quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Dez Maneiras de Fugir do Chamado Missionário

Crianças indonésias


(Adaptado da lista original do livro "How are you doing?" De Stewart
Dinnen)

1- Ignore o chamado de Jesus feito em João 4:35 para que olhemos os campos com atenção. Reconhecer as necessidades pode ser depressivo e muito desconfortável. E pode levar a uma preocupação missionária genuína. ("Vocês dizem: Mais quatro meses e teremos colheita. Porém, olhem bem para os campos... o que já foi plantado já está bom para ser colhido." - João 4:35)

2- Dirija toda sua energia para um alvo socialmente aceitável. Pode ser um ótimo salário, melhores qualificações, uma promoção no trabalho, um carro do ano, uma casa maior ou sustento para o futuro.

3- Case o mais rápido possível, de preferência com alguém que pense que"A Grande Comissão" é o que um patrão dá a seu empregado depois de uma grande venda. Depois do casamento, não se esqueça de "sossegar" por completo, estabelecer uma carreira e constituir família.

4- Fique longe de missionários. Seus testemunhos podem ser perturbadores. As situações que eles descrevem podem entrar em conflito com o estilo de vida materialmente confortável de sua casa.

5- Se você começar a pensar nos não alcançados, imediatamente pense naqueles países onde a abertura para a pregação do evangelho é inexistente. Pense apenas na Coréia do Norte, Arábia Saudita, China e outros países fechados. Esqueça as vastas áreas do globo, à espera de missionários. Nunca, nunca mesmo queira ouvir sobre 'abordagem criativa’, usadas nesses países.

6- Lembre-se sempre de suas falhas do passado. É irracional esperar que você vá melhorar algum dia. Não estude as vidas de Abraão, Moisés, Davi, Jonas, Pedro ou Marcos (que deram suas bolas-fora em um certo momento de suas vidas, mas não se afastaram).

7- Sempre pense que missionários são pessoas superdotadas e super-espirituais e que devem ser elevadas em pedestais. Mantendo essa imagem, você se sentirá confortável com seu próprio senso de inadequação. Sabendo que Deus não usa nunca pessoas normais como missionários, você não se sentirá culpado ao ter recusado tantas vezes o chamado de Deus.

8- Concorde com as pessoas que dizem que você não é indispensável onde está. Dê ouvido a todos os que dizem que a igreja local não sobreviverá sem você.

9- Preocupe-se incessantemente com dinheiro.

10- Se mesmo seguindo esses conselhos, você ainda sentir vontade de atender ao chamado, vá para o campo sem nenhum treino ou preparo. Em breve você estará de volta e ninguém poderá culpá-lo em não ter tentado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Adoniram Judson - Um Missionário


Amor pelas letras e pelas almas

O missionário Adoniram Judson levou o Evangelho até a Ásia e traduziu a Bíblia para o birmanês

A história desse personagem é contada até hoje. Era o ano de 1824. Os oficiais do rei da Birmânia (atual Mianmar) - pais que fica às margens do Golfo de Bengala, no Sudeste Asiático tinham acabado de saquear o lar missionário de Adoniram e Ann Judson. levando tudo o que acharam de "valioso". No entanto, o tesouro mais precioso havia passado despercebido: o manuscrito de uma porção da Bíblia, traduzida por Adoniram Judson, que sua esposa Ann enterrara sob a casa.
Acusado de espionagem, Adoniram, um missionário magro e de corpo pequeno, ficou encarcerado por quase dois anos em uma prisão infestada por mosquitos. Ele e outros 60 condenados à morte ficaram encerrados em um edifício sem janelas, escuro, abafado e imundo. Durante aquele período, sua esposa conseguiu entregar-lhe um travesseiro - para que ele pudesse dormir melhor no duro chão de areia da prisão -, além de livros, papéis e anotações que ele usava para continuar a tradução da Bíblia para O birmanês. Dentro da cadeia, além das traduções, que ele escondia dentro de seu travesseiro, Adoniram evangelizava os presos.
O episódio descrito é parte da história do americano Adoniram Judson (1788 - 1850), o primeiro missionário cristão na Birmânia, que, por 30 anos, perseverou em seu trabalho de evangelização, apesar das doenças e perseguições constantes que sofria por pregar o Evangelho naquele país.
Em 1819 - seis anos depois de sua chegada à Birmânia -, Judson conseguiu seu primeiro convertido. Dois anos depois, já havia uma igreja fundada no país, com 18 batizados. Em 1837, havia 1144 convertidos batizados na Birmânia. Em 1880, esse número passou a sete mil, distribuídos por 63 igrejas. Em 1950, cem anos depois de sua morte, existiam mais de 200 mil cristãos na Birmânia, em sua maioria, resultantes da mensagem que Judson deixara naquele país. Dizia ele: "Muitos cristãos consagrados jamais atingirão os campos missionários com seus próprios pés, mas poderão alcançá-los com os seus joelhos."

Vida e Obra - Aquele amor à Palavra de Deus tinha história. Adoniram Judson nasceu em Malden, no estado americano de Massachussetts. Filho do pastor congregacional Adoniram Judson e de Abigail Brown Judson, o jovem Adoniram trabalhou duro em um moinho do pai. Tinha de caminhar muito até chegar à escola e tinha intensa devoção à Igreja.
Sua mãe ensinou-lhe a ler um capítulo inteiro da Bíblia quando tinha apenas quatro anos. Nos anos seguintes, freqüentou a New London Academy e depois a Brown University, onde entrou com apenas 16 anos. Naquele período em que o ateísmo, proveniente da França, chegava com força aos Estados Unidos, o jovem Adoniram teve uma crise existencial. Recém diplomado, aos 19 anos, ele surpreendeu os pais quando disse que não mais acreditava na existência de Deus e que iria escrever peças de teatro. Era o ano de 1807.
Saiu de casa, mas, quando seguia para a casa de um tio, teve uma experiência que mudou sua vida por completo. No fim de uma noite, procurou um lugar para dormir em uma pensão. O proprietário disse que só tinha um quarto que ficava ao lado de outro em que estava uma pessoa muito doente. A voz agonizante de um homem no quarto ao lado só o deixou dormir no fim da madrugada. Ao acordar, Adoniram soube que aquele homem havia morrido, e tomou um susto ao saber que se tratava de Jacob Eames, um cético e descrente que ele conhecera na faculdade; e que também abandonara o Evangelho pelos ideais ateístas.
A notícia da morte de Eames atingiu seu coração como uma flecha. Foi, então, para Plymouth, onde assistiu a dezenas de palestras de pregadores cristãos. Em 1808, decidiu estudar para o ministério e entrou no seminário teológico de Andover. No ano seguinte, fez uma profissão pública de fé na igreja do pai e sentiu o desejo de tornar-se missionário.
Na época, escrevia a Ann, então sua noiva: Em tudo que faço, pergunto a mim mesmo: Isto agradará ao Senhor? [...] Hoje, tenho sentido grande alegria perante o Seu trono.
Os pais de Judson queriam que ele aceitasse pregar em uma igreja de Boston, mas recusou o convite. Tinha o mundo em seu coração. Em fevereiro de 1810, fundou, com quatro amigos pastores, a Junta Americana de Missões Estrangeiras, ligada à Associação Geral de Ministros Congregacionais de Bradford, em Massachussetts.
Casou-se com Ann em 5 de fevereiro de 1812, e apenas 12 dias depois, o casal partiu para Calcutá, na Índia, junto com os quatro pastores amigos de Judson. Ann tornou-se, então, a primeira missionária a deixar os EUA. Durante a viagem, dedicaram-se ao estudo das Escrituras. No entanto, ao chegarem a seu destino, a guerra fez com que eles deixassem o país. Como havia uma embarcação pronta para ir a Rangum, na Birmânia, o casal decidiu viajar nela. O percurso não foi fácil. Ann, que estava grávida, adoeceu no navio. Deu à luz seu primeiro filho, que morreu em seguida. Eles chegaram a Rangum exaustos, em julho de 1813. Ann, muito adoentada, desembarcou em uma padiola. Aquela experiência era uma prévia do que o casal ainda haveria de enfrentar.

Saída da prisão - A experiência na prisão, relatada no início desta biografia, não foi o único problema enfrentado pelo casal Judson na Birmânia. Depois de sair da cadeia - indultado pela Alta Corte de Justiça do reino birmanês, em novembro de 1825 -, viu a segunda filha do casal, Maria, morrer de febre amarela. Em outubro de 1826, Ann faleceu, também vítima da doença.
Adoniram mudou-se, então, para o interior da Birmânia, onde completaria a tradução do Antigo Testamento para o birmanês, em 1834, no mesmo ano em que se casou pela segunda vez, com Sarah, com quem teve oito filhos. Em 1837, Adoniram concluiu a tradução do Novo Testamento. Em 1845, Sarah faleceu, e ele retornou aos Estados Unidos, 33 anos depois do início de sua viagem à Ásia. Tanto interesse gerado por sua experiência na Birmânia rendeu a Judson uma platéia i inesperada. Grandes multidões corriam para ouvi-lo pregar em solo americano, pois se tornara uma lenda.
Em junho de 1846, casou-se pela terceira vez, com a escritora Emily Chubbock, e voltou no ano seguinte para a Birmânia para revisar mais uma vez o dicionário hirmanês-inglês que concluíra em 1826.
Muito doente, Judson foi aconselhado a fazer uma viagem marítima para se recuperar, mas veio a falecer no navio, em 12 de abril de 1850. Emily morreu quatro anos depois. Mas a frase que ele mais repetia em suas pregações tornou-se uma realidade: Eu não deixarei a Birmânia até a mensagem da cruz ser plantada aqui para sempre. Palavras proféticas de um verdadeiro herói da fé.

Autor: Marcelo Dutra
Fonte:
Revista Graça, Ano 3, n.º 33
/http://www.ongrace.com

domingo, 18 de janeiro de 2009

Algumas Sugestões para o Preparo Pré-Campo


Antonia Leonora Van der Meer

Ter um chamado missionário é um grande privilégio, e na vida de muitas pessoas começa como uma grande paixão. Querem ir e querem ir já, porque há tantos que se perdem. Estudar muito seria uma perda de tempo.
Eu estou totalmente convencida do contrário. A tarefa é urgente sim, mas isso não significa que devemos ser imediatistas, nem que Deus tenha pressa. Deus se preocupa muito em preparar seu servo da melhor maneira para que se torne instrumento de bênção na hora própria.

A Necessidade de Confirmar a convicção da Vocação.

Não existe chamado a Cristo para a salvação, nem chamado para o discipulado, para o serviço, para a renúncia por amor a Cristo, em resposta grata ao Senhor que sendo rico, santo, glorioso, por amor de nós se fez pobre, vulnerável, pecado. Nesse sentido, o missionário não é diferente de qualquer outro cristão. O Espírito Santo foi dado à igreja, e a todo cristão verdadeiro para nos fazer testemunhas de Jesus Cristo (At 1:8). O que há então de especial no chamado missionário? Como posso saber se eu fui chamado, se a outra pessoa foi chamada?
Até certo ponto se trata de uma experiência subjetiva, no sentido de ser intensamente pessoal, e íntima. Por outro lado precisa de confirmação objetiva, deve haver outros que reconheçam e apoiem esse chamado.
Como a Bíblia nos ajuda para saber se tenho chamado, e para onde ou o quê Deus está me chamando?
Em primeiro lugar mostra que não há 2 chamados iguais, cada pessoa foi chamada de uma maneira especial, mas todos os chamados de Deus eram reconhecíveis e até certo ponto reconhecidos pelos fiéis e obedientes:

• Abraão foi chamado a abandonar sua família e terra e a peregrinar em terra desconhecida.
• Moisés foi chamado quando não mais o desejava, e quando se sentia menos capacitado e apesar de ter sido rejeitado pelo povo quando tentou ajudar.
• Davi, quando não pensava em nada além de sua tarefa de cuidar das ovelhas do pai;
• Samuel, quando era menino pequeno, consagrado pela mãe;
• Jeremias, como jovem sensível e tímido;
• Isaías, como pessoa marcada pela visão da glória de Deus;
• Neemias, porque foi sensibilizado com o sofrimento do seu povo, foi chamado a deixar o luxo e conforto da corte e a se identificar com um povo que vivia em circunstâncias simples, difíceis, e muita insegurança;
• Amós foi tirado de sua labuta no campo para levar a palavra de Deus ao reino do Norte que vivia em plena rebelião contra o Senhor, adorando falsos deuses e cometendo todo o tipo de injustiças sociais;
• Jonas, que não tinha o menor interesse na salvação dos assírios, foi enviado e usado por Deus para salvar a cidade que quer ver destruída;
• Pedro, quando reconheceu ser um pecador indigno, e Deus foi quebrando sua inconstância e seus preconceitos e tornando-o um instrumento para a salvação de muitos;
• Mateus, trabalhando na desprezada coletoria;
• Paulo, em plena tarefa de perseguir a igreja… Paulo o judeu extremamente zeloso e defensor das suas tradições tornou-se o instrumento de Deus para escancarar a porta da salvação para os gentios.

O que havia em comum é que uma vez chamados, esses homens de Deus não podiam se calar, e continuar seus caminho como se nada tivesse havido.

Nem todo o chamado é para missões transculturais, mas toda igreja deve comprometer-se com essa tarefa que Jesus lhe transmitiu. Isso faz parte da própria natureza e propósito básico da Igreja. E toda pessoa chamada deve ter o apoio e a confirmação da sua igreja, de líderes cristãos amadurecidos. Caso sua igreja local não tenha ainda visão missionária, você pode ser um instrumento para despertá-la e haverá outros “pais na fé” que reconhecerão o seu chamado. (Veja o caso de Barnabé, enviado pela igreja de Jerusalém; e Paulo e Barnabé, enviados pela igreja de Antioquia).

Uma pessoa chamada por Deus não vive em paz enquanto não obedece a esse chamado, e sentirá alegria e satisfação na obediência, recebendo o amor e a compaixão de Deus pelo povo a quem deve servir. Estará disposta a abrir mão de vários projetos/ambições pessoais para colocar a obediência ao chamado em primeiro lugar. Isso não significa que imediatamente seus problemas, suas fraquezas e ambições serão eliminadas. Como todos os demais cristãos ele também é muito influenciado pela sua cultura e contexto, e precisará de muita graça e muita paciência de Deus, além de um bom treinamento apropriado, para aprender a desenvolver as atitudes mais próprias (veja o caso da preparação de Pedro para sua visita a Cornélio).

O chamado para servir a Deus através da nossa profissão é tão válido e espiritual quanto o de deslocar-se a outras terras. Enquanto há cidades com excesso de profissionais no Brasil, há outros lugares com grande carência. Porque não nos oferecemos a ir aos interiores carentes de nossa terra? Ou para servir aos menores carentes ou outros grupos marginalizados nas grandes cidades?

Algumas correntes de pensamento dizem que o importante é saber para qual ministério você foi chamado, você precisa verificar seus dons, seu treinamento, etc. e então definir onde poderá melhor servir. Tem muito de verdade nisso. Nem toda a pessoa tem as qualificações e dons apropriadas para todo o tipo de ministério, Deus deu capacidades diferenciadas para os membros do corpo. E normalmente um chamado missionário não é para começar a fazer aquilo que nunca fiz, mas para fazer aquilo que já estou fazendo em outro contexto específico. Por outro lado, há um perigo de ser muito rígido nessa concepção, de chegar ao campo e de não estar disposto, disponível para fazer aquilo que é necessário, que se espera de nós, porque somos especialistas em nossa própria área. Uma das qualificações importantes para o campo é a flexibilidade. Ouvi uma vez um missionário dizer que precisavam de mais “generais” no campo, i.e. pessoas dispostas a servir em “generalidades”.

Outros enfatizam muito a questão do local do chamado. O missionário em treinamento deve saber para onde foi chamado, se não o souber negam que haja chamado. Alguns mentalizam um lugar porque não agüentam a pressão de ser alguém que não sabe; outros sofrem agonias tentando saber, decidir. Eu creio que em muitos casos Deus dirige o vocacionado para um determinado lugar, mas essa direção vem na hora que Ele achar conveniente. O importante é estar disponível, e andar de acordo com a luz que já recebemos. E buscar informações sobre campos, agências, possibilidades e necessidades, num processo de oração e confiança. Na hora certa o missionário poderá tomar sua decisão com toda a confiança.
Porque essa convicção é tão importante? Porque sem ela é muito fácil desanimar ou desistir no meio do caminho, mas quando temos uma forte e profunda convicção de chamado teremos mais disposição a resistir, com a ajuda e a graça de Deus.

Qualidades básicas do missionário:

Aquilo que somos é mais importante do que aquilo que falamos ou fazemos. Deus procura um relacionamento mútuo de amor com seus filhos redimidos. E é nossa maneira de ser, de relacionar-nos com as pessoas que tornará nossa mensagem aceitável ou não às pessoas. Por isso a qualificação essencial é que sejamos marcados pela presença de Jesus em nossas vidas, que as pessoas reconheçam em nós o seu amor, sua graça, sua verdade.
Para que isso aconteça precisamos andar com Ele, estar como Ele, como foi o caso dos primeiros discípulos. Permitir que sua vida cresça em nós, que comecemos a ver o mundo e as pessoas com os olhos compassivos e justos dele. A Bíblia tem pouco a dizer sobre métodos missionários e muita ênfase na intimidade com Deus. Que Deus nos dê esse coração de procurar desenvolver a intimidade com Ele, muito mais do que a eficiência ou a quantidade de nossas obras feitas para ele (Mc 3:13-15; Jo 4:23; Ex 33 e 34:1-9). Moisés não aceitou a oferta da terra, e de um anjo poderoso como guia protetor - recusou-se a dar mais um só passo se Deus não estivesse pessoalmente com eles. E quanto mais intimidade alcançou, mais cresceu o seu desejo de uma intimidade mais profunda. Se não desejamos aprofundar a intimidade com Deus é porque ainda sabemos muito sobre Deus, mas conhecemos pouco a Ele.

O Treinamento Missionário

Quando Deus me convenceu de que eu tinha um chamado para o ministério transcultural, através de todo um processo, eu pedi: “Senhor, dê-me a oportunidade de receber uma boa formação”. Naquela época (l979) ainda havia poucas opções no Brasil, e comecei a fazer pesquisas, e fiquei convencida que o All Nations Christian College seria o lugar indicado. Quase todos os alunos (de todos os continentes) são profissionais, e todos os professores tem 5 anos ou mais de experiência em ministério transcultural. Realmente foi uma experiência muito rica, que me deu não apenas uma boa base bíblico-teológica, mas um excelente preparo para servir e trabalhar num contexto transcultural. Como isso me valeu no campo, em Angola e Moçambique! Não vou dizer que não cometi erros ou enganos, mas eu tinha uma boa base até para superá-los através do diálogo, e para procurar sempre entender e valorizar uma cultura diferente da minha.
Na Angola eu convivi com meus amigos missionários brasileiros, a maioria dos quais tinha uma boa formação bíblico-teológica, mas faltava qualquer preparo transcultural. Sofriam muito, desnecessariamente, porque não tinham sido preparados para esse confronto e integração a uma cultura diferente. Alguns cometeram erros graves por essa falta de preparo. Fiquei convencida do quanto é indispensável um treinamento apropriado, e fiz o meu mestrado com esse objetivo, de me tornar um instrumento nas mãos de Deus para contribuir com o preparo de outros missionários brasileiros. E é o que estou fazendo em Viçosa, no CEM, nos últimos 4 anos, depois de 10 anos de experiência abençoada no campo.
Percebo que muitos vocacionados tem pressa demais, e sempre procuro mostrar a importância de um bom preparo, que dá muito mais fruto a médio e longo prazo. Esse preparo inclui uma boa base bíblico-teológica, matérias missiológicas (vida missionária, contextualização, antropologia cultural, teologia bíblica de missão, fenomenologia da religião e outras); e uma boa base de experiência prática – ministério na igreja local, ministério com comunidades carentes, ministério transcultural (em tribos, grupos étnicos minoritários, ou outros países latinos): além de um preparo na vida devocional e na batalha espiritual, um bom conhecimento pelo menos do inglês, e muitas vezes de outra(s) língua(s).
O preparo não é algo diferente da própria vida missionária, o preparo já é vida missionária. Se os queridos vocacionados e suas igrejas compreenderem isso, vai ser uma grande ajuda.

Fonte: http://www.familiamatioli.com.br/

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

5º Congresso Brasileiro de Missões: um panorama


Elben César

Cabeça cheia, mas não confusa

Durante a viagem para Águas de Lindóia, SP, para participar do 5º Congresso Brasileiro de Missões (CBM), de 13 a 17 de outubro de 2008, o Mineiro com Cara de Matuto leu o livro “Grandes Entrevistas”, de Jamierson Oliveira. Foi um bom preparo.

Na entrevista com Alderi Souza de Matos há uma palavra animadora: “Apesar de todos os seus percalços, o cristianismo legou ao mundo uma história de solidariedade e altruísmo, bem como ideais de liberdade, tolerância e democracia”. Na entrevista com Serguem Jessuí há uma acusação muito séria: “Fazemos muita referência ao atraso do mundo não cristão, mas precisamos ter consciência de que o chamado mundo cristão produz muitas desgraças. Quantas mortes de crianças são produzidas pelos embargos comerciais? As políticas macroeconômicas, geradas pelas nações cristãs ricas, aniquilam até mesmo outras nações cristãs coirmãs”. Na entrevista com David Botelho há uma informação curiosa: “O filme “Jesus”, produzido pela Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, é o mais pirateado no mundo muçulmano”. Na entrevista com Satie Julia Mita, há uma referência, não à janela 10/40 (o cinturão geográfico que reúne a maioria dos povos não-alcançados), mas à janela 4/10 (o cinturão etário que envolve crianças de 4 a 10 anos, expostas à influência da criminalidade, da imoralidade e da violência, e que precisam ser evangelizadas). Na entrevista com José Carlos Alcântara, há um dado alarmante: “Cerca de três mil línguas carecem das Escrituras, totalizando quase 400 milhões de pessoas que não podem ler nem um versículo sequer da Bíblia em sua língua materna”. Na entrevista com Ronaldo Lidório, há uma informação incômoda para a igreja brasileira: “Há ainda 103 grupos indígenas sem a presença missionária”. E na entrevista com Silas Tostes, coordenador do 5º CBM, há uma queixa amarga: “Em benefício da evangelização do mundo temos que superar vários entraves: falta de base bíblica de missões e de uma teologia de sofrimento e sacrifício, igrejas denominacionalistas e sem visão, investimento somente naquilo que traz expansão do império ministerial, missionários mal treinados e desacompanhados no campo e deficiências de algumas agências missionárias, além de outros pontos”.

Com tudo isso em mente, o Mineiro com Cara de Matuto chegou a Águas de Lindóia.

Mães de joelhos, filhos em pé
O salão de convenções do Hotel Monte Real estava cheio. Além dos muitos participantes avulsos, havia 1.543 pessoas inscritas. Dos 66% que informaram sua filiação denominacional, quase todos eram membros de igrejas históricas: batistas bem na frente, seguidos dos presbiterianos. Por ser a maior denominação brasileira, a Assembléia de Deus teve poucos representantes. O Mineiro teve a impressão de que o CBM atrai muito mais gente do que os outros encontros e congressos realizados no país. Mais da metade dos participantes (59%) veio dos três estados vizinhos (SP, RJ e MG), e havia um bom número de jovens entre 21 e 30 anos (245 participantes).

As camisetas que os participantes usavam davam vários recados. Uma delas dizia: “Jesus, 1º amor” e lembrava as palavras de Jesus ao pastor de Éfeso: “Você abandonou o seu primeiro amor” (Ap 2.4). Mayra Litz, do Projeto Pró-Vida, de Belém do Pará, grávida pela primeira vez, vestia uma camiseta com os dizeres: “Não criamos filhos para povoar o inferno” (na frente) e “Mães de joelhos, filhos em pé” (atrás).

Corroborando a certeza de Mayra e de seu marido Thomaz, o Mineiro se lembrou do testemunho dado por Dora e Nelson Bomilcar naquela manhã. Ela é uma das coordenadoras do ministério Desperta Débora e ele, pastor e missionário. Ambos são filhos de Laura Bomilcar, cantora de rádio dos idos de 1945-1950, convertida ao evangelho em 1965. Depois do encontro com Cristo, Laura começou a orar pelos filhos, consagrando-os ao Senhor, e Deus ouviu suas orações.

Mulheres no campo missionário e no púlpito
As mulheres eram maioria entre os participantes (quase o dobro do número de homens), mas minoria entre os preletores (menos de 20%) e entre os organizadores (25%). Todavia, não houve injustiça contra elas, pois dos cinco preletores das oito palestras realizadas pela manhã três eram mulheres (Durvalina Bezerra, Barbara Helen Burns e Antonia Leonora van der Meer).

De fato, a mulher tem um papel importante na história de missões. Em um impresso do “Internacional Bulletin of Missionary Research”, há a informação de que existem 4,4 milhões de mulheres exercendo algum ministério cristão de tempo integral ao redor do mundo. Um amigo de Brasília relatou ao Mineiro que dos 1.901 missionários católicos brasileiros que estão no exterior, 1.502 são mulheres (78,15%). Outros relatórios confirmam a predominância de missionárias sobre missionários. A InterAct, por exemplo, missão evangélica sueca da qual faz parte o missiólogo Bertil Ekströn, tem 41 mulheres e 35 homens no campo. O mesmo acontece com a missão americana à qual pertence o missiólogo Timóteo Carriker -- 58% dos missionários são do sexo feminino. Para encorajamento das mulheres presentes, alguém deveria ter lembrado que há 140 anos os congregacionais fundaram nos Estados Unidos a Junta Feminina de Missões Estrangeiras.

Embora seja uma prática recente, contra a qual ainda há muita resistência, é cada vez maior o número de pastoras. Exemplo impressionante vem da Igreja Luterana da Suécia: as primeiras três pastoras foram ordenadas há menos de 50 anos (abril de 1960). Hoje, dos 4.386 clérigos da igreja sueca, 1.915 são mulheres (43,6%).

Parceiros do sucesso ou do fracasso missionário
Nos primeiros congressos missionários realizados no Brasil, era comum encontrar jovens e adultos que se sentiam vocacionados para missões, mas permaneciam nesse estágio. No 5º CBM foi possível encontrar vários desses ex-candidatos -- agora missionários de fato. O público ouviu o testemunho de alguns deles e ficou impressionado. O próprio Mineiro reencontrou missionários que havia visitado anos antes em Angola (Maria Pires, Analzira Pereira do Nascimento, Valdeci Anacleto e Osvaldo Lopes), em Macau (Olinto e Dalziléa de Oliveira e Shalon Fan) e na Áustria (Paulo Moreira Filho).

Ao se medir a obra missionária brasileira, chega-se à conclusão de que os acertos, os avanços e os sucessos são bem maiores do que os erros, recuos e fracassos. Antes, havia muita empolgação e pouco amadurecimento, o envio de missionários era desordenado e afoito, não se procurava uma formação missionária, não havia escolas de missão e assim por diante. Por causa disso, a permanência no campo era muito curta e muitos missionários retornavam, produzindo efeitos negativos para os missionários, para as igrejas enviadoras e para as igrejas receptoras. Embora a taxa de retenção de missionários no campo de outros países enviadores ainda seja maior do que a brasileira (70% para aqueles e 52% para o Brasil), nossos missionários estão permanecendo cada vez mais tempo no campo. A direção do CBM chamou à frente e homenageou vários deles que estavam presentes no evento.

Um dos livros lançados durante o congresso foi o “Dignos de Cuidados” (Editora Descoberta), escrito por cinco respeitados pesquisadores estrangeiros. O assunto do livro é a retenção missionária no âmbito mundial. A permanência do missionário transcultural no campo não depende apenas dele. São parceiros de sua permanência ou de sua volta prematura: a família, a igreja da qual o missionário é membro, a agência missionária que o enviou, os irmãos e as organizações que assumiram livremente a obrigação de sustentá-lo no campo e também todos aqueles que prometeram orar por ele. A agência ou a escola missionária que forneceu o preparo bíblico, teológico, missiológico, antropológico, devocional e outros, tem sua parte tanto no sucesso como no fracasso do missionário.

Há que se fazer distinção entre o retorno prematuro inevitável e o retorno potencialmente evitável. No primeiro caso, podem estar a aposentadoria normal, a morte no campo, ou a conclusão do projeto abraçado e desenvolvido. No segundo, estão os problemas pessoais, familiares, relacionamentos difíceis com colegas missionários e com agências, e problemas culturais (falta de contextualização ou dificuldade na aprendizagem da língua estrangeira).

Ao tratar do delicado assunto da volta prematura dos missionários, ninguém se lembrou dos dois Joãos: João Marcos (no primeiro século) e John Wesley (no século 18). O primeiro deixou Paulo na mão no início da primeira viagem missionária e voltou para casa (At 13.13). O segundo permaneceu pouco mais de dois anos como missionário nos Estados Unidos (de outubro de 1735 a janeiro de 1738) e também voltou para casa depois de uma série de insucessos. Porém ambos vieram a crescer e a amadurecer e foram muito bem-sucedidos posteriormente (2Tm 4.11).

O acupunturista que evangelizava os pacientes enquanto os perfurava de agulhas
Entre os preletores do 5º CBM estavam o indonesiano Gideon Imanto Taubunaan e o nigeriano Reuben E. Ezemadu. Taubunaan é formado em física nuclear, mas dedicou-se à atividade missionária. É doutor em estudos interculturais pelo seminário Fuller, na Califórnia. É fundador e diretor de muitos empreendimentos nacionais e internacionais. Ele contou a história de um muçulmano que se converteu numa penitenciária indonesiana e, depois de livre, tornou-se médico acupunturista e começou a evangelizar seus pacientes enquanto os perfurava com agulhas. Por ser muito conhecido, ele alcançou muita gente de nível social elevado. O pregador indonesiano falou em indonésio e foi interpretado pelo brasileiro Isaque Hattu, que também interpretou o presidente Lula quando ele esteve em Jacarta, em julho de 2008, e o presidente da Indonésia quando este veio a Brasília em novembro do mesmo ano. Após a palavra de Taubunaan, fez-se o lançamento do livro “Povos Não Alcançados da Indonésia”, ricamente ilustrado, traduzido pela missióloga indonesiana de origem chinesa Margaretha Adiwardana e publicado pela Associação Missão Esperança (AME). A Indonésia é o maior arquipélago (mais de 17 mil ilhas) e o país de maior população muçulmana do mundo.

Ezemadu, o segundo preletor estrangeiro, é um velho amigo do Mineiro. Por terem sido membros da Associação de Missões do Terceiro Mundo (TWMA), se encontraram várias vezes, na Coréia do Sul, no Japão e até mesmo no Brasil, no Centro Evangélico de Missões (CEM), em Viçosa, MG. O nigeriano é fundador e diretor internacional da Fundação Cristã Missionária, que tem 383 missionários na Nigéria e em outros nove países africanos. Em sua fala, Ezemadu queixou-se dos colonizadores europeus que traçaram as fronteiras da África a seu bel-prazer, separando geograficamente populações inteiras da mesma etnia e da mesma língua -- uma das maiores causas dos constantes atritos bélicos no continente. Ele projetou o lado oriental da África e o lado ocidental da América do Sul, mostrando como os contornos de ambos os continentes indicam que eles estiveram unidos em algum passado remoto. “Poderíamos nos reencontrar, quem sabe por meio da troca de missionários: os nigerianos viriam para a Bahia para evangelizar os descendentes de escravos, e os brasileiros iriam para a Nigéria e outros países para evangelizar os descendentes dos escravos que voltaram para a África”.

Diversidade missionária
Entre os missionários que o Mineiro encontrou em Águas de Lindóia, estava uma moça que tinha acabado de completar 21 anos. Apesar da tenra idade, Raquel Froes Napoli já passou um ano na Bolívia (onde aprendeu a língua e como lidar com outra cultura), cinco meses no Reino Unido (onde aprendeu inglês e a arte da intercessão missionária) e quatro anos na Índia (onde concluiu seus estudos básicos e integrou uma equipe de jovens que levava Jesus aos jovens nativos). Nascida em Guarulhos, SP, e filha de pastor presbiteriano, Raquel teve uma experiência de conversão ainda criança e, com a idade de 14 anos, entendeu que Deus a estava chamando para ser missionária. A essa altura, David Botelho, fundador da Horizontes América Latina, em Monte Verde, MG, estava empolgado com o projeto Revolution Teen, cujo propósito é preparar adolescentes para missões, valendo-se de exemplos da história bíblica (caso daquela menina israelita que trabalhava na casa de Naamã, militar da mais alta patente do exército sírio) e da história de missões (casos de John Wesley, Dwight Moody e João Ferreira de Almeida, que começou a traduzir a Bíblia para o português aos 16 anos).
Além do mais, é muito mais fácil aprender outra língua e adaptar-se a uma nova cultura quando se é jovem. Antes de completar 15 anos, Raquel já estava em Monte Verde para receber sua formação secular e missiológica.

O Mineiro encontrou também o jovem médico José Rocha Júnior. Aos 37 anos, ele e sua esposa, Andréa, um ano mais nova, e os três filhos são missionários no Senegal, na costa Atlântica da África, há nove anos. Eles desenvolvem projetos integrais na área de saúde, evangelismo e discipulado em Dakar. Júnior tinha 20 anos quando participou do Encontro Fazedores de Tendas, realizado no CEM em outubro de 1992, com a presença do médico canadense Steven Foster, missionário em Angola, e de J. Christy Wilson, engenheiro no Afeganistão. Foi quando recebeu o chamado para trabalhar como médico missionário.

O Mineiro conheceu também um outro brasileiro, que é auxiliar administrativo de uma multinacional no Afeganistão. Ele aproveita as horas vagas para treinar cristãos locais e líderes de organizações não-governamentais que trabalham na área de educação e da Jocum. Era usuário de drogas até a idade de 18 anos, quando se converteu na cidade do Rio de Janeiro. Recebeu o chamado ao ler o livro de Atos e perceber que toda aquela movimentação para proclamar Cristo a todas as nações deve continuar, porque a obra não terminou.

Num dos estandes havia um grupo de jovens que chamou a atenção do Mineiro. Todos são ex-missionários da Jocum e vivem em Petrópolis, RJ. Embora sejam membros de diferentes denominações, estão juntos porque têm o mesmo ideal e servem a Deus sob o mesmo guarda-chuva, a 3C Network. Um dos trabalhos deste grupo de pesquisadores (historiadores, gestores e comunicadores) é prestar auxílio às missões e aos missionários. O ministério do grupo é financiado por corporações, instituições e indivíduos.

Ainda há muito por fazer
No que diz respeito à proclamação do evangelho ao mundo todo, as notícias são alvissareiras e surpreendentes. Hoje há mais cristãos não-brancos (56%) do que brancos (44%). Temos, no momento, 4.340 agências missionárias e 443 mil missionários cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes) ao redor do mundo. Destes, 19 mil são africanos servindo ao Senhor em outros continentes. O número de missiólogos (pesquisadores, incentivadores, professores de missão, autores de livros sobre missão, estatísticos etc.) cresce a cada ano. O mesmo acontece com as escolas de missão. Vários países, como Coréia do Sul, Nigéria, Filipinas e Brasil, deixaram de ser exclusivamente campos missionários para se tornarem países enviadores de missionários. Desde a Conferência de Evangelização Mundial (conhecida como Lausanne I), realizada em Lausanne, na Suíça, em 1974, temos tido vários congressos missionários de âmbito mundial (Lausanne II, em Manila, em 1989), intercontinental (Congresso Missionário Ibero-Americano, em São Paulo, em 1987) e nacional (o Congresso da Aliança Bíblica Universitária do Brasil em 1976, os Congressos Brasileiros de Evangelização em 1983 e 2003, e os quatro primeiros CBMs).

Apesar de tanta surpresa e avanço, ainda há muito por fazer e os desafios são enormes. Por causa da descristianização das nações mormente européias, agora a igreja cristã é obrigada a reevangelizá-las (há missionários negros e pobres tentando ganhar para Cristo os anglo-saxões e latinos brancos e ricos). Em dois milênios de missões, dos 6,6 bilhões de habitantes, apenas 2,2 bilhões se declaram cristãos (31,4%). Dom Eugênio Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, foi mais categórico ao afirmar que apenas 18% dos homens conhecem a Cristo. É provável que a porcentagem seja menor. O número de cristãos evangélicos está em torno de 259 milhões.

O que acontecerá em outubro de 2010 é fantástico. A Cidade do Cabo, na África do Sul, deverá sediar a 3ª Conferência de Evangelização Mundial, o Lausanne 3. Além do encorajamento evangelístico e missionário que os crentes receberão ali, o evento terá um significado histórico. Na mesma data e local, duzentos anos antes, deveria ter acontecido a primeira conferência missionária internacional, por iniciativa de William Carey (1761-1834), missionário inglês na Índia, conhecido como o “pai das missões modernas”. O projeto de Carey não foi concretizado, mas, cem anos depois, o americano John R. Mott (1865-1955) liderou a memorável Conferência de Edimburgo, na Escócia (outubro de 1910).

Outro acontecimento notável será a 6ª edição do CBM, que acontecerá no Nordeste pela primeira vez (Recife, em 2011).

O Mineiro com Cara de Matuto, leitor compulsivo de John Stott, faz questão de terminar essa reportagem citando o próprio: “Os seres humanos, criados por Deus, à imagem de Deus e para Deus, passarão a eternidade sem Deus, irrevogavelmente banidos da sua presença. Há uma solene alternativa diante de nós: a participação ou a exclusão da glória de Jesus” (A Bíblia Toda, O Ano Todo, p. 352).

Fonte: Revista Ultimato

*A Ultimato publicou em sua última edição várias matérias referentes ao 5º CBM.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa: Um relançamento


Amados irmãos e leitores, a algum tempo publiquei na internet a Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa. Ela reúne poemas de caráter genuinamente cristão de grandes nomes da literatura lusófona, desde Camões até os dias atuais, passando por escritores e poetas como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Alexandre Herculano e muitos e muitos outros. Poemas de mais de 80 autores, dentre brasileiros, portugueses e africanos.
Pois bem, apenas a formatação (o layout) do e-book não fazia jus à obra, pois tive eu mesmo que editá-lo (sem grandes conhecimentos na área) , já que o colaborador que realizava o trabalho para mim encerrou este tipo de atividades. O resultado não ficou o ideal...

Mas a pouco tempo, o irmão, Rev. Giovanni C. A. de Araújo*, que trabalha com editoração eletrônica na Sociedade Bíblica do Brasil, baixou a obra, e se ofereceu para criar uma diagramação profissional para o livro, gratuitamente. E o resultado ficou realmente sensacional!

Por isso estou realizando um ‘relançamento’ da Obra, com o mesmo conteúdo, mas agora muito mais bonita e agradável de se ler. Se você aprecia a arte poética, independente de sua religião, vale a pena baixar este pequeno tesouro. É gratuito, e você pode enviar para quem quiser.

Baixe o livro, Clicando Aqui.

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*O Rev. Giovanni é dedicado à área Litúrgica, escrevendo sermões e liturgias (nos quais gosta de inserir poesias), e além de seu site principal, que mantém com sua esposa, o Giovanni e Tatiana (http://www.tatigi.com.br/), mantém ainda o blog Café com Alecrim (http://cafecomalecrim.blogspot.com/) , e presta trabalhos como editor de publicações impressas ou eletrônicas.

66 RAZÕES BÍBLICAS PARA MISSÕES MUNDIAIS


Gênesis 12:3
Naum 1:5
Êxodo 19: 5,6
Habacuque 2:14
Levítico 19:24
Sofonias 3:8
Números 24:17,17
Ageu 2:7
Deuteronômio 28:9,10
Zacarias 14:9
Josué 4:23,24
Malaquias 1:11
Juízes 2:21,22
Mateus 28:18-20
Rute 1:16
Marcos 13:10
I Samuel 17:46
Lucas 24:47
II Samuel 22:50,51
João 10:16
I Reis 10:23,24 Atos 1:8
II Reis 19:19
Romanos 15:20
I Crônicas 16:23,24
I Coríntios 15:24
II Crônicas 6:32,33
II Coríntios 5:19
Esdras 1:2
Gálatas 3:14
Neemias 9:6,7
Efésios 1:10
Ester 4:14
Filipenses 2:10
Jó 1:7,8
Colossenses 1:6
Salmos 96:1-3
I Tessalonicenses 1:8
Provérbios 8:15,16
II Tessalonicenses 1:7,8
Eclesiastes 3:14
I Timóteo 3:16
Cantares de Salomão 8:13
II Timóteo 4:1
Isaias 49:6
Tito 2:14
Jeremias 33:9
Filemon vers 9
Lamentações de Jeremias 3:37-39
Hebreus 1:2,3
Ezequiel 36:23
Tiago 1:18
Daniel 7:13,14
I Pedro 5:9
Oséias 1:10
II Pedro 3:13
Joel 3:14
I João 4:14
Amós 9:11,12
II João: 7
Obadias: 1
III João: 6,7
Jonas 4:11
Judas: 25

Escrito pelo Pr. João Carlos Bachim

Missão AVANTE - http://www.missaoavante.org.br

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

TRADUÇÃO DA BÍBLIA - O que fazer para ajudar?


- Davi Oltrogge

1. Orar

A oração é primordial na expansão do Reino de Deus. O esforço missionário da Igreja ficaria fraco, raquítico, sem as orações fervorosas e persistentes dos seus membros.

a) Ore por mais obreiros. Jesus Cristo nos disse que orássemos ao Senhor da seara, implorando-lhe a enviar mais obreiros à colheita. Apesar de a obra missionária estar progredindo muito bem em muitas regiões do mundo, ainda fica muito por fazer. Calcula-se, por exemplo, que atualmente existem ainda dois mil grupos étnicos sem a Palavra de Deus na sua língua materna.

b) Ore pelos grupos que ainda estão sem Bíblia. Ore que Deus comece já a preparar o terreno espiritual para que, ao se iniciar o trabalho de tradução, haja corações dispostos a responder afirmativamente. Ore por todos aqueles que irão participar do trabalho. . . , não somente pelos tradutores que serão enviados, como também por aqueles membros das respectivas comunidades que colaborarão com freqüência como co-tradutores.

c) Ore por aqueles que já estão envolvidos na obra. Clame a Deus por aqueles que se encontram no campo neste momento, e pelas agências e igrejas enviadoras e seus respectivos líderes e administradores. Que não esmoreça a sua visão dos grupos que ainda carecem da luz resplandecente da Palavra de Deus. Que não deixem que Satanás os derrote na batalha espiritual, neutralizando assim o poder dos seus ministérios e degradando o nome do Senhor. Ore que Deus toque continuamente nos corações daqueles que já se comprometeram a ofertar de seus bens. Quantos missionários foram obrigados a voltar aos seus países de origem por falta de sustento econômico?

d) Ore por você mesmo. Peça ao Senhor que o ajude a desenvolver as qualidades exigidas pelo trabalho de tradução, alfabetização em língua materna, e outras áreas afins. Peça constância, firme compromisso, fidelidade, visão, paciência, forças (físicas e espirituais), e – sobretudo um coração quebrantado pelos não-alcançados.

2. Informe-se

O crente informado é o crente que ora inteligente e enfocadamente pelas necessidades e situações específicas relacionadas com a tradução da Bíblia. Que as suas orações vão muito mais além de um simples “Senhor, abençoa os missionários”! Os tradutores e missionários também esperam que você ore com maior profundidade!

a) Informe-se sobre o quadro geral da tradução bíblica. Como se procede num projeto de tradução? Quais são alguns resultados da tradução bíblica? Há problemas e desafios especiais acarretados pela tradução? Como vai a obra em determinadas áreas do mundo? Procure entrar em contato com as agências que se dedicam à tradução e assine seus boletins informativos e de oração.

b) Informe-se sobre um ou mais projetos específicos de tradução. Adote um desses projetos como foco de interesse especial. Consiga os nomes de uma ou mais equipes de tradução, alfabetizadores, ou pessoal de apoio que estão trabalhando no campo neste momento, e inicie um diálogo com eles por correspondência. Procure compreender a situação destas pessoas: os desafios da simples sobrevivência, a oposição espiritual, detalhes interessantes da cultura local, facetas especiais da língua, problemas específicos decorrentes da convivência em outra cultura, entre outros aspectos. Faça amizade com estes obreiros, comprometendo-se para orar fiel e regularmente em favor deles.

c) Informe-se sobre vias alternativas de serviço, acessíveis nesta altura. Com freqüência, quando um jovem contempla a possibilidade de uma carreira missionária, surgem dúvidas sobre o seu futuro local de serviço. Por outro lado, parece-me muito mais importantes certas outras perguntas, como por exemplo: De que maneira os meu dons e habilidades poderiam contribuir à obra? Como devo me preparar para um labor transcultural?, ou, Quais são os mecanismos de envio missionário que devo investigar? Alguém disse, “Importa mais a equipe a que pertences do que o campo onde jogas.”

Em resumo, procure informações. Quais são as opções de filiação que lhe abririam passo a um trabalho de tradução? Existem estruturas adequadas dentro da sua igreja ou denominação? Ou seria preferível associar-se a uma agência internacional? Qual é postura doutrinal desta? Como administra as suas finanças e recursos humanos? Tem boa liderança? É aceitável para minha denominação ou igreja? Assine os boletins informativos dos grupos ou agências que mais lhe interessam; consiga livros e vídeos contendo testemunhos dos seus ministérios; fale com missionários enviados por elas – tudo com a finalidade de desenvolver uma percepção adequada de cada uma dessas agências.

Mesmo que você nunca chegue a fazer carreira missionária, é importante estar bem informado acerca das agências e igrejas que enviam missionários. Talvez Deus possa usá-lo como agente catalizador dentro da sua igreja ou denominação em prol da obra missionária e tradução da Bíblia. Para desempenhar tal papel, é imprescindível estar bem informado.

3. Associe-se

“O cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Ec. 4.12). Se você tiver interesse no campo missionário e na tradução da Bíblia, procure outros da sua igreja ou cidade que já compartem essa visão. Se ainda não existem, procure contagiar alguns! Reúnam-se regularmente para se informar dos avanços e obstáculos registrados entre os grupos étnicos ou zonas geográficas do seu interesse especial.

Animem-se uns aos outros em termos dos seus respectivos papéis e responsabilidades relacionados com o esforço missionário e a tradução da Bíblia. Ajudem e animem aqueles que estão buscando a vontade de Deus sobre a possibilidade de irem ao campo. Peçam ao Senhor que lhes mostre com claridade o caminho a seguir. Recolham ofertas especiais para as necessidades rotineiras ou imprevistas dos seus missionários. Nesta empresa, não cabem solitários “desligados”.

4. Seja “promotor”

Se você não puder ir ao campo por enquanto, não se desanime! Além daquilo que eu já disse, você pode desempenhar o papel de promotor da tradução bíblica ao seu redor. Procure conscientizar o seu pastor e presidente da comissão de missões da sua igreja da importância da tradução da Bíblia. Se ainda não existe comissão de missões na sua congregação, prontifique-se para ajudar na criação da mesma. Peça licença para dar breves relatórios à sua congregação com o intuito de conscientizar os membros sobre a valiosa obra de tradução e incentivá-los a orar regular e informadamente por ela. Procure oportunidades para falar mais detalhadamente com outros sobre a tradução – retiros, conferências, seminários, etc. Convide missionários que se encontrarem na sua cidade a fazerem o mesmo, sobretudo os tradutores da Bíblia.

Prepare exposições, colocando-as no quadro de avisos da sua igreja ou em mesas públicas do templo. Prepare e distribua folhas informativas, baseadas nos boletins de oração recebidos. Se estes forem redatados em outros idiomas, recrute um amigo bilíngüe (ou dois ou três deles!) para ajudar na tradução. Consiga vídeos apropriados e faça divulgação deles entre grupos da sua igreja, em outras igrejas da cidade, e da sua região.

Permita, enfim, que a visão se apodere de você de tal maneira que você fique comprometido com a obra agora mesmo, contagiando muitos outros com um profundo sentido de dedicação e devoção para com Deus e seu divino mandato.

Bom, não posso ignorar mais o imperioso grito das tarefas que coloquei de lado para lhe escrever estas linhas. Espero que estes pensamentos, por incompletos e mal traçados que sejam, possam servir para responder sua pergunta.

Que Deus o abençoe!

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O irmão André Filipe (Aefe) iniciou um blog totalmente voltado para questões relativas à tradução bíblica. Lá existem artigos (como este acima), dicas de livros, links e muita informação sobre o tema.

É o blog Tradutores da Bíblia. Acesse: http://tradutoresbiblicos.wordpress.com

Dica de Blog sobre o I S L Ã M

Amados irmãos e leitores, esta dica é para aqueles que estão envolvidos ou se interessam por missões na Europa, bem como a todos os interessados no estudo do Islã em geral e sua crescente influência no Velho Continente, de modo particular.

O blog (em espanhol) 'Islamización de Europa – EURABIA' é um blog que registra diversas informações sobre a presença e o avanço do Islamismo na Europa, além de publicar estudos e links relacionados ao tema.

Visite: http://alianzacivilizaciones.blogspot.com/


sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

E-book missionário para download: Missiologia – Uma Perspectiva Urbana


Amados irmãos e leitores, disponibilizamos aqui para download o estudo ‘Missiologia – Uma Perspectiva Urbana’, escrito pelo Rev. Gildásio Reis*. O pequeno e-book (livro eletrônico) tem 27 páginas, em formato PDF.

Para baixar o e-book, Clique Aqui.

O arquivo foi disponibilizado pelo site Monergismo - http://www.monergismo.com
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*O Rev. Gildásio Reis é pastor da Igreja Presbiteriana de Osasco.

Janela Túrquica ou Janela 35-45


Você sabe onde fica a Janela 35-45, ou Janela Túrquica? Leia no blog EQUATTORIA.

Clique Aqui para o link direto.

Um poema aos Irmãos Morávios

Símbolo dos irmãos morávios

Irmãos Morávios


Os Morávios moravam com Deus
onde Deus não morava com os homens.
Os Morávios moravam com os homens,
para que os homens morassem com Deus.
Com uma Bíblia na mão e um chinelo no pé
os Morávios não moravam em nenhum lugar:
na fé e em Cristo iam orando
tendo a Palavra de Deus como lar.

Luiz Filipe - Aefe! - Visite o blog do autor: Imagem e Semelhança
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Para saber mais sobre os moravianos, leia o excelente estudo OS MORAVIANOS E AS MISSÕES, de Kenneth B. Mulholland , Clicando Aqui.

domingo, 28 de dezembro de 2008

CONTEXTUALIZAÇÃO - Uma abordagem na Obra Missionária


Mis. Maura Juçá Manoel

Introdução
Segundo Donald Sênior e Stuhlmueller no livro Fundamentos Bíblicos da Missão, a contextualização no seu nível mais profundo não implica numa visão de uniformidade, que requer que todas as culturas expressem o evangelho de uma única forma, o que seria impossível.
O cristianismo não é uma religião etnocentrica. Os gentios não precisam se tornar judeus, os chineses não precisam se tornar italianos ou poloneses. A universalidade do Evangelho significa que a fé pode assumir expressões diferenciadas.

Base Bíblica
A missão mundial jamais começa do nada mas dentro de uma cultura pré-existente. Portanto, o ato missionário prescinde uma disposição de identificação com a cultura do povo com o qual se vai trabalhar.

O interesse de Deus por missões.
Missões se baseia na disposição de Deus em ocupar-se com a situação complicada da vida humana não somente enquanto formado de acordo com a sua cultura e valores, mas também enquanto um povo deformado pelo pecado.
A contextualização tem a sua base no processo pelo qual o próprio Deus se utiliza como fonte do estilo de vida de um povo, para se revelar à ele.
Is 55: 6-11 indica que a vontade e propósito de Deus pré-existem desde a eternidade, poranto Ele antes mesmo de ser criador era salvador.
Outro aspecto que indica o processo de conxtualização no exemplo do próprio Deus na sua relação para com a humanidade é que Ele sempre se revelou dentro de formas humanas já existentes.
(ver comentários de Carriker)

Jesus o exemplo
(Citação de John Stott – pagina 5 no livro Missão transcultural –uma perspectiva bíblica)
Jesus se tornou o nosso modelo de contextualização pois a Bíblia afirma que o verbo se fez carne (Jo 1.14), e nessa condição, ele experimentou dor, fome, tudo que fazia parte da carne, ou seja da condição do ser humano que ele se tornou.
De fato, Ele nunca deixou de ser o verbo eterno, mas optou pela identificação com o ser humano.
Este é o principio da identificação sem perda da identidade, é o principio que serve para o nosso trabalho missionário transcultural.

Barreiras
Alguns se recusam a se identificar com o povo com o qual querem servir. Preferem continuar sendo eles mesmos evitando toda e qualquer semelhança com os costumes do povo, permanecendo agarrados a sua herança cultural, impondo a sua própria cultura, desprezando a cultura receptora e consequentemente praticando um imperalialismo cultural extremamente negativo para a obra missionária.

O processo de aculturação possui três etapas segundo Donald Senior e Stuhlmueller: a violência, a indigenização e o desafio.
A fase de violência é a fase inicial quando o missionário chega com novas idéias que transformam as antigas, criam certos choques, e que desencadeiam algum gênero de mudança violenta. É a fase caracterizada pelo estabelecimento de cabeça-de-ponte.
A Segunda fase, que os autores chamam de indigenização é quando a nova idéia lança suas raízes e se re-exprime as suas crenças e práticas religiosas em conformidade com as crenças e práticas locais. Essa é uma fase longa e complicada, que bem direcionada pode caminhar para uma contextualização sadia, mas se for mal encaminhada pode descambar para o sincretismo.
A terceira fase é o que os autores chamaram de desafio, pois implica no desafio profético que transforma tanto a cultura como também a religião.
Segundo a missióloga Norte Americana Barbara Burns, no seu artigo “Teologia contextualizda – a integração da exegese bíblica e estudos missiológicos”, um dos principais desafios no cumprimento da tarefa missionária é a contextualização da Bíblia. Ela argumentou que há muita polêmica no meio evangélico sobre como fazer isso, quais os limites, e até qual é a base para conseguir comunicar os propósitos de Deus em outras culturas.
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Bibliografia

BURNS, Barbara
Capacitando para missões culturais
No. 1- 1996 – Revista Missiológica da Associação de Professores de Missões
Do Brasil – Santo André – SP – 1996

NICHOLLS, Bruce – Contextualização: Um teologia do evangelho e cultura
Sociedade Religiosa Edições Vida Nova
1a. Edição – 1983 - – São Paulo – SP

Evangelho e a Cultura
Abu Editora e visão Mundial
São Paulo- SP – e Belo Horizonte -Minas Gerais
2a. Edição 1985


Via site da Família Matioli (África) - http://www.familiamatioli.com.br/

FOTO - Semeadores...

Jan Pit, Pr. Eliseu Simeão, Irmão André, de Portas Abertas, e irmãos em Angola, durante a guerra em 1981, a caminho de uma igreja em uma região extremamente remota.
Foto: Pr. Julio Pinto

FONTE: http://missionarios.com/

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

CONTATOS HUMANOS - E. A. Nida


Artigo extraído na íntegra do site da Missão Horizontes América Latina. Formulado a partir de trechos do livro Costumes e Culturas, de Eugene NidaUma introdução à Antropologia Missionária, 2a edição em português 1988, Edições Vida Nova.
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Introdução

1. O apóstolo Paulo era de Tarso, uma cidade universitária da época. O convívio dele flutuava entre duas culturas: a judaica e a gentílica grego-romana. Ele não apenas conhecia bem as duas culturas, como fazia parte delas.

2. Embora Paulo seja um padrão para o trabalho transcultural, só houve dois lugares visitados por ele que eram considerados primitivos.

3. Um desses lugares foi a ilha de Creta. Ele mesmo não começou aquele trabalho. Provavelmente, foram João Marcos e Barnabé na famosa separação das equipes missionárias. Paulo nem mesmo trabalhou em Creta, mas enviou Tito. E teve uma passagem muito rápida por ali. Até que ele quis ficar uns 4 meses, mas a tripulação do navio que ia para Roma não quis e quase naufragaram (At 27.7-23). Mesmo assim, os cretenses tinham costumes de piratas, mas foram colonizados pelos gregos há 1500 anos antes de Cristo.

4. Outro campo missionário transcultural para Paulo foi a ilha de Malta. De fato, este foi o único lugar que Paulo visitou que podemos afirmar que se tratava de cultura diferente da cultura judaico-grego-romana que Paulo tão bem conhecia.

5. Não foi uma visita programada, nem uma viagem missionária. Mas foi o resultado do naufrágio daquele navio cheio de prisioneiros.

6. Por um lado podemos dizer que Paulo chegou acidentalmente (naufrágio), mas por outro lado devemos crer que foi a providência divina que o lançou ali.

7. A chegada de Paulo na ilha de Malta serve de inspiração e modelo para o trabalho missionário indígena.

8. A começar pelo acesso, chegar até à ilha de Malta era um desastre (At 27.41-28.1). Os trajetos para alguns trabalhos missionários indígenas são sofríveis (Exemplo: Foz do Içana).

9. O trabalho transcultural antes de tudo é um contato com uma outra realidade. Para o missionário recém-chegado pode não parecer real, mas é que a realidade é um tanto diferente da realidade que ele está acostumado.

Proposição: O candidato ao trabalho missionário deve se preparar para o contato com outra cultura. A estadia de Paulo na ilha de Malta dá um vislumbre do contato do missionário com o campo de trabalho futuro.

O contato com os bárbaros

1. Há uma forte campanha para evitar termos como estes, mas sempre existiram culturas de costumes primitivos, menos desenvolvidas em relação ao desenvolvimento normal do mundo. São os chamados “povos isolados”.

2. Os gregos apelidaram esses grupos de bárbaros, pois como não falavam grego, a língua oficial, tudo o que falavam aos ouvidos dos gregos soava como “bar bar”, como uma criança articulando as primeiras sílabas.

3. O termo se generalizou até chegar aos nossos tempos. A discriminação não está propriamente no termo, mas em considerar-se mais humano do que esses povos.

4. Alguns povos isoladas são bravos. O saudoso missionário Abraão Koop, da Missão Novas Tribos dizia que os Paacas Novos receberam os primeiros missionários com flechas. Assim foi com a tribo Sawi na Papua Nova Guiné, cuja história é relatada no livro “Senhores da Terra”.

5. Os primeiros missionários da New Tribes Missions foram mortos pelos índios Ayoré da Bolívia. As cinco viúvas continuaram o trabalho e viram os assassinos de seus maridos se converterem.

6. Antes da Missão Novas Tribos, três ingleses vieram para o Pará fazer contato com os Kaiopó. Os três foram mortos. Foi escrita a história, não traduzida para o português, desses três jovens. O livro se chama “Os três Freddys”, pois tinham o mesmo nome e a mesma convicção. Isto foi em 1927.

7. Nem todos os bárbaros, ou povos isolados, são hostis. Os missionários das Novas Tribos se preparam para um contato difícil com os Zo’é (na época os Poturu). Para a surpresa de todos o contato foi pacífico. Mais hostis foram os antropólogos que expulsaram os missionários da tribo.

8. O contato com os bárbaros da ilha de Malta foi tão pacífico que eles nem queriam os pertences das pessoas, mas pelo contrário, cuidaram deles e de suas necessidades físicas (v.2).

9. O missionário terá, portanto, contato com pessoas de verdade, amigos de verdade, mas de costumes e maneiras de civilização, às vezes, totalmente diferentes para ele.

O contato com animais peçonhentos

1. É impossível negar a realidade de que o missionário encontrará cobras no campo. O Brasil é um país tropical e tem as mais belas e perigosas variedades de cobras. Em Minas Gerais ver cobras é comum; em Mato Grosso matar cobras é comum; no Amazonas ver e matar cobras é inevitável.

2. Daniel Royer, professor no Instituto Missionário Shekinah, em 1988: “Se o medo dominar a pessoa, ele deixará de comer milho por medo de cobras”.

3. Todos os missionários já foram protegidos de picadas de cobra sem mesmo o saberem. Não existem só as cobras que vemos; aquelas que passam antes de nós ou aquelas que chegam depois de nós, também são reais. Os anjos protegem os missionários, também, das cobras. Criancinhas são protegidas por eles muitas vezes. Se algum missionário ou filho for picado não significa que os anjos dormiram, mas que Deus por alguma razão quis que aquilo acontecesse.

4. Índios são picados por cobras. Os missionários já foram picados por cobras. Ambos são humanos e as cobras não fazem distinção.

5. O missionário Bill Moore entregou ao Senhor sua filhinha de cinco anos. Uma surucucu foi o instrumento de Deus para levar a criança. Élden, filho do missionário Coy, foi picado por cobra.

6. Os animais peçonhentos, insetos perigosos e outros animais são uma realidade do trabalho missionário. O missionário terá contato com esses bichos.

O contato com as crendices do povo

1. O missionário poderá ser visto, às vezes, como um intruso e coisas erradas que, porventura, acontecerem na tribo podem ser atribuídas à ira dos espíritos sobre o povo por causa do missionário (v.4).

2. A tribo Maku guarda o costume milenar de proibir que mulheres vejam o rosto do homem que usa máscara em uma de suas festividades. A penalidade para tal ato é abrir uma grande cova, entrar toda a aldeia dentro e colocar fogo para que todos morram. Os missionários não estão isentos de serem a “maldição” e tampouco estariam livres da penalidade.

3. Outros exemplos — Índios que se abaixam na canoa ao chegar perto de uma montanha com um filete de água. Explicação: É a urina de um demônio que escorre pela montanha.
Índios que saem para o meio da selva uma vez por ano e depositam alimento em cima de uma pedra. Explicação: Alimentando os espíritos que poderiam fazer mal à aldeia. Na China os velhos são venerados e depois de mortos adorados e invocados. Já os esquimós exterminam os velhos, colocando-os numa jangada e mandando para as águas gélidas para morrerem. Muitas culturas não toleram o segundo gêmeo e matam apaziguando os maus espíritos.

4. Os povos estão cheios de crendices. Os nativos da ilha de Malta receberam bem Paulo, mas ao ser picado pela cobra viram-no como um assassino sendo perseguido por forças sobrenaturais.

5. Todo missionário aprende a desenvolver um estudo de cultura chamado “Os Universais”. Cada aspecto da cultura deve ser observado e anotado pelo missionário. Mas ao começar a anotar as crendices o missionário logo vê que a tarefa é imensa. As crendices deles vão de um extremo para o outro. No caso dos maltenses Paulo ou era um homicida ou um deus (v.5-6).

6. O missionário deve ficar atento, pois este é o contato mais sério e difícil dos povos explicarem. É o contato com suas crendices.

O contato com chefes de aldeia


1. O missionário deve se apressar em fazer um bom contato com chefe da aldeia. Isto não significa que será o líder da igreja, mas para ter liberdade de trabalho o missionário precisa ter a aprovação do chefe.

2. Paulo foi bem recebido e ganhou três dias de hospedagem com o chefe da aldeia (v.7).

3. O candidato à obra missionária precisa aprender a respeitar as autoridades desde já, pois seria o fim de seu ministério se não aceitasse a autoridade de um chefe de aldeia e ultrapassasse as suas instruções. É um contato que precisa de treinado desde já. Aprender a obedecer sem questionar.

O contato com doentes

1. O candidato ao trabalho missionário indígena faz coisas que dificilmente faria em nossa sociedade. Nem mesmo seria prudente e legal, ou seja, tratar dos doentes.

2. O curso de enfermagem será muito útil, mas nem todos podem ser enfermeiros. A equipe ideal é aquela que tem pessoas com várias habilidades.

3. Mas de qualquer forma, os doentes são uma realidade para o missionário. O amor pelos perdidos deve se estender para o cuidado com a sua saúde. As coisas mais básicas para nós são incomuns para muitos índios. Por exemplo: fazer um índio tomar comprimidos por 15 dias. Ou o missionário aplica injeções ou cuida do índio como cuidaria de um filho: acorda para dar remédio e faz uma escala para levar o tratamento até o final.

4. Agora multiplique isto por 100, 150, 200 ou mais pessoas. E quando a aldeia é acometida por uma epidemia? E quando há casos em que é necessário pagar um vôo de emergência? Lembre-se que a Missão não custeia remédios e nem viagens. E não poucas vezes o missionário presenciará a morte de crianças e adultos. Outras vezes será acusado pela morte deles por tirar do curandeiro para tratar com remédios.

5. O candidato deve desenvolver a prática da oração pelos enfermos e deixar de pensar só em si. Paulo teve contato com um doente na ilha de Malta (v.8-9). Lembre-se que Paulo era doente e estava indo para a prisão e saído de um naufrágio, mas no momento não estava se lamentando, porém, pensando nos outros.

6. Um contato certo que o missionário terá de enfrentar, é o contato com doentes e alguns deles com doenças contagiosas.

O contato com a honra

1. Talvez o contato mais perigoso que o missionário terá de enfrentar não é com índios bravos, com cobras, com as crendices, com o chefe ou com doenças contagiosas, mas o contato com a honra.

2. A humildade precede a honra, mas é possível uma outra ordem. Quando missionários não são humildes o suficiente para receber honras, pode ser a ruína deles.

3. Achar que pessoas não viveriam sem o nosso trabalho é a pior arrogância do missionário, pois com tal atitude ele está menosprezando os seus companheiros de ministério e a Deus que Lhe dá capacidade para trabalhar.

4. Paulo foi honrado pelos maltenses e até recebeu oferta deles. Mas Paulo chegou naquela ilha por causa de um naufrágio, foi usado por causa da misericórdia de Deus e saiu dali com as honras que deveriam ser devolvidas a Deus assim que entrasse de volta para a embarcação.

5. Cuidado com o contato com a honra. Quando o missionário fica mais conhecido, ele deve manter a mesma atitude humildade daquela com a qual começou a sua carreira.

Conclusão

1. A vida do missionário é uma vida de contato. Os contatos são reais, porém, uma realidade diferente da sua própria.

2. O contato com povos primitivos (bárbaros). O contato com animais perigosos (cobras). O contato com as crendices do povo. O contato com chefes de aldeia. O contato com doentes (e doenças contagiosas). O contato com a honra.

3. O preparo missionário ajudará a amenizar o choque desses contatos e a dependência de Deus fará possível esses contatos.


Via http://missoeseadoracao.net

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

DVDs de Ronaldo Lidório em boa promoção


Esse é um anúncio que eu tenho que fazer: A SEPAL está com uma promoção sensacional: Um Kit Material de Missões, contendo 2 DVDs de Ronaldo Lidório (cada um com duas mensagens) e 1 DVD do Primeiro Congresso de Missões Brasil 21 para Pastores e Líderes (8 horas de vídeo). Tudo isso por R$ 50,00.

Ao receber o anúncio pela newsletter da SEPAL, resolvi me dar um 'presente de Natal' e comprei pela Internet o pacote. Chegou em 4 dias. Neste exato momento acabei de assistir às palestras de Ronaldo Lidório no Congresso Brasil 21, e fui profundamente impactado. Por isso resolvi fazer este anúncio, para que muitos outros possam ser abençoados. A promoção vai até o dia 31/12/2008.

Siga este link direto para a página da promoção (há ainda outros Kits) - http://www.lideranca.org/cgi-bin/mods/ecart/index.cgi?action=viewart&cat=pregacoes&art=promomissoes.dat&catname=pregacoes

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O EVANGELISTA - anunciador das Boas Novas de salvação


É aquele que por Amor as almas perdidas e em Obediência a Palavra de DEUS prega o Evangelho do nosso SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO.

COMO DEVE SER O EVANGELISTA

1. CONVERTIDO - Lucas 22:32 mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.

2. APROVADO - II Tm 2:15 “Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”

3. EXPERIENTE - I Tm 3:6 “Não neófito, para que não se ensoberbeça e venha a cair na condenação do Diabo.”

4. CHEIO DO ESPÍRITO SANTO - Atos 1: 8 “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.”

CINCO LEMBRETES IMPORTANTES

1.ORAR ANTES DE AGIR

2.RESISTIR O INIMIGO E ASSUMIR POSIÇÃO DE AUTORIDADE SOBRE ELE. “Satanás, eu o repreendo em nome de JESUS CRISTO. Você não irá controlar meu casamento, nem meus filhos, nem meu pastor, nem esse meu irmão, nem esta cidade,....”.

3. RECEBENDO UMA CRÍTICA OU REPREENSÃO, procurar verificar se ela tem fundamento, em vez de lutar contra carne e sangue. nos arrepender e acertar tudo.

4. NUNCA PERDER A FÉ NEM ACEITAR SENTIMENTOS DE CONDENAÇÃO - II Tm4:7 Combati o bom combate, acabei a carreira, [guardei a fé].

5. PRESERVAR O RELACIONAMENTO COM OS IRMÃOS À TODO CUSTO - Pv 18:19 “um irmão ajudado pelo irmão é como uma cidade fortificada; é forte como os ferrolhos dum castelo.” JESUS NOS LIBERTA e nos capacita a viver como ELE deseja que vivamos. 1Jo 4:4.

Dentro de nós há o “poder de DEUS”, o ESPÍRITO SANTO que é maior do que o que há no mundo, maior do que todo o poder que o inimigo puder usar. Efésios 6:10 nos exorta a tomarmos toda a armadura de DEUS e resistir “às ciladas do diabo”. DEUS tem providenciado armas “poderosas em guerra” para nossa proteção e para nossa luta ofensiva.
Assim, podemos resistir a todo assalto contra nós e atacar o inimigo! “O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu DEUS, a minha fortaleza, em quem confio;o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio”. Sl. 18:2

FONTE: http://www.missoesmundiais.org.br/

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