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sábado, 13 de outubro de 2018

Marcadores de Página com temas missionários para você baixar e imprimir


Olá amigos e irmãos! A novidade em recursos edificantes que apresentamos desta vez é uma série de marcadores de página, todos com temas de utilidade missionária. São ao todo sete temas, que você poderá baixar, imprimir e recortar.

Confira os temas:
  • Marcador com versículo motivacional e espaço de anotações para você inserir nomes de missionários, e nomes de povos e lugares por quem deve orar;
  • Uma série de 4 marcadores contendo um significativo resumo da história de Missões (linha do tempo), e dicas de livros sobre a história missionária da igreja;
  • Um modelo trazendo a Estrada Romana, que na verdade é um roteiro de versículos, apenas do livro de Romanos, apresentando o plano de salvação completo, para você utilizar como guia em sua ação evangelística;
  • Dois modelos de marcador contendo cada um cinco Esboços de Sermões Missionários diferentes;
  • Um modelo contendo de um lado Dicas (de atividades) para promover Missões em sua igreja, e do outro lado links para download de diversos materiais (livros, apostilas etc.) focados em mobilização missionária; 
  • Um modelo de marcador contendo uma ampla seleção de Versículos Missionários (a base bíblica de Missões);
  • Um modelo apologético, contendo de um lado as heresias e equívocos em que o catolicismo romano incorreu ao longo de sua história (e os versículos que os refutam), e do outro lado uma série de versículos para refutar algumas crenças das Testemunhas de Jeová.


E atenção: há alguns anos já havíamos elaborado uma série de nada menos que 17 modelos de marcadores de página, todos eles com diversas utilidades e recursos cristãos, alguns também com temas missionários. Agora, para facilitar, reunimos num ÚNICO arquivo PDF esses 17 modelos, MAIS os novos modelos que apresentamos acima.


PARA BAIXAR O ARQUIVO COM TODOS OS MARCADORES PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

Lembramos aos irmãos que tais recursos NÃO PODEM SER VENDIDOS. São recursos de grande edificação e utilidade, elaborados apenas para proveito da Igreja de Cristo. Mas convidamos vocês a compartilharem o arquivo, bem como os marcadores impressos, com o máximo de irmãos ao seu alcance. Imprima quantos puder e distribua entre irmãos na fé!

FIQUE ATENTO: Todos os marcadores possuem dois lados (frente e verso); assim, você deverá recortar corretamente e dobrar cada um deles. Cada página a ser impressa consta na maior parte das vezes de dois marcadores (do mesmo modelo ou de modelos diferentes).

sábado, 15 de julho de 2017

Poderá a obra de Missões ser salva?

A revista TIME em uma de suas publicações no ano de 2003, trouxe uma matéria com a seguinte chamada: PODERÁ A IGREJA SER SALVA? Na época da publicação da matéria em questão, ela referia-se a Igreja Católica em suas lutas com a vida moral de seus sacerdotes ao redor do mundo. Creio que   essa pergunta é também pertinente a nós como Igreja Evangélica no Brasil, porém, aqui, quero me referir à obra missionária transcultural e a nossa tarefa em obedecer ao mandato de Mt. 28:19 “Portanto, ide (indo), fazei discípulos de todas as nações (etnias)…”, aqui encontramos uma definição Bíblica do Mandamento da Grande Comissão “fazer discípulos” onde o Evangelho não está disponível (Rm 15: 14.21). Portanto a questão a qual quero me referir, é a seguinte: A nossa parte na tarefa de evangelizar os que não ouviram o evangelho, será levada a salvo ate aquele dia quando encontraremos o nosso amado Salvador e Senhor?  Guardaremos o “bom depósito”, como Paulo exorta seu filho na fé Timóteo, a faze-lo em sua segunda carta, escrita em uma prisão de segurança máxima em Roma? (II Tm. 1:14)
PODERÁ A OBRA DE MISSÕES SER SALVA?
Alguém poderá indagar: Qual a razão para tal pergunta? É possível que a obra de missões no Brasil se perca em sua caminhada? Corre perigo de morte a obra de missões transculturais a partir da Igreja Brasileira? Será possível morrer a compaixão pelos PNAs no coração e ministério daquele que teve seus olhos abertos para além das fronteiras? É possível um homem de Deus perder a visão da direção em que Deus está se movendo? É possível perder o foco e caminhar com a vida, família e ministério de forma desfocada? Cambaleante? Como um Navio à deriva?

Pessoalmente creio que é possível, podemos ser no futuro uma igreja nominal e uma geração de crentes sonolentos e frios em nosso Amor ao Amado de nossa alma.
A Bíblia mostra-nos que a Igreja de Éfeso perdeu seu primeiro amor (Ap.2:4), no final do primeiro século quando a igreja começava seu declínio depois de um período de maturidade, quando foram escritas as chamadas “cartas da prisão”, Paulo, escreveu aos irmãos de Éfeso, Filipos, Colossos e ao seu amigo Filemon. A Igreja que recebeu o ouro da Palavra em relação a nossa posição em Cristo e tudo que recebemos nEle e dEle,  esta carta é considerada a coroa da teologia paulina, esta igreja quando as luzes do primeiro século estão se apagando, estes irmãos de Éfeso, revelam uma conduta que sob os olhos do Senhor da Igreja, necessita de reprovação. Era uma Igreja de muitas obras, perseverante, não suportava homens sem caráter, identificaram os falsos apóstolos e não receberam seu ministério, porém, com todo este “currículo eclesiástico”, seu candeeiro foi removido até os nossos dias. (Ap.2:5). Trinta anos antes (60 e 61 d.C.) essa igreja fora elogiada por seu amor ao Senhor Jesus (Ef. 1: 15,16). O amor estava lá na vida dos irmãos de Éfeso, mas, agora 30 anos depois (93 e 95 d.C.) eles perderam, o amor pelo Noivo, estava ausente, as afeições desta igreja estavam no lugar errado. Quando perdemos o amor por nosso amado Salvador, significa que nosso coração pertence a “outro” deus, Nosso Senhor Jesus condenou esse comportamento quando disse no Sermão do Monte “Ninguém pode servir a dois senhores…” (Mt. 6:24). Quando perdemos o amor por aquele que morreu por nós, deixamos de ser uma igreja missionária, nossos afetos estão nas coisas, nos eventos, nos números, na estrutura, no ministério. “Mestre! Que pedras, que construções!”, esta foi a afirmação de um dos seus discípulos, Jesus, respondeu “Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.” Esta profecia cumpriu-se nos anos 70, quando o General Tito, invadiu a cidade.
A igreja no norte da África nos primeiros séculos envolveu-se com discussões tais como: “A mulher tem ou não tem alma?” Também foi atacada por influências heréticas externas, mas o verdadeiro significado da salvação e a necessidade de proclamar o evangelho eram virtualmente ignorados, como está a igreja hoje nesta região do mundo?  Hoje contemplamos com profunda tristeza uma igreja agonizante na Europa de onde recebemos o evangelho e de onde saíram os reformadores e grandes avivalistas que incendiaram sua época e produziram milhares de missionários para o mundo inteiro. A Europa foi palco de um movimento de oração que durou 100 anos, como resultado da visão de um homem; Conde Zizendorf e então nasceram os Moravianos. Da Igreja da Europa recebemos: John Wycliffe (1328); John Huss (1373), na Boemia; Ulrich Zwinglio (1486), em Zurique-Suiça; John Calvino (1509), de Genebra; Martinho Lutero (1483), John Owen, nascido em 1616, um dos mais renomados teólogos puritanos; John Wesley (1703); Campell Morgan, principe dos expositorres, Charles Spurgeon, príncipe dos pregadores; George Mullher, pai de mais de 6.000 orfãos. O irmão George Mullher foi um dos grandes mantenedores de Hudson Taylor no Interior da China, William Booth, fundador do Exercito da Salvação, Dr. D.L.Johnes; John Stott que já está com o Senhor, e muitos outros. É quando perdemos nosso primeiro amor, que perdemos o entusiasmo por Jesus Cristo e conseqüentemente perdemos a visão, a paixão, a unção e já não temos nenhuma ação eficaz em direção aos que nada ouviram.  O candeeiro foi removido.
Queridos irmãos, nossa convicção de fé em relação a tarefa em dar o Evangelho aos que  não ouviram, isto é: Nossa parte como Igreja Evangélica Brasileira foi corrompida (1ª Ts. 3:5) e as portas do nosso coração foram abertas para a incredulidade, o pessimismo, o desânimo, as dúvidas, e as diversas correntes teológicas, que batem fortemente contra a Igreja de Cristo. Nossa convicção não é mais a mesma. O irmão Frank Dietz pergunta em uma de suas mensagens: Nossa visão é uma CONVICÇÃO ou uma PREFERNCIA? Convicção você não muda, preferência você troca. Ventos fortes sopram contra a Igreja brasileira, estamos sendo transformados em uma igreja templista, onde o templo construído aqui é mais importante que o edifício de  Éfesios 4.1.16. De repente o materialismo chegou; nossos sonhos em ver os povos serem alcançados estão sendo corrompidos; nossa ousadia cede ao ceticismo; nossa intrepidez cede à lógica humana; nossa coragem cede aos questionamentos tais como: E a alta do dólar? E a crise na economia? E o desemprego? E o lugar para o estacionamento dos nossos carros? E o sistema de ar condicionado? E a área de lazer da igreja? E a gravação do grupo de musica? E os que não ouviram em nossa cidade? E os pobres? E agora por último, a nova onda: A Missão Integral, que é o novo modismo dos burocratas eclesiásticos. Missões está em perigo. Poderemos salvar a obra de missões transculturais que nos foi dada como responsabilidade? Chegamos até aqui como resultado da obediência de missionários que vieram ao Brasil e nos deram o evangelho, deixando-nos uma herança que precisa ser transferida à geração futura. Corremos o risco de deixarmos como herança para a geração que nos sucederá um vale de ossos secos, chamado missões.
O que fazer? Olhemos para a igreja de Tessalônica que se tornou modelo em missões em um contexto de crises e lutas (1ª Ts. 1: 7,8) sigamos o exemplo dos irmãos de Filipos que tornaram-se cooperadores com Paulo, quando outras igrejas já não respondiam as necessidades dos missionários, a igreja de Filipos entra na história como uma igreja que “cooperou desde o começo até aquele momento…” (Fil. 1:5). Olhemos para o missionário Paulo quando diante do rei Agripa em Atos 26:19, ele declara: “Pelo que, ó  Rei Agripa, não fui desobediente a visão celestial. Qual era a visão de Paulo? Alguém tem dúvida que sua visão era dar o evangelho aos gentios e oferecê-los como uma oferta a Deus? (At.26:18.20, Rm.15:16). Creio que precisamos perguntar a nós mesmos hoje; qual é a visão que recebemos de Deus? Lembro de um colega de ministério que disse-me certa vez: “a ênfase do meu ministério não é missões, é ação social”. Então perguntei-lhe: Caro colega, missões é uma questão de ênfase ou uma questão de obediência? Temos a liberdade de  escolher qual será a ênfase do nosso ministério, ou somos chamados a seguir e imitar a vida daquele que nos salvou e nos chamou com Santa Vocação (2ª.Tm.1:9)? Precisamos perguntar a nós mesmos e uns aos outros: qual é a nossa visão? Qual é a nossa convicção? Precisamos perguntar a nos mesmos: qual é o meu negócio? Pergunte ao irmão que está ao seu lado, ao seu colega de ministério, de presbitério, de diaconato, de liderança: Qual é o seu negócio? Certa vez o Evangelista Moody abordou um homem em uma das ruas de sua cidade: Você já ouviu falar de Jesus Cristo? O homem respondeu-lhe: vá cuidar do seu negócio! Prontamente o grande evangelista respondeu: O meu negócio é pregar o evangelho. Tarde da noite alguém bateu à porta do irmão Moody. Quem será? Era aquele homem que mandou Moody cuidar de seu negócio. “Por favor, fale-me sobre o evangelho”.
Precisamos redefinir o nosso ministério? O que é o ministério? Fomos chamados porque e para que? E a igreja? Precisamos voltar ao Novo Testamento e à luz das escrituras redefinir a identidade da igreja e sua missão. Quando teremos coragem para discutir e refletir sobre estas questões?  Fomos chamados para quê? Quais os passos para mudar esse quadro? Quero compartilhar quatro passos que podemos dar.
Primeiro: Vamos voltar à Palavra de Deus, vamos pregar sobre missões em nossos púlpitos, vamos dar uma dieta missionária à Igreja que está extremamente OBESA. Vamos pregar expositivamente, vamos abrir a Bíblia e assim como Esdras ensinar as escrituras (Ed.7:10.27). Nossos púlpitos estão vazios da Palavra de Deus e cheios de “artistas”, “atletas”, “comediantes”, “mentores” que se dizem discipuladores, porem nunca geraram filhos espirituais, temos “coreografias, bandas de “estrelas cadentes”, tecnologia, nossos púlpitos foram transformados em picadeiros, palcos, o sentimento que experimentamos é que vivemos nos dias de Samuel: “A Palavra de Deus era mui rara” (1ª. Sm.3:1), e as ovelhas andam (como bêbados) com fome e sede (Amós 8:11.12). Como teremos uma igreja missionária? Vamos fazer como Paulo em  Tessalonica (At. 17:1.3). Oh! Meus queridos irmãos, precisamos hoje de uma pregação poderosa com uma Palavra poderosa, através de lábios cheios de fogo e com ações  poderosas que cheguem ate aos confins da terra (At. 1:5.8).
Segundo: Vamos orar com perseverança, criatividade e fervor espiritual. Vamos gerar um movimento de oração que dure até a volta do Senhor Jesus. Nossos cultos de oração desapareceram e o que sobrou tornou-se um culto humanista, a intercessão gira em torno da nossa vida, da nossa familia, da nossa segurança, das bênçãos que desejamos a qualquer preço. Necessitamos que o mesmo Espírito que estava em Epafras em Cl.4:12; venha sobre nós afim de batalharmos para que a Igreja de Deus no Brasil e no mundo seja perfeita, isto é: Madura, Completa, Adulta e que a nossa convicção seja restaurada, afim de cumprirmos a vontade de Deus em relação àqueles que ainda não ouviram.
Terceiro:
Vamos trabalhar até a exaustão (Cl.1:28.29), gerar novos obreiros, discípula-los, restaura-los e equipa-los para que se tornem o nossos Timóteos, Titos, Aquilas e Priscilas, Joãos Marcos: Provados e Aprovados, que servirão ao evangelho (Fp. 2:19.22).
Quarto: Vamos tomar a decisão de levar nosso ministério para missões e decidir que nossas igrejas serão missionárias e vamos direcionar nossos orçamentos financeiros para o sustento de mais obreiros transculturais, em campos ainda não alcançados. Hoje a nossa Igreja no Brasil, cresceu numericamente, cresceu financeiramente, crescemos na área de recursos teológicos e tecnológicos, porém, somos como a Igreja de Éfeso, perdemos o nosso primeiro amor.
Deus tenha misericórdia de nós, vamos ouvir o chamado do nosso Amado Salvador ao arrependimento, o mesmo chamado que foi dado aos irmãos de Éfeso:
Ap. 2:5 – Lembra-te, pois, donde caíste, arrepende-te e volta a pratica das primeiras obras; de outra forma, venho a ti, e removerei o teu candeeiro do seu lugar, se não te arrependeres.
Vamos em frente, sem desanimar, vamos AVANTE em nome do Senhor Jesus!

sábado, 1 de julho de 2017

Livros de Missões gratuitos em espanhol


O Ministério Preciosa Sangre, associação baseada na Espanha voltada para promover a obra de Cristo no Oriente Médio, disponibiliza cinco e-books de interesse missiológico gratuitamente (todos em espanhol). 

São eles: 
Opresión Espiritual del Islam (Opressão Espiritual do Islã);
Llamada a servir a mi pueblo Iraní (Chamada a servir a meu povo iraniano - Testemunho de uma irmã iraniana);
12 Consejos antes de ir a las Misiones (12 Conselhos antes de ir para Missões);
Voces que Claman (Vocês que Clamam - Preparando o caminho para o Rei Jesus);
12 Datos que todo cristiano debe saber sobre Turquía (12 dados que todo cristão deve saber sobre a Turquia).

Para baixar os livros, clique diretamente sobre os títulos ou acesse AQUI a página dos livros no site de Preciosa Sangre.


domingo, 25 de junho de 2017

Apresentando as boas novas para os hindus


Como evitar que o pacote se perca, seja roubado ou danificado

O hinduísmo afirma possuir 900 milhões de seguidores em todo o mundo, o que o tornaria a terceira maior religião mundial depois do cristianismo e do islamismo. A grande maioria, mais 827 milhões, vive na Índia.
O evangelho tem contribuído para o bem estar e o desenvolvimento holístico de comunidades marginalizadas, disseminação da educação e da saúde e crescimento de comunidades que cultuam Cristo entre os hindus. Em muitos lugares, porém, os que levam as Boas Novas falham na encarnação do evangelho, de modo que a comunidade não tem oportunidade de investigar a autenticidade das Boas Novas.
Hoje, quando oferecemos as Boas Novas a comunidades dentro do mundo hindu, não somos capazes de separá-las das embalagens culturais do Ocidente. Assim, o que oferecemos é rejeitado porque as Boas Novas ou ficaram perdidas ou danificadas sob as embalagens de uma cultura estranha ou foram roubadas, de modo que tudo o que realmente entregamos é a embalagem.
Infelizmente, ficamos mais confortáveis com símbolos e rituais ocidentais. Nós nos apegamos a eles como se fossem mandamentos bíblicos e somos menos tolerantes com expressões hindus de fé. Comunidades hindus baseiam-se em famílias e comunidades muito bem entrelaçadas. É comum dizerem para os jovens que as práticas da família e da comunidade são más e precisam ser renegadas, de modo que precisam optar entre a família e a fé. A vida deles fica dilacerada por questões de cultura, não de Cristo. O medo de serem extirpados da família é um dos obstáculos para pessoas de formação hindu seguirem Jesus.
A ênfase na conversão cultural em lugar da verdadeira transformação espiritual interior tem prejudicado o evangelho. Temos transportado o evangelho com toda sua embalagem cultural e esperamos que uma civilização antiga, com uma profunda consciência de Deus e fundamentação filosófica e teológica, jogue fora sua identidade, cultura e valores para ficar com nosso pacote. Precisamos nos fazer vulneráveis, atrevendo-nos a desembrulhar as Boas Novas e oferecê-las para que as comunidades possam inspecionar, alterar, aceitar ou rejeitar.
Quando estendemos essa graça a eles em oração, podemos ter a certeza de que o evangelho também irá inspecionar e transformar os hindus, sua cultura e comunidades de maneira singular que talvez nem imaginemos. Relacionamentos profundos caracterizados por aceitação incondicional, interesse genuíno e atitudes não condenatórias levarão as pessoas a examinar melhor as Boas Novas.
O caminho do progresso é o caminho do diálogo em que estamos primeiramente prontos a ouvir, aprender, nos humilhar e a sermos acessíveis; e a partir disso apresentar nossa vida e palavras para serem contempladas por nossos amigos hindus. Nosso envolvimento em diálogo e missão é uma aventura, antevendo surpresas à medida que o Espírito nos guia a um entendimento mais profundo. A beleza do evangelho é que se apresenta de novas maneiras em cada situação, quando permitimos que o Espírito Santo nos dirija.
O caráter maravilhoso do mundo hindu é que a maioria das pessoas acredita profundamente em Deus e está tentando relacionar-se com ele, conhecê-lo, agradá-lo e receber sua ajuda. Deus está empenhado em alcançar os hindus, apesar dos erros que nós, seus seguidores, cometemos em nossas ações missionárias. Como um mestre tecelão, ele é capaz de tecer desenhos grandiosos, se estivermos dispostos a lhe devolver o controle, fazendo-nos vulneráveis, saindo de nossa área de conforto, e lhe permitir que nos corrija, nos ensine e nos mantenha humildes. 
Traduzido por: Lucy Yamakami

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Missiologia e a Teologia da Prosperidade


Wellison Barbosa dos Santos
Introdução
Nicodemos, membro do Sinédrio, o supremo tribunal dos judeus, foi procurar Jesus à noite, talvez com receio de ser visto com o Mestre, com uma argumentação interessante: “Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3:2)
Porém, a resposta de Jesus foi mais interessante: “A isto respondeu Jesus: em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3:3)
Jesus está mostrando que o reino de Deus não pode ser conhecido do lado de fora pelas evidências que sustentem as argumentações humanas, mas que o reino de Deus só pode ser visto e reconhecido em suas verdadeiras virtudes por quem estiver dentro dele.
A réplica de Nicodemos a Jesus foi proporcional ao que ele via e entendia: “Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (Jo 3:4)
Diante disso, Jesus fechou a questão, dizendo: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino dos céus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” (Jo 3:5-7)
Portanto, o reino de Deus tem na encarnação e Obra do Cristo e na sua consequência maior, o novo nascimento, o ápice das suas manifestações, o que parece ter mudado na concepção de muitos que dizem enxergar o reino estando do lado de dentro.
Sim, porque nos dias atuais quando a presença e a influência da teologia da prosperidade atingem até mesmo os redutos mais conservadores da fé cristã: não é mais Cristo e o novo nascimento, o ser uma nova criatura em Cristo Jesus, o grande sinal do reino de Deus entre nós.
O reino de Deus está entre nós porque agora somos prósperos e abençoados; não somos mais cauda, somos cabeça; não somos mais empregados, somos patrões; determinamos pela fé o que queremos de Deus e por aí vai.
Mais do que um produto da mídia habilmente manipulado, o que estamos assistindo no nosso país é um ataque frontal aos alicerces da fé reformada, cujas consequências atingem a obra missionária não somente na questão das contribuições financeiras e na disponibilidade de vocacionados, mas principalmente na teologia que norteia a nossa missiologia.
As igrejas adeptas da teologia da prosperidade estão repletas de “abençoados e prósperos”, mas não de verdadeiros discípulos de Cristo nascidos de novo; uma grande contingente resultante de um sincretismo tão perigoso quanto ao visto em várias localidades da África, onde a prática cristã e o ocultismo convivem em igual escala de importância.
Portanto, faz-se necessário refletirmos neste texto do evangelho de João, no capítulo 3, versículos 1-21, acerca dos impactos da teologia da prosperidade na teologia que norteia a nossa missiologia, tendo como premissas:
  1. A centralidade da Cruz
  2. A proclamação da Missão de Cristo
A Centralidade da Cruz (1ª Premissa)
Os sinais de quem via o reino de Deus pelo lado de fora inquietaram o coração de Nicodemos, assim como os supostos milagres da teologia da prosperidade preparados e veiculados na mídia tem inquietado o coração de muitas lideranças evangélicas brasileiras.
A grande maioria ávida em repetir as receitas de sucesso das grandes igrejas neopentecostais, reconfiguraram suas liturgias para atrair mais pessoas e consequentemente maiores arrecadações, mas não se preocuparam com os pressupostos teológicos preteridos em prol da adoção da “novidade” de sucesso financeiro e ministerial.
A centralidade da cruz foi o maior deles. Foi trocada pela centralidade de uma fé pragmática e de resultados extremamente duvidosos.
Jesus disse a Nicodemos: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem. E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3:13-15)
O propósito de Deus foi concentrar no Cristo levantado na cruz as esperanças de uma nova vida para todo aquele que Nele crer.
O sangue de Cristo é a oferta única e suficiente para esta nova vida e não os valores depositados num envelope ou as unções especiais, conforme o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: “Justificados, pois, mediante a fé temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos igualmente, acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5:1,2) .
O uso da fé, tão propagado pelos neopentecostais não é uma resposta à graça de Deus que, em Cristo Jesus concede a vida eterna a todo que Nele crer, mas sim uma proposta negociável fundamentada num paganismo que acredita poder manipular a divindade, a fim de obter seus benefícios, mediante o escambo espiritual. Parece-nos que a realidade das palavras do apóstolo aos Efésios foi esquecida: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2:1-9)
Não mais a cruz, mas a campanha fundamentada na oferta financeira é a porta que se abre no céu para toda sorte de benefício terreno. Assim, as palavras do apóstolo Paulo perderam o sentido para os adeptos da teologia da prosperidade: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra de reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Co 5:17-21)
Descentralizar a cruz é desenvolver uma missiologia de resultados justificados pela quantidade de templos inaugurados, pelas metas de arrecadação alcançadas e pelo público literalmente pagante presente nas reuniões de fé e milagres e não mais pela obediência à ordem de Jesus: ”Ide, portanto, fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou conosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (Mt 28:19,20).
Portanto, a centralidade da cruz deve ser refletida na nossa pregação, cujo mote maior não deve ser a popularidade, mas o compromisso inegociável com a verdade das Escrituras Sagradas, bem retratada pelo apóstolo Paulo à igreja em Corinto: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1 Co 1:21-24)
A pregação centrada na cruz não fechará as portas da teologia da prosperidade, mas certamente levará pessoas a uma fé cristocêntrica, conforme o apóstolo Paulo escreveu à igreja em Corinto: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza e temor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” (1 Co 2:2-5)
Tais pessoas serão potenciais candidatos ao campo missionário, formadas com bases teológicas que não negociam sua ética e seu conteúdo, refletindo-as na vida daqueles que hoje ainda nada ouviram de Cristo.
Façamos da cruz a nossa mensagem para “Jerusalém, Judéia, Samaria e até aos confins da terra”.
A Proclamação da Missão de Cristo (2ª Premissa)
Jesus explicou sua missão a Nicodemos nas seguintes palavras: “assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3:14,15)
Em seguida, Jesus explica o fator motivador da sua missão, o amor de Deus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16)
Este amor se manifestou de “tal maneira”, ou seja, na cruz onde Cristo foi levantado à semelhança à serpente no deserto levantada por Moisés.
O mundo estava sentenciado no “corredor da morte eterna”, mas o amor de Deus se manifestou em Cristo Jesus para dar vida eterna aos que crerem no Filho Bendito.
Está foi e é a missão de Jesus: tirar o pecador do “corredor da morte eterna”, conforme o apóstolo Paulo escreveu aos Colossenses: “Ele nos libertoouo do império das trevas e nos transportou ao reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção a remissão dos pecados.” (Cl 1:13,14).
A Igreja participa desta missão no poder do Espírito Santo, conforme o apóstolo Pedro escreveu: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” (1 Pe 2:9)
Considerando a missão de Jesus, a teologia da prosperidade é uma “anti-missão”, pois além de desfocar a centralidade da cruz, desfoca também a realidade das pessoas para um “mundo imaginário”, à margem da missão de Jesus.
Ela não considera que os pecadores estejam no “corredor da morte eterna”, nem tampouco advoga um mínimo de justiça pelos que sofrem.
Ela advoga em causa própria oferecendo uma solução irreal para os problemas do povo, escondendo o grande e maior vilão de todo ser humano: o pecado.
Na sua “anti-missão” a teologia da prosperidade consegue ofuscar a tenebrosa realidade do pecado, através do brilho falso do materialismo, a ponto de concentrar todas as esperanças do povo no consumismo tão em voga nos dias atuais.
Daí, a pergunta que se faz num cenário como este: Jesus morreu na cruz por que e para quê, se o nosso grande problema não é o pecado?
As palavras do apóstolo Paulo aos Romanos sequer são lidas e pregadas nos púlpitos neopentecostais: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5:12)
Benção e pecado convivem juntos na teologia da prosperidade, porque afinal de contas, o que importa é o carro novo na garagem, a mutação quase que automática de empregado para patrão, a certeza que as coisas a serem conquistadas dependem somente da aplicação financeira celestial, fixada em juros estratosféricos e resgate imediato.
Esta é a esperança oferecida pela teologia da prosperidade, a qual tem transformado e transtornado muitos púlpitos que outrora pregavam a mensagem da cruz.
Diferentemente, de tudo isso, o apóstolo Paulo escreveu à Igreja em Corinto que estava sendo afetada por ensinamentos que afirmavam não haver ressurreição dos mortos: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Co 15:19)
A “anti-missão” da teologia da prosperidade ignora o pecado e suas consequências eternas, fortalecendo a ideia da inexistência da eternidade, pois o que importa é desfrutar hoje do que Deus prometeu e tem que cumprir, porque a fé está em ação, determinando as bênçãos desejadas.
Jesus disse a Nicodemos o propósito da sua missão: “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3:17)
A “anti-missão” da teologia da prosperidade afirma que o grande inimigo das pessoas é satanás que não as deixa prosperar, que as faz adoecer, que destrói suas famílias, deixando-as numa condição humilhante.
Que satanás é o grande inimigo, ninguém discute. A questão é se o seu objetivo seria tão somente destruir o que é visível, até porque se for isso, fica mais fácil resolver.
Nas palavras do apóstolo Paulo à Igreja em Corinto não parece ser isso: “Mas, se o nosso evangelho está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.” (2 Co 4:3-6)
A “anti-missão” da teologia da prosperidade corrobora com o objetivo de satanás em manter as pessoas cegas quanto a “iluminação do conhecimento de Deus na face de Cristo”.
Na verdade, esta “anti-missão” estabelece um cativeiro disfarçado que leva o nome de Deus, mediante um apelo popular massivo travestido num falso evangelho, customizado pelos líderes neopentecostais a partir das suas revelações pessoais que contradizem as Escrituras Sagradas.
As advertências do apóstolo Paulo aos Gálatas são mais do que apropriadas nos dias de hoje às igrejas, outrora firmadas nas Escrituras, mas que se deixaram fascinar pela “anti-missão” da teologia da prosperidade: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.” (Gl 1:6-9)
Quais os resultados podem ser esperados do cativeiro da “anti-missão”? O apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas anteviu a frustração que aguarda muita gente: “Para a liberdade foi que Cristo vos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. Porque nós pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém de fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor. Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade/” (Gl 5:1-7)
Agora, é preciso considerar que Paulo escreveu a uma igreja, que se deixava levar pela doutrina dos judaizantes que confinava a salvação à observância da lei e não à fé em Cristo Jesus. E aqueles que nunca ouviram do evangelho e se convertem através da “anti-missão” da teologia da prosperidade?
O apóstolo Pedro escrevendo sobre os falsos mestres definiu o prejuízo que os mesmos causam aos incrédulos que estão se aproximando da fé, prejuízos esses semelhantes aos causados pela “anti-missão” da teologia da prosperidade: “Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas pelo temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor.” (2 Pe 2:17-19)
Os resultados da “anti-missão” da teologia da prosperidade implicam numa rota de colisão com a missão de Jesus: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.” (Jo 3:18,19)
Esta colisão se deve ao fato de que a “anti-missão” não tem como aplicar a luz à real condição do mundo sem Cristo, uma vez que se isto ocorrer as pessoas poderão enxergar seus pecados e a única possibilidade de serem livres deles, mediante a missão de Cristo na cruz.
Tais pessoas continuam em trevas, sem saber que poderiam ser salvas do que realmente as aprisiona: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com a sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade. Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. E a vós, outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” (Cl 2:8-15)
Sem saber, estão cada vez mais expostas ao julgamento que as tirará do corredor da morte para lança-las definitivamente na morte eterna.
Portanto, é preciso resgatar a missão de Jesus através da sua proclamação dentro e fora das igrejas, mediante a denúncia e rejeição da “anti-missão”, através do ensino das Escrituras Sagradas.
Para tanto, devemos cultivar ministérios alicerçados numa integridade pessoal e ministerial advindas das Escrituras Sagradas, ao invés de nos fascinarmos com as promessas de crescimento e fama, pois, já sabemos que o crescimento vem Dele.
Conclusão
Como em outros momentos da história, a Igreja custa perceber as portas do inferno, salvo alguns do seu escalão. Foi assim com o nazismo na Alemanha e com as ditaduras militares que assolam até hoje, principalmente, os países da América Latina e a África.
Guardadas as devidas proporções, o mesmo fenômeno se repete com a teologia da prosperidade que desembarcou e fincou raízes no Brasil, aproveitando-se não apenas do subdesenvolvimento social e econômico, como também do relativismo bíblico que assola os rincões ministeriais da nação.
Muitos ainda custam acreditar que é impossível alinhar uma missiologia que promova a missão de Cristo, a partir de uma teologia orientada pelos ventos da teologia da prosperidade.
Neste cenário, os que professam a fé reformada que resulta numa missiologia transformadora, devem estar conscientes que não apenas militamos contra uma mentira assumida, como também, contra uma mentira camuflada.
O nosso consolo e esperança está na soberania de Deus que, a despeito de tudo isso, “vela em cumprir a sua palavra”.
Que Deus nos abençoe e guarde.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

SINALIZAÇÕES AO LONGO DO CAMINHO


“Entendendo as bases do islamismo radical moderno”
Por Marcos Amado

Desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, enquanto os eruditos, periodistas e políticos tentavam explicar as novas ameaças que afligiam o mundo, dois nomes apareciam de maneira persistente nos noticiários. Obviamente o primeiro é o de Osama bin Laden, o homem que inspirou os ataques. Foi ele quem ocupou as principais manchetes durante muitos anos quando o tema era o Islã. Porém, outra pessoa cujo nome não atraía tanta atenção quanto o de bin Laden, mas que era citado com frequência, começou a surgir como um dos responsáveis por prover as bases teóricas para o islã militante moderno: Sayyid Qutb.
Qutb nasceu no Egito em 1906 e foi condenado e executado em 1966 sob o regime do Presidente Nasser. Durante seus primeiros anos como escritor, Qutb dedicou-se à crítica literária. Em 1949 ele se envolveu com as atividades da Irmandade Muçulmana e publicou seu primeiro livro religioso e sociológico, Social Justice in Islam[1] (A Justiça Social no Islã). Não obstante, seus trabalhos mais conhecidos são In the Shade of the Qur’an[2] (À Sombra do Alcorão) — um impressionante comentário de trinta volumes sobre o Alcorão — e Milestones[3] (Sinalizações), que é uma defesa apaixonada do islã radical, incluindo uma profunda apologia à jihad.
Enquanto era submetido a um longo período de prisão e tortura por parte das autoridades do regime de Nasser no Egito, Qutb chegou à conclusão de que seus torturadores tinham se esquecido de Deus e, no seu lugar, serviam a Nasser. Na sua opinião, isso somente poderia significar que eles não eram verdadeiros muçulmanos, já que as injustiças que tanto ele como outros em situações similares estavam atravessando não deveriam ocorrer em um sistema político verdadeiramente islâmico[4]. Foi nesse contexto que Qutb publicou Milestones em 1964.
Apesar de muitas das ideias expressadas no livro não serem originalmente suas[5], ele foi o primeiro a apresentar os fundamentos teóricos que estabeleceram claramente as justificativas para o radicalismo muçulmano moderno, que careciam de um “manual” prático com bases corânicas para suas ações.
Devido à grande influência que este livro teve na vida de milhões de muçulmanos ao redor do mundo nas últimas décadas, apresento a seguir um resumo das ideias centrais expressas por Qutb no livro Milestones. Ainda que, como cristãos, não podemos aceitar as afirmações e conclusões de Qutb, o objetivo deste artigo não é o de fazer uma análise crítica do conteúdo do livro, mas sim o de ajudar cristãos brasileiros a entenderem um pouco melhor o que está por trás do radicalismo islâmico.
Milestones – O que Qutb está dizendo?
Apesar de suas poucas páginas (150), o livro Milestones não deixa dúvidas de que Qutb acredita que o islã é a solução para os males que afligem o mundo. Para ele, “a humanidade… está à beira de um precipício”[6] e “sob o risco da aniquilação completa”.[7] O Ocidente não tem a resposta para a situação porque não possui os “valores saudáveis”[8] necessários para dar direção à humanidade. Assim, ele coloca sobre seus próprios ombros a tarefa de mostrar as “placas de sinalização ao longo do caminho”[9] na direção do estabelecimento de uma nova liderança baseada em princípios e valores islâmicos, levando à implementação da lei da Shari` ah por todo o mundo.
É interessante notar que, logo de início, Qutb afirma que não é necessário deixar de lado “os frutos materiais do gênio criativo da Europa”[10] para que se estabeleça o sistema islâmico. “O islã não se opõe ao progresso material”, diz Qutb. “Pelo contrário, ele considera a prosperidade material e a criatividade como uma obrigação dada ao homem desde o início do tempo…”.[11] Portanto, os muçulmanos são responsáveis por fazer o que o Ocidente não foi (e não será) capaz de fazer, ou seja, combinar, de maneira equilibrada, a prosperidade material e a implementação de valores morais que, diferentemente do socialismo e do capitalismo, elevarão a dignidade de homens e mulheres e dará a eles e dará a eles a oportunidade de servir Alá de todo o coração. Essa é uma tarefa divinamente determinada[12] que só acontecerá quando o islã assumir “a forma concreta de… uma nação”[13] e iniciar o movimento rumo à obtenção da liderança mundial.[14]
Qutb tem consciência de que essa não será uma tarefa fácil. O primeiro problema se divide em duas partes: o mundo fora do assim chamado Mundo Muçulmano está em ignorância (jahiliyyah) e a comunidade muçulmana em si está “enterrada debaixo dos destroços das tradições feitas por homens… e esmagada debaixo do peso daquelas leis e costumes falsos que não possuem nem sequer remota relação com os ensinamentos islâmicos”.[15] Até mesmo o pensamento, as fontes e a filosofia islâmicos estão hoje afetados pelo jahiliyyah da mesma maneira que as pessoas estavam antes do tempo de Maomé.[16] Portanto, a comunidade muçulmana de hoje não atende às exigências para ser chamada de muçulmana. Por conseguinte, para que uma comunidade verdadeiramente muçulmana seja estabelecida e promova o início da liderança mundial, “uma vanguarda deve se iniciar com… determinação e, então, continuar prosseguindo, marchando através do vasto oceano da jahiliyyah que abrange o mundo inteiro”.[17]
O primeiro passo, portanto, é preparar essa vanguarda ao se olhar para os Companheiros do Profeta como o exemplo a ser seguido. Na compreensão de Qutb, esse grupo, composto pelos primeiros seguidores de Maomé, foi uma “geração sem qualquer paralelo”[18] na história do islã e da humanidade, e há duas razões principais para isso, como veremos a seguir. Em seus estágios iniciais de treinamento, o Alcorão era sua única fonte de informação, apesar das muitas outras fontes das quais eles poderiam ter bebido.[19] Contudo, os Companheiros tiveram de moldar sua vida unicamente com base no Alcorão, “que era livre da influência de todas as outras fontes”.[20] Através dessa estratégia, Maomé queria preparar uma geração pura de coração, mente e compreensão.[21]Infelizmente, gerações posteriores de muçulmanos misturaram outras fontes (como a filosofia grega, as lendas persas e a teologia cristã) com a original, o Alcorão. Consequentemente, depois dos Companheiros, não houve geração de muçulmanos que pudesse se comparar a eles.[22] Sua disposição de agir de acordo com aquilo que o Alcorão ensinava era tamanha que “o Alcorão se tornou uma parte de suas responsabilidades, mesclando-se com a vida e o caráter deles”, o que levou a “um movimento dinâmico que mudou condições e eventos, bem como o curso da vida”.[23]
Outra importante característica da primeira geração de muçulmanos que deve ser imitada pela nova vanguarda é que eles se isolavam da jahiliyyah tão logo abraçavam o islã. Naturalmente, eles ainda tinham contato superficial, como que comercial, com os não-muçulmanos, mas renunciavam costumes, tradições, ideias e conceitos jahili e eram adotados pela comunidade islâmica.[24] Isso acontecia porque não poderia haver comprometimento com a sociedade não-muçulmana. Do mesmo modo, os muçulmanos de hoje jamais devem mudar seus “próprios valores e conceitos, em nenhum aspecto que seja, com o objetivo de fazer alguma barganha com esta sociedade jahili”,[25] diz Qutb. Para realizar isso, o Alcorão deve ser a única fonte durante os primeiros estágios de treinamento, e a sociedade jahili deve ser rejeitada.
Depois de entender a importância da forma de treinamento e o exemplo de vida dos Companheiros, o próximo aspecto que deve ser levado em consideração por aqueles que vão participar do reavivamento do islã é “a natureza do método corânico”.[26] Durante os primeiros 13 anos do ministério de Maomé, o objetivo não era mudar a sociedade por meio do estabelecimento de uma nova liderança política ou pelo início de um movimento social reformista. Se tivesse desejado fazer isso, ele certamente teria encontrado apoio entre as pessoas para estabelecer uma sociedade mais justa. Em vez disso, ele passou aqueles anos pregando a crença islâmica mais fundamental, aquela que dá sentido a todas as outras coisas, ou seja, “não há deus senão Alá”. Essa era uma afirmação revolucionária. Os líderes daqueles dias sabiam que essa declaração significava que Alá era soberano, e a submissão deveria acontecer apenas a ele. Se as pessoas entendessem essa verdade, os líderes perderiam seu poder. Por conta disso, Maomé sofreu “torturas por treze anos devido à oposição das pessoas que ocupavam posições de autoridade na terra…”[27] mas, junto com os primeiros Companheiros, ele conseguiu deixar claro que a umma deveria ser estabelecida sobre a fé em Alá e tomando por base a aceitação de sua soberania.
Assim que a sociedade aceita que não há deus senão Alá, os resultados são profundos. O domínio e a opressão do homem sobre o homem (que são as principais características da jahiliyyah) deixam de existir e Alá se torna o único Senhor sobre tudo; as leis feitas pelos homens são abolidas e a lei de Deus permeia todos os aspectos da vida.[28] Isso é o que deveria ser proclamado (para o mundo inteiro e para aqueles que se dizem muçulmanos) por aqueles que propagam o islã.[29]
Contudo, a jahiliyyah, que não é uma teoria, mas um movimento real, sempre luta contra toda oposição que vem em sua direção. Dessa forma, se o islã pretende derrotar o sistema existente, ele não pode ser apenas uma teoria ou um credo. Ele precisa ser um movimento organizado, seguindo o exemplo daquilo que aconteceu nos primeiros dias do islã depois dos primeiros treze anos do período de Meca, sob a liderança de Maomé.[30] Essa é a única forma pela qual o objetivo final do islã será alcançado, ou seja, o despertamento da “humanidade do homem”[31] e o desenvolvimento de uma sociedade dominante com os mesmos níveis de realizações sociais, morais e cientificas da ummaislâmico primitivo.
Nesse processo de estabelecimento de uma sociedade verdadeiramente muçulmana, a jihad assume uma importância imensa. Durante o período de Meca, Maomé exerceu sua função de profeta por meio da pregação. Mais tarde, porém, quando o profeta já estava em Medina, Alá deu-lhe permissão de lutar contra aqueles que se opunham ao islã, incluindo o Povo do Livro e os politeístas.[32] Dessa forma, quando precisa combater ideias e crenças, o movimento islâmico usa “pregação e persuasão”.[33] Contudo, ele de fato recorre à jihad “para abolir as organizações e autoridades do sistema jahilique impedem as pessoas de reformar suas ideias e crenças, que as força a seguir caminhos fora dos padrões e que as faz servir a outros humanos em vez de a seu Senhor Todo-poderoso”.[34]
jihad, portanto, não é usada para impor a crença islâmica sobre as pessoas. Afinal de contas, o Alcorão afirma claramente que não há imposição na religião[35], o que exclui a possibilidade de que a fé islâmica pudesse ser imposta pela força. Em vez disso, o objetivo da jihad é “erradicar os obstáculos que impedem que o projeto islâmico seja claramente expresso e, assim, forneça um ambiente livre no qual [pessoas] venham a ter a opção de escolha”[36] e aceitem plenamente a soberania de Alá. Para que isso aconteça, “toda majestade humana” deve ser eliminada.[37] Considerando que “‘obedecer’ é ‘adorar’”[38], cristãos e judeus também são culpados de adorar outros que não Alá porque eles obedecem a seus sacerdotes e rabis.
Tão logo o estado islâmico seja estabelecido, as pessoas desfrutarão de liberdade real. Elas serão liberadas da opressão dos líderes humanos e serão capazes de decidir se seguirão ou não o islã. De acordo com Qutb, dentro de um sistema islâmico, uma pessoa tem liberdade de escolher qualquer crença que desejar, tendo em mente que está “sob a proteção” do sistema islâmico,[39] que é um sistema que engloba todos os aspectos da vida. Dessa forma, o governo de Alá sobre a terra será estabelecido.[40]
Nessa nova sociedade, a obediência à Shari` ah (que se baseia no Alcorão e na Sunnah) será necessária, pois essa é a única maneira pela qual os humanos podem efetivamente ter paz e harmonia consigo mesmos, com os outros e com o universo, que também é governado pelas leis estabelecidas por Deus.[41] Portanto, a Shari` ah não está preocupada apenas com o mundo futuro. Na compreensão de Qutb, este mundo e o vindouro são complementares um ao outro, e aqueles que seguem as leis estabelecidas por Alá podem, pelo menos parcialmente, experimentar os resultados aqui na terra.[42]
Pelo fato de funcionar de acordo com as leis de Deus, a sociedade islâmica é a única sociedade que é verdadeiramente civilizada; ela afeta “atitudes, modo de vida, valores, critérios, hábitos e tradições…”.[43] Isso significa que onde a lei da Shari` ah é fielmente observada, os aspectos mais importantes da sociedade serão “liberdade e honra, família e suas obrigações e valores morais”[44] e não o conforto material, como no caso das sociedades jahili onde, por causa da necessidade de produção, a função principal das mulheres deixa de ser o cuidado para com a família e a educação dos filhos. “Se a família é a base da sociedade, com a divisão de trabalho entre marido e esposa”, diz Qutb, “então tal sociedade é de fato civilizada”.[45] O homem, como o vice-regente de Deus na terra, se esforçará para extrair o máximo do recursos materiais e naturais dados a ele por Deus. “O islã não rejeita o progresso material nem as invenções materiais”[46], afirma Qutb mais uma vez. Contudo, isso não deve acontecer à custa de se esquecer das leis de Alá, as quais dignificam o ser humano.[47]
Desse modo, a Lei da Shari` ah não está preocupada com aspectos legais, como é erradamente presumido por muitos. Ela engloba todos os aspectos da vida, incluindo
Crenças e conceitos islâmicos e suas implicações no que se refere aos atributos de Alá, a natureza do universo, o que é visto e o que não é visto nele, a natureza da vida, o que é aparente e o que está oculto nele, a natureza do homem, e os inter-relacionamentos entre tudo isso. Do mesmo modo, inclui tópicos políticos, sociais e econômicos e seus princípios… Também toca todos os aspectos do conhecimento e princípios de arte e ciência. Em tudo isso, a orientação de Alá é necessária, assim como é necessária na esfera relativamente estreita dos assuntos legais.[48]
Entre outras coisas, isso significa que os muçulmanos devem ser cuidadosos ao buscar adquirir conhecimento. Sempre que for possível, o aprendizado deve acontecer debaixo da orientação de muçulmanos respeitados. Quando isso não for possível, é aceitável que muçulmanos estudem certas disciplinas com não-muçulmanos,[49] mas nunca em questões de fé. Os muçulmanos não devem aprender de judeus nem de cristãos porque, de acordo com o Alcorão,[50] eles tentarão desviar os muçulmanos do caminho correto de Alá.[51]
Aqueles que tomam parte nessa nova vanguarda devem saber que, para muçulmanos, a lealdade não é a uma nação específica nem aos relacionamentos familiares,[52] mas a Alá e ao dar al-Islam, que está em todo lugar no mundo onde um estado islâmico foi estabelecido, governado pela Lei da Shari` ah. O restante do mundo é o dar al-harb, e os muçulmanos têm apenas duas opções no que se refere à maneira de se relacionar com eles: “Paz com um acordo contratual ou a guerra”.[53]
A pátria do muçulmano, na qual ele vive e a qual defende, não é um pedaço de terra. A nacionalidade do muçulmano, pela qual ele é identificado, não é a nacionalidade determinada por um governo. A família do muçulmano, na qual ele encontra consolo e a qual defende, não é a dos relacionamentos sanguíneos. A bandeira do muçulmano, que ele honra e debaixo da qual ele é martirizado, não é a bandeira de um país. E a vitória do muçulmano, que ele celebra e pela qual ele é grato a Alá, não é uma vitória militar. É o que Alá descreveu: “Quando a ajuda e a vitória de Alá chegam, e você vê pessoas entrando na religião de Alá às multidões, então celebre os louvores do seu Deus e peça o perdão dele. De verdade. Ele é o Aceitador de Arrependimento”.[54],[55]
Dessa forma, ao apresentar o islã, não deve haver comprometimento, sua mensagem não deve ser adaptada de acordo com as expectativas da pessoa e ele deve ser expresso “com ousadia, clareza, força e sem hesitação ou dúvida”.[56] Aqueles que pregam o islã não o fazem porque esperam uma recompensa dos jahili, mas porque “os amam,… desejam seu bem, embora possam torturar”[57] os mensageiros do islã. Quando falam com cristãos, por exemplo, os muçulmanos devem dizer claramente que os “conceitos da Trindade, do Pecado Original, de Sacrifício e Redenção… não são adequados nem à razão nem à consciência”[58] e que sua sociedade é injusta e imoral.
O abismo entre o islã e a jahiliyyah é grande, e a ponte não deve ser construída por cima dele para que as pessoas dos dois lados possam se misturar umas com as outras, mas apenas para que as pessoas dajahiliyyah possam vir para o islã… sair das trevas para a luz, livrar-se de sua condição miserável e desfrutar das bênçãos de que já provamos…[59]
Os muçulmanos nunca devem desanimar, porque o Alcorão[60] os exorta a serem triunfantes sejam quais forem as circunstâncias. Eles devem se sentir superiores aos outros, uma superioridade baseada na fé pura do islã, que não é transitória.[61]
As condições mudam. O muçulmano perde seu poder físico e é vencido. Contudo, a consciência não se afasta daquele que é superior… ele olha para seu conquistador a partir de uma posição superior… [ele sabe que] essa é uma condição temporária… que a fé mudará a maré… Até mesmo a morte é sua porção, ele nunca curvará sua cabeça…[62]
Certamente a perseguição virá. Ela já tem acontecido[63] e continuará a acontecer. Os muçulmanos serão perseguidos por causa de sua fé. Quando isso aconteceu no passado, “a fé no coração dos que criam ergueu-se acima de toda a perseguição. A crença triunfou sobre a vida. A ameaça de tortura não os abalou, eles nunca desistiram, e morreram queimados”.[64] Do mesmo modo, os muçulmanos de hoje devem ter a mesma atitude, pois eles receberão a maior recompensa de todas, “o prazer de Alá”.[65]
A violência atual
Quando vemos esse resumo da teologia jihadista de Qutb, fica mais fácil entender as bases racionais e religiosas utilizadas pelos muçulmanos radicais modernos para justificar as barbáries que estão cometendo em diferentes partes do mundo. A grande maioria dos muçulmanos não aceita essas ideias, mas, infelizmente, a minoria que as aceita, está trazendo grande dor e sofrimento a milhares de pessoas. Resta-nos, como cristãos, protestar veementemente junto aos órgãos competentes e através da mídia contra essas atrocidades, ao mesmo tempo que fazemos o nosso melhor para, de alguma maneira, testemunhar sobre o amor de Cristo para os mais de 1,5 bilhão de muçulmanos disseminados ao redor do mundo.
Notas
[1]Sayyid Qutb. Social Justice in Islam, trad. John B. Hardie. Oneonta, NY: Islamic Publications Intl., 2000.
[2]Sayyid Qutb. In the Shade of the Qur’an, trad. M. A. Salahi. London: MWH, 1979.
[3]Sayyid Qutb. Milestones. Indianapolis: American Trust Publications, 1993.
[4]Gilles Kepel. The Roots of Radical Islam. London: Saqi, p. 26.
[5]Veja Ahmed Bouzid, “Man, Society, and Knowledge in the Islamist Discourse of Sayyid Qutb”. Blacksburg, Virginia: Virginia Polytechnic Institute and State University, 1998, p. 39-40, onde é apresentado um resumo das ideias expressas em Milestones que, apesar de terem sido usadas por Qutb, são originárias de outros eruditos muçulmanos.
[6] Qutb, Milestones, p. 5.
[7] Ibid.
[8] Ibid.
[9] Esta é outra possível tradução do título árabe Ma’aalim fii al-tariiq.
[10] Qutb, Milestones, p. 6.
[11] Ibid.
[12] Com base no Alcorão 3:110 e 2:143.
[13] Qutb, Milestones, p. 7.
[14] Ibid., p. 9
[15] Ibid., p. 7
[16] Ibid., p. 15.
[17] Ibid., p. 9.
[18] Ibid., p. 11.
[19] Naqueles dias, a influência das culturas grega e romana ainda era sentida no mundo, além de também existirem as culturas persa, hindu e chinesa.
[20] Qutb, Milestones, p. 13.
[21] Ibid.
[22] Ibid.
[23] Ibid., p. 14.
[24] Ibid., p. 15.
[25] Ibid., p. 16.
[26] Ibid., p. 19.
[27] Ibid., p. 21.
[28] Ibid., p. 37-38
[29] Ibid., p. 29.
[30] Ibid., p. 39.
[31] Ibid., p. 40.
[32] Ibid., p. 44.
[33] Ibid., p. 45.
[34] Ibid.
[35] Alcorão 2:256.
[36] Qutb, Milestones, p. 46.
[37] Ibid., p. 47.
[38] Ibid., p. 49.
[39] Ibid., p. 50.
[40] Ibid., p. 61.
[41] Ibid., p. 75
[42] Ibid., p. 77.
[43] Ibid., p. 81.
[44] Ibid., p. 82.
[45] Ibid., p. 83.
[46] Ibid., p. 86.
[47] Ibid., p. 85.
[48] Ibid., p. 91-92.
[49] Veja Qutb, Milestones, p. 93-94, onde ele apresenta uma lista de diferentes disciplinas, especificando quais delas os muçulmanos podem aprender com especialistas jahili.
[50] 2:109; 2:120; 3:100.
[51] Qutb, Milestones, p. 96-97.
[52] Veja Alcorão 58:22.
[53] Qutb, Milestones, p. 102.
[54] Alcorão 110:1-3.
[55] Qutb, Milestones, p. 108.
[56] Ibid., p. 117.
[57] Ibid., p. 118.
[58] Ibid., p. 119.
[59] Ibid., p. 120.
[60] 3:139.
[61] Qutb, Milestones, p. 122.
[62] Ibid., p. 124-25.
[63] 85:1-16.
[64] Qutb, Milestones, p. 130.
[65] Ibid., p. 135.

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