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terça-feira, 8 de abril de 2025

E-books gratuitos sobre grupos não alcançados (Christar América Latina)

 

O Ministério Christar, uma missão dedicada a plantar igrejas entre comunidades menos alcançadas pelo evangelho, através de sua divisão da América Latina, oferece em português nada menos que cinco e-books gratuitos, sobre povos/grupos não alcançados e suas religiões: Islamismo, Budismo, Hinduísmo, além de Surdos e Refugiados.

Os e-books são de leitura breve e trazem informações relevantes sobre cada um destes grupos.

CLIQUE AQUI e acesse a página de download dos e-books.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Aulas de Missões gratuitas com Hikmah International


O Ministério Hikmah existe para, em parceria com a igreja global, encorajar líderes cristãos entre povos não alcançados através de fortalecimento de sua fé em Cristo e treinamento bíblico contextual. Hikmah é uma palavra árabe que significa sabedoria.

Acesse o site: https://hikmahinternational.org/

No canal deles no Youtube, você terá acesso gratuito a dezenas de vídeos que, no conjunto, compõem um verdadeiro curso avançado de missiologia e temas correlatos. Acesse: https://www.youtube.com/channel/UC8jiAR3D4Of1lHsbxAjTlSQ/videos

Além dos vídeos, o Ministério Hikmah oferece em sua plataforma diversos cursos sobre temas missionários. Além de cursos pagos, há até um curso gratuito, Treinamento para Mobilizadores de Missões. Confira os cursos aqui: https://cmg.eadplataforma.com/cursos/hikmah-international-ministries/


domingo, 9 de agosto de 2020

Curso online gratuito: ACT - Até os Confins da Terra



A Missão Frontiers oferece o curso gratuito ACT - Até os Confins da Terra.

O curso é virtual e TOTALMENTE GRATUITO, sendo focado no mundo oriental, apresentando roteiros concentrados em: Intercessores, Mobilizadores, Voluntariado e Campo Missionário.

Para maiores informações e inscrições, acesse:

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Relatório alerta para perseguição extrema a cristãos de Moçambique

Comunidades cristãs enfrentam desafio de ataques de grupos extremistas, além da pobreza, crises socioeconômica e religiosa
Um relatório intitulado “Moçambique, Insurgência Islâmica”, organizado pela Missão Portas Abertas, mostra que nos primeiros seis meses deste ano houve um aumento significativo no número de ataques de grupos radicais islâmicos, e o uso de armas mais sofisticadas aumentou sua intensidade. Desde o início da insurgência em 2017, mais de 1.000 pessoas foram mortas e mais de 100.000 cidadãos foram deslocados, expulsos de suas casas e cidades.
O relatório alerta ainda que, se uma solução sustentável para os problemas de Cabo Delgado não for encontrada em breve, ela poderá se transformar em uma crise nacional e potencialmente regional, com repercussões para cristãos e não cristãos. As iniciativas de saúde e educação administradas pela igreja, que serviram a região marginalizada e negligenciada, estão em risco. O subdesenvolvimento da província de Cabo Delgado é a mesma razão pela qual os insurgentes usaram para legitimar suas ações, diz o relatório.
O ataque à cidade portuária de Mocimba da Praia, na fronteira com a Tanzânia, em 27 e 28 de junho, foi o quarto desde o início da insurgência islâmica na província de Cabo Delgado em 2017.
Por horas, os insurgentes assolaram as ruas, causando mortes e destruição quando entraram em conflito com as forças do governo. Uma igreja local, uma escola secundária e o hospital distrital - assim como casas, carros e lojas - foram incendiados. Quando a bandeira negra do Estado Islâmico foi erguida, as pessoas fugiram para salvar suas vidas, deixando para trás uma "cidade fantasma”.
“Muitas pessoas foram sequestradas pelo grupo”, disseram fontes locais. "Acredita-se que o ataque foi feito realizar casamentos forçados, trabalho forçado e recrutamento de pessoas para as fileiras do grupo".
O principal grupo islâmico ativo na província de Cabo Delgado é Ahl al-Sunnah wa al-Jamma'a, ou ASWJ, que começou a perseguir os cristãos quando se alinhou com o Estado Islâmico em 2019. Segundo o Relatório da Portas Abertas, os cristãos enfrentaram assassinatos, saques de suas casas e empresas e destruição de igrejas. Além disso, segundo o documento, os problemas socioeconômicos podem estar no centro do conflito, mas a resolução do conflito precisará de uma abordagem holística, onde o papel da religião não seja esquecido. "O grupo conduziu ataques que são consistentes com o que os jihadistas de outras regiões vêm fazendo", dizem os pesquisadores. "Ele tem o apoio de um grupo jihadista internacional. O Estado Islâmico até assumiu a responsabilidade por alguns dos ataques. Alguns dos vídeos gravados pelo grupo foram incorporados aos vídeos de propaganda do EI.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Portas Abertas divulga Lista Mundial da Perseguição 2020

Já está disponível a atualização 2020 da Lista Mundial da Perseguição (LMP), ranking dos 50 países onde os cristãos são mais perseguidos por causa da fé em Jesus. O trabalho é resultado de uma pesquisa realizada com cristãos de mais de 60 países entre 1/11/2018 e 31/10/2019. A Portas Abertas divulga anualmente a pesquisa, que possui metodologia própria, desde 1993. Porém, o monitoramento da perseguição acontece desde os anos 1970. Clique no banner abaixo e confira a Lista Mundial da Perseguição 2020.
Na edição 2020 da LMP, 46% dos países tiveram um crescimento na perseguição, entre eles está Arábia Saudita, China, Marrocos e Bangladesh. Em 22% das nações, como Sudão, Jordânia e Indonésia, o nível de intolerância caiu. Outros 24% equivaleram aos que não tiveram alteração significativa na pontuação em relação à LMP 2019, como Coreia do Norte, Síria, Egito e Quênia. Os 8% restantes abrangeram os novos integrantes do relatório, como Burkina Faso, Camarões e Níger. A Ásia saiu na frente como o continente que tem mais países na Lista Mundial da Perseguição, são 30 ao todo. A África ficou em segundo lugar, com 19, e a América Latina em terceiro, com apenas a Colômbia. Assista ao vídeo e conheça melhor a realidade atual dos cristãos da Igreja Perseguida no mundo.
Além da classificação das nações onde a igreja de Cristo é mais perseguida, o relatório oferece informações sobre os tipos de perseguição que os irmãos e irmãs enfrentam todos os dias, além de expor também quais são as fontes de perseguição. Cada país ganhou uma pontuação entre 0 e 100 pontos, resultantes da análise de diferentes esferas da vida (vida privada, família, comunidade, nação e igreja) e também da violência experimentada.
Este ano, trazemos uma novidade: um e-book da Lista Mundial da Perseguição com o mapa da perseguição 2020 e informações dos 50 países do ranking. Você também encontrará dados sobre a situação atual da perseguição e pedidos de oração de cada país. Baixe gratuitamente a versão digital clicando no banner abaixo.
Além da oração, o apoio de forma prática é fundamental para realização dos projetos da Igreja Perseguida. Este mês, nosso foco é a Coreia Norte, país que lidera a Lista Mundial da Perseguição desde 2002. Contribua para que os cristãos norte-coreanos sejam fortalecidos na fé, apesar de viverem no país número um em perseguição aos seguidores de Cristo. 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A Abelha de Salomão – Fatos sobre a perseguição ao cristianismo



De acordo com a tradição Judaica, quando a Rainha Sabá foi visitar o Rei Salomão em Jerusalém, ela decidiu colocar à prova sua famosa sabedoria. Ela montou dois arranjos de flores, um com flores verdadeiras e outro artificial. Ela desafiou o Rei a distinguir o arranjo verdadeiro do falso sem chegar perto deles. O Rei Salomão, como diz a tradição, abriu urna janela e logo em seguida uma abelha entrou voando. Claro, ela foi diretamente para as flores verdadeiras em busca do néctar e assim Salomão pôde identificar o verdadeiro e o falso.
O ano de 2018 foi um período quando se tornou muito difícil distinguir a verdade da mentira, ou certo do errado. As velhas certezas se foram e às vezes parece que a única coisa que nós temos certeza é do crescimento da incerteza em nosso tempo. No mundo Ocidental, nossa cultura está entrando em colapso. Princípios que foram construídos em valores Bíblicos e Judaico Cristão estão desaparecendo rapidamente sob o ataque do humanismo secular. No mundo não Ocidental, novas ideologias baseadas no totalitarismo religioso ou nacionalista estão crescendo rapidamente. Em todas estas situações a Igreja está cada vez mais sob opressão. E nesta nova ordem, é difícil saber em quais países se pode confiar ... ou neste caso, quais instituições, igrejas ou líderes Cristãos.
No caso de Aasia Bibi, por exemplo, o governo Britânico, guiado por urna Primeira Ministra que é filha de um vigário, deixou claro que esta mulher Cristã do Paquistão não e bem-vinda no Reino Unido. Por outro lado, um enviado comercial Britânico renunciou seu cargo, em partes pela recusa do governo em receber Aasia Bibi; ele é um muçulmano, e filho de um imame (título muçulmano que designa o sacerdote). Países que já se orgulharam de sua liberdade religiosa e dos direitos humanos e continuam falando, mas muitas vezes não agem como falam.
A Arábia Saudita é um país onde é tão perigoso deixar o Islamismo e seguir a Cristo que Cristãos Sauditas que s têm manter sua fé completamente em segredo por medo de serem executados. Certamente que o Irã torna a vida de Cristãos muito difícil e muitos foram presos, mas tem uma igreja de convertidos do Islamismo funcionando com um número estimado entre 350.000 a um milhão de membros (embora algumas estimativas cheguem a três milhões), que se reúnem para cultos como congregação, e somente uma pessoa foi executada. Mesmo assim a Arábia Saudita é reconhecida pelo Ocidente e o Irã é condenado.
Hoje, Cristãos se encontram cada vez mais desorientados. Uma nova onda anti Cristã de marginalização, discriminação e perseguição está se desenvolvendo, e nós temos dificuldade em saber como responder. Vemos a Igreja crescendo em lugares opressores como Irã, índia e China. Vemos a Igreja morrendo mesmo com a liberdade do Ocidente. Alguns Cristãos no Ocidente vivem suas respeitáveis vidas, ainda alheios à enxurrada que está chegando, e perguntam qual é o problema. Outros enxergam o perigo, e querem fugir - mas para onde? Outros ainda querem ficar e lutar, mas como? No Velho Testamento lemos sobre o homem de Issacar que entendeu as circunstâncias e sabia o que os Cristãos deveriam fazer (1 Crônicas 12:32). Nos dias de hoje existe uma grande necessidade de tais homens e mulheres — àqueles que podem entender nosso tempo, que conheçam os pensamentos de Deus para Seu povo em nossa época, que possam discernir a verdade entre um monte de mentiras e notícias falsas.
Jesus disse, "Eu sou ... a verdade." (João 14:6) A palavra Grega para verdade é aletheia que pode significar na verdade o oposto a ouropel (aparência enganosa de luxo), falsidade e fingimento. Melhor do que qualquer abelha, nós temos Cristo, a sabedoria de Deus (1 Coríntios 1:24) que pode verdadeiramente nos guiar nesta realidade e em Seus caminhos. Então saberemos como deveremos viver, como devemos servi-Lo e como devemos servir e cuidar de Seu povo perseguido ao redor do mundo.


Editorial da revista AjudaBarnabas, #1 de Jan/Fev 2019. - http://barnabasfund.org/brasil

sábado, 1 de julho de 2017

Livros de Missões gratuitos em espanhol


O Ministério Preciosa Sangre, associação baseada na Espanha voltada para promover a obra de Cristo no Oriente Médio, disponibiliza cinco e-books de interesse missiológico gratuitamente (todos em espanhol). 

São eles: 
Opresión Espiritual del Islam (Opressão Espiritual do Islã);
Llamada a servir a mi pueblo Iraní (Chamada a servir a meu povo iraniano - Testemunho de uma irmã iraniana);
12 Consejos antes de ir a las Misiones (12 Conselhos antes de ir para Missões);
Voces que Claman (Vocês que Clamam - Preparando o caminho para o Rei Jesus);
12 Datos que todo cristiano debe saber sobre Turquía (12 dados que todo cristão deve saber sobre a Turquia).

Para baixar os livros, clique diretamente sobre os títulos ou acesse AQUI a página dos livros no site de Preciosa Sangre.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Ebook gratuito: Introdução ao Isl@mysmo


A Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira disponibilizou, dentro de sua campanha missionária de 2017 (cujo tema deste ano é Até Que Ele Venha), o pequeno e-book Introdução ao Isl@mismo, escrito pelo missionário Caleb Mubarak. Em 50 páginas, o livro traça um panorama do Islã, de suas origens aos dias atuais, e finaliza refletindo sobre os desafios de ganhar os muçulmanos para Cristo.

Para baixar o e-book, CLIQUE AQUI.

terça-feira, 8 de março de 2016

Curso: Olhando Para O Mundo Através das Lentes Do Islã


Curso: Olhando Para O Mundo Através das Lentes Do Islã - DE 25 A 29 DE ABRIL DE 2016 - História, desenvolvimento e assuntos contemporâneos relacionados à religião que mais cresce no mundo. 
Realização: Seminário Teológico Servo de Cristo (www.servodecristo.org.br) e Centro de Reflexão Missiológica Martureo (www.martureo.com.br). Local: São Paulo—SP.

Para maiores informações, acesse: http://www.martureo.com.br/cursos/


sábado, 27 de fevereiro de 2016

SINALIZAÇÕES AO LONGO DO CAMINHO


“Entendendo as bases do islamismo radical moderno”
Por Marcos Amado

Desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, enquanto os eruditos, periodistas e políticos tentavam explicar as novas ameaças que afligiam o mundo, dois nomes apareciam de maneira persistente nos noticiários. Obviamente o primeiro é o de Osama bin Laden, o homem que inspirou os ataques. Foi ele quem ocupou as principais manchetes durante muitos anos quando o tema era o Islã. Porém, outra pessoa cujo nome não atraía tanta atenção quanto o de bin Laden, mas que era citado com frequência, começou a surgir como um dos responsáveis por prover as bases teóricas para o islã militante moderno: Sayyid Qutb.
Qutb nasceu no Egito em 1906 e foi condenado e executado em 1966 sob o regime do Presidente Nasser. Durante seus primeiros anos como escritor, Qutb dedicou-se à crítica literária. Em 1949 ele se envolveu com as atividades da Irmandade Muçulmana e publicou seu primeiro livro religioso e sociológico, Social Justice in Islam[1] (A Justiça Social no Islã). Não obstante, seus trabalhos mais conhecidos são In the Shade of the Qur’an[2] (À Sombra do Alcorão) — um impressionante comentário de trinta volumes sobre o Alcorão — e Milestones[3] (Sinalizações), que é uma defesa apaixonada do islã radical, incluindo uma profunda apologia à jihad.
Enquanto era submetido a um longo período de prisão e tortura por parte das autoridades do regime de Nasser no Egito, Qutb chegou à conclusão de que seus torturadores tinham se esquecido de Deus e, no seu lugar, serviam a Nasser. Na sua opinião, isso somente poderia significar que eles não eram verdadeiros muçulmanos, já que as injustiças que tanto ele como outros em situações similares estavam atravessando não deveriam ocorrer em um sistema político verdadeiramente islâmico[4]. Foi nesse contexto que Qutb publicou Milestones em 1964.
Apesar de muitas das ideias expressadas no livro não serem originalmente suas[5], ele foi o primeiro a apresentar os fundamentos teóricos que estabeleceram claramente as justificativas para o radicalismo muçulmano moderno, que careciam de um “manual” prático com bases corânicas para suas ações.
Devido à grande influência que este livro teve na vida de milhões de muçulmanos ao redor do mundo nas últimas décadas, apresento a seguir um resumo das ideias centrais expressas por Qutb no livro Milestones. Ainda que, como cristãos, não podemos aceitar as afirmações e conclusões de Qutb, o objetivo deste artigo não é o de fazer uma análise crítica do conteúdo do livro, mas sim o de ajudar cristãos brasileiros a entenderem um pouco melhor o que está por trás do radicalismo islâmico.
Milestones – O que Qutb está dizendo?
Apesar de suas poucas páginas (150), o livro Milestones não deixa dúvidas de que Qutb acredita que o islã é a solução para os males que afligem o mundo. Para ele, “a humanidade… está à beira de um precipício”[6] e “sob o risco da aniquilação completa”.[7] O Ocidente não tem a resposta para a situação porque não possui os “valores saudáveis”[8] necessários para dar direção à humanidade. Assim, ele coloca sobre seus próprios ombros a tarefa de mostrar as “placas de sinalização ao longo do caminho”[9] na direção do estabelecimento de uma nova liderança baseada em princípios e valores islâmicos, levando à implementação da lei da Shari` ah por todo o mundo.
É interessante notar que, logo de início, Qutb afirma que não é necessário deixar de lado “os frutos materiais do gênio criativo da Europa”[10] para que se estabeleça o sistema islâmico. “O islã não se opõe ao progresso material”, diz Qutb. “Pelo contrário, ele considera a prosperidade material e a criatividade como uma obrigação dada ao homem desde o início do tempo…”.[11] Portanto, os muçulmanos são responsáveis por fazer o que o Ocidente não foi (e não será) capaz de fazer, ou seja, combinar, de maneira equilibrada, a prosperidade material e a implementação de valores morais que, diferentemente do socialismo e do capitalismo, elevarão a dignidade de homens e mulheres e dará a eles e dará a eles a oportunidade de servir Alá de todo o coração. Essa é uma tarefa divinamente determinada[12] que só acontecerá quando o islã assumir “a forma concreta de… uma nação”[13] e iniciar o movimento rumo à obtenção da liderança mundial.[14]
Qutb tem consciência de que essa não será uma tarefa fácil. O primeiro problema se divide em duas partes: o mundo fora do assim chamado Mundo Muçulmano está em ignorância (jahiliyyah) e a comunidade muçulmana em si está “enterrada debaixo dos destroços das tradições feitas por homens… e esmagada debaixo do peso daquelas leis e costumes falsos que não possuem nem sequer remota relação com os ensinamentos islâmicos”.[15] Até mesmo o pensamento, as fontes e a filosofia islâmicos estão hoje afetados pelo jahiliyyah da mesma maneira que as pessoas estavam antes do tempo de Maomé.[16] Portanto, a comunidade muçulmana de hoje não atende às exigências para ser chamada de muçulmana. Por conseguinte, para que uma comunidade verdadeiramente muçulmana seja estabelecida e promova o início da liderança mundial, “uma vanguarda deve se iniciar com… determinação e, então, continuar prosseguindo, marchando através do vasto oceano da jahiliyyah que abrange o mundo inteiro”.[17]
O primeiro passo, portanto, é preparar essa vanguarda ao se olhar para os Companheiros do Profeta como o exemplo a ser seguido. Na compreensão de Qutb, esse grupo, composto pelos primeiros seguidores de Maomé, foi uma “geração sem qualquer paralelo”[18] na história do islã e da humanidade, e há duas razões principais para isso, como veremos a seguir. Em seus estágios iniciais de treinamento, o Alcorão era sua única fonte de informação, apesar das muitas outras fontes das quais eles poderiam ter bebido.[19] Contudo, os Companheiros tiveram de moldar sua vida unicamente com base no Alcorão, “que era livre da influência de todas as outras fontes”.[20] Através dessa estratégia, Maomé queria preparar uma geração pura de coração, mente e compreensão.[21]Infelizmente, gerações posteriores de muçulmanos misturaram outras fontes (como a filosofia grega, as lendas persas e a teologia cristã) com a original, o Alcorão. Consequentemente, depois dos Companheiros, não houve geração de muçulmanos que pudesse se comparar a eles.[22] Sua disposição de agir de acordo com aquilo que o Alcorão ensinava era tamanha que “o Alcorão se tornou uma parte de suas responsabilidades, mesclando-se com a vida e o caráter deles”, o que levou a “um movimento dinâmico que mudou condições e eventos, bem como o curso da vida”.[23]
Outra importante característica da primeira geração de muçulmanos que deve ser imitada pela nova vanguarda é que eles se isolavam da jahiliyyah tão logo abraçavam o islã. Naturalmente, eles ainda tinham contato superficial, como que comercial, com os não-muçulmanos, mas renunciavam costumes, tradições, ideias e conceitos jahili e eram adotados pela comunidade islâmica.[24] Isso acontecia porque não poderia haver comprometimento com a sociedade não-muçulmana. Do mesmo modo, os muçulmanos de hoje jamais devem mudar seus “próprios valores e conceitos, em nenhum aspecto que seja, com o objetivo de fazer alguma barganha com esta sociedade jahili”,[25] diz Qutb. Para realizar isso, o Alcorão deve ser a única fonte durante os primeiros estágios de treinamento, e a sociedade jahili deve ser rejeitada.
Depois de entender a importância da forma de treinamento e o exemplo de vida dos Companheiros, o próximo aspecto que deve ser levado em consideração por aqueles que vão participar do reavivamento do islã é “a natureza do método corânico”.[26] Durante os primeiros 13 anos do ministério de Maomé, o objetivo não era mudar a sociedade por meio do estabelecimento de uma nova liderança política ou pelo início de um movimento social reformista. Se tivesse desejado fazer isso, ele certamente teria encontrado apoio entre as pessoas para estabelecer uma sociedade mais justa. Em vez disso, ele passou aqueles anos pregando a crença islâmica mais fundamental, aquela que dá sentido a todas as outras coisas, ou seja, “não há deus senão Alá”. Essa era uma afirmação revolucionária. Os líderes daqueles dias sabiam que essa declaração significava que Alá era soberano, e a submissão deveria acontecer apenas a ele. Se as pessoas entendessem essa verdade, os líderes perderiam seu poder. Por conta disso, Maomé sofreu “torturas por treze anos devido à oposição das pessoas que ocupavam posições de autoridade na terra…”[27] mas, junto com os primeiros Companheiros, ele conseguiu deixar claro que a umma deveria ser estabelecida sobre a fé em Alá e tomando por base a aceitação de sua soberania.
Assim que a sociedade aceita que não há deus senão Alá, os resultados são profundos. O domínio e a opressão do homem sobre o homem (que são as principais características da jahiliyyah) deixam de existir e Alá se torna o único Senhor sobre tudo; as leis feitas pelos homens são abolidas e a lei de Deus permeia todos os aspectos da vida.[28] Isso é o que deveria ser proclamado (para o mundo inteiro e para aqueles que se dizem muçulmanos) por aqueles que propagam o islã.[29]
Contudo, a jahiliyyah, que não é uma teoria, mas um movimento real, sempre luta contra toda oposição que vem em sua direção. Dessa forma, se o islã pretende derrotar o sistema existente, ele não pode ser apenas uma teoria ou um credo. Ele precisa ser um movimento organizado, seguindo o exemplo daquilo que aconteceu nos primeiros dias do islã depois dos primeiros treze anos do período de Meca, sob a liderança de Maomé.[30] Essa é a única forma pela qual o objetivo final do islã será alcançado, ou seja, o despertamento da “humanidade do homem”[31] e o desenvolvimento de uma sociedade dominante com os mesmos níveis de realizações sociais, morais e cientificas da ummaislâmico primitivo.
Nesse processo de estabelecimento de uma sociedade verdadeiramente muçulmana, a jihad assume uma importância imensa. Durante o período de Meca, Maomé exerceu sua função de profeta por meio da pregação. Mais tarde, porém, quando o profeta já estava em Medina, Alá deu-lhe permissão de lutar contra aqueles que se opunham ao islã, incluindo o Povo do Livro e os politeístas.[32] Dessa forma, quando precisa combater ideias e crenças, o movimento islâmico usa “pregação e persuasão”.[33] Contudo, ele de fato recorre à jihad “para abolir as organizações e autoridades do sistema jahilique impedem as pessoas de reformar suas ideias e crenças, que as força a seguir caminhos fora dos padrões e que as faz servir a outros humanos em vez de a seu Senhor Todo-poderoso”.[34]
jihad, portanto, não é usada para impor a crença islâmica sobre as pessoas. Afinal de contas, o Alcorão afirma claramente que não há imposição na religião[35], o que exclui a possibilidade de que a fé islâmica pudesse ser imposta pela força. Em vez disso, o objetivo da jihad é “erradicar os obstáculos que impedem que o projeto islâmico seja claramente expresso e, assim, forneça um ambiente livre no qual [pessoas] venham a ter a opção de escolha”[36] e aceitem plenamente a soberania de Alá. Para que isso aconteça, “toda majestade humana” deve ser eliminada.[37] Considerando que “‘obedecer’ é ‘adorar’”[38], cristãos e judeus também são culpados de adorar outros que não Alá porque eles obedecem a seus sacerdotes e rabis.
Tão logo o estado islâmico seja estabelecido, as pessoas desfrutarão de liberdade real. Elas serão liberadas da opressão dos líderes humanos e serão capazes de decidir se seguirão ou não o islã. De acordo com Qutb, dentro de um sistema islâmico, uma pessoa tem liberdade de escolher qualquer crença que desejar, tendo em mente que está “sob a proteção” do sistema islâmico,[39] que é um sistema que engloba todos os aspectos da vida. Dessa forma, o governo de Alá sobre a terra será estabelecido.[40]
Nessa nova sociedade, a obediência à Shari` ah (que se baseia no Alcorão e na Sunnah) será necessária, pois essa é a única maneira pela qual os humanos podem efetivamente ter paz e harmonia consigo mesmos, com os outros e com o universo, que também é governado pelas leis estabelecidas por Deus.[41] Portanto, a Shari` ah não está preocupada apenas com o mundo futuro. Na compreensão de Qutb, este mundo e o vindouro são complementares um ao outro, e aqueles que seguem as leis estabelecidas por Alá podem, pelo menos parcialmente, experimentar os resultados aqui na terra.[42]
Pelo fato de funcionar de acordo com as leis de Deus, a sociedade islâmica é a única sociedade que é verdadeiramente civilizada; ela afeta “atitudes, modo de vida, valores, critérios, hábitos e tradições…”.[43] Isso significa que onde a lei da Shari` ah é fielmente observada, os aspectos mais importantes da sociedade serão “liberdade e honra, família e suas obrigações e valores morais”[44] e não o conforto material, como no caso das sociedades jahili onde, por causa da necessidade de produção, a função principal das mulheres deixa de ser o cuidado para com a família e a educação dos filhos. “Se a família é a base da sociedade, com a divisão de trabalho entre marido e esposa”, diz Qutb, “então tal sociedade é de fato civilizada”.[45] O homem, como o vice-regente de Deus na terra, se esforçará para extrair o máximo do recursos materiais e naturais dados a ele por Deus. “O islã não rejeita o progresso material nem as invenções materiais”[46], afirma Qutb mais uma vez. Contudo, isso não deve acontecer à custa de se esquecer das leis de Alá, as quais dignificam o ser humano.[47]
Desse modo, a Lei da Shari` ah não está preocupada com aspectos legais, como é erradamente presumido por muitos. Ela engloba todos os aspectos da vida, incluindo
Crenças e conceitos islâmicos e suas implicações no que se refere aos atributos de Alá, a natureza do universo, o que é visto e o que não é visto nele, a natureza da vida, o que é aparente e o que está oculto nele, a natureza do homem, e os inter-relacionamentos entre tudo isso. Do mesmo modo, inclui tópicos políticos, sociais e econômicos e seus princípios… Também toca todos os aspectos do conhecimento e princípios de arte e ciência. Em tudo isso, a orientação de Alá é necessária, assim como é necessária na esfera relativamente estreita dos assuntos legais.[48]
Entre outras coisas, isso significa que os muçulmanos devem ser cuidadosos ao buscar adquirir conhecimento. Sempre que for possível, o aprendizado deve acontecer debaixo da orientação de muçulmanos respeitados. Quando isso não for possível, é aceitável que muçulmanos estudem certas disciplinas com não-muçulmanos,[49] mas nunca em questões de fé. Os muçulmanos não devem aprender de judeus nem de cristãos porque, de acordo com o Alcorão,[50] eles tentarão desviar os muçulmanos do caminho correto de Alá.[51]
Aqueles que tomam parte nessa nova vanguarda devem saber que, para muçulmanos, a lealdade não é a uma nação específica nem aos relacionamentos familiares,[52] mas a Alá e ao dar al-Islam, que está em todo lugar no mundo onde um estado islâmico foi estabelecido, governado pela Lei da Shari` ah. O restante do mundo é o dar al-harb, e os muçulmanos têm apenas duas opções no que se refere à maneira de se relacionar com eles: “Paz com um acordo contratual ou a guerra”.[53]
A pátria do muçulmano, na qual ele vive e a qual defende, não é um pedaço de terra. A nacionalidade do muçulmano, pela qual ele é identificado, não é a nacionalidade determinada por um governo. A família do muçulmano, na qual ele encontra consolo e a qual defende, não é a dos relacionamentos sanguíneos. A bandeira do muçulmano, que ele honra e debaixo da qual ele é martirizado, não é a bandeira de um país. E a vitória do muçulmano, que ele celebra e pela qual ele é grato a Alá, não é uma vitória militar. É o que Alá descreveu: “Quando a ajuda e a vitória de Alá chegam, e você vê pessoas entrando na religião de Alá às multidões, então celebre os louvores do seu Deus e peça o perdão dele. De verdade. Ele é o Aceitador de Arrependimento”.[54],[55]
Dessa forma, ao apresentar o islã, não deve haver comprometimento, sua mensagem não deve ser adaptada de acordo com as expectativas da pessoa e ele deve ser expresso “com ousadia, clareza, força e sem hesitação ou dúvida”.[56] Aqueles que pregam o islã não o fazem porque esperam uma recompensa dos jahili, mas porque “os amam,… desejam seu bem, embora possam torturar”[57] os mensageiros do islã. Quando falam com cristãos, por exemplo, os muçulmanos devem dizer claramente que os “conceitos da Trindade, do Pecado Original, de Sacrifício e Redenção… não são adequados nem à razão nem à consciência”[58] e que sua sociedade é injusta e imoral.
O abismo entre o islã e a jahiliyyah é grande, e a ponte não deve ser construída por cima dele para que as pessoas dos dois lados possam se misturar umas com as outras, mas apenas para que as pessoas dajahiliyyah possam vir para o islã… sair das trevas para a luz, livrar-se de sua condição miserável e desfrutar das bênçãos de que já provamos…[59]
Os muçulmanos nunca devem desanimar, porque o Alcorão[60] os exorta a serem triunfantes sejam quais forem as circunstâncias. Eles devem se sentir superiores aos outros, uma superioridade baseada na fé pura do islã, que não é transitória.[61]
As condições mudam. O muçulmano perde seu poder físico e é vencido. Contudo, a consciência não se afasta daquele que é superior… ele olha para seu conquistador a partir de uma posição superior… [ele sabe que] essa é uma condição temporária… que a fé mudará a maré… Até mesmo a morte é sua porção, ele nunca curvará sua cabeça…[62]
Certamente a perseguição virá. Ela já tem acontecido[63] e continuará a acontecer. Os muçulmanos serão perseguidos por causa de sua fé. Quando isso aconteceu no passado, “a fé no coração dos que criam ergueu-se acima de toda a perseguição. A crença triunfou sobre a vida. A ameaça de tortura não os abalou, eles nunca desistiram, e morreram queimados”.[64] Do mesmo modo, os muçulmanos de hoje devem ter a mesma atitude, pois eles receberão a maior recompensa de todas, “o prazer de Alá”.[65]
A violência atual
Quando vemos esse resumo da teologia jihadista de Qutb, fica mais fácil entender as bases racionais e religiosas utilizadas pelos muçulmanos radicais modernos para justificar as barbáries que estão cometendo em diferentes partes do mundo. A grande maioria dos muçulmanos não aceita essas ideias, mas, infelizmente, a minoria que as aceita, está trazendo grande dor e sofrimento a milhares de pessoas. Resta-nos, como cristãos, protestar veementemente junto aos órgãos competentes e através da mídia contra essas atrocidades, ao mesmo tempo que fazemos o nosso melhor para, de alguma maneira, testemunhar sobre o amor de Cristo para os mais de 1,5 bilhão de muçulmanos disseminados ao redor do mundo.
Notas
[1]Sayyid Qutb. Social Justice in Islam, trad. John B. Hardie. Oneonta, NY: Islamic Publications Intl., 2000.
[2]Sayyid Qutb. In the Shade of the Qur’an, trad. M. A. Salahi. London: MWH, 1979.
[3]Sayyid Qutb. Milestones. Indianapolis: American Trust Publications, 1993.
[4]Gilles Kepel. The Roots of Radical Islam. London: Saqi, p. 26.
[5]Veja Ahmed Bouzid, “Man, Society, and Knowledge in the Islamist Discourse of Sayyid Qutb”. Blacksburg, Virginia: Virginia Polytechnic Institute and State University, 1998, p. 39-40, onde é apresentado um resumo das ideias expressas em Milestones que, apesar de terem sido usadas por Qutb, são originárias de outros eruditos muçulmanos.
[6] Qutb, Milestones, p. 5.
[7] Ibid.
[8] Ibid.
[9] Esta é outra possível tradução do título árabe Ma’aalim fii al-tariiq.
[10] Qutb, Milestones, p. 6.
[11] Ibid.
[12] Com base no Alcorão 3:110 e 2:143.
[13] Qutb, Milestones, p. 7.
[14] Ibid., p. 9
[15] Ibid., p. 7
[16] Ibid., p. 15.
[17] Ibid., p. 9.
[18] Ibid., p. 11.
[19] Naqueles dias, a influência das culturas grega e romana ainda era sentida no mundo, além de também existirem as culturas persa, hindu e chinesa.
[20] Qutb, Milestones, p. 13.
[21] Ibid.
[22] Ibid.
[23] Ibid., p. 14.
[24] Ibid., p. 15.
[25] Ibid., p. 16.
[26] Ibid., p. 19.
[27] Ibid., p. 21.
[28] Ibid., p. 37-38
[29] Ibid., p. 29.
[30] Ibid., p. 39.
[31] Ibid., p. 40.
[32] Ibid., p. 44.
[33] Ibid., p. 45.
[34] Ibid.
[35] Alcorão 2:256.
[36] Qutb, Milestones, p. 46.
[37] Ibid., p. 47.
[38] Ibid., p. 49.
[39] Ibid., p. 50.
[40] Ibid., p. 61.
[41] Ibid., p. 75
[42] Ibid., p. 77.
[43] Ibid., p. 81.
[44] Ibid., p. 82.
[45] Ibid., p. 83.
[46] Ibid., p. 86.
[47] Ibid., p. 85.
[48] Ibid., p. 91-92.
[49] Veja Qutb, Milestones, p. 93-94, onde ele apresenta uma lista de diferentes disciplinas, especificando quais delas os muçulmanos podem aprender com especialistas jahili.
[50] 2:109; 2:120; 3:100.
[51] Qutb, Milestones, p. 96-97.
[52] Veja Alcorão 58:22.
[53] Qutb, Milestones, p. 102.
[54] Alcorão 110:1-3.
[55] Qutb, Milestones, p. 108.
[56] Ibid., p. 117.
[57] Ibid., p. 118.
[58] Ibid., p. 119.
[59] Ibid., p. 120.
[60] 3:139.
[61] Qutb, Milestones, p. 122.
[62] Ibid., p. 124-25.
[63] 85:1-16.
[64] Qutb, Milestones, p. 130.
[65] Ibid., p. 135.

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