sábado, 15 de outubro de 2016

Evangelização ou colonização? - Daniel Buanaher

Começo este texto com uns cinco anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que eu morava em Moçambique, certa mulher, no evangelismo, me deixou sem resposta quando me disse: “Eu aceito esse seu Jesus. Mas quanto aos meus filhos que não têm o que comer hoje à noite? Não tens nada a dizer?” Parece clichê, mas aconteceu de fato.
Rumino essa pergunta desde então. Ouvi reclamações parecidas de outras pessoas, naquela região; hoje, essas lembranças me revisitaram quando li o livro da Analzira Nascimento, Evangelização ou Colonização? Senti que preciso escrever sobre o meu desconforto de ver modelos de evangelização colonialistas, que não se importam com o outro, em pleno século XXI. Deixe-me clarificar isto: meu desejo é ver a missão da igreja permeada com a elegância, inclusão, compaixão e solidariedade do Evangelho. Mas nossa maneira de evangelização, às vezes, é outra. Há ainda muitas caravanas missionárias movidas por motivações muito diferentes das que o senhor Jesus ensinou.
Parece que tenciona-se fazer uma evangelização que simplesmente arrebanhe um grande número de pessoas para encher os templos cristãos. Podemos falhar na nossa abordagem evangelística quando compartilharmos a nossa fé sem respeitarmos a “casa do outro”. A nossa obsessão por cumprir metas e implantar programas pode “invisibilizar” o outro, e isso é colonialismo.
Avanços numéricos de missionários com essa mentalidade em várias regiões do hemisfério sul já deram sinais suficientes de como é desastroso o tal empreendimento no campo missionário
Antes que me jogue uma enxurrada de pedras pelo que coloquei até agora, perceba que não pretendo, de forma alguma, desvalorizar o trabalho competente de algumas igrejas e organizações missionárias. Seria muita burrice e ingratidão da minha parte dizer que nada que preste foi feito até agora. Inclusive, em minhas preleções pelo Brasil afora, procuro sempre agradecer ao povo brasileiro pelas orações e esforços que têm empenhado em prol do povo africano. Desejo apenas convidar a reavaliarmos nossas motivações missiológicas.
Agora, quem nunca perguntou para um amigo ou um missionário da igreja: Quantas almas você ganhou para Cristo ano passado? O problema de perguntas como essa é que revelam nossa obsessão pelos números. Pior, não levam em conta o nome, a história e a identidade do outro. O “outro” é visto como objeto, é apenas o “alvo” da nossa missão, que mostra se alcançamos ou não os objetivos do nosso grupo.
Ainda em nossos dias, em vários países africanos e mesmo no Brasil, é possível encontrar igrejas que exigem o uso de terno e gravata para seus ministros quando estão à frente de alguma celebração. Sei de cultos longos, debaixo de temperaturas elevadíssimas e ao ar livre, que o líder jamais se apresenta sem traje ocidental formal completo, porque foi assim que “o missionário ensinou”. O traje típico africano não era considerado espiritual e apropriado para oficiar.
Não gosto nem de pensar no destino de canções como “Ninrowa wira só” ou “Navolowé mama na volowé” tomariam, caso fossem substituídas por completo pelos hinos da Harpa. Certa feita um amigo, ex-seminarista, me contou que seu pastor brigou com ele porque não estava usando terno, no culto. A resposta dele foi a seguinte: “o único problema, pastor, é que não tenho dinheiro para comprar o segundo terno”.
Me entendam, não sou contra o terno e a gravata. O que me causa pavor é essa lógica colonialista que rotula a cultura e a vivência do outro como cultura de “segunda categoria”. Aí eu pergunto: e Jesus que andava de vestido pelas ruas da Galileia? E os apóstolos que comiam à mão, sentados no chão? São inferiores por isso?
Cada vez que um missionário leva um montão de gravatas para distribuir nas aldeias eu me flagro perguntando: como seria se eu levasse um montão de balalaicas (roupa típica africana) para o país dele? Será que usariam esse adorno tão belo em todos os cultos? Você é inteligente e já intuiu onde quero chegar.
Prefiro que o processo da enculturação seja natural, sem imposição, sem execrar as vivências do outro como diabólicas. Se houver interesse por parte dos evangelizados em adotar alguns costumes do ocidente, que seja por opção deles. Nossa tarefa é levar a Boa Notícia. O chinelo que vem do ocidente é muito bem-vindo sim, mas a tentativa de homogeneizar a cultura precisa ser repensada. Confesso que tenho a tendência de pensar que todo o esforço de higienizar os costumes do outro (não sendo eles imorais) é colonialista e hipócrita.
O projeto cristão visa preparar para a vida. Jesus jamais pretendeu anular os costumes de povos não-judeus. Daí ele celebrar a fé em um centurião, adorador no paganismo romano, como digna de elogio.
No livro supracitado, Analzira trata desse tema com sensibilidade e competência. Ela, uma missionária da Junta de Missões Mundiais, que serviu em Angola por 17 anos durante a guerra civil. Doutora em ciências da religião pela Universidade Metodista de São Paulo e responsável pelos projetos missionários da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo. Mostra historicamente como chegamos a este modelo missionário colonialista, sem poupar críticas aos que se julgam saber o que é melhor para o outro. Dá voltas na história das missões, porém não perde de vista o seu objetivo.
Livro Evangelização ou Colonização?, Editora Ultimato

O livro começa descrevendo a crise pragmática sociocultural e epistemológica que vivemos neste início de milênio e que afetou também o projeto missionário cristão. Faz uma boa demonstração da influência do iluminismo no pensamento e prática missionária, contribuindo para configurar o sentimento de superioridade ocidental, que foi fortalecido com os projetos colonialistas. Descreve a crise desse modelo e sugere a busca de uma adequação para superar o descompasso com um novo mundo.
Expõe como o modelo de missão foi sendo sedimentado a partir da compreensão que a igreja tinha acerca do seu papel no mundo em cada época. O livro fica mais interessante no capítulo sobre o protestantismo, quando discute o projeto imperialista e monocultural que a Reforma Protestante impulsionou com marcas do puritanismo e do pietismo. No último capítulo, propõe um reencontro com a dialogicidade para atuar uma nova lógica descolonizada. Defende a recuperação do modelo ideal bíblico, o aprendizado com a história e a educação do olhar para ver o mundo na perspectiva do outro. Afirma que é preciso parar de invadir “a casa do outro”, entender que ele também tem o que dizer e que, ouvindo, alcançaremos condições do diálogo.
Analzira, a escritora-focada, não se prende muito nas questões teológicas nem quando vê um assunto que poderia garantir um belo debate como a Missio Dei. Diz ela que o livro não é sobre teologia da missão, mas sobre encontrar alternativas que recuperem o ideal do projeto inicial de Deus.
Entretanto, Analzira está sempre atenta às questões mais importantes. Por exemplo, quando precisou redefinir o termo “missão”, chama Karl Barth, que definiu missão como a ação de Deus no mundo. E o africano David Bosch que disse que missão é envolver-se no movimento do amor de Deus com a humanidade. Assim, a Missio Dei nos dá uma visão mais holística e traz abordagens mais relacionais e menos gerenciais.
As comunidades evangélicas não deveriam se fechar em seus guetos, falando com um mundo que não existe. É preciso ter uma visão sistêmica que contempla o homem na sua integralidade e compreender nossa responsabilidade diante da sociedade contemporânea.
Levar o Evangelho não significa se impor diante da cultura do outro. Na evangelização, fica implícito que todos podem continuar a tecer, compor, escrever, brincar, dançar como sempre fizeram, desde que isso não se oponha ao evangelho. O evangelho nos convoca à pratica da justiça; traz abordagens solidárias entre distintos homens e mulheres e nos convida a tornamo-nos cada vez mais parecidos com Jesus, nosso irmão e amigo.
Portanto, que possamos negar na nossa prática missionária a colonização e adotar mais o modelo de evangelização dialogal.

DANIEL ANTÓNIO BUANAHER é graduando em Teologia pela Fundação Universitária Vida Cristã (FUNVIC) e em Pedagogia Pela Universidade Norte de Paraná (UNOPAR). É africano de nacionalidade moçambicana, natural da cidade de Pemba, Província de cabo Delgado. Atualmente reside no Brasil. Daniel Buanaher (como gosta de ser chamado) é o filho mais velho do casal António Buanaheri e Maria Buanaheri.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Oração e Missão


Antes de sair para o campo missionário sabíamos que a oração seria fundamental para nosso projeto missionário. Nossa missão (MIAF) colocou um alvo de levantar 200 intercessores antes de nossa saída. Depois de 14 anos fazendo missões podemos dizer que se não fosse todos intercessores que levantamos desde nossa saída até o dia de hoje não teríamos chegado até onde estamos em nossa trajetória, as decisões importantes que tomamos, as lutas que enfrentamos e as perseguições no Quênia teríamos ficado para trás e nunca teríamos visto o avanço da obra missionária em nossas vidas. Sempre foi uma grande benção saber que não apenas Deus era conosco mais que Ele também havia levantado um grande exército para guerrear junto conosco nossas batalhas e que jamais estaríamos sozinhos. Até mesmo nosso chamado missionário se deu porque orávamos para que o Senhor da seara enviasse trabalhadores, pois a seara era grande e os trabalhadores poucos. Nem sabíamos que Deus usaria nossa própria oração para nos chamar nesta grande obra. Não temos o que reclamar, só temos motivos de louvor, pois inúmeras são as vezes que diante de tantas lutas podemos sentir que as orações de nossos parceiros intercessores e amigos invadem nossas vidas e uma paz muito grande invade nossos corações e nos sustentam, com a certeza que suas orações não apenas estão sendo ouvidas por Deus mais também elas têm nos sustentam.
Oração e missão são inseparáveis, nunca será possível fazer missão sem oração.
Elas são a base de nosso ministério. Um missionário sem intercessores jamais deveria sair para o campo. Podemos afirmar que tudo não apenas começa com a oração, mas também se desenvolve com a oração e se algum projeto terminar ou mudar de direção vai ser também através da oração que vira a sabedoria e a direção. Oração e missão são inseparáveis, nunca será possível fazer missão sem oração, não conheço nenhum missionário que tenha um ministério abençoado sem o suporte de oração. Nunca conheci uma pessoa que ore pelos perdidos que não esteja envolvida na evangelização local e em missões transculturais, alguém disse que é impossível pensar em uma sem a outra. O segredo do sucesso missionário não está nos recursos que levantamos, mais nas orações que nos sustentam e movem para dentro da vontade de Deus. Que você seja um intercessor de missões, pois quem ora prepara o caminho e participa da missão de Deus.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Desafios para a evangelização na Amazônia

No período de 15 a 18 de junho de 2015 aconteceu a Consulta Nacional Povos Minoritários do Brasil. O encontro que reuniu líderes de diversas agências missionárias de várias partes do país tinha como objetivo refletir sobre a realidade da evangelização e propor ações necessárias para o alcance dos povos minoritários do Brasil.
A Consulta concentrou-se em cinco segmentos socioculturais menos evangelizados no Brasil, seu contexto e desafio. São eles: Indígenas, Quilombolas, Ciganos, Sertanejos e Ribeirinhos. Ronaldo Lidório apresentou o panorama geral dos segmentos menos evangelizados, destacando a necessidade de maior pesquisa para dimensionar o desafio e direcionar os esforços missionários.
A respeito do segmento Ribeirinho, o relatório elaborado na Consulta diz que um grupo constituído por 35 mil comunidades na Amazônia, do qual se estima que 10 mil comunidades ainda não foram alcançadas pelo Evangelho. Vinte e seis milhões de pessoas habitam a Amazônia Legal sendo que cerca de 1 milhão tem pouco ou nenhum contato com o Evangelho. Há mais de 40 iniciativas evangelizadoras na Amazônia Legal e a maioria das comunidades tradicionais num raio de 100 Km das principais cidades já foram alcançadas.
Necessidades de desafios
Dentre as necessidades apontadas no relatório para o avanço do evangelho entre os ribeirinhos estão a conscientização da igreja brasileira, missionários bem treinados, com capacidade de leitura cultural adequada, formação de líderes locais e material pedagógico adequado.
Um grande desafio continua sendo o isolamento histórico e geográfico de milhares de famílias e comunidades, o que exige uma logística complexa para o acesso. O relatório citou ainda outros desafios para a evangelização: pecados culturais arraigados – promiscuidade; iniciação sexual precoce; abuso sexual familiar; conformismo da comunidade; convivência pacífica de lideranças evangélicas com pecados da cultura local; prejuízos resultantes de más experiências evangélicas anteriores e a sustentabilidade econômica.
O que fazer e o que evitar
O relatório orienta que os interessados em se envolver com a evangelização entre os ribeirinhos devem evitar atitudes como de “turistas”; ter cuidado ao firmar alianças com líderes nativos antes de conhecê-los profundamente; não aparentar atitude de superioridade; e fugir do assistencialismo.
Dentre os itens citados como melhores práticas, estão: oferecer preparo para nativos plantadores de igrejas, em localidades mais próximas de seu ambiente; recrutamento considerando chamado e caráter; preparo missionário específico voltado para a realidade ribeirinha; estudo antropológico e histórico da comunidade; recrutamento de professores e agentes de saúde na sede do município para as vilas não alcançadas; adoção de postura de respeito à liderança no processo de evangelização da comunidade; equipes de curto prazo bem preparadas, com alvos definidos e acompanhadas por liderança da igreja.
Para falar mais sobre os desafios da evangelização da Amazônia, o Paralelo10 entrevistou três pastores que atuam na região. Confira na entrevista abaixo:

Paralelo 10 – Qual a maior barreira para a evangelização da população que vive na Amazônia?
Moacy – Existem inúmeras barreiras que posso citar (custo de locomoção altíssimo, comunidades hostis ao evangelho por conta da dependência financeira e da posse da terra pela igreja romana, difícil acesso em muitas comunidades por conta da seca dos rios, dificuldades de comunicação com comunidades indígenas), porém, cito a falta de obreiros que topem enfrentar a realidade amazonense, principalmente a ribeirinha, a maior barreira para a evangelização.
Gilson – Diria que seriam a localização geográfica e as crenças religiosas. No nosso campo de atuação, entre indígenas, além da localização a língua materna de cada povo também é um grande desafio.
William – Acredito que existem duas barreiras significativas para a evangelização na Amazônia. A primeira é a falta de uma instrução e treinamento dos líderes das igrejas ribeirinhas já estabelecidas para a obra missionária. A segunda é a dificuldade de transporte para os locais mais carentes de ação missionaria, tanto naval quanto aéreo. Nenhuma dessas opções é barata.
P10 – Quais aspectos da geografia da região amazônica dificultam e quais favorecem o trabalho de evangelização?
Moacy – Calor beirando ao insuportável na maior parte do ano; secas que encarecem e, muitas vezes, impossibilita o acesso a comunidades; caminhos de estrada de barro em péssimas qualidades para locomoção. Normalmente as cheias favorecem o trabalho missionário, quando se trata de terra seca (áreas que não alagam), porém, quando as comunidades estão situadas em áreas de várzea o trabalho fica prejudicado pelo êxodo sazonal dos moradores.
Gilson – Seja por água ou terra, sempre será um trabalho desafiador. Mesmo que sejam estradas, muitos grupos estão há muitos quilômetros de distância das cidades. Como são regiões longínquas, quem vem trabalhar aqui tem que planejar ficar mais tempo com o povo a ser alcançado. Há muitos recursos naturais: rios, animais, peixes, aves, insetos, plantas, frutas, etc, os quais podem ajudar no sustento diário do obreiro.
William – Ironicamente, um aspecto da geografia que favorece o trabalho da evangelização na Amazônia é o fato de que, através de embarcaçôes e aeronaves, existe como chegar praticamente em qualquer lugar na Janela Amazônica. Praticamente todo povo da Amazônia vive na beira dos rios da Amazônia, mas com uma boa instrução e treinamento de líderes das igrejas ribeirinhas/indígenas, é possível alcançar os que não moram nessas margens.
P10 – Como usar o potencial dos recursos humanos e naturais da região para plantar igrejas autossustentáveis?
Moacy – Cada região do Brasil tem suas peculiaridades, os obreiros locais se comunicam, exemplificam, entrosam-se, com muita facilidade, pois não há a necessidade de adaptação. Por já estarem acostumados com a forma de viver das comunidades não enfrentam o choque cultural. Outra coisa que precisa ser entendido é que a Amazônia é riquíssima em recursos naturais e se faz necessário adaptar a transmissão das Boas Novas de Cristo para poder aproveitar estes recursos. Um Evangelho importado dificulta o processo de discipulado por não haver condições de multiplicar uma forma que não se tem os recursos dos quais foi aprendido.
Gilson – Temos várias iniciativas. Entre elas estão o treinamento bíblico de nativos na própria língua materna e a produção de materiais na língua materna com a ajuda do próprio povo. Construir igrejas usando os recursos naturais existentes na região e participar de eventos culturais nas aldeias também são formas de valorizar o potencial da comunidade e se aproximar do povo.
William – A forma mais viável para a plantação de igrejas na Amazônia é treinando lideres locais para dirigir e pastorear essas igrejas. O ribeirinho já está acostumado a viver da terra pescando, caçando e plantando. Não precisa de uma renda ou contribuição mensal. Se plantarmos “igreja indígenas”, ou seja, igrejas que refletem a cultura em que ela é plantada, vamos estar usando ao máximo os recursos naturais e humanos de cada região.
P10 – De que maneiras as igrejas do Sul e Sudeste poderiam contribuir com a igreja nortista para a evangelização da região?
Moacy – Acredito que a primeira e mais importante é a oração, muitas vezes as forças parecem sumir e acreditamos que as orações são a energia que nos realimenta. Apoiar obreiros locais ajudaria bastante o trabalho, muitos de nossos obreiros se desdobram para poder manter seu lar e tocar o trabalho missionário. Peço a Deus para levantar igrejas que abracem pelo menos um obreiro autóctone, isto faria uma imensa diferença na vida de várias comunidades.
Gilson – Parcerias com profissionais voluntários nas áreas de saúde, construção civil, educação e agronomia. Outra forma seria na adoção de sustento parcial de obreiros autóctones.
William – Elas podem subsidiar viagens missionárias para diminuir os custos. Contribuir para o sustento de pastores itinerantes, que dedicam suas vidas para o apoio e instrução das igrejas ribeirinhas e indígenas. Contribuir para associações missionárias sérias, que tem uma infraestrutura considerável para manter. Enviar equipes para o desenvolvimento de projetos evangelísticos, médico e social na Amazônia.
P10 – Quais são as principais características que uma pessoa que se sente chamada para evangelizar na Amazônia deve apresentar?
Moacy – Amar a Deus, amar as pessoas e disposição para renunciar em prol do reino.
Gilson – Convicção do chamado. Fácil adaptação. Abertura ao aprendizado. Ter formação teológica, missiológica e linguística.
William – Precisa ser um(a) aprendiz, conhecer como o povo vive, seu dialeto, sua cultura; não podemos chegar à um local pensando que sabemos de tudo. Não pode ser uma pessoa de julgamento; sempre observando e reconhecendo as diferenças culturais, sem julgá-las como erradas ou tentar conformar a sociedade à forma que é na sua terra de origem. Uma pessoa criativa, que procura meios de como ser usado por Deus, como suprir necessidades. Precisa ser uma pessoa que está crescendo espiritualmente humildade é chave nisso. Reconhecer que ainda não conhecemos tudo e que dependemos de Deus para nos guiar. Uma pessoa compromissada, que está disposta a sacrificar o conforto de seu lar, entendendo que isso tudo faz parte de algo muito maior que nós. Uma pessoa flexível, que espera mudanças nos planos e busque honrar somente a Deus em todas as coisas. Uma pessoa que vê além de suas preferências e preocupações pessoais, que ame pessoas – alguém disse uma vez, “o contrário de amor não é ódio, é indiferença”. Alguém que compartilhe sua vida com os outros, faça amigos, lembre nomes, lembre de histórias. Enfim, uma pessoa que saiba amar.
P10 – O que os missionários e cristãos do Sudeste que vão para a Amazônia aprendem sobre a fé e evangelização?
Moacy – Sobre fé, acredito que a dependência em Deus é multiplicada nesta região. Muitos enfrentam rios, chuva, sol e fome por horas para poder chegar a uma comunidade na qual esteja atuando. Em relação a evangelização, acho que o que mais chama a atenção é a percepção da necessidade de uma evangelização integral, é praticamente impossível visitar um ribeirinho e não se sentir sensibilizado em querer lhe apoiar a crescer em todos os aspectos de sua vida.
Gilson – Aprendem que mesmo dentro do seu forte contexto religioso, social e cultural, as pessoas aqui têm uma fé vibrante e visível ante as dificuldades da vida diária. São receptivas, hospitaleiras e gostam de dividir o que possuem. Se um nortista oferecer algo, não pergunte quanto custa, receba e depois de algum tempo, presenteio-o também. Quanto à evangelização, melhor método é a amizade.
William – Se você permitir Deus falar com você, Ele vai te mostrar exatamente o que Ele quer de você. Você vai saber sua missão aqui na terra.
• Moacy Paulino da Silva, pastor na Primeira Igreja Batista de Parintins, coordenador Centro de Treinamento de Líderes Profª Eglantina Lessa (CTL). Atua no baixo Amazonas nos municípios de Parintins, Nhamundá, Barreirinha, e comunidades ribeirinhas e indígenas.
• Gilson Ricardo da Silva, secretário executivo da Missão Evangélica aos Índios do Brasil (MEIB). Atua nos estados do Pará e Maranhão há mais de 40 anos, entre as etnias Kayapó, Xikrin, Tembé e Anambé (Pará). Guajajara e Kanela (Maranhão) e agora com os Kayapó do norte do Mato Grosso.
• William Boyd Walker Junior, diretor executivo da Missão AMOR, uma organização cristã, sem fins lucrativos, envolvida com projetos de evangelização na região amazônica.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Morre, aos 68 anos, Pr. Edison Queiroz


23 de setembro de 2016
Faleceu na tarde desta sexta-feira (22), aos 68 anos, o Pr. Edison Queiroz. Ele ficou bastante conhecido no meio evangélico por implantar a visão missionária na Primeira Igreja Batista em Santo André/SP, que pastoreou por duas ocasiões, a primeira a partir de 1979 e a segunda desde 2005. O velório acontece nesta sexta-feira (23) no templo da PIB Santo André; o culto fúnebre acontece às 13h no mesmo local, e o sepultamento está marcado para 16h30 no Cemitério Memorial Santo André.
O chamado pastoral de Edison Queiroz aconteceu na década de 1970, quando fez, em El Salvador, um curso de coordenador da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, servindo ali por dois anos. Em 1977, foi chamado para ser pastor auxiliar da PIB Santo André, onde se tornou pastor titular em 1979.
Nesse período, implantou a visão missionária na PIB Santo André, que chegou a ter 42 unidades missionárias em várias partes do mundo. Também foi em seu ministério que foi realizada a construção do atual templo da igreja e demais dependências.
O Pr. Edison Queiroz ajudou a implantar a visão missionária nas Américas Latina e do Norte, através da Cooperação Missionária Ibero-Americana (Comibam) e da Cooperação Missionária dos Hispanos da América do Norte (Comhina). Tinha voltado a pastorear a PIB Santo André em 2005.
O Pr. Edison Queiroz deixa a esposa, Rute Queiroz, três filhos, Edison Jr., André e Fernando, e dois netos.
Missões Mundiais manifesta seus mais sinceros sentimentos à família do Pr. Edison Queiroz, um dos maiores mobilizadores missionários e que cumpriu sua grande missão ao seguir para os braços do Pai.
por Willy Rangel, com informações da PIB Santo André/SP
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O Pr. Edison Queiroz é autor dos seguintes livros: A Igreja Local e Missões,  Igreja O Corpo de Cristo, O Melhor para Missões, Transparência no Ministério, Tempo a Sós com Deus, dentre outros títulos.

sábado, 10 de setembro de 2016

HINOS MISSIONÁRIOS - Antologia de hinos de teor missionário, coligidos dos hinários tradicionais das igrejas evangélicas brasileiras. Baixe grátis

         

          Amados irmãos, é com alegria que apresentamos e ofertamos a todos o nosso mais novo trabalho, o hinário Hinos MissionáriosEsta obra colige hinos com enfoque missionário e motivacionais ao serviço de evangelização e mordomia cristãs, coligidos dos principais hinários das igrejas tradicionais (históricas) e pentecostais do Brasil.

          Nosso objetivo principal, ao reunir em uma única obra tal quantidade de hinos, é melhor capacitar a igreja brasileira em seu esforço missionário, ampliando o leque de recursos litúrgicos à sua disposição. Indiretamente, ao coligirmos trabalhos de hinários denominacionais, celebramos aquele tipo de comunhão, de união entre cristãos que, pela misericórdia e para a glória de Deus, sempre existiu e tem se tornado a cada dia mais comum no campo missionário, união inter ou transdenominacional sem a qual jamais concluiremos a Grande Comissão que nos foi outorgada pelo Cordeiro.

          Não espere encontrar aqui apenas hinos de teor estrita e explicitamente missional; reunimos, por exemplo, desde hinos de Natal até hinos dedicados ao encerramento de culto, mas que, em alguma de suas estrofes ou versos, faz referência à necessidade de proclamação do Evangelho. Hinos que em maior ou menor grau convidam a igreja e o crente a evangelizar, a proclamar a Boa Nova; que conclamam a abrir a boca “pelo direito de todos os desamparados” (Pv 31.8), a seguir em marcha para a batalha de semeadura e colheita, evangelização e discipulado, “tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).


          Tais tesouros aqui coligidos não são patrimônio de uma ou outra denominação, mas sim depósito dos santos, herança comum à todo aquele que, em fé, deseja ver a Boa Nova que o salvou repartida com todos os povos. Assim, este hinário surge como mais uma ferramenta à serviço da promoção missionária, franqueado à disposição de todos, útil para avivamento e despertamento acerca daquela que é nossa inolvidável obrigação enquanto igreja.

          Os Hinários antologiados foram os seguintes: Salmos e HinosHinos e CânticosCantor CristãoHarpa CristãHinário EvangélicoHinário AleluiaNovo CânticoLouvor e AdoraçãoHinos do Povo de DeusHinário Para o Culto Cristão e Cantai Todos os Povos. O hinário conta com recursos para facilitar sua utilização, como nota introdutória sobre cada hinário antologiado, índice dos primeiros versos dos hinos e índice de autores e tradutores.

           É pois com imenso prazer que oferecemos à irmandade de nossa pátria e de outros solos de amplitude lusófona, esta seleta reunindo uma fração do melhor da hinologia cristã já produzida. Riquezas que são fruto de séculos de abnegado trabalho, empreendido por servos de Cristo conhecidos e anônimos, em nossas terras e alhures.

          Convido você a utilizar este hinário tanto em sua igreja quanto em sua vida devocional, e a compartilhá-lo graciosamente com todos os irmãos ao seu alcance.

Sammis Reachers

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Caso queira receber o arquivo diretamente por e-mail, escreva para: sreachers@gmail.com

sábado, 3 de setembro de 2016

CONSULTA POVOS MINORITÁRIOS DO BRASIL - Informação e recursos para download


Entre os dias 15 e 18 de junho de 2015 aconteceu a Consulta Nacional Povos Minoritários do Brasil. Realizada em João Pessoa, Paraíba, a Consulta juntou obreiros, pastores, missionários e diversos líderes de diferentes missões. Em um ambiente com momentos de profunda comunhão com Deus e uns com os outros, eles foram desafiados no compartilhar de experiências, aprendizado e estratégias para um trabalho missionário entre os cinco segmentos minoritários definidos no Brasil: ciganos, ribeirinhos, sertanejos, indígenas e quilombolas.

Apesar de serem “povos minoritários”, as estimativas recentes apontam para um desafio missionário enorme, pois o evangelho ainda não chegou para mais de 100 etnias indígenas, 10 mil comunidades ribeirinhas, 6 mil assentamentos sertanejos e 2 mil comunidades quilombolas, isso sem falar nos imigrantes e surdos, grupos que começam a ser reconhecidos com mais cuidado e carinho.

Ronaldo Lidório, missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e uma das vozes mais expoentes no assunto, afirma: “Creio que é a primeira vez que líderes se encontram de forma mais intencional para tratar da elaboração de estratégias nesta direção, pensando nos cinco segmentos, mas em diversos outros congressos o assunto já foi levantado e debatido. O Congresso Brasileiro de Missões da AMTB foi o pontapé inicial para a atenção sobre estes segmentos como um bloco.”

Guiados pela oração e encorajamento mútuo, os líderes foram encorajados a ações práticas a partir da Consulta, como caminhar na direção de um relacionamento formal das Alianças e iniciativas com a AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) por meio do seu Departamento de Alianças. A comunhão e maior interação futuras entre os participantes também é um alvo a ser desenvolvido, além da criação e manutenção saudável de uma lista com as principais estratégias que devem ser utilizadas – e as que devem ser evitadas – neste trabalho.
Gabriel Louback

Baixar anexos: 

domingo, 21 de agosto de 2016

Congresso Diáspora: Alcançando Pessoas em Movimento

Existem mais de 232 milhões de pessoas deslocadas no mundo. Toda nação tem sido impactada com o fenômeno de movimento de populações. Essa diáspora representa tanto uma força missionária quanto uma oportunidade de alcançar os povos que chegam a nossas vizinhanças.
A Faculdade Teológica Sul Americana abordará o tema Diáspora: Alcançando Pessoas em Movimento durante congresso em outubro, com a presença de John Baxter, Catalisador Internacional da Global Diáspora Network do Movimento Lausanne, além de líderes e missionários de várias agências brasileiras (como SEPAL, MIAF, MISSÃO MAIS e outros), e profissionais com experiência internacional.
“A diáspora global é composta de grupos de pessoas vivendo fora de seu local de origem cultural, que retêm uma ligação sociocultural e um sentimento de identificação significativo com seu país de origem e que experimentam um sentimento de deslocamento ou alienação dentro de seu novo local de residência. Há mais de 40 milhões de pessoas deslocadas de suas casas devido a guerras ou desastres naturais. Quase 3 milhões são estudantes internacionais. Porém, a vasta maioria nos grupos de diáspora global são trabalhadores. A maioria desses trabalhadores é procedente de países em desenvolvimento. Portanto, são forçados pela pobreza e pelo desemprego e atraídos pela oportunidade econômica e por maiores salários encontrados em outros países. Há uma grande oportunidade evangelística envolvida na diáspora global.”, definiu Baxter em entrevista para Revista Ultimato (leia mais aqui).
Com o objetivo de capacitar igrejas e profissionais para realizarem o ministério diáspora, serão oferecidos workshops nas seguintes áreas:
• Preparo para o profissional indo além-mar
• As nações entre nós – a igreja local e seu novo vizinho
• Ministérios com universitários internacionais e suas famílias
• Refugiados
• O papel do pastor no ministério diáspora

Workshop:
As Nações Entre Nós: A Igreja Local e Seu Novo Vizinho – Enoque Faria (MIAF)
Preparo do Professional "Indo Além-Mar” – Dra.Carla Decotelli e Pr.Cláudio Mendes (profissionais em campo)
"Business as Mission” – Tim Dunn (SEPAL)
“Refugiados”- Marcos Stier Calixto (CAEBE)
“Alcançando Universitários Internacionais e suas Famílias” – Mark and Sally Sulc (professor da Universidade Estadual de Ohio)
“O Papel do Pastor no Ministério Diáspora” – John Baxter
Congresso Diáspora: Alcançando pessoas em movimento.

Data: 21- 22 de outubro/2016
Local: Campus da FTSA
Inscrições: acesse aqui.


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Não existem países fechados



Nenhum país está fechado para pessoas, mesmo sendo cristãs, que trazem produtos e habilidades necessários. Qualquer um que pode suprir os produtos e as habilidades de que o país precisa é bem-vindo. 
Se você diz a seu vizinho ou colega descrente que a Arábia Saudita ou a China são países fechados, ele vai perguntar: O que você quer dizer com isso? Conheço um monte de gente que vai lá e que trabalha lá. O que você quer dizer com fechado? 
“Fechado” é um termo muito restrito ao linguajar missionário. Ninguém usa essa palavra fora do contexto de crentes com visão missionária. Ela não faz sentido para os descrentes e nem mesmo para a maioria dos crentes. 
Se você diz que a Coreia do Norte é um país fechado, as pessoas irão compreender. O líder paranoico e despótico da Coreia do Norte, Kim Jong-un, limita quase totalmente a entrada de estrangeiros – mas não deixa de permitir a entrada de produtos e profissionais essenciais. E se você disser que Cuba está fechada para os americanos, as pessoas também irão entender. 
Na verdade, todo país precisa e deixa entrar produtos e experiência de fora, pelo menos até certo ponto. Muitos, contudo, não concedem vistos para religiosos profissionais, exceto para os que trabalham para a religião oficial. De 70 a 80% restringem a emissão de vistos para missionários, mas dão as boas-vindas a outros profissionais, sem ligar para sua religião. O mundo está aberto para profissionais cristãos com as habilidades e produtos de que necessita. Todos podem entrar legalmente. Não sabemos de nenhum país em que fazedores de tendas não podem entrar, incluindo a Coreia do Norte. 
As palavras influenciam o pensamento. A palavra “fechado” distorce nossa ideia de países fechados. Achamos que países fechados são maus e totalmente fechados ao evangelho. Mas isso é preconceito. Essas nações não rejeitam apenas o cristianismo, mas todas as religiões estrangeiras. Além disso, rejeitar o cristianismo não é a mesma coisa que rejeitar o evangelho. As pessoas de cada lugar nem podem deixar de considerar o cristianismo como religião estrangeira, enquanto não o virem sendo demonstrado e transmitido por testemunhas presentes. É por isso que fazedores de tendas são essenciais. Mesmo quando se permite a entrada de missionários, seu testemunho sempre é desvalorizado por se tratar de “religiosos profissionais remunerados”. 
Um taiwanês respondeu, quando perguntado sobre o que achava do trabalho dos missionários em Taiwan, que eles recebem para fazer convertidos. Somente fazedores de tendas podem apresentar a autenticidade e o poder do evangelho na vida diária. 
Todos os países são fechados para política, cultura e religião que vêm de fora e lhes são impostas. Eles querem decidir seu próprio destino e desenvolver a si mesmos como bem entendem. Sim, motivação maligna – ganância, privilégios, poder e posição – os corrompem e amarram muito. E nações totalitárias com frequência são as mais opressivas, corruptas e subdesenvolvidas. Mas o desejo dos povos de determinar seu próprio destino e criar valor verdadeiro é uma expressão da imagem de Deus em nós. 
Nós como cristãos deveríamos entender isso melhor que ninguém. Deveríamos parar de considerar essas nações totalmente fechadas para o evangelho. 
Dois outros pensamentos acompanham o conceito de países fechados: que, para espalhar o evangelho, os missionários é que têm de ir, e que precisamos preparar obreiros em tempo integral, sustentados por doações, para continuar a espalhá-lo. Em nenhum lugar a Bíblia ensina isso. Na verdade, a grande expansão do evangelho para além de Judeia e Samaria registrada na segunda parte de Atos foi efetuada por fazedores de tendas, isto é, por trabalhadores autossustendados que integravam trabalho com testemunho. 
Fazer tendas confere poder e credibilidade ao evangelho. A evangelização é multiplicada pela ativação de discipuladores leigos. E cria um padrão de liderança leiga e pastoreio sem que se precise esperar por sustento e treinamento profissional de ministros. Líderes leigos levantados por Deus servem de exemplos poderosos de discipulado, como súditos verdadeiros, não pagos, do Senhor dos senhores no mundo. E a estratégia de fazer tendas gera muito mais líderes para a igreja e a missão. 
Portanto, paremos de chamar os países de fechados ou de acesso restrito ou com outros termos que traem os óculos coloridos de obreiros em tempo integral. Devemos reconhecer o tremendo chamado e capacidade de trabalhadores leigos, tanto de fora como do lugar. E, por fim, entendamos que todos os países estão de braços abertos para cristãos que têm os produtos e as habilidades de que eles necessitam. 

Via Global Opportunities, Jan. 2014.  Tradução: Hans Udo Fuchs.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Eventos missionários acontecendo pelo Brasil

Cachoeiras de Macacu - RJ

Rio de Janeiro - RJ

Niterói - RJ

São Gonçalo - RJ

Barra do Peixinho - Bahia

Goiás

Belo Horizonte - MG


Envie informação e IMAGEM sobre seu evento para: sammisreachers@ig.com.br







sábado, 30 de julho de 2016

Uma nova frente missionária para uma geração com a faca e o queijo na mão


Fábio Ribas
A Igreja tornou-se indesculpável diante da ebulição tecnológica das últimas gerações. Se ainda há bem pouco tempo, o trabalho missionário encontrava obstáculos enormes como a inacessibilidade a determinados povos, as intermináveis correções nas antigas máquinas de escrever, a dependência do serviço moroso dos correios e telégrafos, o isolamento de tantos trabalhos de tradução bíblica que precisavam demorar décadas para, finalmente, encontrar uma avaliação satisfatória para fins de publicação, num piscar de olhos, todo esse quadro mudou com a democracia da informação possibilitada pela internet.
                Os inúmeros contextos de povos que necessitam de capacitação teológica testemunham como que as iniciativas “virtuais” ainda são muito tímidas e distantes do satisfatório por parte da Igreja. Poderíamos promover aulas, encontros, fóruns, congressos, graduações e pós-graduações via internet, alcançando nossos irmãos indígenas, ribeirinhos, ciganos ou mesmo aqueles fora do nosso país, realizando cursos e intercâmbios culturais com nossos irmãos na África e na Ásia, por exemplo. A Igreja precisa investir maciçamente na inclusão digital desses povos e comunidades por meio da instalação de salas e laboratórios de computação pelo interior do Brasil afora e demais países também, para que a promoção da capacitação dos nossos irmãos por meio do sistema de EAD (Ensino à Distância) de qualidade se torne um fato. A partir daí, de maneira criativa, poderíamos abrir esse novo espaço para a atuação e comunicação de tantos jovens que anseiam servir na obra missionária, e poderiam fazê-lo no ambiente virtual, porém, não conseguem discernir a própria vocação por responsabilidade mesmo de uma Igreja que ainda não abraçou, efetivamente, essa nova frente de trabalho estratégica para a capacitação teológica de tantos povos que se encontram distantes de nossos Seminários e Institutos. 
                Não apenas as distâncias geográficas, culturais e mesmo políticas estão sendo drasticamente reduzidas pela globalização via internet, o que abre novas oportunidades para o avanço evangelístico e missionário da Igreja, mas o próprio trabalho de tradução da Bíblia recebeu um reforço inestimável por meio de inúmeros programas e softwares que tanto facilitam o árduo esforço linguístico, dinamizando a consulta, revisão e a própria qualidade da tradução, como também diminuem literalmente o peso da bagagem e o custo dessa empreitada. Entretanto, ainda que sejamos a geração “com a faca e o queijo nas mãos”, somos também a que menos tem se envolvido no trabalho de alcançar os povos pela terra. Por incrível que pareça, até a tecnologia colocada por Deus diante de nós tem sido muito mal-usada se analisarmos o grande potencial que temos a nossa disposição.

É chegada a hora de abraçarmos esta enorme oportunidade para a proclamação do Evangelho da Salvação.  Sonho com o impacto de uma educação teológica de qualidade a partir da apropriação do avanço da internet. Uma educação marcada pela aproximação entre culturas distantes entre si e pela derrubada das distâncias geográficas que ainda nos impedem de aprendermos uns com os outros neste mundo globalizado.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A seara clama por nossos “Filipes”


Rev. Fábio Ribas


“Sou seguidora de Jeová... Sou Testemunha de Jeová”, disse-nos a indígena que sequer dominava bem a língua portuguesa, mas que há meses recebia em sua casa um TJ para estudar com ela. Enquanto isso, missionários evangélicos temerosos em falar de Jesus aguardavam que ao menos o Evangelho de Lucas estivesse traduzido para, então, iniciarem a evangelização. Se a Igreja não estiver pronta a ensinar, tenha a certeza de que outros ocuparão o lugar que ela negligencia assumir.
“Como poderei entender, se alguém não me ensinar” ainda é a resposta inquisidora do mundo à Igreja de Jesus Cristo, que tem levado a Bíblia às diversas culturas e línguas espalhadas pelo planeta. Todavia, a despeito do necessário e enorme esforço da Igreja em traduzir o texto bíblico, só isso não basta. Como já observou certo missionário: “antes havia povos sem Bíblia e hoje há Bíblias sem povos”! Os campos necessitam de missionários muitíssimo bem preparados, porque Bíblias se encontram mofadas por não haver quem saiba ensiná-las respeitando os contextos de aprendizado culturais e enfrentando, muitas vezes, culturas orais ou de baixíssimo grau de escolaridade.
Mesmo em culturas letradas e simpatizantes ao aprendizado das Sagradas Escrituras, como foi o caso do homem etíope abordado por Filipe (Atos 8:27), um livro como a Bíblia precisa ser apresentado a partir de um “roteiro de leitura” contextualizado. “O Espírito Santo vai ensinar” é a exclamação dos modernos espirituais de Corinto. Ao que eu sempre respondo: “Larga de ser preguiçoso e vai estudar a Bíblia e a cultura de quem você quer evangelizar, porque, sim, o ES irá fazer a obra, mas é usando você como instrumento”!
Precisamos de obreiros que, seguindo o exemplo de Filipe, subam o carro e viajem com o outro, trazendo-o para perto de si e amando-o como pessoa, ensinando a Escritura até o momento em que se assuma um compromisso com Cristo e, finalmente, seja-nos perguntado: “O que me impede de ser batizado? ”. Enfim, precisamos não apenas ensiná-los, mas ensiná-los a ensinar! Os Campos clamam por “Filipes”, mas quem irá? Quem os enviará?
No Brasil, nas grandes cidades e grandes igrejas, encontramos pastores, presbíteros, mestres e doutores capacitados, mas, infelizmente, muitos não possuem a mínima sensibilidade de que o campo também precisa de missionários bem preparados para ensinar. Nós precisamos, seguindo o exemplo da Igreja em Antioquia (Atos 13), enviar o que há de melhor no nosso aprisco aos campos que exigem de nós uma resposta: “Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?”.

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