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sexta-feira, 29 de março de 2024

O ABORTO em Frases, Poemas e Reflexões: Antologia em e-book gratuito para download

 

O tema do aborto tem mobilizado mentes, corações e culturas ao longo da história. Nos dias de hoje, tornou-se questão incontornável, transcendendo delimitações sanitárias, sociológicas, políticas e religiosas para inserir-se no centro do debate público.

Temos, ao longo dos anos, editado diversas antologias, dos mais variados escopos e amplitudes. Em sua maioria, antologias poéticas ou de citações. Para execução de tal atividade, é de praxe a aquisição e/ou consulta de livros no gênero, e o leitor deve saber que é relativamente farta a disponibilidade – no caso das citações – de livros de frases em nossas prateleiras. No entanto, transitando, por prazer e a trabalho, por dezenas de antologias e mesmo dicionários de citações, jamais vimos o verbete “aborto” categorizado em obra alguma. Até citações esparsas sobre um tema tão significativo estão curiosamente ausentes deste gênero de literatura. Assim, tomamos para nós a tarefa de, mesmo reféns da brevidade, organizar e disponibilizar a presente obra, de maneira alguma exaustiva, sobre esse assunto vital.

E este pequeno livro é na verdade uma antologia multigêneros: às diversas citações sobre o aborto, unimos uma seleção de poemas e, por fim, uma coleção de pequenos textos de reflexão que ajudarão a iluminar nosso entendimento sobre o assunto.


       Esse é um livro gratuito, que nasce em serviço da sociedade e da melhor das intenções. Convidamos você a ler e também a compartilhar este conteúdo, com quantos achar conveniente.

Para baixar o seu exemplar gratuitamente pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


sexta-feira, 8 de março de 2024

A LUTA CONTRA O ABORTO: Desvio da Grande Comissão ou parte dela?

 

MUITOS CRISTÃOS BEM-INTENCIONADOS ACREDITAM que as igrejas deveriam mencionar o aborto. Alguns dizem que ao falar do aborto, nós faremos as pessoas se sentirem culpadas. Todavia, a razão para se falar do assunto é prevenir o aborto e a culpa que ele traz, bem como oferecer ajuda e esperança àqueles que se sentem culpados e precisam ser libertos. O fato de nossas igrejas estarem cheias de pessoas que se envolveram em aborto não é razão suficiente para se manter em silêncio. Na realidade, é o melhor argumento para se tratar da questão face a face e oferecer toda a perspectiva, ajuda e apoio que podemos.

Um seminarista em minha igreja me disse algo que sempre ouvi de um jeito ou outro: “Questões como o aborto são simplesmente um desvio da coisa principal”.

– Qual é a coisa principal? – indaguei.

– A Grande Comissão – respondeu ele. – Ganhar pessoas para Cristo. É isso que temos a obrigação de fazer. Tudo o mais é desvio – ele completou.

Ele estava se referindo às palavras de Cristo em Mateus 28.19,20: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os à observar todas as coisas que eu vos tenho mandado”.

 

 UM HOMEM CHAMADO WILLIAM

 

Há duzentos anos viveu um inglês chamado William, um sincero oponente à escravidão que boicotou o açúcar proveniente das Índias Ocidentais porque era produto da escravidão. William sentiu que Deus queria que ele fosse à Índia, onde ficou chocado por descobrir que muitos hindus expunham seus bebês à morte. Também abandonavam o fraco, doente e o leproso. O governo britânico na Índia fingia não ver porque não queria interferir na cultura e religião, mas William sentiu-se compelido a interferir porque as pessoas estavam morrendo.

Certo dia, William presenciou uma prática chamada sati, em que as viúvas eram queimadas vivas na pira funerária de seus maridos mortos. Após presenciar uma morte dessas, ele pôs-se à frente de um grupo reunido para queimar viva uma mulher e disse a eles que aquela prática estava errada. Liderou um grupo de missionários em protesto. Preparou debates públicos sobre o assunto para trazer a perspectiva de Deus à luz.

Na manhã de domingo de 6 de dezembro de 1829, após anos de ativismo, William recebeu o decreto oficial proibindo a queima de viúvas. Ele tinha o compromisso de pregar na igreja aquela manhã, porém não o fez. Em vez disso, dedicou o dia inteiro à tradução do decreto para a língua bengali, porque sabia que vidas estavam em risco.

Alguns criticavam William por suas ações morais e políticas. Eles diziam: “Não é para isso que você está aqui. Não é este o seu chamado. Concentre-se na coisa principal. Apenas pregue o evangelho e ore”.

Quem era esse ativista social tão preocupado com moralidade, leis e em salvar vidas humanas? Seu nome era William Carey, “o pai das Missões Modernas”. Quando pensamos na Grande Comissão e o movimento moderno de missões, nenhum outro nome é tão relevante como o dele.

Carey foi à Índia para ganhar pessoas para Cristo e discipulá-las, não apenas compartilhando o evangelho, mas vivendo-o – o que incluía intervir para salvar vidas e trabalhar arduamente para mudar a opinião pública e leis injustas.

Randy Alcorn, no livro Por Que Ser a Favor da Vida? (Arte Editorial & CERVI, 2010).


 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

O exemplo de Dorothea Dix

 


A intrépida senhorita Dix

Os médicos proporcionaram a Dorothea Dix, uma professora de 29 anos que viveu na América no início do século passado, uma vida bastante curta, mas frutífera. Os médicos acreditavam que se ela conseguisse se recuperar do sangramento contínuo que sofria, sem dúvida ficaria inválida.

Ela foi para a Inglaterra para se recuperar. Lá ela leu o Novo Testamento repetidas vezes com a intenção de descobrir o que Cristo queria que ela fizesse.

Ela encontrou a resposta quando voltou para casa e seu pastor lhe pediu que ensinasse a Bíblia às presidiárias da prisão feminina na cidade de East Cambridge, Massachusetts.

Enquanto ensinava numa cela, ouviu gritos agudos que não vinham de muito longe.

“Duas pessoas malucas”, comentou uma das mulheres. “Eles deveriam colocar uma mordaça nelas.”

Dorothea insistiu que o carcereiro lhe mostrasse onde estavam “os malucos”. Ele os encontrou em uma cela de pedra fria, em farrapos e acorrentados. Uma delas era uma pobre senhora de setenta e cinco anos que estava quase nua. O outro, ainda adolescente, de dezoito anos, estava machucado de frio.

—Ajude-nos! —suplicaram a Dorothea.

—O que eles fizeram para merecer esse tratamento? — Dorothea perguntou ao carcereiro.

—Nada, senhorita —, ele respondeu. —Eles são loucos.

Dorothea Dix foi embora, mas logo voltou com roupas de inverno e alguns cobertores. Quando pediu a instalação de um fogão em sua cela, simplesmente lhe disseram que não valia a pena se preocupar com os direitos humanos dos loucos.

Mas a senhora Dix estava apenas começando. Ela coletou montanhas de dados que mostravam até que ponto os doentes mentais eram maltratados e os apresentou ao Congresso de Massachusetts:

“Senhores”, começou, “quero revelar-lhes como são tratados os doentes mentais neste Estado: são privados de liberdade em armários, porões e currais; estão acorrentados, nus; são espancados com varas e tratados com chicotes.”

Seu discurso comoveu toda a Nova Inglaterra. Alguns a chamaram de sensacionalista, outros de mentirosa. Mas começaram a levantar-se vozes apelando a reformas.

Ela foi a outros estados e descobriu que os doentes mentais eram tratados de forma semelhante. Ignorando quem a ridicularizava, ela instigou a construção de hospitais e a aprovação de reformas.

Depois foi para outros países, para Canadá, Escócia, Inglaterra e Itália, exigindo reformas. Ela encontrou um manicômio em condições atrozes em um prédio próximo ao Vaticano. Ela disse isso ao Papa e mudanças imediatas foram feitas.

Aos oitenta anos ela ficou inválida. Recebeu honras nos últimos cinco anos de sua vida e foi visitada por muitas personalidades famosas. Quando ela morreu, um superintendente do hospital disse:

—Uma das mulheres mais distintas e trabalhadoras que os Estados Unidos produziram acaba de morrer.

O segredo do seu destemor estava no capítulo 25 do Evangelho de Mateus.

Hoje, no século XXI, todas as nações do mundo juraram defender os direitos humanos, o que é mais ou menos cumprido nos órgãos oficiais dos Estados, mas não podemos afirmar que o coração do homem seja, hoje, diferente de como o consideram muitas passagens da Sagrada Escritura. Ainda existem terroristas e sádicos de todo tipo, e as diferenças sociais fazem com que as pessoas honestas reconheçam que os conceitos mais elevados dos ensinamentos de Jesus não têm sido praticados no mundo de uma forma geral, mas que o egoísmo humano produziu a grande diferença entre as nações ricas e as nações pobres, e enquanto em alguns, o que poderia literalmente remediar a fome e a miséria destes últimos é literalmente desperdiçado em luxos e armas, em outros é desperdiçado em trivialidades inúteis ou tremendamente mortais. A tudo isso se está tentando corrigir devido à influência indireta de cristãos sinceros. Embora milhões de pessoas se recusem a aceitar Cristo como seu Salvador pessoal, não podem negar que a moralidade cristã regeneraria o mundo se fosse praticada como Jesus a ensinou.

Samuel Vila – Gran diccionario enciclopédico de anécdotas e ilustraciones


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Irmã Doraci, Missionária e Mártir


Ulrico Sperb
Na terça-feira, dia 24 de fevereiro de 2004, a IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) foi atingida pela notícia do assassinato da Irmã Doraci Julita Edinger, em Nampula, capital da Província de Nampula, no Norte de Moçambique.
A Irmã Doraci foi encontrada morta no seu apartamento em Nampula, assassinada. A morte ocorrera dias antes, pois foram os vizinhos que deram o alerta, por causa do mau cheiro. Ficou provado que ela foi morta no sábado, dia 21 de fevereiro de 2004.
Irmã Doraci foi diaconisa da IECLB e estava em Moçambique desde 1998. Apesar de grandes dificuldades, realizou um belo trabalho, conquistando as comunidades.
Sua atuação aconteceu em aldeias da cidade de Morna, onde ajudou a edificar nove comunidades. Ela realizava estudos bíblicos, cuidava da área da saúde e da alimentação. Sob sua liderança, foram construídos quatro poços comunitários, diversas igrejas e escolas, e também foram plantados pés de caju, visando à manutenção das comunidades.
A conversão do rei
Na primeira visita que fiz à Irmã Doraci, enquanto viajávamos de Nampula para as aldeias, ela me contou o seguinte fato:
— Aqui, todas as aldeias têm um rei. Esta é uma tradição que vem de antes da colonização portuguesa. A tradução da palavra na língua deles — o macua —para o português, do líder da aldeia é rei. Os portugueses não respeitavam muito esta tradição e colocavam líderes próprios, mas os macuas continuaram com a sua tradição. Quando eu estive uma vez na aldeia de Chalaua me pediram para visitar o rei, que estava muito doente. Enquanto íamos à sua choupana me pediram:
— Irmã, o rei não é cristão. Por isso a senhora não pode rezar com ele.
— Sempre que eu faço uma visita, respondi, eu oro com a pessoa ou por ela. Nós já vamos ver o que vai acontecer.
De fato, o rei estava muito doente, deitado numa esteira no chão batido da sua choupana. Procurei na minha maleta de remédios o que poderia lhe dar. Expliquei bem à sua mulher tudo que tinha que fazer e me ajoelhei junto a ele e fiz uma oração. Quando voltei dois meses depois a Chalaua ele veio ao meu encontro, ainda fraco e apoiado em um pedaço de taquara e me disse:
— Irmã, eu quero ser batizado e fazer parte da sua Igreja.
Eu ensinei doutrina para ele, o pastor o batizou e hoje ele faz parte do nosso Conselho.
Este foi o relato da Irmã Doraci. Na ocasião conheci o rei de Chalaua.
O batismo de centenas
Em fevereiro de 2002, pessoas de uma aldeia da província vizinha — Cabo Delgado — solicitaram a presença da Irmã Doraci, cuja fama já chegara àquela região. Em algumas aldeias de lá, ela criou diversas congregações. Ajudou o povo na aquisição de instrumentos agrícolas (pás, enxadas, etc.). Ensinou o Evangelho de Jesus Cristo. Em novembro daquele ano, um pastor foi para aquelas aldeias e num fim de semana foram batizadas mais de oitocentas pessoas.
Doraci - Diaconisa e Missionária
Com a atuação de Irmã Doraci, a pequena Igreja Evangélica Luterana em Moçambique literalmente duplicou de membros, ou seja, chegou a ter mais de três mil pessoas afiliadas.
Quando estive com ela nas aldeias de Moma, pude constatar o quanto ela era amada por aquele povo simples e sofrido. Até as autoridades locais me testemunharam que a qualidade de vida havia melhorado com os serviços que ela estava prestando.
A Irmã Doraci, em 2001, compartilhou suas atividades em Moçambique num dos cultos de sábado à noite, em nossa Igreja da Reconciliação, da Paróquia Matriz em Porto Alegre. Naquela época foi realizada uma coleta e uma rifa em favor do seu trabalho (uma mulher doou uma aliança de esmeraldas e outra, um álbum artesanal). Numa das visitas que lhe fiz levei o dinheiro (convertido em dólares), para que ela o usasse na aquisição de medicamentos. Como em tudo que fazia, ela nos prestou contas dos gastos desta verba.
Todo o trabalho da Irmã Doraci era mantido pela IECLB. A Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos ajudava nos projetos maiores, como a construção dos poços.
A tragédia da sua morte torna a Irmã Doraci mártir de nossa Igreja. Devido às circunstâncias locais, difíceis e perigosas, podemos dizer que ela concretizou a palavra de Jesus Cristo, em João 15.13: Ninguém tem amor maior do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.
O autor é Pastor da IECLB e reside em Porto Alegre/RS

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Congresso Nacional de Mulheres para Evangelização do Nordeste



O Movimento Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino, presidido pelo Pr. Jonathan (Vale da Benção) está organizando um importante congresso para todas as mulheres do Brasil que se interessam por evangelismo no sertão do Nordeste.
Vai ser um tempo de desafio missionário, ministrações impactantes, intercessão e adoração. Participe!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Euza Lidório, uma mãe missionária


http://www.betelbrasileiro.com


Conversar com Euza Lidório é uma lição de vida. Em cada frase ela nos ensina algo. Isso, de forma natural e simples, quase como quem não percebe que está sendo mestre. A impressão que tive é que ela foi assim por toda a vida, ensinando os filhos, seus 'alunos' mais chegados. As lições, ela as aprendeu com seu Mestre: Jesus. Euza nasceu em 1934, em Porteirinha, norte de Minas Gerais. Aos 18 anos, casou-se com Gedeon José Lidório, com quem teve quatro filhos. Juntos, eles plantaram mais de 100 igrejas pelos interiores do Brasil, durante 36 anos de ministério, acompanhados por 40 mudanças. Nesta entrevista exclusiva à Raio de Luz, ela fala sobre esses tantos anos de ministério itinerante, sobre família, criação de filhos, desafios dos campos não alcançados e intercessão. Hoje ela coordena o Ministério de Intercessão pelas Nações, que envolve cerca de três mil e quinhentas pessoas nas várias regiões do Brasil. Seu testemunho de vida é marcante. Impossível ouví-la e não sentir vontade de conhecer mais a Deus e serví-lo com mais fidelidade.


Como foi o início do seu ministério?
Comecei o ministério com o meu marido, Gedeon José Lidório. Nós fomos enviados a várias cidades do Brasil. Nosso trabalho era plantar igrejas, e foi isso que fizemos durante 36 anos até 1993, quando ele faleceu. Foram anos de muita luta e de muita bênção. Junto com as tarefas das congregações, eu tinha também que cuidar dos meus filhos.
Os dois primeiros, Eudalva e Gedeon Júnior, acompanharam as fases de mais dificuldades. A vida missionária tem que ser levada com muita dependência e obediência, assim, íamos a qualquer lugar que a missão nos enviasse. Muitas vezes, fiquei em cidades cozinhando com lenha, não havia água encanada ou eletricidade. Isso não era na África não! (risos) Era no Brasil mesmo, em terras onde não se havia pregado o Evangelho.
Nossos filhos mudaram de colégio inúmeras vezes, mas, com a graça de Deus, eles nunca perderam nem um ano de escola. Muitas vezes passamos por privações financeiras, nessas épocas tínhamos na dispensa somente o necessário. Passávamos anos sem algumas comidas mais caras. Outras vezes não tínhamos remédios, porque o lugar onde vivíamos era muito afastado de hospitais ou farmácias. Também passamos por situações que exigiam um tanto de coragem. Uma vez estava em um avião e tivemos que usar uma estrada para aterrisar e decolar, porque não tinha outro lugar.

Euza LidórioComo a senhora vê a formação cristã na vida dos filhos?
Parece haver muitos filhos que se afastam do Evangelho quando adultos. A instrução dos filhos é diária. Deve ser regada com amor e sabedoria, mas sobretudo com a Palavra de Deus.
A criança que é criada num lar comprometido com Deus, é feliz e não vai se desviar, na fase da adolescência pode haver conflitos, o que é muito natural, mas a Palavra que foi plantada vai germinar, ainda que pareça demorado aos nossos olhos. Lembro-me de um episódio que ilustra bem o que quero dizer. Quando Gedeon Júnior estava com um ano, recebi a visita de dezesseis pessoas na minha casa. Eu não tinha empregada. Precisava cuidar dele e preparar tudo para receber as pessoas. Logo neste dia ele não queria comer. Eu insistia com amor, mas ele não abria a boca. Então, ele me olhou fechou os olhos, abaixou a cabeça e juntou as mãozinhas para orar. Com tanta correria, eu havia me esquecido de orar, mas ele não! Aquele acontecimento foi uma prova de que mesmo muito pequena a criança guarda o que nós a ensinamos.
Outra vez, foi quando Ronaldo estava com febre. Ele tinha três anos de idade e eu não podia comprar remédio, porque não havia onde. Eu disse a ele que não tínhamos remédio, então eu ia orar, e Papai do céu iria curá-lo. Eu orei com ele. Logo que terminei ele abriu os olhos e me disse: "Já sarei." A febre tinha passado mesmo. Não tenho palavras para agradecer a Deus.

E a senhora os ensinou a fazer missões?!
Acredito que sim... Deus, através da vida que levávamos, ensinou isso. Eles andavam conosco para todos os lugares. Viram a fidelidade de Deus e aprenderam a serví-lo. Hoje, os quatro têm ministérios organizados. Gedson e Gedeon Júnior são pastores, Eudalva é missionária e Ronaldo também. Já tenho um neto muito envolvido com o ministério. Ainda bem que sempre me preparei para deixar os filhos seguirem os caminhos do Senhor, que podem ser bem longe de mim.

Isso deve ser difícil...
É. Envolve muito choro, muita dor, muita oração. Não é nada fácil, mas temos que nos conscientizar que os filhos não são propriedade dos pais, eles são herança do Senhor, tem as suas próprias vidas, sua própria missão a seguir.
Se os pais não entendem isso e tentam impor sua vontade, os filhos têm muitas chances de serem infelizes. Deus tem o melhor para nós. Eu vivo isso na minha vida, apesar de todas as dificuldades, sou uma pessoa realizada, feliz, pois sei que Deus está realizando sua vontade na minha vida e na dos meus filhos e netos. Ronaldo, por exemplo, já foi preso pelo Sendero Luminoso, no Peru, teve vinte malárias na África e ficou com tuberculose óssea.
Ele veio ao Brasil por causa dessa doença, ficou sarado. Muita gente pensou que ele não iria voltar, mas eu sempre soube que ele voltaria, porque a Missão dele é lá, pelo menos por este período da vida dele. Tanto ele quanto Rossana, sua esposa, tiveram malária cerebral, que é gravíssima, mas ficaram curados. Ronaldo Júnior também teve malária cerebral, logo no início deste ano. Então eu orei. Clamei aos céus, também chamei muitos participantes do Ministério de Intercessão pelas Nações para orar. Ronaldo Júnior foi curado, graças a Deus. O ministério é mesmo cheio de lutas, mas não podemos parar.

Como nasceu o Ministério de Intercessão pelas nações?
Foi pouco depois que meu marido faleceu. Eu tive oportunidades de continuar trabalhando com igrejas, como no ministério que trabalhamos juntos. Mas vi que tinha agora outro ministério. Ronaldo estava na África e isso me incentivou muito a orar com mais intensidade pelos missionários, não só pelos meus filhos, mas por todos os que estão no campo missionário nas mais diversas partes do mundo, na seara do Senhor.
O ministério foi crescendo, com a bênção de Deus. Somos pessoas mobilizadas para oração. Atualmente cerca de três mil e quinhentas pessoas estão envolvidas na nossa rede de oração. Distribuímos mensalmente quase quatrocentos calendários de oração, que são reproduzidos pelos vigilantes(é assim que nos chamamos). Nosso lema é: De joelhos, alcançando as nações para Jesus. Rossana sempre me fala da importância da intercessão. Levar o Evangelho é lutar contra o mal, lutar contra o Diabo pelas vidas. É algo muito sério e de muita responsabilidade.
Temos visto isso no nosso ministério e agradecemos a Deus por cada pessoa que faz parte dele e por todas as respostas alcançadas, mesmo quando parecem não ser boas aos nossos olhos, mas sabemos que é a vontade de Deus.

Euza LidórioHá muitos pais que têm coragem de entregar seus filhos a Deus para fazerem missões?
Não sei se há muitos. O que posso dizer é que sinto ainda muita resistência por parte dos pais. Vejo muitos jovens que querem dedicar suas vidas Deus, ir a lugares não alcançados, ou fazer missões mesmo no Brasil. Os pais fazem seus próprios planos para os filhos, mas o que precisam é lembrar que Deus é quem tem o melhor para nós. Os planos de Deus sempre são os melhores. E nós devemos dar o nosso melhor para Deus, a nossa vida, os nossos bens, nossos talentos e deixar que nossos filhos façam o mesmo.

Como os jovens devem agir diante de atitudes como esta?
A Bíblia diz que os jovens devem honrar seus pais. É assim que os jovens devem agir. Missões não é aventura e não é fácil. O jovem que se dispõe a obedecer o chamado de Deus deve saber disso e deve ter sabedoria para agir corretamente, falar com os pais a respeito do chamado que tem. Mas, antes de tudo, ele deve falar à Deus sobre os pais. Se houver dificuldades, Deus vai dar a direção específica a cada um, e principalmente, Ele vai dar paz a respeito de o que fazer, pois a Bíblia diz que a paz é o árbitro, ou seja, ela dá a palavra final, e quando vem de Deus, é sem erro.

Como as igrejas têm acompanhado seus vocacionados, seminaristas?
Algumas dão muito apoio. Mas vejo um grande problema, que existe há muito tempo. Muitas igrejas ouvem o vocacionado, chamam à frente da congregação, impõem as mãos, oram por ele e mandam ir... Mas ir para onde, com que preparo? E os seminaristas? Que provações passam... Há tantas igrejas que se comprometem e depois parecem simplesmente se esquecer do compromisso que fizeram. Isso é muito grave.
É um compromisso com Deus! Muitas gastam dinheiro com coisas supérfluas e não gastam nada com missões. É algo triste. Louvo a Deus pelo apoio que Ronaldo tem. Durante o preparo também é imprescindível o apoio em oração, aconselhamento e sustento para o vocacionado. Oro para que nossas igrejas despertem para essa realidade. Se você tem um seminarista na sua igreja, por favor, se importe com ele, ore por ele, pergunte se ele precisa do seu apoio em algo específico e faça o que Jesus gostaria que você fizesse.

Como a senhora vê os frutos do seu ministério?
Eu e Gedeon semeamos e colhemos muitos frutos. É o Senhor que dá o crescimento e a graça dele em nossas vidas. Quero louvar a Deus por tudo o que Ele já fez na minha vida e por continuar me usando, com a sua graça. Só à Ele a glória.


Ministério de Intercessão pelas Nações
De joelhos, alcançando as nações para Jesus
R. Antonio Cavalcanti de Oliveira, 368, Apt 901,
Candeias, Jaboatão dos Guararapes - PE
CEP 54440-351
Telefone: (81) 3469-314
E-mail: rlidorio@hotlink.com.br

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A primeira missionária solteira


Betsy Stockton

A primeira mulher solteira a servir como missionária no estrangeiro foi a americana Betsy Stockton, mulher negra e ex-escrava, que foi para o Havaí, em 1823.

Certa de que Deus a chamara para servir como missionária no exterior, ela candidatou-se ao cargo na Junta Americana e os diretores concordaram em enviá-la para o estrangeiro - mas apenas como empregada doméstica de um casal missionário.

Apesar de sua posição inferior, ela foi considerada "apta para ensinar" e lhe permitiram dirigir uma escola. Mais tarde,  viajou para Bombaim - Indía, onde serviu fielmente durante 34 anos na Missão Mirathi.

Em seu livro clássico sobre missões, publicado em 1910, Helen Barret escreveu sobre o progresso surpreendente das mulheres na evangelização mundial:

"Trata-se sem dúvida de uma história magnifica. Começamos fracas, hoje somos poderosas. Em 1861, havia uma única missionária no campo, em 1909 já eram 4.710 as mulheres solteiras em ação.

O desenvolvimento no exterior foi notável. Tendo começado com uma única professora, no inicio do jubileu contamos 800 professoras, 140 médicas, 380 evangelizadoras, 79 enfermeiras, 578 servidoras e ajudantes nativas".

Mas por que tantas mulheres solteiras? O que as motivaria a deixar a segurança de suas famílias e sua pátria para uma vida de solidão, dificuldades e sacrifícios? As missões no estrangeiro atraiam as mulheres por uma variedade de razões:

1. O fato de de haver poucas oportunidades para o envolvimento num ministério de tempo integral em seu país, pois os serviço cristão era considerado uma atividade masculina.

2. O campo também servia para prover aventura e estímulo.

3. Tinham oportunidades únicas que o homens não tinham em muitos países, pois através do trabalho feminino o evangelho superou barreiras culturais e religiosas. Em 1879 a missionária Lottie Moon escreveu: "Acredito que uma mulher solteira na China vale por dois homens casados".

4. As mulheres se distinguiram em quase todos os aspectos do trabalho missionário. Elas estabeleceram escolas no mundo inteiro, incluindo uma Universidade para oito mil alunos em Seul - Coreia.

5. As Escrituras foram colocadas a disposição pela primeira vez, para várias línguas através de sua persistência.

6. Pela coragem delas. Escreveu herbert Kane: "Quanto mais difícil e perigosa a tarefa, maior o número de mulheres em proporção ao de homens".

7. Outra peculiaridade das mulheres nas missões relaciona-se mais com a sua apreciação do ministério, do que com o ministério em si. As mulheres, de maneira geral, achavam mais fácil admitir suas fraquezas e vulnerabilidade e apresentar um quadro mais verdadeiro da vida de um missionário "super santo".

Vejamos algumas missionárias bem sucedidas no campo:

Charlotte (Lottie) Diggs Moon - viajou para a China em 1872 e morreu em 1912. Viveu duas vidas separadas na China. Parte do ano era gasto nas povoações fazendo trabalho evangelístico e a outra parte ela passava em Tengchow, onde treinava novos missionários, aconselhava as mulheres chinesas e lia com prazer os livros e revistas ocidentais. Escreveu inúmeros livros que abriram caminho para a sua extraordinária influência sobre a Igreja Batista do Sul dos EUA, escritos estes dirigidos às mulheres para que dessem mais apoio às missões.




Amy Carmichael -              foi uma inspiração para todas as denominações no Reino Unido. Seus 35 livros descrevendo seus trinta e cinco anos na Índia, fizeram dela uma das missionárias mais queridas de todos os tempos. Seu caráter era a chave de seu sucesso para a evangelização mundial. "Tinha um caráter mais semelhante a Cristo que já encontrei", afirmou Sherwood Eddy, estadista. Ainda afirmou: "...sua vida foi a mais fragrante, a mais jubilosamente sacrificial, que já conheci..." Ela morreu em Dohanavur em 1951, aos 83 anos de idade.


Maude Cary - Em 1901, navegou para o Marrocos com quatro outros missionários, a fim de começar seus 50 anos de serviço. Dedicou-se intensamente ao estudo da língua marroqui. Dirigiu uma escola de línguas e ajudava os novos recrutas a se adaptarem. Aos 71 anos de idade organizou um Instituto Bíblico para ensinar jovens marroquianos do sexo masculino, houve apenas três matrículas. Em 1967 o governo marroquino fechou todo acesso às missões estrangeiras, pois eram mulçumanos. Setenta e cinco anos de serviço terminaram. As estações de rádio continuaram a transmitir o evangelho, mas a pequena igreja marroquina ficou sozinha. Logo depois a incansável missionária Maude Cary partia para estar com o Senhor. No seu funeral houve apenas dois ramos de flores, quase nenhuma lágrima, algumas pessoas, sete das quais eram ministros.


Johanna Veenstra - Durante os anos 20 a 30, entregou sua vida na África. Morava numa cabana nativa sem teto e chão de terra. Estabeleceu um internato para treinar rapazes como evangelistas, o qual chegou a matricular 25 deles de uma só vez. Ainda achava oportunidades para serviços médicos e evangelísticos. Suas viagens de vila em vila duravam várias semanas e eram realizadas em uma bicicleta. Ela era um pioneira preparando o terreno para outros. Em 1933 ela havia entrado no hospital da missão para o que julgava ser uma cirurgia de rotina, mas não se recuperou e faleceu. "De uma cabana de barro para uma Mansão nos Céus.


Dezenas e centenas de outras mulheres solteiras aceitaram o desafio missionário para irem ao lugares mais difíceis da terra para levar a mensagem do amor de Cristo. Muitas delas foram martirizadas no campo missionário, mas nunca desistiram. Outras nem sabemos os seus nomes, mas no grande dia do Tribunal de Cristo, lá estarão para receberem a recompensa final pelo labor realizado nas missões transculturais.

Que o Senhor continue convocando mulheres dedicadas para a Obra Missionária, e oremos  por aquelas que já estão no campo de batalha, levando o Evangelho a toda criatura. A Deus toda glória.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Jesus rompeu nossas muralhas de medo, ódio e depressão

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Diante de mim estão sentadas duas irmãs felizes e sem véu. Segundo o passaporte delas, elas são muçulmanas. Na verdade, são seguidoras de Jesus Cristo. Dimiana, 34 anos, e Miriam, 28 anos, são cristãs secretas. Os pais, amigos e vizinhos não sabem que elas são cristãs. Eles não sabem como o Senhor lutou para convencer essas duas mulheres de seu amor. Elas nunca puderam falar sobre isso antes. Até agora. Pela primeira vez, elas irão contar inteiramente suas histórias. Antes de o Senhor assumir o controle de sua vida, Dimiana estava trancafiada no ódio. Miriam tentou suicídio três vezes. "Nós estamos cheias de vida, mas não podemos dizer isso a ninguém".


Quando perguntei como elas se tornaram cristãs, Dimiana começou a contar sobre os incidentes dolorosos que enfrentou durante sua infância. Ela disse: "Fui abusada sexualmente e isso estragou minha vida. Eu tinha medo de todos os homens. Não queria ter relação de nenhum tipo com o sexo oposto. Não conseguia me relacionar nem com meus pais, com meus irmãos mais novos ou com minha irmã, Miriam. Eu me comportava agressivamente na escola. Meu pai me espancava todos os dias". 


Miriam e Dimiana foram criadas no islamismo. Dimiana disse: "Nossa mãe é uma muçulmana fanática. Ela até 'evangeliza' cristãos para conquistá-los para o islã. Ela está envolvida com feitiçaria e adivinhação. Ela nos ensinou sobre os cinco pilares do islã, sobre a importância de frequentarmos uma mesquita e de ter uma vida de oração. Ainda assim, eu não conseguia orar, por causa do abuso sexual que sofri, me sentia suja, culpada e indigna. Nunca poderia me aproximar de Alá. Quando completei 16 anos, comecei a fazer a terapia. Fui medicada com antidepressivos e, por causa disso, me sentia melhor". 


Após concluir os estudos, Dimiana começou a trabalhar como enfermeira em um hospital. "Havia muitos cristãos ortodoxos trabalhando ali e, algumas vezes, nós conversávamos sobre fé. Eu disse a meus amigos cristãos: 'Sinto pena de vocês, porque vocês irão para o inferno'. Mas, por alguma razão desconhecida, eu fiquei curiosa por conhecer a fé deles. Fiz várias perguntas a eles sobre o cristianismo.  Como Deus faz para gerar a vida de uma criança no ventre da mulher? Por que vocês adoram três deuses? Um dos médicos percebeu que eu estava buscando o Evangelho, mesmo eu não tendo percebido que estava fazendo isso. Ele me desafiou a pedir a Deus que se revelasse a si mesmo para mim". 


Peregrinação  


Dimiana começou a buscar o Senhor Jesus no Alcorão, mas não conseguia encontrá-lo ali. Pouco depois de ter completado 20 anos, a mãe de Dimiana fez a peregrinação à Meca. Ali, ela encontrou um egípcio que seria um bom partido para casar-se com Dimiana. A jovem pediu conselho ao médico, que agora era seu amigo. "Ele leu a Bíblia comigo, mas eu estava tão trancafiada em meu próprio mundo que não conseguia nem olhar para a Bíblia dele. Alguns dias depois, o médico teve que viajar para o exterior e pediu a um amigo que me ajudasse. Esse homem lia a Bíblia comigo frequentemente, mas eu entendia muito pouco dela. Eu constantemente lhe apontava o que acreditava serem contradições. Como era possível que no Antigo Testamento Deus dissesse que uma mulher adúltera deveria ser apedrejada, enquanto que no Novo Testamento ele dizia que ela era livre para ir? Nesse período, desonrando grandemente meus pais, rompi o noivado. Fui muito criticada por isso, mas perseverei."


Uma nova visão


Cristo ainda não tinha terminado a obra em sua vida. Em 1998, Dimiana teve uma visão. "Eu vi o Senhor Jesus andando com uma lâmpada a óleo nas mãos. No momento certo, ele colocou um pouco mais de óleo na lâmpada. Ele repetiu isso diversas vezes. Contei a meus amigos cristãos sobre essa visão. Eles me disseram: 'O óleo é sua fé e o Senhor tem mantido a chama da sua fé acesa e queimando, porque ela quase se extinguiu'. Eu neguei isso veemente." 


Deus quase conseguiu tê-la aonde ele queria que ela estivesse. Ela lhe pediu que ele se revelasse a ela. "Os cristãos acreditavam que era tempo de eu ser batizada, mas eu recusei. Eu pensava que o batismo era mais uma maneira de crucificação. Eles me explicaram o significado real do batismo e, então, concordei. Quando estava sendo submergida na água, senti como se um fardo muito pesado fosse retirado dos meus ombros. Sentia-me mais leve. Estava cheia de algo diferente e não conseguia entender o que havia acontecido. Somente mais tarde, passei a compreender, quando li Gênesis 1. Ali, naquele momento, Deus fez de mim uma nova criatura. A escuridão que havia em mim desapareceu e eu estava agora cheia de luz". 


A mudança 


A primeira pessoa a notar a diferença em Dimiana foi sua irmã, Miriam. "Antes da conversão de Dimiana, nós nunca conseguíamos nos dar bem. Nós não tínhamos realmente relacionamento algum. De repente, ela passou a me procurar. Eu não sabia o que estava acontecendo. Mas não rejeitei aquilo. Pelo menos havia alguém que estava me dando um pouco de atenção." 


Miriam começou a contar sobre sua juventude, quando ela tentou cometer suicídio três vezes. "Dimiana era a filha mais velha. Meus dois irmãos receberam uma quantia razoável de atenção, porque eram meninos, mas não havia ninguém que me desse o mínimo de atenção. Então, tentei em vão agradar minha mãe. Entre os 12 e 15 anos de idade, tentei triar minha própria vida três vezes. Tomei uma overdose de remédios e fiquei esperando até morrer. Se eu fosse para perto de Alá, talvez recebesse um pouco de amor, mas o mais importante de tudo era que deixaria essa vida para trás. No hospital, recebi uma lavagem estomacal e, para me proteger, os médicos não disseram aos meus pais que eu havia tentado suicídio". 


Face a face com a morte  Dimiana começou a batalhar em oração pela vida de Miriam. "Eu disse a Deus: 'Na Bíblia diz que é melhor dois estarem juntos. Por favor, dê-me minha irmã."


Miriam disse: "Fiquei realmente feliz com a mudança em Dimiana, mas eu ainda não queria saber nada sobre Cristo. Se eu viesse a crer nele, a desgraça sobre minha família seria grande demais. Então, me deparei face a face com a morte novamente. Durante uma viagem no ano 2000, o veículo que estávamos viajando se envolveu em um acidente e eu quase morri afogada. Durante o resto do feriado, pensei sobre a questão: 'Para onde eu iria se eu morresse. Será que eu iria para o céu?'." 


Miriam voltou deprimida do feriado. "Eu sabia qual era o caminho certo. Eu sabia que tinha que segui a Cristo, mas não queria fazer isso. Disse tudo isso a Dimiana e comecei a chorar." Então, Dimiana me disse: "Enquanto ela chorava, eu me regozijava por dentro. Ela não estava longe do Reino de Deus". 


Finalmente, naquele dia, Miriam disse a ela: "Quero ser batizada".  


Rebelião 


Dimiana e Miriam decidiram que não usariam mais o véu. Dimiana relatou: "Nossa mãe vê isso como um ato de rebeldia contra o Islã. Por causa disto, alguns anos atrás, ela nos expulsou da casa. Felizmente, outros familiares interferiram. Eles conseguiram um pequeno apartamento para nós. Fica exatamente abaixo do apartamento de nossos pais, mas, pelo menos, temos um teto para separar nossas cabeças".


Miriam disse: "Acho muito mais difícil agora, pois tenho que viver com duas personalidades. Não posso ser quem eu realmente sou. Nós fomos muito criticadas, porque deixamos de usar o véu. Agora, no período do Ramadã, sou obrigada a jejuar. Não posso falar de Jesus no trabalho. Tenho uma amiga cristã que é frequentemente desafiada pelos amigos muçulmanos e ela não sabe como responder as perguntas. Ela sabe que sou cristã e olha para mim implorando por socorro, mas não posso me expor. Algumas vezes, digo algo como: 'Eu li que...'. Mas mesmo isso é muito perigoso. As pessoas imediatamente querem saber porque li temas cristãos". 


Dimiana interferiu dizendo: "Quando conversamos sobre Deus, nós precisamos sempre usar linguagem islâmica. Algumas vezes, eu até cito algum versículo bíblico, mas não digo que retirei da Bíblia. Os muçulmanos são completamente surpreendidos pela sabedoria que ele expressa, mas se vierem a descobrir que veio da Bíblia, não aceitarão".


Oração 


Outro problema é que é muito difícil para elas encontrarem um marido.


Dimiana: "Um muçulmano não tem a permissão para se casar com um cristão. A única esperança é que Deus encontre um cristão para nós que seja ex-muçulmano, assim como nós. Será que você poderia orar por isso?". Respondi: "É claro que sim! Sobre o que mais podemos orar?"


Dimiana respondeu: "Por favor, ore por nossa família também. Seria muito bom se nossos familiares viessem conhecer a Cristo. Jesus rompeu nossas muralhas de medo, ódio e depressão. Peça que ele consiga fazer isso com eles também. Peça que sejamos mais livres. Queremos proclamar nossa fé, mas ainda nos sentimos aprisionadas".

terça-feira, 1 de junho de 2010

MARIA SLESSOR, A PACIFICADORA DAS TRIBOS AFRICANAS

 *
Jefferson Magno Costa

É madrugada. A alguns quilômetros da orla marítima, uma mulher e seis crianças negras caminham para a margem de um rio. Chove. Homens e mulheres africanos perguntam:
- Por que nos abandonas, mãe?
Maria Slessor pára junto à canoa, volta-se, contempla aqueles semblantes escuros e fala docemente:
- Não fiquem tristes. Sei que vou para o meio de um povo feroz, mas eles também precisam ouvir falar de Jesus. Alegrem-se. Eu voltarei. Mas se não voltar, nós nos encontraremos nas margens do Grande Rio, diante do Grande Pai. E ali seremos todos de uma só cor, alvos como o marfim.
Em companhia das seis crianças, Maria entra na canoa, e parte, sob o olhar silencioso da tribo de Creek Town.
Maria Slessor nasceu na Escócia, em 1848. Era loura, de cabelos lisos e olhos azuis. Aos onze anos de idade foi obrigada a trabalhar na tecelagem para ajudar financeiramente sua mãe, pois seu pai, alcoólatra inveterado, após a morte de Roberto, o filho mais velho, abandonou a senhora Slessor e os quatro filhos restantes. Aos 14 anos Maria já era considerada uma hábil tecelã. Não sabia ela que futuramente Cristo a incumbiria de tecer as vestes brancas da salvação no coração dos negros africanos.
Sua mãe era evangélica, membro da igreja de Aberdenn, e costumava contar aos filhos alguns incidentes da Missão Africana, viasando despertar-lhes o interesse pela obra missionária. Atentos, eles ouviam a senhora Slessor falar-lhes de um rei africano e dos seus chefes de cor; das terras e das boas-vindas que costumavam oferecer aos missionários enviados; dos pretos de Calabar; de como Hope Waddell fora morar corajosamente no meio dos pântanos, e ali brilhar como uma luz, pregando aos selvagens o Evangelho de Cristo, e o quanto a Missão necessitava de obreiros e de manutenção.
Às cinco da manhã, Maria se levantava e ia para a fábrica, onde permanecia até às dezoito horas. Levava sempre a Bíblia consigo, lendo-a no caminho, quando ia e quando voltava, e durante os intervalos do seu trabalho. Nessa época tornara-se membro da igreja de Wishart. Ali, pouco tempo depois, começou a dirigir uma classe bíblica para meninos rebeldes. Para atrair aqueles que se recusavam terminantemente a frequentar a classe, ela promovia reuniões ao ar livre. Certa vez um grupo de rapazes perversos resolveu acabar com uma dessas reuniões. O líder do grupo aproximou-se de Maria, sob o olhar dos demais, inclusive das crianças, e começou a girar uma corrente em cuja ponta estava presa uma bola de ferro. E a girava velozmente, avizinhando-a da cabeça de Maria, mas esta, encarando-o firmemente, não denunciava nenhum sinal de medo. "Ela tem coragem" disse o rapaz, desistindo e abaixando o braço com que segurava a corrente. Em seguida sentaram-se todos, e juntamente com as crianças assistiram à reunião. Esse incidente contribuiu para mudar a vida daqueles moços, salientando também a coragem daquela que, não temendo lidar com garotos rebeldes nem enfrentar rapazes insubordinados, desafiaria, em plena selva, a agressividade e as lanças dos negros africanos.
A missão de Calabar, na África Ocidental, tinha sido fundada no ano de 1846. Kurumã estava sendo evangelizado por Robertt Moffat, enquanto David Livingstone, "o fogo das mil aldeias", abria caminho através de todo o restante do Continente. O sonho da senhora Slessor era que Roberto, seu filho mais velho, fosse à África auxiliar o trabalho desses missionários. Mas a morte prematura do rapaz fê-la pensar que nunca teria um filho missionário.
Quando, em 1874, Maria Slessor completou 26 anos, foi pedida em casamento. Mas neste mesmo ano o Império Britânico foi abalado com a notícia da morte de David Livingstone. Fizeram então apelo a voluntários para o continente africano, e Maria, decidindo entre a obra missionária e o casamento, optou pelo primeiro e ofereceu-se como missionária para Calabar. Nessa época, ela era aluna da Escola Normal de Edimburgo, e a coragem em seguir para um lugar conhecido como "sepultura dos brancos" deixou forte impressão em todos. Em agosto de 1876, no cais de Liverpool, Maria embarcava em um navio que a levaria a um continente que em nada se assemelhava à sua bela Escócia. Tornava-se então realidade o sonho da senhora Slessor.
Pelas areias brancas de Cabo Verde, pelo Desembocadouro dos Escravos, pela Costa do Marfim e pela Costa do Ouro, a bordo do navio "Etiópia", dois olhos azuis deslizavam sua curiosidade pela misteriosa paisagem que delineia a navegação costeira. Maria Slessor, recebendo brandamente no rosto a aragem fresca das praias africanas, contemplava interessadamente aquelas florestas que se erguiam, hostis e impenetráveis, margeando toda a costa. Chegando a Calabar, desembarcou e foi conduzida a Duke Town, uma vila litorânea onde residiam alguns missionários. Ali ela viveu durante quatro anos, ajudando nos cultos e estudando a língua local e alguns dialetos nativos.
Era madrugada ainda quando Maria se levantava para tocar o sino, convocando os crentes à oração. O seu espírito, entretanto, ansiava por um trabalho de maior alcance, a liberdade pioneira, o desbrava-mento daquele solo enegrecido pelo pecado. Muitas vezes ela caminhava para a mata fechada e contemplava demoradamente as árvores que se erguiam ao longe, indecifráveis, sumindo no horizonte além. Era ali que se travavam, entre tribos que praticavam a feitiçaria e o canibalismo, os choques mais horrendos e cruéis já contemplados pela natureza humana. E era ali que ela deveria estar, entre eles, modificando-lhes as práticas da ignorância e falando-lhes do amor de Jesus.
Foi de um vilarejo chamado Cidade Velha que lhe veio o primeiro convite para ir evangelizar e morar entre os negros. Ela aceitou, agradecendo a Deus. Agora poderia expandir plenamente a sua vocação missionária. Seguiu para lá acompanhada de um guia e alguns carregadores. Quando a vereda por onde caminhavam se dividiu em duas, eles se depararam com um crânio humano enfiado em uma estaca. Ali estava designada a entrada da Cidade Velha.
Durante mais de dois anos, Maria Slessor viveu naquele povoado como a única mulher branca entre negros, alegre por estar no meio deles, comendo na mesma mesa e falando-lhes da obra salvadora de Jesus. As paredes de sua casa eram de taipa e o teto de palha, e havia sempre várias crianças dormindo ali - órfãos e desprezados que Maria abrigava. Pensando nestas e nas outras crianças, fundou uma escola onde lhes ensinava não só o idioma deles, mas também a darem os primeiros passos nos caminhos eternos. Aos domingos pela manhã, dois meninos carregando um sino em um pau de bambu, percorriam toda a vila até o local da reunião, trazendo atrás de si um número sempre crescente de negros curiosos que se achegavam para ouvir a "Mãe Branca". E quando a noite se declinava sobre o povoado, recebia sempre em sua fronte escura a claridade do cântico daqueles nativos que cultuavam a Deus à luz das tochas vermelhas.
Certa vez uma canoa pintada de vivas cores e conduzida por quatro negros de pele oleosa e rostos pintados de vermelho aproximou-se das margens do rio que banhava o vilarejo. Era a canoa do rei Ocon, chefe da tribo Ibaca, que a enviara juntamente com o convite para que Maria fosse morar em sua tribo. Ela aceitou. Esta seria uma grande oportunidade de evangelizar um povo que desconhecia Cristo. Logo, toda a Cidade Velha ficou alvoroçada e entristecida. Mas às três horas da madrugada, despedindo-se de todos, Maria era conduzida rio acima, sob a cobertura de uma esteira improvisada para protegê-la da chuva e da água levantada pelos remos. Por um longo espaço de tempo aqueles homens remaram, e quando a madrugada enrubescia as primeiras horas do dia, sob o latido de cães e o cantar dos galos, chegaram a Ibaca.
Deram-lhe uma casa semelhante à outra onde morava anteriormente. Multidões vieram das vilas vizinhas para ver sua pele branca. Pela manhã e à noite realizava cultos; durante o dia dava remédios aos doentes, fazia curativos em suas feridas ou lhes aconselhava o que deviam fazer. Homens, ao natural ferozes e barulhentos, ficavam em completo silêncio ao verem Maria aproximar-se para lhes contar histórias. Ali, ela falou o Evangelho de Cristo a todos os que se achegaram para vê-la.
Pelos fins de 1882, um tufão passou com extrema rapidez sobre a vila e derrubou a casa de Maria. Ela foi levada a Duke Town, mas o seu estado de saúde se agravou, fazendo-se necessária a sua volta à Escócia. Depois de três anos, recuperada e novamente pronta para enfrentar as dificuldades, voltou à África, desta vez dirigindo-se para a tribo de Creek Town. Viveu durante seis meses nesse povoado, até quando soube que o rei Eio, chefe da tribo Coiong, praticante da magia negra, a convidara para evangelizar sua tribo. Todos se opuseram à sua ida, alegando que aquela tribo não merecia confiança e que o convite era uma cilada. Mas ela não se impressionou, e, acompanhada de seis crianças e alguns carregadores, embarcou na canoa enviada pelo rei.
Quando alcançaram a desembocadura de Equenque, a canoa foi abandonada, e, sob uma pesada chuva e o choro das crianças, iniciaram a jornada a pé, através de mais de uma légua de mata fechada. Sentindo no corpo as roupas encharcarem-se e os pés atolarem-se na lama, Maria avançava cantando trechos de hinos, a fim de encorajar as crianças. Mas em certos momentos era tão grande o seu cansaço que ela só conseguia pronunciar: "Pai, tem misericórda de mim!" Chegaram finalmente à tribo. Reinava ali um silêncio profundo. Maria gritou e dois escravos apareceram. Um deles acendeu o fogo e trouxe-lhe água, enquanto o outro correu com a notícia de que a "Mãe Branca" era chegada.
É noite. Em uma área larga, no centro da tribo, há uma multidão de negros sentados, formando um grande círculo. As casas, distribuídas de modo a formar uma larga circunferência, erguem-se em volta dos ombros escuros. No centro da reunião há uma mesa coberta com uma toalha branca, e, em cima desta, acha-se aberta uma Bíblia. Quatro tochas presas a estacas se erguem de um lado e do outro da mesa. As chamas brilham nos rostos atentos. Junto à mesa há vários chefes sentados. E de pé, com os cabelos adquirindo tonalidade de ouro sob a vermelhidão das tochas, Maria Slessor prega ao maior ajuntamento de tribos negras já conseguido de uma só vez. O olhar azul contempla a multidão silenciosa e atenta. "Para alumiar os que estão no assento das trevas e na sombra da morte, para corrigir os nossos pés no caminho da paz" (Lucas 1.79), é o trecho lido naquela noite pelos lábios que ainda se abririam inúmeras vezes para pregar a Palavra da Vida.
Maria Slessor viveu ainda muitos anos entre as tribos africanas. Através de sua voz, milhares de negros tomaram conhecimento de Jesus Cristo e milhares o aceitaram como o Salvador. Ela foi, depois de David Livingstone, a missionária que mais conduziu negros aos alvos caminhos da salvação. Em janeiro de 1915, cansada e ainda em plena África, ela foi ao encontro dAquele que, na grandiosidade do seu sacrifício, foi erguido no madeiro para constituir-se na esperança de todos os povos.
 
Jefferson Magno Costa - Blog Sublime Leitura

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