sábado, 1 de agosto de 2020

O ALDEÃO CHINÊS E A SUA BÍBLIA DE DEZ PÁGINAS, uma peça teatral missionária


  
O ALDEÃO CHINÊS E A SUA 
BÍBLIA DE DEZ PÁGINAS

Peça teatral

A peça reflete a situação de cristãos secretos no interior da China. Por tais grupos só possuírem poucos exemplares da Bíblia, muitas vezes apenas um por igreja, ela é rasgada em blocos ou em cada livro, e as partes são distribuídas entre os irmãos, para que todos possam ler e decorar os versículos.
Nosso personagem, que vive numa província onde a circulação de Bíblias tinha sido proibida, fica com o Livro de Romanos, e, tendo sido interceptado por soldados em patrulha, precisa pregar para esses homens, utilizando apenas o fragmento que possui. Ele vale-se da chamada Estrada Romana, que é um roteiro de evangelização baseado unicamente em versículos do livro de Romanos. (Essa explicação ou uma adaptação dela pode ser dada pelo apresentador da peça, a título de introdução).
A peça se presta tanto a representações com foco ou em momento missionário (culto de Missões etc.), quanto referentes ao Dia da Bíblia, e também a propósitos de cunho evangelístico.

Personagens: CRISTÃO (Chaosheng), TENENTE (Win Lu), SOLDADO 1 (Quon), SOLDADO 2 (Kun Lao) e SOLDADO 3 (Meng).


Cena inicia com personagem CRISTÃO caminhando pelo cenário. Ele veste roupas humildes, como de camponês, e leva às costas uma pequena e surrada bolsa ou trouxa de pano. Aproximando-se de outra direção, vem um grupo de quatro soldados uniformizados e armados.
SOLDADO 1 (apontando a arma): - Ei! Você aí! Pare aí!
Parando assustado, CRISTÃO levanta as mãos, rendido, e depois as abaixa. Os soldados o cercam, o revistam e abrem sua bolsa. Encontram pequenas peças de roupa, uma garrafa d’água e um pedaço de algum sanduíche embrulhado num papel. Um dos soldados bebe a água, e outro come o sanduíche. Um deles puxa um pequeno bloco de papel impresso, bastante surrado, de umas dez páginas, representando o livro de Romanos. Começa a ler, e diz:
SOLDADO 1: - Hum... Veja, tenente. Que livrinho estranho... Este parece ser aquele livro dos cristãos!
TENENTE: - Não pode ser, soldado. O livro cristão possui muitas páginas. Deixe-me ver (apanhando com truculência o livrete, e lendo). Realmente me parece suspeito... Sim, é ele mesmo. Você, aldeão, de onde está vindo?
CRISTÃO: - Senhor tenente, eu estava em casa de amigos, onde fui levar algumas abóboras de minha plantação, que me haviam sido encomendadas.
TENENTE: - E este livro cristão? Não sabe que é proibido portar tal livro nesta província? Qual o seu nome?
CRISTÃO: - Senhor militar, é apenas um pequenino trecho, veja você; e apenas para minha leitura particular. Veja como está desgastado e sujo. Quanto a mim, sou o menor dos chineses, e meu nome é insignificante; sou o seu servo, Chaosheng.
TENENTE: - Não importa. O que um humilde agricultor como você faz com esse livro ocidental? Que benefícios ele pode lhe trazer? Que sabe sobre esse engano contrarrevolucionário?
CRISTÃO: - Venerável oficial, nada intento contra a revolução ou nossa mãe, a república chinesa; este pedaço do livro cristão é apenas para minha reflexão. Na verdade, é um livro oriental, vindo do país chamado Israel; e este livro santo é tesouro de sabedoria e saúde para todos os homens, podendo ajudar com boas coisas e conselhos a qualquer um que o ler.
SOLDADO 3: - “Livro oriental”... Ora veja! Temos Confúcio que nos aconselha em todo bom procedimento. Não lhe basta, aldeão?
CRISTÃO: - Camarada soldado, muito aprecio a doutrina moral de nosso antepassado Confúcio; e foi ele mesmo quem disse: “Os homens de mentalidade superior se empenham primeiro em penetrar na raiz das coisas; conseguido isto, abre-se lhes o rumo certo”.  Assim, busco estudar tudo que minhas humildes mãos alcançam; e tenho obtido sabedoria ao aprofundar-me no estudo deste livro. Confúcio nos instrui para esta vida; no entanto, este livro fala desta e da vida vindoura, a vida eterna.
SOLDADO 2: - Esse já teve a mente corrompida pelo livro estrangeiro! Win Lu, vamos espancá-lo ou coisa pior... Esse porco não vale nem a ração que comerá no presídio.
TENENTE: - Quieto, Kun Lao! Eu dou as ordens aqui.
TENENTE (para Cristão): - Sabe, cristão... Minha avó tinha uma Bíblia. Eu nunca a li, pois sempre soube que era um livro contrarrevolucionário. Mas me lembro de que era um livro bem grande... E você aí, com essas dez folhinhas, dizendo que seu livro é santo e bom e que pode nos ajudar! Como, cão? Diga: Como essa reles e incompreensível migalha pode conter algo de bom?
CRISTÃO: - Senhor tenente, com sua licença lhe afirmo que este livro não é contrarrevolucionário, mas ele próprio é uma revolução. Não política, não terrena, mas nos corações dos homens. Esse livro fez uma mudança em meu coração sombrio, e pode fazer da mesma forma no coração de todos aqui.
SOLDADO 3: - Não ouviu o tenente, traidorzinho? Que livro, se tudo o que você tem são dez páginas amareladas?
CRISTÃO: - Pois acreditem em mim: Apenas este humilde pedaço é suficiente para comunicar os melhores conselhos que um homem poderá obter em sua vida.
SOLDADO 3: - Bah! Veja o que este traidorzinho do campo diz! Teu livro então é maior do que o Tao Te King, o Livro das Virtudes de nosso antepassado Lao Tsé?
SOLDADO 2: - É um puxador de carroças, e amargará alguns bons anos de cadeia e fome! Onde já se viu, um livro “revolucionário”! Se o fosse não seria usado por norte-americanos...
CRISTÃO: - Nobre soldado, este não é um livro norte-americano, e sequer ocidental; conforme disse, todo ele foi redigido em Israel, no Médio Oriente, muito antes de existirem os Estados Unidos... Nosso antepassado, o sábio Lao Tsé, falava-nos do Tao, o estado de pacificação mental e reunião na unidade. Uma doutrina dura e fria, confusa para os humildes. No entanto, este livro traz revelações que até uma criança pode compreender, e uma estrada segura para a salvação de nossa triste condição humana!
TENENTE: - Oh, o caipira tem conhecimentos! Agora nos dá aulas de Geografia e de História das Religiões? Que seja, caipira. Pois lhe faço um desafio: Se este livro é mesmo revolucionário “para os corações dos homens”, se este livro é sagrado, se este livro é mesmo a forma do tal Deus verdadeiro se comunicar com os homens e ajudá-los, leia-o. Leia estas poucas folhas esfarrapadas e prove que apenas nelas há tanta sabedoria, superior mesmo a Confúcio e Lao Tsé! Sua vida depende disso, “plantador de abóboras”.
SOLDADO 1: - Sim, camarada tenente! Se o tal Deus existe e o livro é inspirado desde os céus, essas poucas páginas bastarão para nos convencer. Quem sabe não larguemos até mesmo a bebida e as jogatinas (gargalha).
CRISTÃO: - Nobres senhores, com prazer lhes apresentarei, humildemente, o pouco conteúdo que possuo aqui, da Palavra de Deus. No entanto, rogo que me permitam fazer uma breve oração, para pedir a Deus que me ilumine.
SOLDADO 2: - Hahaha! Pois faça, velhaco! Mas faça sua reza em voz baixa. Melhor, reze em silêncio!
(O Cristão abaixa a cabeça, chega as folhas da Bíblia ao peito e ora em silêncio por alguns segundos. Antes que ele acabe, um dos guardas [SOLDADO 1] lhe dá um pontapé no traseiro, dizendo):
SOLDADO 1: - Como é, cristão? Já basta.
CRISTÃO: - Veneráveis amigos, antes de iniciar, lhes recordo que possuo apenas uma muito pequena parte do Livro Santo. No entanto, já a li bastante e com grande proveito, e creio que, pela graça de Deus, posso compartilhar seu maravilhoso plano para socorro dos homens a partir destas humildes páginas. A Bíblia foi escrita ao longo de milênios, por mais de trinta autores diferentes, muitos dos quais sequer sabiam uns dos outros. Seu conjunto é composto por 66 livros que, uma vez reunidos, formaram um todo harmonioso e coeso. Este fragmento que possuo é o livro de Romanos. Trata-se de um tipo de carta que um grande autor cristão enviou para o povo da antiga Roma imperial. Comecemos por este trecho, em Romanos 1.20,21. Tais numerações referem-se às divisões inseridas no texto, sendo a primeira referente ao capítulo e a segunda ao versículo, para que se possa melhor memorizar e estudar as escrituras (sendo bruscamente interrompido)
SOLDADO 2: - Pare de nos enfadar com explicações e leia o maldito livro!
CRISTÃO: - Mil perdões, honorável soldado. Lerei e lhes mostrarei: (Lê o trecho):
Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” Amigos, aqui a Bíblia diz que o Deus criador de todas as coisas pode ser percebido nas maravilhas da sua criação; no entanto, muitos homens e povos endurecem seus corações contra este conhecimento, e voltam as costas ao Deus verdadeiro. Perdem-se em vãs especulações! Antes de tudo, precisamos reconhecer que Deus é o Criador de tudo e aceitar nossa posição humilde na ordem e propósito criados por Ele.
SOLDADO 3: - Realmente o Universo é maravilhoso, e talvez tenha sido criado por algum ser superior...
SOLDADO 1: - Veja o que o soldado Meng diz, tenente!
TENENTE: - Quieto, Quon! Deixemos o aldeão expor sua doutrina; isso nunca lhe intrigou? Quem sabe realmente não tenhamos sido criados por alguma inteligência maior, assim como foram criados os objetos como nossos casacos e nossos fuzis, e tudo o que fazem os homens? De mais a mais, comporte-se à altura de um investigador. Lembre-se do que nos diz o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung: “As conclusões extraem-se do fim da investigação e não no seu começo. Apenas os tolos se lançam, sós ou em grupo, na tortura mental de encontrar uma solução, de descobrir uma ideia, sem proceder a investigações.
CRISTÃO: - Sábias palavras pronunciaste, honorável tenente. Continuarei, com vossa licença, senhores. Lerei agora o trecho de Romanos 3.23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Amigos, isto é muito importante: Nossos primeiros pais pecaram contra Deus, causando a separação entre nossa espécie e o Criador. Somos herdeiros de uma condenação. Situação terrível em que fomos lançados! Sabemos que há um Deus pelo que vemos na natureza, mas nós mesmos o afastamos, e temos por isso vivido num mundo de dores e trabalhos, sem poder jamais vê-lo realmente! Mas como nos achegarmos novamente a Ele, como sermos perdoados?
Leiamos este trecho, um pouco adiante, aqui em Romanos 5.8: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Queridos camaradas militares, não podíamos pagar a dívida feita ou contraída; e não podendo fugir de diante do Deus de todas as coisas, aguardávamos tristemente nosso castigo final. Mas este mesmo Deus, vendo nossa impossibilidade de pagar a dívida, movido de grande amor enviou seu próprio Filho, Jesus, para pagar essa dívida em nosso lugar. Coisa fabulosa foi isto, camaradas! Um homem sem pecado algum foi morto para que nós, grandes pecadores, pudéssemos ser aceitos por Deus.
SOLDADO 3: - Ora, então é isso que o tal Jesus dos cristãos fez, morreu por todos nós? Um deus que morre pelos fiéis... Não deveria ser o contrário? E de mais a mais, como isso é possível: Sendo ele um só, pagar por todos?
CRISTÃO: - Amigos, lembram que lhes falei que, pelo pecado de nosso pai, o primeiro homem, fomos separados de Deus, pois o erro dele passou em herança para todos nós? Pois se o pecado entrou no mundo por um único homem, da mesma forma o preço do pecado foi pago por um único homem! O que não tinha pecados quebrou a cadeia de causa e efeito dos pecados, a roda a que estávamos presos.
TENENTE: - A roda, você diz... Como samsara, a roda das reencarnações a que os budistas dizem estarmos todos aprisionados?
CRISTÃO: - Honrado tenente, não se trata da mesma coisa, embora o mecanismo possa ser algo parecido. No entanto, Buda diz, assim como o fazem todas as demais religiões dos homens, que podemos nos libertar por nosso próprio esforço; no entanto, o amigo percebe como, ao invés disso, mais e mais pessoas nascem neste mundo miserável, e tornam-se reféns da pobreza, da opressão, e da falta de sentido? Se Buda estivesse certo, deveríamos ver se multiplicar o número de iluminados – mas miseravelmente é o contrário o que ocorre! E tudo isso, camaradas, está bem diante de nossos olhos!
TENENTE: - Especulações interessantes, senhor aldeão, mas muito difíceis de acreditar. No entanto, continue o seu relato...
CRISTÃO: - Lerei agora o trecho de Romanos, 6.3: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." Vejam, amigos, esta ao mesmo tempo terrível e maravilhosa notícia! É dela que este livro, tanto essa humilde porção como o exemplar completo, trata! Se estávamos condenados à morte pelo pecado, o prêmio que recebemos pelo sacrifício do melhor dos homens, Jesus o filho de Deus, nos traz a cura contra a morte, e nos oferece uma vida eterna de paz e amizade com Deus. E tudo isso, vejam vocês, é dom de Deus, ou seja, um presente que nada nos custa! Isso é salvação!
SOLDADO 2: (Gargalhando) – Ora vejam! Então é fácil assim?! Pois onde está essa tal salvação? Vamos, me dê um pouco. Quero ver o tal Deus e quero descansar de minha dura rotina militar. Minhas botas me matam! (sapateia, enquanto aponta para os pés)
CRISTÃO: - A resposta a esta questão, venerável soldado, está neste trecho do livro, em Romanos 10.9,10: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação.” Amigos, a salvação é oferecida para todos aqueles que nela crerem, ou melhor, crerem naquele que a proporcionou, Jesus Cristo, a ponte que nos religa ao Deus que tudo fez.
TENENTE: - Explique melhor sua doutrina, cidadão. Então é simples assim? E os rituais, e as penitências, e os sacrifícios a que é preciso submeter-se para alcançarmos tal beatitude? E os ancestrais, não é preciso lhes tributar oferendas e sacrifícios? Que pede este Deus de nós, para nos dar esta tal salvação?
SOLDADO 3: - Sim, camarada tenente; na instrução militar, quando estudamos o venerável Sun Tzu e sua Arte da Guerra, nos é ensinado que “a vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço”. Que preço paga você em honra a esse teu grande Deus salvador, aldeão?
CRISTÃO: - Honorável camarada tenente, honorável companheiro soldado, aí é que está a maravilha! Basta apenas crer nesse mesmo Jesus, pois o preço já foi pago, como lhes disse. Trata-se de um presente. Os senhores jamais terão recebido presentes? Os outros deuses exigem que nos sacrifiquemos, e mesmo sacrifiquemos a outros, por eles; outros elaboram rituais de purificação severos e falam até em reencarnações quase infinitas até nos livrarmos deste mundo de dores; mas este, o Deus verdadeiro, Ele mesmo se sacrifica por amor a nós! Em Romanos 10.13 lemos palavras que são como ouro: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Deus nada requer do homem, senão fé e obediência. Mas, se tropeçarmos em nosso esforço para obedecê-lo, não somos massacrados: Arrependendo-nos do erro, Ele é misericordioso para nos perdoar e renovar nossas forças.
SOLDADO 1: - Se esse Jesus morreu por nós, para nos salvar, ele mesmo se perdeu?
CRISTÃO: - De maneira nenhuma, venerável camarada. Esse mesmo Jesus, o campeão do amor que se ofereceu por nós, foi morto pregado numa cruz, mas dentro de três dias ressuscitou, vencendo a morte! E ao ressurgir subiu aos céus, onde reina e aguarda o fim e a consumação de todas as coisas, quando Ele se reunirá com os que nele creram, para uma vida eterna de gozo e alegria. Gozo e alegria que então serão perfeitas, quando teremos novos céus e nova terra, onde a dor e a lágrima não mais existirão. Infelizmente, aqueles que não crerem em tão gracioso presente, em tão favorável dádiva, continuarão reféns da morte aqui e no além, e serão por fim lançados em castigos eternos... Sim, pois somos seres eternos; após nossa forte física, haverá um juízo, pois “o salário do pecado é a morte”.
SOLDADO 1: - Ora! Então serei lançado em castigos por não crer em Jesus? Pois lançaremos a você, seu tolo, na cadeia, e veremos se esse Jesus vem lhe resgatar!
CRISTÃO: - Amigos, vejam que não desejo o mal de nenhum de vocês, e rogo que não me prendam sem que eu nada de grave tenha feito; apenas lhes comunico a verdade como a aprendi, e a ofereço a vocês, que a solicitaram. Ofereço como a amigos, a informação que pode mudar suas vidas aqui e na eternidade.
TENENTE: - Ancião, confesso que até aqui não vejo em quê sua doutrina seja ofensiva ou contrarrevolucionária. No entanto, fico cada vez mais curioso com este livro “proibido”... Continue a leitura.
CRISTÃO: - Venerável tenente, realmente este livro, a Bíblia, é o livro dos livros, e a maior fonte de sabedoria universal! Não em vão é o livro mais impresso e vendido em todo o mundo, mais até que o Livro Vermelho de Mao. No entanto, eu tenho apenas este humilde trecho, e não há muito mais que lhes explicar aqui. Convido os amigos militares a buscarem aprender mais dessa boa doutrina, e se achegarem a este Deus de amor, como não há nenhum outro, em nenhuma das religiões dos homens. Em Romanos 11.36, temos que: “Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente.”
TENENTE: - Não pensei jamais que esse livro falasse sobre coisas tais; sempre acreditei que era um livro maligno, criado no Ocidente com o objetivo perverter os povos. No entanto, nesses poucos trechos que nos leste e nos explicaste, vejo apenas uma mensagem de esperança. Tal mensagem está mesmo presente nas outras partes faltantes deste livro?
CRISTÃO: - Sim, honorável amigo; infelizmente sou um humilde camponês e a muito custo obtive este trecho; mas já tive a oportunidade de ler ou ouvir boa parte da Bíblia, e é um livro magnífico, como nenhum outro. Recomendo que o venerável tenente, se não lhe for ofensivo, busque adquirir um desses livros, para sua leitura e reflexão. Sua mensagem jamais se esgota; a cada dia, o próprio Deus revela novas verdades àquele que se entrega com fé e humildade à leitura de seu livro.
SOLDADO 1: - Veja, tenente, além de portar tal livro, ele ainda recomenda que o adquiramos! Vamos prendê-lo afinal ou não, senhor?
TENENTE: - Soldado, por acaso você ouviu alguma coisa que lhe ofendeu? Algo que lhe inspirou a praticar o mal, ou a insurgir-se contra o Partido? Não foi somente uma mensagem de vida e esperança o que ouvimos aqui?
SOLDADO 2: - Senhor, realmente. Eu temia dizer, mas agora que vejo que o senhor pensa assim, afirmo que também conhecia um pouco deste livro, mas agora a sua mensagem me pareceu bem mais clara... Também gostei muito do que ouvi; peço humildemente perdão ao senhor agricultor pelas ofensas e maus tratos (faz a mesura tradicional chinesa – juntando as mãos e abaixando o tronco)
SOLDADO 3: - Camaradas, confesso também que tais palavras me pareceram claras e de boa saúde. Vejo humildemente que tal sabedoria não nos trouxe ofensa, mas ao contrário, deixou-me também com vontade de aprender mais... Quem sabe possamos convidar este aldeão num outro dia para nos expor melhor a sabedoria deste livro?
TENENTE: - Sim, nobre camarada Meng. Mas a hora é avançada e precisamos retornar ao posto de controle. Deixemos ir a este humilde camponês. (Dirigindo-se ao CRISTÃO:) Senhor, sabe que não deve portar tal livro em público, pois em nossa província ele é proibido de circular, e somos aqui os guardiões da lei. Portanto, doravante tenha cuidado ao andar com seu livro; embora seja dito em sua defesa que o que você possui é apenas um pequeno fragmento. Sua palavra nos foi agradável; como um mestre ancião, humildemente nos expôs palavras de vida, superiores talvez às de Confúcio e Lao Tsé. Vá em paz, e que esse Deus de que fala possa lhe proteger e abençoar, e também a nós. Confesso que espero algum dia poder ler esse misterioso mas desejável livro, e saber mais desse fascinante herói chamado Jesus, “o campeão do amor” que, se morreu para a salvação de todos os homens, me parece ser o maior herói que já viveu, e realmente o filho de Deus.
Caem os panos.

NARRADOR EM OFF: - E você, espectador: É capaz de pregar a palavra a um descrente a partir de um pequeno trecho das Escrituras? Porventura você já maneja bem a palavra da verdade?
E quando vier a verdadeira perseguição, estará pronto para não silenciar, mas sofrer a ofensa enquanto fala daquilo em que crê?
E se você, espectador, não é ainda um dos discípulos de Jesus: O que está esperando? Somente Ele, que morreu por você, tem as palavras de vida eterna, vida eterna que Ele deseja lhe dar como presente. Pois o preço já foi pago. Você aceita?

FIM

Autor: Sammis Reachers

Veredas Missionárias    

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

Relatório alerta para perseguição extrema a cristãos de Moçambique

Comunidades cristãs enfrentam desafio de ataques de grupos extremistas, além da pobreza, crises socioeconômica e religiosa
Um relatório intitulado “Moçambique, Insurgência Islâmica”, organizado pela Missão Portas Abertas, mostra que nos primeiros seis meses deste ano houve um aumento significativo no número de ataques de grupos radicais islâmicos, e o uso de armas mais sofisticadas aumentou sua intensidade. Desde o início da insurgência em 2017, mais de 1.000 pessoas foram mortas e mais de 100.000 cidadãos foram deslocados, expulsos de suas casas e cidades.
O relatório alerta ainda que, se uma solução sustentável para os problemas de Cabo Delgado não for encontrada em breve, ela poderá se transformar em uma crise nacional e potencialmente regional, com repercussões para cristãos e não cristãos. As iniciativas de saúde e educação administradas pela igreja, que serviram a região marginalizada e negligenciada, estão em risco. O subdesenvolvimento da província de Cabo Delgado é a mesma razão pela qual os insurgentes usaram para legitimar suas ações, diz o relatório.
O ataque à cidade portuária de Mocimba da Praia, na fronteira com a Tanzânia, em 27 e 28 de junho, foi o quarto desde o início da insurgência islâmica na província de Cabo Delgado em 2017.
Por horas, os insurgentes assolaram as ruas, causando mortes e destruição quando entraram em conflito com as forças do governo. Uma igreja local, uma escola secundária e o hospital distrital - assim como casas, carros e lojas - foram incendiados. Quando a bandeira negra do Estado Islâmico foi erguida, as pessoas fugiram para salvar suas vidas, deixando para trás uma "cidade fantasma”.
“Muitas pessoas foram sequestradas pelo grupo”, disseram fontes locais. "Acredita-se que o ataque foi feito realizar casamentos forçados, trabalho forçado e recrutamento de pessoas para as fileiras do grupo".
O principal grupo islâmico ativo na província de Cabo Delgado é Ahl al-Sunnah wa al-Jamma'a, ou ASWJ, que começou a perseguir os cristãos quando se alinhou com o Estado Islâmico em 2019. Segundo o Relatório da Portas Abertas, os cristãos enfrentaram assassinatos, saques de suas casas e empresas e destruição de igrejas. Além disso, segundo o documento, os problemas socioeconômicos podem estar no centro do conflito, mas a resolução do conflito precisará de uma abordagem holística, onde o papel da religião não seja esquecido. "O grupo conduziu ataques que são consistentes com o que os jihadistas de outras regiões vêm fazendo", dizem os pesquisadores. "Ele tem o apoio de um grupo jihadista internacional. O Estado Islâmico até assumiu a responsabilidade por alguns dos ataques. Alguns dos vídeos gravados pelo grupo foram incorporados aos vídeos de propaganda do EI.

domingo, 12 de julho de 2020

Curso gratuito: Promovendo Missões para Pequenos Grupos


O pastor Djalma Albuquerque, da Primeira Igreja Batista em Campo Grande, disponibilizou, na forma de vídeos em seu canal no Youtube, o curso Promovendo Missões para Pequenos Grupos Multiplicadores / Células. 
Disponibilizamos aqui as sete aulas do curso. Acompanhe o canal do pastor Djalma para ter acesso a novos conteúdos.

Aula 1
 

 Aula 2
 

 Aula 3
 

 Aula 4
 

 Aula 5
 

 Aula 6
 

 Aula 7
 


sexta-feira, 3 de julho de 2020

MISSIOLÉXICO - Criando palavras e expressões para (melhor) pensar a Missão



Ampliar e/ou melhorar a capacidade de uma língua de dizer algo é ampliar a própria capacidade intelectiva de seus usuários; novos conceitos e configurações técnicas, científicas e sócio-organizacionais (traduzindo: novas coisas, processos e fenômenos) demandam termos apropriados para sua eficaz sedimentação no universo reflexivo seja de um idioma, seja de uma disciplina em particular, ao enriquecer seu arcabouço epistemológico.

Em língua portuguesa, possuímos métodos diversos para a criação de palavras, métodos sabatinados nos ensinos Fundamental e Médio, como o leitor há de recordar: os métodos capitais da derivação e da composição, mas ainda as onomatopeias, as reduções e os métodos que foram mais explorados neste nosso exercício criativo: os hibridismos (a união de elementos de idiomas diferentes – em nosso idioma, geralmente do grego e do latim) e os neologismos, que são palavras criadas para suprir uma necessidade comunicacional em contextos específicos.

Um aviso aos navegantes: O texto aqui apresentado, claro está, é chancelado pela ludicidade e em muito também pela informalidade: o purista, antes que se ofenda, poderá considerá-lo apenas uma “brincadeira” ou no máximo um exercício despretensioso de reflexão.
É provável que muitos desses termos jamais tenham sido “usados”. Quanto à necessidade de engendrá-los, alguns me pareceram interessantes; outros, verdadeiramente úteis; outros ainda constam apenas como exercício de reflexão, como já dito. Vamos lá?

Apomissional: Apo, designativo de grande, superior (apo, apóstolo, apocalipse, apologia). Grande ideia ou ação em termos de alcance e relevância missionárias. Exemplo de ato apomissional: Distribuição de um milhão de Bíblias pela Portas Abertas na China (Projeto Pérola); impacto geral da Conferência de Lausanne. Exemplo de conceito apomissional: o conceito de Janela 10/40, proposto por Luis Bush.

Cadeia missiotrófica: Trofé, comida, alimentação. Uma apropriação do termo ecológico cadeia trófica: “Cadeia alimentar” ou pirâmide sistêmica que representa a forma de sustentação da ação missionária considerada em relação a determinado indivíduo, organização, lugar, tempo, cultura. Um exemplo da cadeia missiotrófica tipicamente brasileira: Missionário é treinado com financiamento dividido entre recursos próprios, de sua igreja local, de uma agência missionária que mantém a instituição de treinamento; enviado para o campo, sobrevive em geral de ofertas de parentes e de sua igreja local. Pode ainda contar com ofertantes perenes ou esporádicos, de outras igrejas, cooptados através de visitas a estas igrejas e indivíduos, da divulgação em redes sociais etc. Ilustrativamente, comparar com a cadeia missiotrófica dos Irmãos Morávios: Indivíduo partia em missão munido de poucos recursos, e em geral jamais recebia ajuda posterior de seus enviadores.
A expressão poderia ainda referir o estudo da estrutura de sustentação e propagação do evangelho em culturas “exóticas” em relação aos nossos padrões ocidentais.

Cristão conectivo (igreja conectiva, missão conectiva): Pessoa ou instituição que, em prol do objetivo maior cristão que é levar o conhecimento de Cristo a todos os viventes, trabalha em profunda sintonia e liberalismo com outros cristãos e organizações, muitas vezes de inclinação denominacional e/ou teológica diferente da sua. Não se trata simplesmente do ecumênico, tanto no bom quanto no mau sentido que este termo carrega; é uma superação prática deste estágio, rumo a uma operacionalidade eclesial focada na ou demandada pela urgência missionária.

Cristobstar: Interpor, ser, promover obstáculos à propagação do conhecimento de Cristo (evangelização). Ex.: O governo saudita cristobstou nossos esforços. O governo chinês é o maior cristobstáculo asiático. Uma variação do conceito seria cristobstruir. Ex.: O direcionamento dos recursos da igreja para a aquisição da guitarra Fender é uma verdadeira cristobstrução.

Eklesioeirinilatria: Este termo quase cacofônico dá conta de um fenômeno que corporifica uma terrível contradição: ekklesia é o termo que em grego refere a “chamados para fora”; eirini é paz; latria é adoração. Assim, o termo refere o conjunto de “chamados para fora” que ama, adora estar “dentro”: na segurança da vida comunal da igreja, entre iguais, ou seja, em paz – ao contrário de lançar-se ao encontro do outro e à oposição que todo fiel de Cristo encontrará em sua interface com o mundo caído; patologia da pessoa ou instituição que se recusa a evangelizar e empenhar-se nos muitos processos que a ela conduzem. Horror ou desprezo pelo mundo que faz calar o amor do qual o Cordeiro o fez digno; medo cristão do mundo que supera a coragem que, como já mortos (e, logo, impossíveis de matar) temos ou deveríamos ter em Cristo. Adoração ou dependência viciosa da “paz das quatro paredes”.

Endoekklesia / endoeclesia: Endo, dentro. Igreja voltada para dentro; contradição em termos. Endoeclesismo: Relacionada ao termo anterior.

Etnópolis, etnópole: Etno, raça, etnia; pólis, cidade. Cidade polarizadora dentro de uma cultura, país ou região (regional, nacional, continental, mundial) que reúne, dentre todas de seu conjunto, a maior confluência de povos (etnias) diferentes. Ex.: Nova Iorque é a maior etnópole do mundo. São Paulo, por sua vez, reúne a maior variedade de povos diferentes dentro do Brasil. Você saberia identificar a etnópole de seu estado? Nem sempre é a capital. Remete indiretamente à estratégia paulina de plantar igrejas em grandes centros do helenismo, para com isso facilitar a propagação do evangelho.

Exomissiologia: Exo, fora. Acredite, há quem creia que existam formas de vida, e inteligentes, habitando em outros planetas. A Bíblia não nega, mas também não afirma e mesmo não fala nada sobre isso (embora há quem utilize o texto de João 10.16 para considerar tal possibilidade). Agora, imagine a questão. Seres inteligentes, em suposição igualmente caídos, personagens de culturas e processos outros que não os que nós vivenciamos, e eles também necessitados de re-ligação com o Criador, através da ponte Jesus Cristo. Que corpo fantástico de conhecimentos seriam necessários para que pudéssemos levar o evangelho a tais seres? Esta é a função da exomissiologia. Mas ei, este termo não é meu, já existe e há até uma tese de mestrado sobre o tema (HOFFMANN, 2004). Fascinante, não?
Mas, agora deixe-me ir além. E se não formos nós os emissários (transmissores), mas sim os receptores tanto de um contato com alguma outra civilização planetária, quanto com uma nova (ou nova faceta da) revelação (não confundir com um novo evangelho, que é anátema) que eles nos tragam acerca da obra de Cristo? Como lidar com esse aporte? Como debater, negar, avaliar, contextualizar? Uma ciência ou disciplina à parte se faria necessária, um novo braço ou ramo da (exo)missiologia, portadora de um novo nome exatamente para diferenciar epistemologicamente os estudos: uma xenoteologia e, porque não, uma xenomissiologia. Pois em grego xeno significa estrangeiro, mas também, convidado; logo, alguém que vem a nós.

Keryssofobia: Kerisso, proclamar, anunciar, tornar conhecido, e fobia, medo. Medo do chamado. Após a percepção, por parte do indivíduo (percepção que por vezes dá-se até mesmo por métodos sobrenaturais), de que Deus o está chamado para a ação missionária, um misto de terror e desespero toma conta do mesmo, que não se imagina nem capaz de cumprir o chamado, nem desejoso de abandonar seu modo de vida atual. Aquele que já viu essa rejeição fóbica atuando num indivíduo em seus níveis extremos, percebe que ela pode aparentar ou assemelhar-se mesmo a uma patologia psicológica.

Keryssotomia: Kerisso, proclamar, anunciar, tornar conhecido, e tomia, cortar. Corte, interrupção ou impedimento na obra de proclamação do evangelho. Quebra da (cadeia de) proclamação.

Mazetnia: Mazi, junto; etnia, povo. Estar junto a uma etnia; etnia de adoção. Emprega-se para aquela pessoa que recebeu/percebeu um chamado especial para (trabalhar com, interceder, amar) determinado povo (etnos). Ex.: “Os ianomâmis são minha mazetnia”.

Missioastenia: Astenia, perda ou diminuição da força física. Debilidade (após eventual período de sucesso ou regularidade) de um indivíduo, uma organização, uma cultura ou mesmo toda uma era no seu desempenho missionário.

Missiocultura: Cultura, clima, atmosfera, comovisão (de pessoa ou grupo) centrada na Missio Dei. Ex.: “Aquela igreja vive em missiocultura”.

Missiofagia: Fagia, comer. Ação de (re)direcionar para outros propósitos (ou quase que literalmente alimentar-se d)os recursos (financeiros, humanos e espirituais) que Deus providenciou para serem investidos em MISSÕES. Ex.: “Aquele pastor é um missiófago”.

Missiolaetaria: Uma espécie de alegria, de contentamento no Espírito, ocasionada exclusivamente pelo cumprimento da missão; aquela conhecida e simples satisfação de “missão cumprida”, acessível a qualquer ser humano, mas aqui potencializada no indivíduo cristão pelo Espírito Santo; é uma alegria sobrenatural, e traz consigo temor e tremor; uma paz associada a um aumento da certeza, de fazer parte dos processos maiores e globais (universais) de Deus, mesmo em ação no mínimo, no local. Uma alegria eu diria quase sabática, pelo descanso equalizador que ela acarreta; um contrito, pequeno, “civilizado” êxtase.

Singularidade Tav: Tav, Taf, última letra do alfabeto hebraico. Em filosofia, em física e em outras áreas, alguns eventos-mestres são chamados de ‘singularidade’. Por exemplo, temos a hipótese da ‘Singularidade tecnológica’: o momento em que a inteligência artificial (IA), atingindo estado superior, autoreplicável, autoaperfeiçoável, ultrapassará o que é humano, nos tornando não apenas obsoletos, mas eventualmente dispensáveis (futuro discutido em filmes como Exterminador do Futuro e Matrix).
Agora me diga: você já imaginou o que pode acontecer no momento exato em que o último povo da Terra (não pela nossa incerta contagem humana, mas pela de Deus) for alcançado? Aquele momento exato e quase mágico em que a Grande Comissão, aos olhos de Cristo o Comissionador, for finalmente concluída? Tal evento merece com certeza o epíteto de singularidade. Como nomear tal singularidade? Me pareceu por bem utilizar a última letra do alfabeto hebraico. Você poderia propor, “por que não uma Singularidade Ômega, já que Ele o Cristo é o Alfa e o Ômega?”. A razão é que tal terminologia já existe em ciência (SCHMIDHUBER, 2006, baseado em CHARDIN, 1969), designando outro fenômeno.

Xenomissiologia – Ver Exomissiologia.


Referências:

CHARDIN, Teilhard. The Future of Man. New York: Perennial, 1969.
HOFFMANN, Thomas. Exomissiology: The Launching of Exotheology. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/229646070_Exomissiology_The_Launching_of_Exotheology
SCHMIDHUBER, Juergen. Website do autor: http://people.idsia.ch/~juergen/


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Sammis Reachers - Licenciado em Geografia, com pós graduações em Metodologia do Ensino e Gestão Escolar, é professor, escritor, promotor missionário e editor de recursos vários para servir aos esforços de conscientização e de mobilização missionárias.


Você é livre para reproduzir este material e seu conteúdo, no todo ou em partes, desde que citando autor e fonte.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Missões? Envia o Estagiário!


Radomar Ramlow

Antioquia é uma cidade estratégica a ser estudada enquanto exemplo para nos ensinar sobre a missão cristã a partir da igreja primitiva. Terceira maior cidade do mundo antigo. Primeira cidade onde o cristianismo fincou pé. Uma igreja constituída de judeus e gentios.


Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos” (Atos 11:25,26)

Nas palavras do missiólogo David Bosch, “...ao passo que os hebreus encontravam sua identidade no passado de Israel e de Jesus, os helenistas entendiam-se como o elo com o futuro, não só como arautos de um Israel renovado, mas como vanguarda de uma nova humanidade”.

Há, sem dúvidas, diversas lições que poderíamos tirar da igreja de Antioquia para o ser igreja em missão nos dias de hoje. Destaco, no entanto, um fator que chama a tenção pelo contraste com a realidade atual. Em Atos lemos que “na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado" (Atos 13:1,2).

Está se formando ali, naquela primeira grande comunidade cristã urbana e miscigenada, um movimento missionário com olhar para além de si mesmos (Atos 13.4). Onde estaria o contraste com a realidade de nossas igrejas e agências missionárias de hoje? Quando a igreja de Antioquia decide que vai enviar missionários para plantar igrejas em novos lugares, eles “incumbiram seus dois líderes mais talentosos e experientes para ir”, nos lembra Bosch e os versículos de Atos 13.

Salvo raras exceções, nossas igrejas hoje desejam obter sucesso no empreendimento missionário enviando jovens, recém-formados, inexperientes e imaturos na fé para este grande desafio. Enquanto isso, os mais experientes e talentosos acabam fazendo carreira em instituições eclesiásticas e agências burocráticas, quando não disputando igrejas grandes e consolidadas, em busca de status e poder. 

Não admira que tantos missionários voltem quebrados, frustrados e doentes dos campos missionários! Missão transcultural é assunto sério e requer experiência e muito preparo!



sexta-feira, 12 de junho de 2020

Revista Passatempos Missionários #7: 50 Quizzes sobre a História de Missões - Baixe grátis


A sétima edição da revistinha Passatempos Missionários está pronta. Nesta edição especial, reunimos nada menos que cinquenta quizzes (perguntas) sobre a história do movimento missionário brasileiro e mundial. O desafio é alto!
Há algum tempo criamos um divertido jogo virtual (jogue AQUI) apresentando essas mesmas questões, e nos pareceu por bem disponibilizar o mesmo recurso em formato impresso, permitindo que ele chegue a bem mais irmãos. 
Baixe, imprima, tire cópias e distribua livremente. E fique atento na hora de imprimir: Siga a ordem (frente e verso) para que possa montar corretamente a revista, que possui dezesseis páginas (4 folhas A4).

Para baixar o arquivo pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Roteiro para cerimônia de Comissionamento de Missionário(a)


Esta cerimônia pode ser realizada durante um culto na Igreja por ocasião do Comissionamento ou envio de um(a) missionário (a).

1. Saudação

2. Leitura responsiva (1Tm 2.4; Rm 10.12-15; Jo 20.20-21; At 1.8)

Dirigente: Deus deseja que todos os homens sejam salvos Igreja: e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

Dirigente: Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos,

Igreja: rico para com todos os que o invocam.

Dirigente: Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

Igreja: Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram?

Dirigente: E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se
não forem enviados?

Igreja: Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam
coisas boas!

Dirigente: Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim
como o Pai me enviou, eu também vos envio.

Igreja: E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o
Espírito Santo.

Dirigente: Sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

3. Louvor

4. Pregação da Palavra de Deus

O pregador pode basear sua mensagem em um texto bíblico sugerido pelo(a) missionário (a) a ser comissionado (a) ou em uma das seguintes passagens: Gn 12.1-3; Js 1.1-9; SI 23; SI 126; Is 6.1-8; Mt 28.19-20; Lc 8.4-15; At 1.8; Rm 10.1-15.

5. Comissionamento

A liderança da Igreja e outros ministros presentes são convidados a vir à frente da Igreja. Também o(a) missionário (a) vem à frente da Igreja, postando-se de frente para os líderes e ministros presentes. O dirigente descreve brevemente a missão para a qual será comissionado (a) o(a) missionário(a). Trava-se, então, o seguinte diálogo baseado em Is 6.8 e Js 1.9:

Dirigente: Ouvi a voz do SENHOR, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?

Missionário(a): Eis-me aqui, envia-me a mim.

Dirigente: Sê forte e corajoso(a); não temas nem te espantes,

Igreja: porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.

O(a) missionário (a) é convidado (a) a ajoelhar-se. O dirigente e outros líderes presentes impõem suas mãos sobre o(a) missionário (a) e cada qual recita um versículo ou trecho bíblico. Sugerem-se os seguintes textos: SI 121.7-8; Is 52.7; Ef 6.13-14; 1Co 15.58, entre outros que podem ser proferidos. Uma vez ditos os textos, o(a) missionário (a) pode permanecer ajoelhado, enquanto segue a oração.

6. Oração

O dirigente ou alguém por ele designado pode orar livremente invocando a bênção do Senhor sobre o(a) missionário (a) comissionado (a). Após esta oração, o(a) missionário (a) levanta-se e retorna ao seu lugar, juntamente com os líderes da Igreja.

7. Bênção (Mt 28.19-20; 2Co 13.13)

Dirigente: Jesus, aproximando-se, falou aos discípulos, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

Todos: Amém.


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Lives missionárias, conferências e outros eventos online acontecendo pelo Brasil

A nova realidade pandêmica ampliou em muito nosso isolamento social, tornando as interações online (ainda mais) fundamentais neste momento.
Aqui, divulgamos algumas atividades, dentre lives, conferências, cursos e outras, acontecendo virtualmente por todo o Brasil. São apenas a pontinha do iceberg, pois praticamente todos os dias há ótimas lives em andamento, e alguns líderes de relevo chegam a participar de duas a três lives num único dia.

O evento será realizado ONLINE. Para se inscrever, CLIQUE AQUI.






No Instagram, nos perfis: @NORVALDASILVA  e  @KARLAPIETRA


Para maiores informações e cadastro, CLIQUE AQUI.




No instagram: @raquelelanah


No Instagram, nos perfis: @isacadm  e  @senamioficial


Workshops para jovens, com duração de uma hora, com o Pr. Márcio Garcia, pioneiro e fundador da MEAP e equipe MEAP Jovem. Para informações e inscrição, CLIQUE AQUI.


Maiores informações: https://meabrasil.org/curso


Maiores informações:  go-experience.eventbrite.com


sexta-feira, 29 de maio de 2020

Portas Abertas lança documentário sobre a Igreja Perseguida


Série conta com 12 episódios em que cristãos perseguidos contam suas histórias e como enfrentam a perseguição
 A Portas Abertas vai lançar, nos próximos dias, o projeto Faces da Perseguição, que visa aproximar a igreja brasileira da realidade enfrentada por cristãos perseguidos. Ele consiste em uma série de documentários que apresenta a história de cristãos perseguidos de países como Coreia do Norte, Eritreia, Irã, Índia, Síria, Nigéria, República Centro-Africana, Quênia e Indonésia.
No total, serão 12 episódios com histórias de impacto sobre como cristãos convivem com o medo da possibilidade de terem a vida devastada a qualquer momento, mas mesmo assim, perseveraram na fé. A cada semana, será disponibilizado um novo episódio.
Neste vídeo abaixo você pode ver um pouco do que vai acontecer!

sábado, 23 de maio de 2020

Vídeo: Uma impactante aula sobre missões transculturais e responsabilidade missional, com Kelem Gaspar


Kelem Gaspar, missionária e professora de missões, com seu estilo ao mesmo tempo forte e franco, didático e tocante, nos dá uma verdadeira aula de missões transculturais e responsabilidade missional, neste vídeo. Confira!

terça-feira, 12 de maio de 2020

DEPENDÊNCIA DA IGREJA LOCAL EM RELAÇÃO AOS MISSIONÁRIOS DE FORA: UM PROBLEMA



Steve Saint

A dependência não é somente um estado de bem-estar. Ela se torna um estado mental traiçoeiro que pode adoecer geração após geração uma vez que ganha uma posição segura. Em igrejas novas e inexperientes, pode ser uma doença debilitadora e até fatal.
O objetivo de missões é plantar entre grupos nativos a igreja de Cristo com cara nativa. O propósito não é transplantar a cara da nossa igreja de Cristo para os povos indígenas e eles se acostumarem com ela. As verdadeiras igrejas nativas são enviadoras, autônomas e autossustentáveis. A igreja não é realmente nativa até que ela possa funcionar por si só ao realizar a comissão de Cristo, sem contribuição externa. Mas o objetivo de desenvolver igrejas independentes não é só para que sejam independentes. A razão para fazermos igrejas capazes de se autogovernar é que cada igreja tem uma missão a cumprir. As barreiras políticas nos diferentes países vão e vem. Quando as barreiras se levantam, os estrangeiros geralmente tem de sair do país. Se a igreja é dependente dos estrangeiros que estão saindo, ela não pode mais cumprir sua missão.
Outra razão pela qual todas as igrejas locais devem ser capazes de funcionar independentemente é que esta é a maneira mais eficiente de cumprir a Grande Comissão de Cristo para a Sua igreja. E esta é a forma que Cristo nos ensinou a construir Sua igreja. O objetivo de fazer igrejas independentes das missões que as plantam não é de se livrar dos missionários. É para que os crentes locais assumam as responsabilidades dos missionários fundadores e assim estes possam se mudar para outras localidades onde são mais desesperadamente esperados. Ainda há milhares de grupos de pessoas que não tem testemunhas para contar o que Cristo fez para salvá-los. Ao liberar um missionário para seguir adiante também os crentes locais são liberados para fazer o que Deus os comissionou a fazer. Além disso, o quanto antes uma igreja nativa funcionar bem sozinha, mais cedo ela será capaz de enviar seus próprios missionários para ajudar a alcançar grupos semelhantes.
A dependência tem duas características muito perigosas. A primeira: pode espalhar-se com boas intenções e com malícia; é um veneno mortal se administrada por engano. A segunda: é muito mais difícil parar que começar; o melhor remédio para a dependência é a prevenção.
Dar aos crentes de uma nova igreja os meios para sustentar a igreja por conta própria e as ferramentas para governá-la é tão importante quanto ensiná-los a compartilhar sua fé. Tornar-se enviadora é natural para a maioria das novas congregações. Qualquer pessoa pode dizer a outra pessoa como sua vida foi mudada e é natural para um novo crente querer contar o que aconteceu com ele ou ela.
Aprender a ser autogovernável é mais difícil e aprender a ser financeiramente autossustentável é quase sempre o mais desafiador de tudo. Prestamos aos missionários um grande desserviço quando medimos sua eficácia primariamente pelo número de pessoas nas igrejas que eles plantam. A coisa mais espiritual que eles podem fazer por uma igreja enviadora que também pode se autogovernar é ajudar as pessoas a encontrar empregos, de forma que estes apoiem o ministério. Hoje há uma necessidade maior em muitas regiões por missionários com treinamentos em negócios/administração do que com diplomas de teologia avançada.
É bem mais fácil dar alguma coisa a alguém do que ensiná-lo a fazer essa mesma coisa, assim como é mais fácil dar um peixe do que ensiná-lo a pescar. Se você dá um peixe a uma pessoa, você a alimentou por um dia e provavelmente gerou o princípio da dependência. Se você a alimentar por muitos dias e então parar, ela vai ressentir-se por causa disso. No entanto, se ensinar essa pessoa a pescar, você a terá alimentado para o resto da vida e desenvolvido nela a habilidade de alimentar outros.

Trecho do livro A Grande Omissão (Horizontes América Latina).

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