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domingo, 21 de agosto de 2016

Congresso Diáspora: Alcançando Pessoas em Movimento

Existem mais de 232 milhões de pessoas deslocadas no mundo. Toda nação tem sido impactada com o fenômeno de movimento de populações. Essa diáspora representa tanto uma força missionária quanto uma oportunidade de alcançar os povos que chegam a nossas vizinhanças.
A Faculdade Teológica Sul Americana abordará o tema Diáspora: Alcançando Pessoas em Movimento durante congresso em outubro, com a presença de John Baxter, Catalisador Internacional da Global Diáspora Network do Movimento Lausanne, além de líderes e missionários de várias agências brasileiras (como SEPAL, MIAF, MISSÃO MAIS e outros), e profissionais com experiência internacional.
“A diáspora global é composta de grupos de pessoas vivendo fora de seu local de origem cultural, que retêm uma ligação sociocultural e um sentimento de identificação significativo com seu país de origem e que experimentam um sentimento de deslocamento ou alienação dentro de seu novo local de residência. Há mais de 40 milhões de pessoas deslocadas de suas casas devido a guerras ou desastres naturais. Quase 3 milhões são estudantes internacionais. Porém, a vasta maioria nos grupos de diáspora global são trabalhadores. A maioria desses trabalhadores é procedente de países em desenvolvimento. Portanto, são forçados pela pobreza e pelo desemprego e atraídos pela oportunidade econômica e por maiores salários encontrados em outros países. Há uma grande oportunidade evangelística envolvida na diáspora global.”, definiu Baxter em entrevista para Revista Ultimato (leia mais aqui).
Com o objetivo de capacitar igrejas e profissionais para realizarem o ministério diáspora, serão oferecidos workshops nas seguintes áreas:
• Preparo para o profissional indo além-mar
• As nações entre nós – a igreja local e seu novo vizinho
• Ministérios com universitários internacionais e suas famílias
• Refugiados
• O papel do pastor no ministério diáspora

Workshop:
As Nações Entre Nós: A Igreja Local e Seu Novo Vizinho – Enoque Faria (MIAF)
Preparo do Professional "Indo Além-Mar” – Dra.Carla Decotelli e Pr.Cláudio Mendes (profissionais em campo)
"Business as Mission” – Tim Dunn (SEPAL)
“Refugiados”- Marcos Stier Calixto (CAEBE)
“Alcançando Universitários Internacionais e suas Famílias” – Mark and Sally Sulc (professor da Universidade Estadual de Ohio)
“O Papel do Pastor no Ministério Diáspora” – John Baxter
Congresso Diáspora: Alcançando pessoas em movimento.

Data: 21- 22 de outubro/2016
Local: Campus da FTSA
Inscrições: acesse aqui.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Os oito grupos menos evangelizados do Brasil


Quilombolas

Os QUILOMBOS ou mocambos, cujas origens remontam à época colonial, foram inicialmente comunidades formadas por agrupamentos de escravos fugitivos. Posteriormente alguns abrigaram também escravos ALFORRIADOS (libertos). Buscavam para abrigo florestas e regiões isoladas, para evitar a dura perseguição. Há ocorrência deles em praticamente todo o BRASIL.
Em alguns quilombos, buscava-se retomar práticas de vida e cultura típicas da África, havendo até a nomeação de reis TRIBAIS.
Muito famoso foi o Quilombo de PALMARES, localizado em Pernambuco, e que chegou a ter 30 mil habitantes, tendo durado 94 anos. O herói ZUMBI dos Palmares chefiou durante algum tempo o quilombo. Outro quilombo famoso foi o de Campo Grande, em Minas Gerais, que chegou a POSSUIR quase 20 mil habitantes.
Atualmente, cerca de 2 mil comunidades quilombolas foram legalmente reconhecidas e certificadas pelo Estado brasileiro, com alguns de seus moradores recebendo o TÍTULO de posse da terra e outros benefícios. A Fundação Palmares (www.palmares.org.br), instituição federal focada na promoção e preservação da arte e CULTURA afrobrasileira, é a responsável pela certificação. Estima-se em 600 o NÚMERO de comunidades quilombolas sem igreja evangélica nelas ou nas proximidades.
Algumas das principais comunidades quilombolas do Brasil são:

Rio das Rãs, localizado próximo a Bom Jesus da Lapa (BA) - CAMPINHO da Independência (próximo a Parati - RJ) - Boa Vista (próximo ao município de ORIXIMINÁ - PA) - Frenchal (próxima a Mirinzal - MA) - CAFUNDÓ (próximo a Sorocaba - SP) - Kalungas (próximo a Monte Alegre e Cavalcante - GO) - Caxambu (Rio Piracicaba - MG) - Ivaporunduva (região do VALE do Ribeira - SP).




Povos Ciganos

Acredita-se que os ciganos tiveram sua origem no subcontinente INDIANO, devido à sua língua, o ROMANI (que por sua vez comporta diversos dialetos), possuir semelhanças com línguas daquela região.
Conhecidos pela característica de ser um POVO nômade, que evita fixar residência permanente (embora atualmente muitos grupos tenham abandonado essa característica), os CIGANOS sempre foram alvo de perseguição e preconceito, acusados de ladrões, místicos e desordeiros, acusações tantas vezes infundadas. Estão presentes em diversos países do mundo, notadamente na EUROPA.
Em geral, os povos ciganos não possuem uma mesma identidade religiosa, normalmente adotando as religiões dos PAÍSES onde vivem.
Ao contrário do que se pensa, os ciganos possuem grande variedade sociocultural, com grupos muito diferentes entre si. Entre eles, ainda é grande o índice de analfabetismo, principalmente entre as mulheres.
Os ciganos dividem-se em diversos grupos, dos quais os mais importantes são: sinti, rom (roma) e calon. No Brasil, os mais presentes são os rom (roma) e CALON.
Os primeiros a chegarem ao Brasil, ainda no período COLONIAL, foram ciganos calon, oriundos da Europa (principalmente Portugal e Espanha). Nos séculos XIX e XX chegam os roma e outras linhagens.
No Brasil, estimativas de associações ciganas e do governo dão conta de 800 mil a 1 milhão de ciganos vivendo no país atualmente.
As maiores comunidades ciganas no Brasil encontram-se em Nova Iguaçu (RJ), e nos estados de Minas Gerais e BAHIA.
Estima-se que existam atualmente apenas 14 missionários de tempo integral trabalhando entre os ciganos. Um dos MINISTÉRIOS que trabalham especificamente entre ciganos é a Missão Amigos dos Ciganos –www.amigosdosciganos.blogspot.com.br



Sertanejos

A região conhecida como Sertão Brasileiro ou Sertão NORDESTINO estende-se por grande parte da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí; por todo o estado do Ceará; e por uma pequena parte de SERGIPE e Alagoas, além do norte de Minas Gerais.
Frutos do contato entre brancos e índios principalmente, os povos SERTANEJOS habitam em regiões onde a ÁGUA é escassa (índice pluviométrico médio de 750 mm anuais). O CLIMA é quente e seco. Os pastos, poucos e ralos, são avidamente consumidos pelo gado bovino e CAPRINO.
Com sua dieta em geral baseada em MANDIOCA (macaxeira) e seus derivados, feijão, milho, carne seca ou de bode, dormindo em redes (herança indígena), espalhados em pequenos ASSENTAMENTOS por todo o interior nordestino, muitas vezes desassistidos pelas autoridades, o sertanejo é um forte. Em muitos LUGARES, estão ainda à mercê dos grandes latifundiários, os ‘CORONÉIS’ donos das terras e da água.
Altos índices de analfabetismo, desnutrição, POBREZA. Longos períodos de seca. População humilde, CATÓLICA, prisioneira de superstições e sincretismos: essa é a realidade do sertão.
Estima-se que existam 6.000 assentamentos sertanejos sem a presença de IGREJAS evangélicas, neles ou nas proximidades.
No site www.21diasdeoracao.com.br é possível acessar uma listagem dos 195 municípios nordestinos com índice de evangélicos de 0,8 a 5% da população. Muitos desses municípios estão localizados no sertão.



Imigrantes

Especialistas consideram que as pessoas que chegaram ao BRASIL até 1822, ano da independência do Brasil, eram colonizadores. A partir desta data, com a nação independente, passam a ser considerados imigrantes.
O Brasil tem recebido, ao longo de sua história, IMIGRANTES de mais de 100 países diferentes. Dentre esses, 27 são oriundos de países fechados à evangelização, ao Evangelho.
A recente CRISE econômica que abalou o mundo teve relativamente poucos efeitos sobre a economia brasileira, que obteve bons resultados no período, passando o país a ser visto como promissor campo de TRABALHO. Entre 2010 e 2011, quase 600.000 pessoas imigraram para cá.
Outro fenômeno recente é a chegada de HAITIANOS, principalmente pela fronteira do ACRE (por onde também entram senegaleses), notadamente após o grande terremoto que arrasou o país em 2010, e pelo fato do Brasil chefiar uma missão de paz da ONU naquele país, o que aumentou os laços entre nossos povos.
Em Foz do Iguaçu (PR) há um grande núcleo ÁRABE, com indivíduos de diversos países muçulmanos. Em São Paulo chegam bolivianos e peruanos (dentre outros sulamericanos) para trabalhar em confecções e fábricas (muitos de maneira ilegal). CHINESES e coreanos também têm vindo ao país. Quem, em nossas grandes cidades, nunca se deparou com uma das lanchonetes dirigidas por chineses?
Em quantidades totais, os maiores contingentes de imigrantes no Brasil são: portugueses, depois italianos, espanhóis, ALEMÃES e japoneses.
São Paulo é o estado brasileiro que mais recebeu e recebe imigrantes.




Indígenas

O Brasil possui em torno de 340 grupos e subgrupos indígenas, os quais falam 189 LÍNGUAS. Desses 340, 121 nunca ouviram falar do Evangelho. E se você imagina que essas tribos estão apenas na imensidão da Floresta AMAZÔNICA, engana-se: apenas no Nordeste, existem 57 TRIBOS, sendo que 23 delas permanecem não alcançadas.
As tribos indígenas brasileiras estão divididas de ACORDO com o tronco linguístico a que pertencem, que são principalmente o Tupi-Guarani (litoral do país), o Macro-Jê, e o Aruak, embora existam outras.
A contribuição dos índios para nossa CULTURA é imensa. Seja pela culinária, pelas palavras (mais de 20.000 anexadas ao português), seja por práticas como o banho DIÁRIO ou o dormir em redes, por exemplo.
Um problema comum, principalmente nas tribos mais urbanizadas ou que tiveram maior CONTATO com o homem branco, é o alcoolismo.
A Missão ALEM (Associação Linguística Evangélica e Missionária -www.missaoalem.org.br) oferece TREINAMENTO para quem deseja ser um missionário tradutor da Bíblia, com foco especial em nossos povos indígenas não alcançados. A Missão Novas Tribos do Brasil (www.novastribosdobrasil.org.br), dentre outras, tem prestado também relevante serviço de EVANGELIZAÇÃO entre nossos indígenas.

Por diversas dificuldades levantadas pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) à presença de missionários entre algumas tribos, tem-se incentivado aquilo que se chama de a Terceira Onda Missionária, onde os próprios indígenas, CONVERTIDOS, evangelizam outros indígenas, seja da mesma ou de outras tribos. Note-se o trabalho realizado, nesse sentido, pelo CONPLEI (Conselho de Pastores e Líderes Indígenas).



Ribeirinhos

A AMAZÔNIA possui a maior bacia fluvial do mundo: são 7 milhões de quilômetros QUADRADOS, que se estendem por oito países. O rio Amazonas possui mais de 7 mil AFLUENTES, e 25 mil quilômetros de vias navegáveis. E é por tais extensões de águas que se espalham os RIBEIRINHOS. Apenas na Amazônia brasileira, estima-se que existam 37.000 comunidades ribeirinhas, sendo que 10.000 delas não possuem a presença de IGREJAS evangélicas, nelas ou nas proximidades. A imensa maioria das comunidades ribeirinhas da Amazônia só pode ser alcançada por via FLUVIAL (barcos), em viagens que podem durar diversos dias.
Mas quem são os ribeirinhos? Ribeirinhos são pessoas que vivem às margens dos rios, alimentando-se principalmente da PESCA artesanal, mas também da caça, extrativismo (recolhendo os ALIMENTOS que encontram na floresta), e da agricultura de subsistência. Suas casas de MADEIRA são construídas sobre palafitas, devido às constantes cheias dos rios e IGARAPÉS*.
Além do Amazonas, alguns dos principais rios da Amazônia são o Rio Negro, Rio SOLIMÕES, Rio Araguaia, Rio Nhamundá, Rio TAPAJÓS, Rio Tocantins, Rio Madeira, Rio Xingu.

*Igarapés são pequenos RIOS ou braços de rio, em geral estreitos e de pouca profundidade, aptos apenas para a navegação por CANOAS ou pequenos barcos.



Os mais ricos dentre os ricos

Um dos segmentos menos evangelizados do Brasil, o mais RICOS dentre os ricos, pode ser também um dos mais duros ‘campos missionários’. Isso a própria BÍBLIA deixa claro, ao falar da dificuldade maior de os ricos entrarem no Reino dos Céus (Mt 19:22-24). Como disse certo pregador: “”Nunca haverá muitos VERDADEIROS cristãos ricos, mas haverá alguns.” Pois muitos deles são pessoas ávidas pela verdade, mas vazias ou enganadas espiritualmente, e que muitas vezes, por incrível que possa parecer, nunca ouviram uma explicação satisfatória do EVANGELHO.
Pesquisas apontam a existência de mais de 165.000 MILIONÁRIOS no Brasil (considera-se milionário aquela pessoa que possui mais de um milhão de DÓLARES em ou para investimentos, não considerando-se o valor de sua habitação principal). Já o número de BILIONÁRIOS brasileiros chega a 65, Segundo a revista Forbes, e tende a mais que DOBRAR em 10 anos.
Ilhados em seus condomínios de LUXO e mansões, muitos escravizados pela MÁQUINA de fazer mais e mais dinheiro, sempre ocupados em seus NEGÓCIOS, ou então usufruindo em lazeres a vida que sua riqueza proporciona, eles estão ESPALHADOS por todo o pais, com concentração maior no Sudeste, principalmente nas cidades de São Paulo e RIO DE JANEIRO.
Ainda que a desigualdade econômica e social tenha diminuído nos últimos anos, em virtude da melhora na ECONOMIA e de programas sociais do Governo (como o Bolsa-Família), o Brasil segue como um dos CAMPEÕES mundiais em desigualdade, com poucas pessoas possuindo muito (recursos, terras etc.), e muitas possuindo tão pouco.



Os mais pobres dentre os pobres

Em economia, costuma-se falar em linha de pobreza e linha de pobreza extrema, também chamada indigência. Governos, entidades internacionais e ONGs não possuem um consenso sobre como efetuar essas medições, cada qual adotando padrões diversos. Segundo o GOVERNO brasileiro, vivem em pobreza extrema pessoas que recebem uma renda mensal per capita (por cabeça) de até 70 reais. No Brasil, em torno de 4% a 7% da população encontra-se nesta condição. Os programas sociais do Governo (como Bolsa-Família, Bolsa-Escola etc.), mesmo com os problemas que apresentam, têm contribuído significativamente para a diminuição da POBREZA extrema no Brasil.
Os cinco estados brasileiros onde é maior o índice de pobreza extrema são: MARANHÃO, Alagoas, Piauí, Pará e CEARÁ. O estado onde esse índice é menor é Santa Catarina.
Um subgrupo a ser considerado é o daqueles vitimados pelo trabalho ESCRAVO ou análogo à escravidão. Segundo dados do Índice de Escravidão Global, há no Brasil 200 mil PESSOAS nesta situação.
Mas, para além dessas estatísticas, há uma categoria de pessoas ‘invisíveis’ aos recenseadores: os moradores de rua, sobre os quais não há estimativas oficiais sobre sua quantidade. Números não oficiais dão conta de até 1,8 milhão de pessoas morando nas ruas, em situação de MENDICÂNCIA. Fatores como alcoolismo, uso de drogas, doenças psiquiátricas (além de problemas ESPIRITUAIS), problemas familiares ou simples falta de oportunidades, de perspectivas na vida, e de ajuda efetiva por parte de quem quer que seja (Estado, Sociedade, IGREJA), são as causas da dificuldade de reabilitação dessas pessoas. Muitos preferem não vê-los, ou acreditar que ‘para esses não há solução’. São geralmente os INALCANÇADOS mais próximos de nós. Estão sempre ao alcance de um abraço, de uma mão estendida.

Sammis Reachers
*Textos extraídos da Revista Passatempos Missionários #2, que editamos, e que você pode baixar e imprimir gratuitamente. Acesse CLICANDO AQUI.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

“Missão de todo lugar para todo lugar” - Entrevista com o missiólogo John Baxter

http://www.ultimato.com.br/

Missiólogo analisa o fenômeno dos “povos da diáspora”. Eles representam o novo desafio missionário para a igreja global. 


O missionário John Baxter é representante internacional da Rede da Diáspora Global do Movimento de Lausanne e professor de missões da Cebu Graduate School of Theology, nas Filipinas. Ele esteve em Viçosa de 8 a 12 de julho de 2013 e ministrou aulas no Centro Evangélico de Missões. O missiólogo estuda o fenômeno dos “povos da diáspora”, isto é, gente que vive fora de seu país de origem.

O que é diáspora? Como se define o termo pessoas “em diáspora”? A atual diáspora é provocada por quais motivos? É um fenômeno novo?
A diáspora global não é nova. Povos têm estado em movimento por toda a história humana. No entanto, nos últimos cinquenta anos, a intensificação de forças globalizadoras sociais, políticas e econômicas têm enviado um número sem precedentes de pessoas para viver e trabalhar fora de suas terras nativas. Mais de 215 milhões de pessoas -- o equivalente ao quinto país mais populoso -- estão em movimento hoje e estão vivendo fora de seu país de nascimento. Um número adicional de 700 milhões de pessoas são imigrantes internos, vivendo dentro de seus próprios países, mas fora de seus contextos culturais. Estes números continuarão a crescer dramaticamente.
A diáspora global é composta de grupos de pessoas vivendo fora de seu local de origem cultural, que retêm uma ligação sociocultural e um sentimento de identificação significativos com seu país de origem e que experimentam um sentimento de deslocamento ou alienação dentro de seu novo local de residência.
Há mais de 40 milhões de pessoas deslocadas de suas casas devido a guerras ou desastres naturais. Quase 3 milhões são estudantes internacionais. Porém, a vasta maioria nos grupos de diáspora global são trabalhadores. A maioria desses trabalhadores é procedente de países em desenvolvimento. Portanto, são forçados pela pobreza e pelo desemprego e atraídos pela oportunidade econômica e por maiores salários encontrados em outros países.

Quais reflexões, pesquisas ou estratégias a “igreja cristã global” tem desenvolvido a partir deste fenômeno?
Há uma grande oportunidade evangelística envolvida na diáspora global. Pessoas que estão experimentando um sentimento de deslocamento -- vivendo longe de família, amigos e padrões normais de vida -- são bastante abertas a novos relacionamentos e novas crenças. Milhões de muçulmanos, hindus e budistas, procurando por educação superior ou empregos, mudam-se para países onde há contato com o evangelho e com cristãos. Muitos mudam-se para terras onde a igreja é estabelecida, como os Estados Unidos. Outros encontram trabalho em países que são fechados para o evangelho, como no Oriente Médio, mas trabalham e vivem entre cristãos do Sul global e do Oriente que também encontraram trabalhos nessas terras.
O campo emergente de missões diaspóricas reconhece três fases de alcance [missional] dentro da diáspora. A primeira é a missão para a diáspora, ou seja, quando grupos ainda não alcançados se mudam e entram em contato com a igreja e o evangelho, como os budistas do Butão se mudando para a América do Norte. Há também a missão por meio da diáspora. Esta acontece quando cristãos são capazes de compartilhar o evangelho com os próprios compatriotas ainda não evangelizados, mas que estão vivendo e trabalhando em um país estrangeiro. Este é o tipo mais eficaz de missões diaspóricas. Por exemplo, milhares de filipinos trabalhando em terras árabes têm vindo a Cristo por meio do testemunho de outros compatriotas filipinos que estão trabalhando no exterior.
Finalmente, há a missão além da diáspora. Este terceiro tipo de missão abraça uma grande promessa para alcançar os países não evangelizados da Janela 10/40. Isto é, cristãos vivendo e trabalhando em um país estrangeiro, testemunhando a outros trabalhadores de países diferentes e à população que os recebe. Por exemplo, trabalhadores filipinos trabalhando no Kuait e compartilhando Cristo com trabalhadores muçulmanos e hindus de países da Janela 10/40 que vivem ali. Deus tem trazido milhões de pessoas de povos não alcançados para viver e trabalhar ao lado de cristãos de todas as partes do globo, em lugares como o Golfo Pérsico. Esta é uma tremenda oportunidade para missões.

As Filipinas são o país mais cristão da Ásia e a Arábia Saudita, um dos países mais muçulmanos do mundo. O senhor diz que há 1,2 milhão de filipinos trabalhando na “pátria de Maomé”. O convívio é pacífico?
As nações muçulmanas do Conselho de Cooperação do Golfo (Kuait, Qatar, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã) precisam de trabalhadores estrangeiros para que possam movimentar suas economias. Os filipinos preenchem muitas posições dentro dessas sociedades -- de babás a enfermeiros, de trabalhadores de construções a auxiliares de escritório. Mesmo assim, ainda pode ser perigoso para jovens filipinas trabalharem como domésticas ou babás. Muitas delas são maltratadas. Os cristãos filipinos correm o risco de serem aprisionados ou deportados por testemunharem aos muçulmanos. No entanto, cada vez mais filipinos vivendo no Oriente Médio estão se arriscando e compartilhando Cristo.

O que a igreja brasileira pode aprender com a experiência da “igreja da diáspora”?
Primeiro, a igreja brasileira precisa aprender a “ver” a diáspora. No Brasil, a igreja precisa saber onde os grupos de imigrantes estão morando dentro do país. A igreja tem de aprender os princípios de comunicação transcultural e contextualização para alcançar esses grupos -- indo até eles para viver e trabalhar entre eles, e não esperar que eles venham a uma igreja brasileira estabelecida.
As igrejas brasileiras devem ver o potencial para missões internacionais entre os profissionais cristãos trabalhando no exterior. A estratégia de missões delas precisa expandir para identificar esses trabalhadores e estudantes internacionais como parte de um programa intencional de missões. O recrutamento, a avaliação, o treinamento, a preparação e a forma contínua de prestação de contas são parte de um ministério de missões diaspóricas a partir da igreja local, o qual pode ser feito pela maioria das igrejas espalhadas pelo mundo, incluindo as igrejas do Brasil. Igrejas podem preparar trabalhadores no exterior para o discipulado e evangelismo antes que eles deixem o Brasil e podem prover encorajamento e prestação de contas enquanto eles estiverem no exterior, por meio da mídia eletrônica.
Igrejas locais e denominações podem também ajudar a prover treinamento e liderança para as igrejas e grupos de comunhão iniciados pelos trabalhadores brasileiros no exterior. Uma vez que eles são profissionais seculares -- e não missionários de tempo integral, treinados em escolas de missões e seminários --, a maior parte do treinamento em missões diaspóricas tem de ter como base a igreja local. Escolas bíblicas e seminários no Brasil devem ajudar os pastores e as igrejas a criarem programas de missões diaspóricas efetivos na igreja local para oferecerem cursos e modelos práticos de missões diaspóricas dentro de seus programas de treinamento pastoral.
Deus tem soberanamente colocado cristãos brasileiros como testemunhas e plantadores de igrejas ao redor do mundo. Há primeiramente a obrigação de alcançar seus próprios conterrâneos nessas terras estrangeiras. Depois, eles devem ver se há outros grupos de pessoas migrantes em seu novo país de residência para que possam evangelizá-los. Finalmente, eles têm de procurar oportunidades para compartilhar Cristo com a cultura hospedeira.

Entre permanecer na terra para “salgá-la” e ser uma igreja peregrina que alcança cada vez mais nações, que espiritualidade devemos cultivar num mundo cada vez mais em movimento e com fronteiras (geográficas e tecnológicas) sendo superadas?
A globalização promove uma consciência global. A mídia eletrônica global mistura culturas de todo o mundo e permite que pessoas se conectem e formem subgrupos culturais, embora elas vivam em continentes diferentes. Jovens americanos seguem bandas k-pop da Coreia e cafeterias italianas são abertas na China. Nossos filhos vivem em um mundo onde as fronteiras políticas estão cada vez mais porosas. A antiga percepção de missões era “a partir do Ocidente cristão para o resto do mundo”. As missões diaspóricas creem em missões de todo lugar para todo lugar, feitas por todo mundo para todo mundo. A divisão entre missões domésticas e estrangeiras começa a se esvanecer no meio das missões diaspóricas. Deus está trazendo as nações às nossas orlas e nossos trabalhadores estão se tornando cidadãos do mundo.
Precisamos de novos odres missiológicos para um novo dia de missões. Não deveríamos focar na geografia das missões -- como enviar missionários para a China --, mas, antes, nas afinidades étnicas e culturais a fim de fazer missões entre os chineses, quer morem em Beijing ou na Cidade do México. Isso nos permite responder à direção do Espírito Santo. Temos a habilidade de perguntar onde no mundo Deus está presente, operando entre um grupo étnico-cultural em particular, e então responder ao seu convite para trabalhar onde ele já está trabalhando. Essa perspectiva nos concede uma flexibilidade maior no recrutamento e envio de missionários.

Há ministérios específicos trabalhando na diáspora? Quais são eles?
Missões diaspóricas, reconhecidas como uma estratégia de missões, é algo novo. Há grupos que têm alvejado certos grupos migratórios, como os nepaleses ou coreanos. Algumas agências enviadoras de missionários -- como a Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos -- têm reconhecido a importância das missões diaspóricas e estão trabalhando para se distanciar de um foco geográfico para uma orientação dirigida à afinidade étnico-cultural. Algumas denominações estão criando departamentos de ministério diaspórico para ajudar as suas igrejas e os missionários a responderem às oportunidades de missão diaspórica ao redor do mundo. A Associação de Missões das Filipinas criou um programa de treinamento para as igrejas filipinas com o alvo de prover treinamento de discipulado e evangelismo para centenas de cristãos filipinos, antes que eles deixem as Filipinas. Poucas escolas bíblicas e seminários, como o Seminário Batista do Sul, em Baguio, estão criando programas de treinamento flexíveis para treinar líderes da igreja dentro da diáspora global. Estes novos “pastores da diáspora” não têm educação teológico-pastoral formal e não podem abandonar o trabalho no exterior para frequentar um seminário. O treinamento teológico e pastoral tem de ser levado até eles, nos países onde eles trabalham e vivem.

Qual é o envolvimento de Lausanne com esses ministérios?
O Movimento de Lausanne é o primeiro advogado para as missões diaspóricas. Um dos primeiros encontros para estudar esta nova ideia de missões aconteceu em Pattaya, na Tailândia, em 2004. A partir daquele encontro, Lausanne criou uma equipe responsável por missões diaspóricas para preparar a apresentação das missões diaspóricas no Terceiro Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundial, na Cidade do Cabo, em 2010. Na Cidade do Cabo, Lausanne criou a Rede da Diáspora Global, liderada por Sadiri Joy Tira. Os alvos da rede são: encorajar a criação de uma missiologia da diáspora e ajudar agências de envio de missionários a se envolverem com missões entre grupos de pessoas migrantes. A Rede da Diáspora Global realizará uma consulta global de Lausanne para missões diaspóricas em Manila, Filipinas, em 2015. Missiólogos e profissionais da diáspora de todo o mundo se reunirão para criar uma literatura básica para essa importante e emergente estratégia de missões.

Traduzido por Ehud M. Garcia.

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