: o amor de Cristo, morrendo por esses pecadores e agora ansiando para que sejam atraídos para Ele. Não pense que você já conhece esse amor agonizante, esse amor que pousa sobre cada criatura da terra e anseia por ela! Se quiser estudar o problema missionário, estude-o no coração de Jesus. O problema missionário é muito pessoal e se aplica a cada crente, mas é especialmente aplicável ao ministro que deve ser o modelo e o professor dos crentes. Estude, experimente e prove o poder do relacionamento pessoal, a fim de que possa ensinar bem este segredo profundo da verdadeira obra missionária.

Junto com o amor de Cristo vem o Seu poder. Estude isto até que a visão de um Cristo triunfante, com todos os inimigos a Seus pés, tenha lançado a sua luz sobre a terra inteira. A obra de salvação dos homens é de Cristo, tanto hoje como no Calvário, tanto na conversão de cada indivíduo como na propiciação pelos pecados de todos. O Seu poder divino continua a obra em Seus servos e através deles. Ao estudar uma solução possível para o problema, em qualquer caso especialmente difícil, não deixe de fora a onipotência de Jesus. Com humildade, reverência e paciência adore a Ele, até que o amor e o poder de Cristo se tornem a inspiração da sua vida.

A terceira grande lição a ser estudada é: a Igreja, o elo entre o Salvador agonizante e o mundo agonizante. Aqui serão encontrados os mistérios mais profundos do problema missionário: que a Igreja seja realmente o corpo de Cristo na terra, com o Cabeça nos céus, tão indispensável para Ele quanto Ele é para ela! Que a Sua onipotência e o Seu amor remidor e infinito estejam ligados, para o cumprimento dos Seus desejos, com a fraqueza da Sua Igreja! Que a Igreja tenha ouvido durante todos esses anos a declaração: As missões são o supremo objetivo da Igreja e mesmo assim se contente com um desempenho tão pobre! Que o Senhor esteja ainda aguardando para provar maravilhosamente como considera a Igreja uma só com Ele, e esteja pronto para enchê-la com o Seu Espírito, poder e glória! Que haja fundamento abundante para uma fé confiante em que o Senhor é capaz e está aguardando para restaurar a Igreja ao seu estado pentecostal, equipando-a, assim, para realizar a sua comissão pentecostal!

Em meio a este estudo surgirá a convicção mais clara de como a Igreja é realmente o Seu Corpo, dotada com o poder do Seu espírito, participando verdadeiramente do Seu amor divino, parceira abençoada da Sua vida e Sua glória. Essa fé será despertada se a Igreja se levantar e se entregar inteiramente ao Senhor. A glória pentecostal pode ainda voltar.

O mundo em seu pecado e miséria, Cristo em Seu amor e poder, a Igreja como o elo entre ambos - essas são as três grandes magnitudes que o ministro deve conhecer, se quiser dominar o problema missionário. Em seu estudo, ele pode usar as Escrituras, a literatura missionária, e livros sobre teologia ou sobre a vida espiritual. Mas a longo prazo, ele terá sempre de voltar à verdade: o problema é pessoal. Ele exige uma entrega completa e s em reservas de todo ser, passando a viver por esse mundo, por esse Cristo, por essa Igreja. O Cristo vivo pode manifestar-Se através de nós; Ele pode transmitir Seu amor em poder. Ele pode fazer nosso esse amor, a fim de que possamos sentir como Ele sente. Ele pode permitir que a luz do Seu amor caia sobre o mundo, para revelar a sua necessidade e a sua esperança. Ele pode proporcionar a experiência de quão íntima e real é a Sua união com o crente, e quão divinamente Ele pode habitar e atuar em nós.

O problema missionário é pessoal, devendo ser resolvido pelo poder do amor de Cristo. O ministro deve estudá-lo, a fim de aprender a pregar mediante um novo poder - missões, a grande obra, o fim supremo, de Cristo, da Igreja, de cada congregação, de cada crente, e especialmente de cada ministro.

Dissemos que a primeira necessidade do ministério, se quiser cumprir o seu chamado para as missões, é estudá-las. Mas quando começa a surgir a luz, e a mente se convence e as emoções são estimuladas, essas coisas devem ser imediatamente traduzidas em ação, caso não devam permanecer estéreis. E onde deve começar essa ação? Sem dúvida, em oração, oração intermitente pelas missões. Elas podem ser pelo despertar do espírito missionário na igreja como um todo, seja em sua própria igreja, ou em congregações especiais. Pode ser por algum campo específico. Ou talvez por si mesmo em especial, para que Deus dê e renove sempre o fogo missionário do céu. Qualquer que seja a oração, o estudo deve levar imediatamente a mais oração; caso contrário, o fruto talvez seja relativamente pequeno. Sem oração, embora possa haver aumento de interesse nas missões, mais trabalho e maior investimento, o verdadeiro crescimento da vida espiritual e do amor de Cristo nas pessoas pode ser bastante reduzido.

Quando a vontade e o trabalho do homem são prioritários, a vida espiritual é fraca; a presença e o poder de Deus são pouco conhecidos. É possível haver pessoas que leiam livros missionários e façam fielmente contribuições liberais, embora haja pouco amor a Cristo ou oração pelo Seu reino. Você pode, por outro lado, ter pessoas simples, com condições de ofertar muito pouco, mas com esse pouco elas dão todo o seu coração em amor e oração. O nível espiritual destas últimas é mais alto, pois o amor de Deus é o alvo supremo. Ninguém deve vigiar tão atentamente quanto o ministro para ver se o entusiasmo missionário que ele promove em si mesmo e em outros é, de fato, o fogo que vem do céu em resposta à oração de fé para consumar o sacrifício. O problema missionário é pessoal. O ministro que resolveu esse problema para si mesmo, também saberá guiar outros para encontrar a sua solução no poder constrangedor do amor de Cristo.


FONTE: Missão Horizontes.

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