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terça-feira, 30 de outubro de 2018

LIÇÕES DA HISTÓRIA DA IGREJA NO NORTE DA ÁFRICA

ABRAÇANDO UMA TEOLOGIA DE "UNIDADE NA DIVERSIDADE"

A história de como a igreja primitiva se expandiu pela Ásia Menor e encontrou uma base na Europa é bastante conhecida. No entanto, a história da expansão para o outro lado do Mediterrâneo, ao longo do norte da África, não é tão conhecida assim. Houve um tempo em que as maiores cidades do Império Romano eram, além de Roma, Alexandria, no Egito, e Cartago, na atual Turquia.
Essas cidades também se tornaram um reduto para a igreja cristã. Pensadores cristãos primitivos, como Tertuliano, Cipriano e Agostinho, nasceram no norte da África e serviram em Cartago. Com uma história tão rica, pode ser intrigante a expansão árabe pela região que ocorreu a partir do século VII. Muitos eruditos já debateram os motivos por que a igreja não conseguiu resistir aos novos dominadores.
Vários fatores podem contribuir para uma parte da resposta. No entanto, destacamos duas razões que podem ensinar algo para nós, hoje:
  1. Pode ser um equívoco falar de uma igreja única. Durante os 300 anos anteriores à expansão árabe na região, foram estabelecidas duas igrejas paralelas, e a divisão entre elas estava crescendo. Os esforços de unidade sempre falhavam e as igrejas rotulavam uma à outra como falsas. Essa divisão realça uma tensão importante entre a igreja como uma entidade global e uma entidade local, contextualizada.
  2. Ressentimento do povo nativo contra governantes estrangeiros e sua respectiva identidade religiosa. A população berbere aparentemente escolheu uma “religião diferencial”: a filiação à igreja alternativa contribuiu para a identidade berbere e para a oposição política.
Nós nos perguntamos se essa dinâmica também pode nos ajudar a compreender melhor o andamento da igreja contemporânea.
Augustinho e os Donatistas

Contextualização ou unidade?
O movimento Donatista, que ganhou apoio entre os berberes, surgiu depois que o cristianismo se tornou a religião romana oficial. A Igreja Católica permaneceu política e culturalmente fiel ao Império Romano, enquanto a Igreja Donatista representava um movimento eclesiástico mais nacionalista, moldado pela comunidade berbere nativa. A Igreja Donatista adotou uma postura dogmática conservadora, mas incorporou uma forma de expressão mais carismática. Eles se orgulhavam de sua herança africana, de sua identidade como uma igreja de mártires e do ensino de Tertuliano sobre o discipulado radical e a pureza da vida cristã.


A Igreja Católica, por outro lado, enfatizava a universalidade da igreja, os ensinos de Tertuliano sobre unidade e o serviço da igreja à sociedade, trabalhando arduamente para se adaptar ao seu novo status de igreja oficial do Império Romano.
O conflito entre as igrejas Católica e Dontista pode então representar a tensão entre a igreja como entidade global e como entidade local – os Donatistas eram considerados uma ameaça à unidade da igreja.[1] Alguns dos fatores eram:
  • uma tensão político-religiosa entre a igreja “global” romanizada e a igreja como uma fé integrada de forma contextualizada; e,
  • uma tensão entre a uniformidade de linguagem e expressão e a necessidade de manter uma identidade cristã local.
No trabalho missionário atual, podemos questionar se a unidade necessariamente significa unidade organizacional e cultural cristã. Talvez o missionário deva encorajar a “unidade na diversidade”,[2] estimulando características culturais, em vez de as considerar como ameaça à unidade cristã.
Devemos também prestar mais atenção à história da Igreja Donatista quando falamos da igreja no norte da África, no mínimo porque a Igreja Donatista resistiu diante da expansão muçulmana, enquanto a Igreja Católica fugiu.
Além disso, somos tentados a pensar como L. R. Holme:
Se a igreja tivesse conseguido acesso à grande quantidade de tribos berbere, se tivesse conseguido unir sob a bandeira de Cristo todo o entusiasmo que mais tarde apoiou a causa islâmica, poderia ter evitado que os Sarracenos esmagassem o cristianismo africano após a conquista da província, e poderia ter evitado até mesmo a conquista da província. Acontece que o ensino que atraiu fortemente a mente berbere foi condenado pela igreja como imperfeito, e aqueles que o ensinavam e criam nele estavam sujeitos a banimento por parte das autoridades eclesiásticas e seculares. (tradução livre).[3]
Pode ser doloroso para os envolvidos em missões quando uma igreja nativa busca separação e independência ou estabelece práticas que são pouco familiares ou desconhecidas. Apesar disso, missionários de hoje devem se perguntar se isso não é simplesmente resultado do amadurecimento da igreja.

A igreja entre o centro e a periferia cultural

Os berberes eram tradicionalmente nômades e permaneceram predominantemente rurais. Eles nunca foram tentados pela cultura das cidades, que era fortemente influenciada e dominada pelos imigrantes romanos e sua herança cultural. As sociedades berberes se organizavam em estruturas tribais, opondo-se naturalmente ao estado centralizado e controlado por Roma.
Ao longo dos séculos, as cidades no norte da África tornaram-se cada vez mais centros administrativos, povoados pela elite política, financeira, militar e religiosa. A Igreja Católica, o latim e a forma de vida romana eram dominantes em todos os aspectos. Assim, os berberes, apesar de representarem a população nativa e constituírem a maioria étnica, permaneceram culturalmente marginais, sem influência nem representação política, financeira e cultural.
Diversos estudos demonstraram como a conversão religiosa e o desenvolvimento religioso de vários grupos se interrelacionam com as dinâmicas sociopolíticas e etnopolíticas, e, da mesma forma, devem ser interpretados a partir dessas estruturas.[4]
As experiências de marginalização étnica e cultural podem ter um papel significativo no fortalecimento da identidade cultural de um grupo, em oposição ao grupo dominante.
The history of the Berber population in North Africa follows a recognizable pattern in this regard. When the Roman occupying power discouraged and persecuted Christians during the first three centuries, surprisingly, Christianity found a foothold and thrived among the Berber population. Later, after the Catholic Church became the religion of the state from the year AD 380, the Berbers turned from the Catholic Church to Donatism, and persecution continued. Thus, religious following and religious identity continued to constitute an element of opposition to foreign rulers in the area throughout this considerable timespan.

Um padrão semelhante foi identificado em vários outros contextos, inclusive nos tempos modernos. Um dos exemplos é a história do desenvolvimento religioso em partes da África Oriental. Diversos estudos têm demonstrado como a oposição ao cristianismo ortodoxo do povo Amhara, grupo historicamente dominante, teve um papel significativo na formação da estrutura religiosa da Etiópia atual[5]:
  • Com a colonização das áreas a sul e oeste do país por parte dos Amhara, a composição religiosa dessas áreas mudou.
  • No entanto, grupos mais étnicos não abraçaram o cristianismo ortodoxo. Eles preferiram adotar interpretações alternativas da religião dos colonizadores.
  • A igreja evangélica etíope Mekane Yesus, numericamente forte e espiritualmente vibrante, por exemplo, é formada majoritariamente pela população da etnia Oromo, que experimentou uma marginalização cultural persistente pelos governantes Amhara.
Apesar de haver dinâmicas sociopolíticas e etnopolíticas influenciando a mudança religiosa e a conversão ao cristianismo, isso não necessariamente significa que as conversões individuais não sejam genuínas. Elas simplesmente ressaltam o fato de que a reorientação religiosa não acontece fora de contexto. Nenhum de nós fica intocado pela cultura e sociedade a que pertencemos.
Isso também pode ser uma indicação de que Deus está trabalhando em condições variáveis, e que Deus se relaciona conosco como pessoas em suas culturas e sociedades. Assim, é interessante observar que uma dinâmica semelhante pode estar ocorrendo agora no norte da África:
  • O número de cristãos árabes é pequeno.
  • No entanto, por vários anos, há relatos rotineiros de que alguns berberes estão se convertendo ao cristianismo no norte da África.[6]
  • É digno de atenção que David Garrison enfatize, por exemplo, o impacto de usar o idioma berbere entre cristãos, ao contrário do programa oficial de arabização e repressão da cultura tradicional berbere.[7]

Outras lições para a igreja contemporânea


Todo missionário transcultural traz consigo uma herança teológica e cultural. Ambas podem ser difíceis de identificar, uma vez que a religião também integra a cultura. Da mesma forma, nenhum missionário é culturalmente neutro. Nossa mensagem do evangelho tende a carregar pressupostos culturais. Não existe diferença nesse aspecto, se nossa herança teológica e cultural for coreana, nigeriana ou norueguesa. Uma simples reprodução de nossa herança religiosa em outras culturas pode perfeitamente tornar-se um “imperialismo eclesiástico”, em que nós, talvez de forma involuntária, impomos nossa tradição sobre outros. Devemos nos perguntar qual parte de nossa mensagem é indispensável e qual não é.
Missionários transculturais também precisam considerar os aspectos da representação política, financeira e de poder. Sendo forasteiros culturais, não existe um “espaço neutro”. Nós sempre representamos alguma coisa. Apesar de não podermos remover tal representação, o missionário deve estar atento a isso e procurar contrabalancear a influência de tais elementos. Caso contrário, podemos contribuir para que a igreja fique alienada de seu contexto.
O pioneiro da missiologia no século XX, Paul Hiebert, defendeu a importância da “autoteologia”.[8]
oda nova igreja precisa desenvolver uma teologia contextual, uma que faça sentido em sua cultura e que responda a questões de relevância cultural. Os missionários devem encorajar esse desenvolvimento, ainda que os líderes locais não tenham as mesmas conclusões que o missionário. O processo pode ser doloroso, como a história da igreja berbere enfatizou. No entanto, também pode ser um processo de crescimento para o missionário, já que nossa herança eclesiástica é assim desafiada e podemos aprofundar o diálogo com novas perspectivas.
Igrejas de todo o mundo podem se beneficiar ao abraçar a “unidade na diversidade”. No mundo ocidental contemporâneo, este desafio é igualmente válido no que diz respeito às novas igrejas de imigrantes.  As “igrejas majoritárias” do Ocidente devem considerar um relacionamento com as novas igrejas de imigrantes de forma a que o fluxo de cristãos do hemisfério sul contribua de forma positiva na revitalização e na reinterpretação do cristianismo no Ocidente.[9]

Notas de fim

  1. Chris J. Botha, “The Extinction of the Church in North Africa,” in Journal of Theology for Southern Afrika 57 (December 1986): 24-31. 
  2. Harding Meyer, That All May Be One: Perceptions and Models of Ecumenicity (Grand Rapids: Eerdmans, 1999), 93. 
  3. L. R. Holme, The Extinction of the Christian Churches in North Africa, 1st Edition 1898 (Leopold Classic Library, 2016), 253. 
  4. Øyvind M. Eide, Revolution and Religion in Ethiopia. The Growth and Persecution of the Mekane Yesus Church 1974-1985(Oxford: James Currey Ltd, 2000), 15-22, 85-93. 
  5. Hassen Mohammed, The Oromo of Ethiopia. A History 1570-1860 (Cambridge, 1990), 77. Arne Tolo, Sidama and Ethiopian. The Emergence of the Mekane Yesus Church in Sidama. Studia Missionalia Upsaliensia (LXIX. Uppsala, 1998), 279-82. 
  6. Bruce Maddy-Weitzman, “The Berber Awakening” in The American Interest, Volume 6, Number 5 (1 May 2011), and similarly David Garrison, A Wind in the House of Islam: How God is Drawing Muslims Around the World to Faith in Jesus Christ (Colorado: Wigtake Resources, 2014), 81-98. 
  7. Ibid., 93-94. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Irmã Doraci, Missionária e Mártir


Ulrico Sperb
Na terça-feira, dia 24 de fevereiro de 2004, a IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) foi atingida pela notícia do assassinato da Irmã Doraci Julita Edinger, em Nampula, capital da Província de Nampula, no Norte de Moçambique.
A Irmã Doraci foi encontrada morta no seu apartamento em Nampula, assassinada. A morte ocorrera dias antes, pois foram os vizinhos que deram o alerta, por causa do mau cheiro. Ficou provado que ela foi morta no sábado, dia 21 de fevereiro de 2004.
Irmã Doraci foi diaconisa da IECLB e estava em Moçambique desde 1998. Apesar de grandes dificuldades, realizou um belo trabalho, conquistando as comunidades.
Sua atuação aconteceu em aldeias da cidade de Morna, onde ajudou a edificar nove comunidades. Ela realizava estudos bíblicos, cuidava da área da saúde e da alimentação. Sob sua liderança, foram construídos quatro poços comunitários, diversas igrejas e escolas, e também foram plantados pés de caju, visando à manutenção das comunidades.
A conversão do rei
Na primeira visita que fiz à Irmã Doraci, enquanto viajávamos de Nampula para as aldeias, ela me contou o seguinte fato:
— Aqui, todas as aldeias têm um rei. Esta é uma tradição que vem de antes da colonização portuguesa. A tradução da palavra na língua deles — o macua —para o português, do líder da aldeia é rei. Os portugueses não respeitavam muito esta tradição e colocavam líderes próprios, mas os macuas continuaram com a sua tradição. Quando eu estive uma vez na aldeia de Chalaua me pediram para visitar o rei, que estava muito doente. Enquanto íamos à sua choupana me pediram:
— Irmã, o rei não é cristão. Por isso a senhora não pode rezar com ele.
— Sempre que eu faço uma visita, respondi, eu oro com a pessoa ou por ela. Nós já vamos ver o que vai acontecer.
De fato, o rei estava muito doente, deitado numa esteira no chão batido da sua choupana. Procurei na minha maleta de remédios o que poderia lhe dar. Expliquei bem à sua mulher tudo que tinha que fazer e me ajoelhei junto a ele e fiz uma oração. Quando voltei dois meses depois a Chalaua ele veio ao meu encontro, ainda fraco e apoiado em um pedaço de taquara e me disse:
— Irmã, eu quero ser batizado e fazer parte da sua Igreja.
Eu ensinei doutrina para ele, o pastor o batizou e hoje ele faz parte do nosso Conselho.
Este foi o relato da Irmã Doraci. Na ocasião conheci o rei de Chalaua.
O batismo de centenas
Em fevereiro de 2002, pessoas de uma aldeia da província vizinha — Cabo Delgado — solicitaram a presença da Irmã Doraci, cuja fama já chegara àquela região. Em algumas aldeias de lá, ela criou diversas congregações. Ajudou o povo na aquisição de instrumentos agrícolas (pás, enxadas, etc.). Ensinou o Evangelho de Jesus Cristo. Em novembro daquele ano, um pastor foi para aquelas aldeias e num fim de semana foram batizadas mais de oitocentas pessoas.
Doraci - Diaconisa e Missionária
Com a atuação de Irmã Doraci, a pequena Igreja Evangélica Luterana em Moçambique literalmente duplicou de membros, ou seja, chegou a ter mais de três mil pessoas afiliadas.
Quando estive com ela nas aldeias de Moma, pude constatar o quanto ela era amada por aquele povo simples e sofrido. Até as autoridades locais me testemunharam que a qualidade de vida havia melhorado com os serviços que ela estava prestando.
A Irmã Doraci, em 2001, compartilhou suas atividades em Moçambique num dos cultos de sábado à noite, em nossa Igreja da Reconciliação, da Paróquia Matriz em Porto Alegre. Naquela época foi realizada uma coleta e uma rifa em favor do seu trabalho (uma mulher doou uma aliança de esmeraldas e outra, um álbum artesanal). Numa das visitas que lhe fiz levei o dinheiro (convertido em dólares), para que ela o usasse na aquisição de medicamentos. Como em tudo que fazia, ela nos prestou contas dos gastos desta verba.
Todo o trabalho da Irmã Doraci era mantido pela IECLB. A Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos ajudava nos projetos maiores, como a construção dos poços.
A tragédia da sua morte torna a Irmã Doraci mártir de nossa Igreja. Devido às circunstâncias locais, difíceis e perigosas, podemos dizer que ela concretizou a palavra de Jesus Cristo, em João 15.13: Ninguém tem amor maior do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.
O autor é Pastor da IECLB e reside em Porto Alegre/RS

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Pastor e missionário Joed Venturini lança livro com seus contos reunidos



Além de pastor, missionário e médico, Joed Venturini é um escritor com diversos títulos na área de Missões, além de dois romances evangélicos. Neste e-book reunimos alguns de seus contos, cujos enredos vão dos tempos bíblicos a Portugal, Brasil e Guiné Bissau. Um passeio pitoresco pela lusofonia, em histórias e estórias sempre baseadas em alguma lição das Escrituras.
Chamo a atenção para o último conto do livro, O Sonho de Demba, que narra uma emocionante história de teor missionário ocorrida na Guiné Bissau (onde Joed foi por muitos anos missionário). Além de bela, pode ser usada na promoção missionária, com adultos, jovens e mesmo crianças.
O livro é gratuito.

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quinta-feira, 23 de março de 2017

Missionários nigerianos Fazedores de Tendas e o esforço para alcançar da África até Jerusalém



Muitos cristãos africanos estão prontos a sofrer por Cristo e seu Reino quando eles levam o Evangelho através do Norte da África e de volta a Jerusalém.

A construção de tendas é uma ferramenta que Deus nos deu para alcançar o mundo inteiro nestes
tempos finais, diz o organizador do curso de Fazedores de Tenda na Nigéria. Foto: Istockphoto.

O movimento chinês "De volta a Jerusalém" é bem conhecido por seu compromisso de levar as pessoas a Jesus e plantar igrejas ao longo da antiga Rota da Seda, entre a China e o Oriente Médio. Seu movimento-irmão africano pode se revelar tão frutífero quando milhares de cristãos se concentram nas áreas não alcançadas de maioria muçulmana no norte do continente.
A Nigéria assumiu um papel de liderança no esforço de tornar conhecido o reino de Deus nas nações norte-africanas.
- Somos perseguidos em nossa pátria. Assim, estamos preparados para levar o Evangelho aos lugares difíceis, disse Timothy Olonade, ex-líder da Associação Missionária Evangélica Nigeriana (NEMA), quando a associação lançou a sua estratégia "Visão 5015" em 2005. O programa visa recrutar, treinar e enviar 15.000 missionários da Nigéria para as nações muçulmanas no norte da África  além, até o ano 2020.

Estratégia de criação de tendas

As cerca de 140 igrejas membros da NEMA já têm mais de 7.000 missionários ativos. Alguns anos atrás, a associação decidiu fazer do Tendmaking (Fazedores de Tendas) a principal estratégia em suas operações futuras.
- Aqueles que querem ir são desafiados a trabalhar, iniciar negócios ou estudar nas nações que pretendem atingir, diz Samuel Olatunbi. Ele chefia o Instituto da Missão Evangélica da Nigéria (NEMI), que é o ramo de treinamento da NEMA.
Nigéria é uma casa poderosa em missões africanas, e NEMA contribuiu com uma parte vital neste esforço em desenvolver a força missionária nigeriana. Hoje, missionários das igrejas e organizações da NEMA operam em 96 nações ao redor do mundo.

Colaboração

Olatunbi não se orgulha de representar um dos principais contribuintes nas missões africanas. Pelo contrário, ele quer ajudar as nações vizinhas da Nigéria a desenvolver suas ações missionárias e fazedores de tenda.
- A necessidade de trabalhadores é muito maior do que a Nigéria pode fornecer. Portanto, é importante que levemos outros a bordo. Queremos desenvolver o trabalho de Deus junto com irmãos e irmãs cristãos em nossas nações vizinhas e em outras partes do mundo, diz Olatunbe.
Nos últimos 12 anos, a Tent International e a Tentmakers International Africa (TIA) realizaram cursos e conferências anuais para capacitar os fazedores de tendas africanos. Sob a liderança de Tiowa Diarra, a TIA cresceu para se tornar um movimento com representantes na maioria das nações africanas. Diarra sublinha como a criação de tendas é um modelo viável de missões que permite que todas as igrejas participem do trabalho de cumprimento da grande comissão.

Ferramenta dada por Deus

Victor Agbonkpolor é médico e organizador do curso de fazedores de tendas GO Equipped, que aconteceu na cidade de Benin algumas semanas atrás.
- Muitas pessoas entendem mal o que é a criação de tendas, e nos círculos de missão muitas vezes pode ser apresentado como uma outra forma de missões tradicionais onde as pessoas precisam levantar o apoio antes de ir. Poderemos enviar mais pessoas assim que tivermos uma compreensão correta do conceito. Acredito que a Nigéria pode assumir um papel de liderança nisso e encorajar todos os nossos países vizinhos a enviar missionários fazedores de tendas. Tentmaking é uma ferramenta que Deus nos deu para alcançar o mundo inteiro nestes tempos de fim, diz Victor Agbonkpolor.

Tradução de Sammis Reachers / Veredas Missionárias.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Calendários Missionários 2017 - Baixe e imprima


O ano de 2016 se aproxima de seu término, e como fizemos no ano passado, preparamos para nossos leitores uma série de calendários com foco missionário, para você baixar e imprimir.
Se no ano de 2016 o foco foram países variados onde é pequena a presença do evangelho (Arábia Saudita, Indonésia etc.), o tema para o ano de 2017 são os seis países lusófonos (que têm o português como língua oficial) da África: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Cada uma das seis páginas (formato A4) traz, além de uma bela imagem do país e os calendários de dois meses do ano, informações gerais sobre o país em questão (população, povos, povos não-alcançados, principais cidades, línguas oficiais, estatísticas religiosas e bandeira). E ainda uma frase de incentivo à tarefa de evangelização da igreja.
Preparamos ainda o calendário tendo por tema as crianças. Neste caso, também como no ano passado, são duas páginas, com uma imagem (neste caso, de crianças africanas) e seis meses de calendários em cada uma, além de uma frase sobre a importância da evangelização/discipulado de nossos pequeninos.
Note ainda o selo em comemoração aos 500 Anos de Reforma Protestante (1517 - 2017), que elaboramos especialmente para a data, e que será inserido em todas as nossas publicações e projetos durante 2017. Sobre os significados do selo, confira AQUI.

Para baixar o Calendário Missionário Países 2017 pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o Calendário Missionário Países 2017 pelo Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar o Calendário Missionário Países 2017 pelo 4Shared, CLIQUE AQUI.
Para baixar o Calendário Missionário Países 2017 pelo SlideShare, CLIQUE AQUI.



Para baixar o Calendário Crianças 2017 pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o Calendário Crianças 2017 pelo Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar o Calendário Crianças 2017 pelo 4Shared, CLIQUE AQUI.
Para baixar o Calendário Crianças 2017 pelo SlideShare, CLIQUE AQUI.


Além dos arquivos em PDF, ideais para você imprimir, também disponibilizamos as imagens do calendário, em boa resolução, para você copiar e usar onde quiser. Confira abaixo:


PAÍSES 2017
(Clique nas imagens para ampliar, em seguida copie/salve em seu computador)









CRIANÇAS 2017



Caso não consiga fazer o download, solicite o envio por e-mail, escrevendo para:  sreachers@gmail.com

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Analzira Nascimento, A Enfermeira Que Ficou - Assista ao documentário


O filme "Analzira, a enfermeira que ficou" concorre ao prêmio de melhor documentário do Festival de Cinema Cristão 2016. Ele é uma produção do ministério Oikos com apoio de Missões Mundiais. Produção e roteiro do Pr Gilson Bifano, com edição e direção de João Santolin. O documentário relata como a missionária e enfermeira Analzira Nascimento arriscou a própria vida durante quase 20 anos para ajudar pessoas necessitadas durante a guerra na Angola.
A votação é popular e pode ser feita até o dia 30 de outubro pela internet. Dê seu voto: http://festivaldecinemaficc.com.br/festival/voto/


Fonte: Missões Mundiais

sábado, 15 de outubro de 2016

Evangelização ou colonização? - Daniel Buanaher

Começo este texto com uns cinco anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que eu morava em Moçambique, certa mulher, no evangelismo, me deixou sem resposta quando me disse: “Eu aceito esse seu Jesus. Mas quanto aos meus filhos que não têm o que comer hoje à noite? Não tens nada a dizer?” Parece clichê, mas aconteceu de fato.
Rumino essa pergunta desde então. Ouvi reclamações parecidas de outras pessoas, naquela região; hoje, essas lembranças me revisitaram quando li o livro da Analzira Nascimento, Evangelização ou Colonização? Senti que preciso escrever sobre o meu desconforto de ver modelos de evangelização colonialistas, que não se importam com o outro, em pleno século XXI. Deixe-me clarificar isto: meu desejo é ver a missão da igreja permeada com a elegância, inclusão, compaixão e solidariedade do Evangelho. Mas nossa maneira de evangelização, às vezes, é outra. Há ainda muitas caravanas missionárias movidas por motivações muito diferentes das que o senhor Jesus ensinou.
Parece que tenciona-se fazer uma evangelização que simplesmente arrebanhe um grande número de pessoas para encher os templos cristãos. Podemos falhar na nossa abordagem evangelística quando compartilharmos a nossa fé sem respeitarmos a “casa do outro”. A nossa obsessão por cumprir metas e implantar programas pode “invisibilizar” o outro, e isso é colonialismo.
Avanços numéricos de missionários com essa mentalidade em várias regiões do hemisfério sul já deram sinais suficientes de como é desastroso o tal empreendimento no campo missionário
Antes que me jogue uma enxurrada de pedras pelo que coloquei até agora, perceba que não pretendo, de forma alguma, desvalorizar o trabalho competente de algumas igrejas e organizações missionárias. Seria muita burrice e ingratidão da minha parte dizer que nada que preste foi feito até agora. Inclusive, em minhas preleções pelo Brasil afora, procuro sempre agradecer ao povo brasileiro pelas orações e esforços que têm empenhado em prol do povo africano. Desejo apenas convidar a reavaliarmos nossas motivações missiológicas.
Agora, quem nunca perguntou para um amigo ou um missionário da igreja: Quantas almas você ganhou para Cristo ano passado? O problema de perguntas como essa é que revelam nossa obsessão pelos números. Pior, não levam em conta o nome, a história e a identidade do outro. O “outro” é visto como objeto, é apenas o “alvo” da nossa missão, que mostra se alcançamos ou não os objetivos do nosso grupo.
Ainda em nossos dias, em vários países africanos e mesmo no Brasil, é possível encontrar igrejas que exigem o uso de terno e gravata para seus ministros quando estão à frente de alguma celebração. Sei de cultos longos, debaixo de temperaturas elevadíssimas e ao ar livre, que o líder jamais se apresenta sem traje ocidental formal completo, porque foi assim que “o missionário ensinou”. O traje típico africano não era considerado espiritual e apropriado para oficiar.
Não gosto nem de pensar no destino de canções como “Ninrowa wira só” ou “Navolowé mama na volowé” tomariam, caso fossem substituídas por completo pelos hinos da Harpa. Certa feita um amigo, ex-seminarista, me contou que seu pastor brigou com ele porque não estava usando terno, no culto. A resposta dele foi a seguinte: “o único problema, pastor, é que não tenho dinheiro para comprar o segundo terno”.
Me entendam, não sou contra o terno e a gravata. O que me causa pavor é essa lógica colonialista que rotula a cultura e a vivência do outro como cultura de “segunda categoria”. Aí eu pergunto: e Jesus que andava de vestido pelas ruas da Galileia? E os apóstolos que comiam à mão, sentados no chão? São inferiores por isso?
Cada vez que um missionário leva um montão de gravatas para distribuir nas aldeias eu me flagro perguntando: como seria se eu levasse um montão de balalaicas (roupa típica africana) para o país dele? Será que usariam esse adorno tão belo em todos os cultos? Você é inteligente e já intuiu onde quero chegar.
Prefiro que o processo da enculturação seja natural, sem imposição, sem execrar as vivências do outro como diabólicas. Se houver interesse por parte dos evangelizados em adotar alguns costumes do ocidente, que seja por opção deles. Nossa tarefa é levar a Boa Notícia. O chinelo que vem do ocidente é muito bem-vindo sim, mas a tentativa de homogeneizar a cultura precisa ser repensada. Confesso que tenho a tendência de pensar que todo o esforço de higienizar os costumes do outro (não sendo eles imorais) é colonialista e hipócrita.
O projeto cristão visa preparar para a vida. Jesus jamais pretendeu anular os costumes de povos não-judeus. Daí ele celebrar a fé em um centurião, adorador no paganismo romano, como digna de elogio.
No livro supracitado, Analzira trata desse tema com sensibilidade e competência. Ela, uma missionária da Junta de Missões Mundiais, que serviu em Angola por 17 anos durante a guerra civil. Doutora em ciências da religião pela Universidade Metodista de São Paulo e responsável pelos projetos missionários da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo. Mostra historicamente como chegamos a este modelo missionário colonialista, sem poupar críticas aos que se julgam saber o que é melhor para o outro. Dá voltas na história das missões, porém não perde de vista o seu objetivo.
Livro Evangelização ou Colonização?, Editora Ultimato

O livro começa descrevendo a crise pragmática sociocultural e epistemológica que vivemos neste início de milênio e que afetou também o projeto missionário cristão. Faz uma boa demonstração da influência do iluminismo no pensamento e prática missionária, contribuindo para configurar o sentimento de superioridade ocidental, que foi fortalecido com os projetos colonialistas. Descreve a crise desse modelo e sugere a busca de uma adequação para superar o descompasso com um novo mundo.
Expõe como o modelo de missão foi sendo sedimentado a partir da compreensão que a igreja tinha acerca do seu papel no mundo em cada época. O livro fica mais interessante no capítulo sobre o protestantismo, quando discute o projeto imperialista e monocultural que a Reforma Protestante impulsionou com marcas do puritanismo e do pietismo. No último capítulo, propõe um reencontro com a dialogicidade para atuar uma nova lógica descolonizada. Defende a recuperação do modelo ideal bíblico, o aprendizado com a história e a educação do olhar para ver o mundo na perspectiva do outro. Afirma que é preciso parar de invadir “a casa do outro”, entender que ele também tem o que dizer e que, ouvindo, alcançaremos condições do diálogo.
Analzira, a escritora-focada, não se prende muito nas questões teológicas nem quando vê um assunto que poderia garantir um belo debate como a Missio Dei. Diz ela que o livro não é sobre teologia da missão, mas sobre encontrar alternativas que recuperem o ideal do projeto inicial de Deus.
Entretanto, Analzira está sempre atenta às questões mais importantes. Por exemplo, quando precisou redefinir o termo “missão”, chama Karl Barth, que definiu missão como a ação de Deus no mundo. E o africano David Bosch que disse que missão é envolver-se no movimento do amor de Deus com a humanidade. Assim, a Missio Dei nos dá uma visão mais holística e traz abordagens mais relacionais e menos gerenciais.
As comunidades evangélicas não deveriam se fechar em seus guetos, falando com um mundo que não existe. É preciso ter uma visão sistêmica que contempla o homem na sua integralidade e compreender nossa responsabilidade diante da sociedade contemporânea.
Levar o Evangelho não significa se impor diante da cultura do outro. Na evangelização, fica implícito que todos podem continuar a tecer, compor, escrever, brincar, dançar como sempre fizeram, desde que isso não se oponha ao evangelho. O evangelho nos convoca à pratica da justiça; traz abordagens solidárias entre distintos homens e mulheres e nos convida a tornamo-nos cada vez mais parecidos com Jesus, nosso irmão e amigo.
Portanto, que possamos negar na nossa prática missionária a colonização e adotar mais o modelo de evangelização dialogal.

DANIEL ANTÓNIO BUANAHER é graduando em Teologia pela Fundação Universitária Vida Cristã (FUNVIC) e em Pedagogia Pela Universidade Norte de Paraná (UNOPAR). É africano de nacionalidade moçambicana, natural da cidade de Pemba, Província de cabo Delgado. Atualmente reside no Brasil. Daniel Buanaher (como gosta de ser chamado) é o filho mais velho do casal António Buanaheri e Maria Buanaheri.

terça-feira, 7 de abril de 2015

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Missões de curto prazo em 2015 com MIAF - Participe!

(Clique na imagem para ampliar)

Em 2015 você terá a oportunidade de participar de uma de nossas viagens de curto prazo para se juntar a uma equipe de missionários na África. Entre em contato através do email: cprazo@miaf.org.br

domingo, 18 de maio de 2014

Revista Passatempos Missionários 3: África!


Amados irmãos, a nossa revistinha PASSATEMPOS MISSIONÁRIOS chegou ao seu terceiro número. Esta edição é totalmente dedicada ao continente africano. Apresentamos informações gerais e curiosidades sobre a história, economia, religiões e línguas da África, dando destaque especial aos países de língua portuguesa do continente.
Além dos tradicionais caça palavras, palavras cruzadas, quizes e as Reflexões Missionárias, nesta edição contamos ainda com criptograma, jogo dos erros e quebra-cabeça. E também um mapa da África, de folha inteira, para auxiliar os leitores.

Passatempos Missionários é uma publicação do blog Veredas Missionárias, e objetiva transmitir informações relevantes, direta e indiretamente ensinando e despertando a Igreja sobre a importância e a urgência da causa missionária, tudo isso através de divertidos passatempos.

Este é um material totalmente gratuito, sem cores denominacionais, concebido para ser livremente distribuído entre a membresia de igrejas evangélicas, seminários, classes de escola dominical, grupos e células, cultos e eventos de Missões etc.

A revista possui 20 páginas, em tamanho A5, e está em formato PDF.

PARA BAIXAR PELO SITE 4SHARED, CLIQUE AQUI.

PARA BAIXAR OU VISUALIZAR ONLINE PELO SITE SCRIBD, CLIQUE AQUI.

Caso não consiga fazer o download, solicite-me o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br


Colabore conosco, repassando este recurso gratuito para outros irmãos, igrejas e instituições.



domingo, 19 de janeiro de 2014

25 artigos de interesse para Missões - Confira!


Embora seja uma rica fonte de informação geral e cultura, de valor para qualquer pessoa, o blog Equattoria reúne principalmente notícias, informações e dicas práticas sobre viagens, culturas, aprendizado de línguas, e outros temas de interesse direto ou indireto para missionários e pessoas envolvidas em Missão.
De tempos em tempos listamos aqui no Veredas Missionárias os últimos posts do blog Equattoria, para que você possa conferir se deixou passar alguma informação relevante e de seu interesse. 
Convidamos-lhe ainda a divulgar e também a assinar o blog Equattoria, para receber diretamente em seu e-mail as postagens semanais do blog.
Clique sobre os títulos para ler as postagens:

Curiosidade: As 116 cidades mais baratas para mochileiros

Como planejar as despesas em moeda estrangeira depois da alta do IOF




























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