quinta-feira, 22 de maio de 2008

Treinamento para Evangelismo

Pr. Lucivaldo Neri

A Definição de Evangelismo

A palavra “evangelismo” (ou evangelização) vem de uma palavra grega, “euangelion”. Há realmente quatro formas básicas desta palavra. Uma palavra significa “boas notícias”; duas palavras significam “proclamar as boas novas”, e uma palavra se refere ao “evangelista” ou a pessoa que faz a proclamação.

Evangelismo é a Igreja trabalhando para o Senhor. No evangelismo a ênfase está na experiência do novo nascimento, o inicio da vida espiritual.
Evangelismo é:

“... comunicar o evangelho através do poder do Espírito Santo de tal maneira que homens e mulheres tenham uma válida oportunidade de aceitar ou rejeitar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor e se tornarem membros de sua igreja”.

Como iniciou o evangelismo

O evangelismo no sentido do cristianismo, inicia-se com o próprio ministério de Jesus Cristo que, ao escolher seus doze discípulos, os preparou para espalhar (pregar) a mensagem de boas novas. Mt 4.17-25

A responsabilidade agora é minha

Os cristãos devem pessoalmente assumir a responsabilidade de transmitir o evangelho. A Bíblia diz em Mateus 9:37-38 “Então disse Jesus a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”. O evangelismo é um trabalho para todos os Cristãos em todo o mundo.

Deus nos chama a ser representantes de Jesus. A Bíblia diz em 2 Coríntios 5:20 “De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus.”

Porque devemos evangelizar?

a)Não queremos responder esta pergunta para simplesmente termos um conhecimento teórico das razões bíblicas para evangelizarmos. Mas para encontrarmos as motivações bíblicas para a evangelização, porque a motivação brota do coração, e a obra de evangelização deve ser feita por um coração dominado pelo amor a Deus e ao próximo.

b) Por outro lado precisamos evangelizar para cumprir o Ide de Jesus. Mt 28.18. Aí de mim se não anunciar o evangelho...., Jesus nos comissionou a um sagrado encargo de anunciar o evangelho de Deus. Rm 15.16b. Devemos livrar os que estão sendo levados para a morte, salvar os que cambaleiam indo para serem mortos. Pv: 11.24

c) Quando contemplamos o amor de Deus por nós, este nos coloca um sentimento de gratidão a Ele por nossa salvação em Cristo. A melhor forma de demonstrarmos gratidão a Deus é compartilharmos com os outros o amor de Cristo e a nossa ré nEle.

Sabemos que só há um meio para a salvação – Jesus Cristo. E somente nós, os cristãos, temos este pleno conhecimento. Como poderíamos então deixar de falar de Cristo? Tendo conhecimento das motivações anteriores, chegamos a conclusão que o ato de não evangelizar é um ato de profundo egoísmo. Sendo, assim, um pecado. Devemos evangelizar porque amamos o nosso próximo e não queremos vê-lo perdido eternamente. Paulo, dominado por este amor, estava disposto a sacrificar a própria vida na pregação do evangelho (At 20:19-24)

Como devemos Evangelizar?

Comunicando o Evangelho de Cristo a (todo) pecador sob a liderança e poder do Espírito Santo. A mensagem do Evangelho e a persuasão do Espírito Santo faz com que o pecador aceite Cristo como seu Salvador Pessoal e se torne também um seguidor (discípulo) de Cristo.

Nem toda mensagem é evangelística. Muitos tentam evangelizar sem dar ao pecador a mínima orientação sobre a salvação e como obtê-la. Muitos tentam tornar mais agradável aos outros a mensagem do evangelho. Por isso não falam de pecado, de arrependimento e renúncia. É o pseudo-evangelho das conveniências humanas, da vida sem problemas e da inexistência de crises. Com isso a igreja cresce, mas as almas continuam perdidas.

Portanto devemos falar de Jesus Cristo, ao sairmos para evangelizar. Dizer que todos nós temos problemas, mas que com Cristo nós temos a solução para os nossos problemas, e só Ele salva.

Chegue com alguém, puxe conversa, faça amizade, indague sobre sua vida, tente tornar-se íntimo dessa pessoa, até você ter oportunidade de falar de Cristo. Se você falar abruptamente de Jesus, há pessoas que vão ouvir, mas outras não lhe darão ouvidos. (não espante o peixe, pegue-o).

a) Proclamação – Seria a comunicação ao pecador a respeito de sua condição de escravo do pecado, da natureza e conseqüência dessa escravidão, do amor de Deus e Sua providência em Jesus Cristo para salvação deste e da chamada divina para uma decisão por Cristo Jesus.

b) Convencimento – O evangelista nesta ação seria apenas um instrumento nas mãos do Espírito. Pois é o Espírito que convence e muda o coração do pecador.

c) Integração – Depois da conversão do pecador, este deve ser levado a um compromisso com o corpo visível de Cristo (a Igreja), onde seria discipulado e levado ao desenvolvimento e amadurecimento da sua fé em Cristo Jesus (Ef 4:12,13).

Ganhar e Perder

De 80 a 90% das pessoas que tomavam uma decisão por Cristo nos E.U.A estavam desviando-se da fé. Ou seja, o evangelismo moderno, com seus métodos estava criando entre 80 e 90 “desviados” para cada 100 pessoas que se decidiam por Jesus.

Em 1991, no primeiro ano da década da colheita, uma grande denominação nos Estados Unidos foi capaz de obter 294.000 decisões por Cristo. Isto é, em um ano, esta grande denominação de 11.500 igrejas foi capaz de obter 294.000 decisões por Cristo. Infelizmente, passado algum tempo apenas contavam com 14.000 destes congregando, o que significa que eles já não podiam prestar contas por 280.000 das decisões alcançadas. E estes são resultados normais do evangelismo moderno em qualquer lugar do mundo.

Portanto, precisamos consolidar as vidas que são ganhas para Jesus, encorajando-as a prosseguir o caminho santo do Senhor. Fazendo visitas nos lares, cultos domésticos, lendo a bíblia com eles, almoçando juntos, passeios, conversas, etc. (envolva o novo convertido em seu novo ambiente, senão, o mundo o envolverá novamente).

O que devo saber para evangelizar?

Não precisa ser sofisticado, ou ter muitos diplomas para compartilhar Jesus Cristo com outros. A Bíblia diz em 1 Coríntios 2:1-5 “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”

Devo ter certeza da minha salvação, para poder falar do plano de salvação a alguém.

É preciso que eu saiba quem é Jesus Cristo, pelo menos o básico a respeito de sua vida.

O testemunho fala mais alto

A Bíblia diz em João 13:35 “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” Evangelismo é mais que pregar e dar testemunho.

Evangelismo (a missão da Igreja)

Cristo e os apóstolos enfatizaram à Igreja nascente a importância do evangelismo com as seguintes palavras: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura”. Marcos 16:15. “Prega a tempo e fora de tempo”. II Tim. 4:2. “... Precisam fazer uso de todos os meios que sejam possíveis, para que a Verdade seja proclamada de um modo especial e com clareza”.

A nossa responsabilidade global de evangelização nos advém de Atos 1:8 em que Jesus afirma que o evangelho deve alcançar Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra. Hoje Cristo conclama a todos para se unir no santo propósito de alcançar todas as pessoas, nas grandes, médias e pequenas cidades, vilas, bairros e locais isolados. O Pastor, o Evangelista e o Pregador Voluntário, não devem esquecer-se jamais de que sua principal responsabilidade e sua mais alta honra no serviço é pregar a Palavra e ganhar almas. Pv 11:30b

Planejar o Evangelismo

a) Preparo Interno da Igreja

•Preparar a igreja espiritualmente através da oração, estudo da Bíblia, Semana de Oração, Vigília, Jejum etc.
•Definir o tipo de evangelismo: longo, médio, curto tempo ou de Colheita.
•Determinar o local.
•Formar as equipes de trabalho: recepção, Conselheiros bíblicos e oração.
•Mapear o território dividindo-o em áreas menores.
•Definir e delegar responsabilidades.
•Estabelecer as datas.
•Definir os materiais a serem usados e onde adquiri-los.
b) Preparo Externo (Público Alvo)

•Pesquisa de opinião religiosa.
•Distribuição de folhetos e jornal apropriado.
•Fixar cartazes, distribuir convites, colocar faixas, som de rua, anúncios no rádio, jornal, TV, palestras em escolas, sociedades de bairros e clubes de serviços.

• Realizar o evangelismo. (mutirão na rua ou cruzada evangelística etc.)

O que fazer depois da parte intensiva do Evangelismo

• Treinar cada convertido visitando-o, e espondo-lhe a palavra de Deus. Mt 28:20
• Incentivando (exortando) o novo convertido a congregar. Hb 10: 25
• Orar por eles, e com eles. Tg 5: 16
• Ter acompanhamento mínimo de um a três mêses, após a conversão.

O fim

Gostamos de cantar e falar a palavra Maranata, que quer dizer “Ora, vem, Senhor Jesus!” Se queremos realmente que Cristo volte, devemos pregar o evangelho em todo o mundo.

As Boas Novas devem ser pregadas em toda a parte antes de Jesus voltar. A Bíblia diz em Mateus 24:14 “E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”


Versículos que me motivam a evangelizar:
“Nós amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro.” (1 Jo 4:19)
“Porque o amor de Cristo nos constrange...” (II Co 5:14)
“Livra os que estão destinados à morte, e os que são levados para a matança, se os puderes retirar.” (Pv 24:11)
“...Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22:39)

“...Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc: 16:15)

“...assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.” (Jo 20:21)

“Se eu disser ao ímpio: O ímpio, certamente morrerás; e tu não falares para dissuadir o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniqüidade, mas o seu sangue eu o requererei da tua mão. Todavia se advertires o ímpio do seu caminho, para que ele se converta, e ele não se converter do seu caminho, morrerá ele na sua iniqüidade; tu, porém, terás livrado a tua alma.” (Ez: 33:8,9)

“... Prega a tempo e fora de tempo.” (II Tm 4:2)

“Também os enviou a pregar o reino de Deus e curar os enfermos”. (Lc: 9:2)

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! (I Co: 9: 16)


Faça bom uso deste material e ganhe vidas para Cristo Jesus. A Ele toda honra e toda glória para sempre. Amém !

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domingo, 18 de maio de 2008

Breve biografia de William Buck Bagby

Ana Luther & William Buck BagbyWilliam Buck Bagby, foi missionário cristão pioneiro na implantação das missões batistas no Brasil e um dos principais colaboradores na luta pela liberdade religiosa em nosso país.
Filho de James e Mary Franklin nasceu no Texas (USA) em 05 de Novembro de 1855. Aos oito anos mudou-se juntamente com sua família para Waco onde depois de cumprir seus estudos preliminares graduou-se em Teologia em 1875 sob orientação de Benajah H. Carroll. Em 1880 Bagby casou-se com Ana Luther, filha de John Luther, presidente da Baylor University.
Muitos fatores influenciaram a vinda dos Bagby´s para o Brasil, mas foi principalmente a determinação de um chamado missionário e um declarado amor pelo povo brasileiro que convenceram a Junta de Missões Batistas a enviar o casal ao Brasil onde anteriormente já havia sido palco de uma frustrada tentativa com o missionário Thomas Jefferson Bowen.
Bagby chegou ao Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro em 1880 e rumaram ao interior do Estado de São Paulo, onde organizaram o primeiro trabalho batista em solo brasileiro na cidade de Santa Bárbara d’Oeste para atender aos imigrantes americanos que viviam nas cidades próximas e a comunidade como um todo. Depois de aprenderem à língua portuguesa no Seminário Presbiteriano de Campinas uniram-se ao casal Zacary e Kate Taylor e mudaram-se para Salvador na Bahia onde fundaram em 05 de Outubro de 1882 a Primeira Igreja Batista do Brasil.
Em 1884, Bagby implantou a Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro e em 1889 participou ativamente do processo de proclamação da Republica em nosso país, sendo inclusive um dos consultores na elaboração de nossa primeira constituição.
A Proclamação da Republica e a separação entre Igreja e Estado, não só facilitaram, como também promoveram o diálogo inter-religioso e a expansão do trabalho de Bagby no Brasil que aproveitou este período para a implantação de novos trabalhos, construção de escolas e igrejas, treinamento de novos ministros e principalmente engajando-se no auxílio e suporte ao alicerçamento do trabalho batista por todo o Brasil.
Em 1901, Bagby juntamente com sua esposa Ana, mudou-se para São Paulo onde organizaram várias igrejas entre elas: a Primeira Igreja Batista de São Paulo, a Primeira Igreja Batista de Santos, a Primeira Igreja Batista do Brás, a Primeira Igreja Batista de Mogi das Cruzes e a Igreja Batista da Liberdade, além de uma quantidade de outras congregações que posteriormente também se tornaram igrejas e o Colégio Batista Brasileiro, marco histórico na cidade de São Paulo.
Depois de um intenso trabalho por mais de três décadas em todo o Brasil e América do Sul, William Buck Bagby, mudou-se para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul onde trabalhou exaustivamente durante a última década de sua vida e morreu em 05 de agosto de 1939 de bronco-pneumonia.
Os Bagby´s tiveram nove filhos dos quais cinco continuaram a obra missionária iniciada por seus pais desenvolvendo o trabalho cristão e lutando pela liberdade religiosa por toda a América do Sul.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Entrevista com Ronaldo Lidório


Todos precisamos de Deus, seja numa floresta sem fim, seja num condomínio fechado.

Precoce é a pessoa que faz alguma coisa antes do tempo esperado. É o caso do mineiro de Nanuque que se converteu aos 7 anos de idade durante uma escola bíblica de férias ministrada pela própria mãe; que se despertou para o trabalho missionário aos 14 anos ao ouvir uma pregação do próprio pai; que ingressou num seminário teológico logo após completar 18 anos; que se formou em teologia e casou-se um mês depois de comemorar o 23º aniversário; que arrumou as malas e se mudou com a esposa (ele com 26 anos e ela com 24) para uma aldeia bem no interior de um país africano para prestar assessoria à igreja Konkomba em Gana e consultoria antropológica e missiológica a países da África e da América do Sul; que traduziu o Novo Testamento inteiro para uma das línguas dos Konkomba em sete anos e meio; cujo nome já está no Who's Who in the World. Desde 2001, Ronaldo Almeida Lidório, 40 anos, casado com a enfermeira e obstetra Rossana Vivianne Gassett Lidório, 38, tem se dedicado ao plantio de igrejas, à análise lingüística e tradução da Bíblia e ao desenvolvimento humano e social na Amazônia indígena. O casal tem uma filha de 12 anos e um filho de 10, e mora em Manaus. Esta entrevista começou em Viçosa, MG, logo após o curso de antropologia missionária que Lidório ofereceu no Centro Evangélico de Missões (CEM), em setembro de 2006, e terminou em São Gabriel da Cachoeira, AM, imediatamente antes de o jovem missionário embrenhar-se mais uma vez numa área indígena.

Ultimato - O que você é: missionário, missiólogo, antropólogo, indigenista?

Lidório - A convicção do chamado ministerial é o que enche meu coração. A antropologia e a missiologia são instrumentos de trabalho muito úteis em diversas situações e projetos, porém estar envolvido com a missão de Deus para a minha vida é insubstituível. Nas palavras de Woodford, títulos e funções não saciam nossa alma. Apenas a certeza de seguir o caminho de Deus o faz. Sou missionário.

Ultimato - A população indígena, que diminuía a cada ano no Brasil, voltou a crescer. Qual é a explicação?

Lidório - Calcula-se que havia 1,5 milhão de indígenas em 1500, os quais somam hoje pouco mais de 350.000, configurando um dos maiores processos etnofágicos nos últimos 500 anos. Porém, a população indígena, que diminuía a cada ano, voltou a crescer de forma animadora nas últimas décadas. A existência de programas de saúde que previnem e tratam as doenças em geral, e também as mais específicas como a malária, possuem uma contribuição acentuada. Programas de subsistência têm auxiliado ao prover mais proteínas e vitaminas em áreas indígenas onde o alimento se resumia quase que puramente ao carboidrato. A presença missionária também é responsável por inúmeros programas de desenvolvimento humano porém sua principal marca social é a valorização da língua materna, provendo grafia e gerando programas de alfabetização que asseguram a identidade lingüística e, conseqüentemente, cultural, em diversas etnias. Há casos, como o dos Dâw do Amazonas, em que os missionários da Associação Lingüística Evangélica Missionária (ALEM) realizaram um verdadeiro resgate lingüístico-cultural. Era uma etnia que pouco falava sua língua, vivia dispersa e excluída em um contexto urbano e quase perdera por completo sua identidade indígena. Ao encontrá-los hoje, vivendo em sua aldeia com alegria e dignidade, é visível o sentimento de cidadania e humanização. Falam sua língua com prazer e a ensinam aos seus filhos. Viver sua própria cultura os define como gente perante um universo onde outros também expressam abertamente seus valores culturais. Identidade cultural faz bem à alma.

Ultimato - Entre os indígenas há algum controle de natalidade?

Lidório - De forma geral ter filhos é sinônimo de abundância e força social, portanto não há preocupação em evitá-los. Porém, em casos especiais que envolvem alguma limitação de saúde ou algum tabu ligado a uma pessoa ou a um clã, desenvolve-se o controle de natalidade. No caso dos Miranha, por exemplo, o controle é praticado pela observação dos ciclos da lua em relação ao período fértil feminino.

Para os Tariano, pode-se também evitar uma gravidez indesejada através de poções xamânicas que funcionam como contraceptivos.

Ultimato - Você está fazendo o mapeamento da região amazônica. Qual a finalidade do mapeamento?

Lidório - Estou envolvido na pesquisa de algumas áreas. O objetivo central é identificar ajuntamentos humanos com graves carências sociais e espirituais. As estatísticas convencionais que definem os agrupamentos indígenas não expressam em profundidade a situação social, o índice de preservação lingüística, o relacionamento intercultural com outras etnias da região e com os não-indígenas, entre outros. Esses dados são importantes para o desenvolvimento de programas cujo objetivo seja contribuir de maneira relevante com esta realidade. A ONG ATINI, por exemplo, que luta contra o infanticídio que ocorre em abundância no contexto indígena brasileiro, é resultado de longa observação por parte da JOCUM dessa prática social entre o povo Suruwahá e outros grupos. A pesquisa ajuda-nos a identificar os pontos de tensão e a participar na solução de conflitos.

Ultimato - Quantos grupos indígenas temos hoje no território nacional? Pode haver outros?

Lidório - Os dados divergem de uma listagem para outra por considerarem, ou não, alguns grupos ainda não reconhecidos oficialmente como indígenas. Creio ser seguro, porém, pensarmos em 258 grupos indígenas com identidade definida no Brasil, além de outros cinqüenta ainda isolados. Grupos isolados são aqueles que não possuem contato com o mundo externo, e normalmente não se sabe se são uma variação cultural de um grupo já reconhecido ou se são novos. Muitos grupos indígenas estão em fase de extinção - extinção não necessariamente populacional, mas cultural e lingüística. Aryon Rodrigues estima que, na época da conquista do Brasil, eram faladas 1.273 línguas, ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade lingüística em 500 anos. Das línguas sul-americanas, 27% já não são aprendidas pelas crianças. Esta é uma extinção silenciosa que mata não apenas a língua mas também a identidade e a esperança de muitos povos.

Ultimato - Você é a favor da tradução da Bíblia para grupos lingüísticos reduzidos, com uma população de cem falantes, por exemplo? Por quê?

Lidório - O critério bíblico segundo o qual uma alma vale mais do que o mundo inteiro mostra que na economia de Deus a carência de um único indivíduo é o suficiente para qualquer esforço. E, se observarmos a tradução bíblica de perto, veremos que ela não é um processo isolado, mas uma atividade associada à grafia de uma língua, sua análise, desenvolvimento de cartilhas, alfabetização e fomentação de registros históricos e culturais pelo próprio povo, que contribuem para sua afirmação humana e social. Quando um povo lê a Bíblia em sua língua materna, este exercício possui um profundo valor tanto espiritual quanto sociocultural. Desta perspectiva, talvez a tradução bíblica seja ainda mais prioritária para os grupos minoritários, mais suscetíveis à perda lingüística e cultural, do que para os grandes grupos. Na África tivemos contato com o casal Stevenson, que traduzia a Bíblia para um grupo de quatorze pessoas cuja língua era uma variação lingüística dos Bikuln. Gastaram ali mais de 25 anos de suas vidas e, ao entregarem um dos livros do Novo Testamento nas mãos de um jovem da tribo, ele afirmou que entendera que o amor de Deus não é proporcional ao tamanho da tribo, pois Deus ama igualmente uma grande etnia e um pequeno grupo de quatorze pessoas. Creio que ele entendeu bem.

Ultimato - O sonho indígena de uma terra sem males pressupõe que os indígenas acreditam na vida após a morte? Eles têm alguma noção da ressurreição do corpo?

Lidório - Várias culturas indígenas possuem uma cosmologia definida pelo aquém e pelo além, a qual inclui o conceito de vida eterna em uma terra sem males. Esta cosmovisão mais escatológica da vida pode ser identificada não apenas entre os indígenas mas também em diversos outros grupos espalhados pela terra. Os Konkomba de Gana crêem que o pacham é um lugar para onde irão os que morrem já bem velhos e com muitos filhos. Os Chakali falam sobre o báthan como sendo o destino pós-morte de todo homem, sendo que aqueles que não enganaram o próximo terão comida em abundância. O restante viverá da boa vontade do primeiro grupo.

A convicção de uma terra sem males entre os indígenas brasileiros é, em alguns casos, tão enfática que pode ser relacionada como uma das possíveis causas da abundância de suicídios. Quando um jovem se vê sem saída, ou envergonhado, ou ainda profundamente melancólico, por vezes opta pelo suicídio, não apenas como uma maneira de fugir do conflito pelo qual passa, mas movido também pela convicção de que o mundo pós-morte será melhor, sem dor. Há poucos registros, porém, sobre crenças ligadas à ressurreição do corpo em culturas indígenas.

Ultimato - Onde você passa mais tempo: com a família, em Manaus; com os indígenas, em suas tribos; ou em viagem pelos rios da Amazônia?

Lidório - Neste ano nos mudamos para Manaus por ser um ponto central para nossas viagens e atividades no Norte. Como faço várias viagens por ano, dentro e fora do Amazonas, passo muito tempo fora de casa. As viagens fluviais na Amazônia são as mais longas, pois envolvem distâncias consideráveis. Porém aproveitamos bastante o tempo juntos em família. Quando estamos em casa, nossos filhos, Vivi e Ronaldo Junior, têm prioridade de tempo e atenção. Também temos um compromisso de passar de dois a três meses, a cada dois anos, na África para treinamento de liderança.

Ultimato - Como você se sente fora da chamada civilização, em plena mata, em contato com a beleza exuberante da natureza não poluída?

Lidório - Tanto na África quanto na Amazônia, o sentimento de estar em um lugar remoto com pouca intervenção humana é fascinante. Observar o verde intocado da Amazônia, por exemplo, nos faz pensar muito no poder de Deus, Criador de algo tão belo e cativante. No entanto, depois de viver nesses ambientes mais distantes por algum tempo, perde-se um pouco do romantismo e os desconfortos da privação das facilidades nas quais fomos criados passam a ser mais sentidos.

Em Gana, na África, passávamos até seis meses na aldeia viajando apenas duas vezes por ano para uma área urbana. Quando chegávamos à capital, Accra, meu maior prazer era apertar um interruptor e ver a luz acender. O de Rossana era abrir uma torneira e ter água corrente. Quando perguntávamos ao meu filho caçula, ainda pequenino, do que ele sentia falta na aldeia, ele respondia: Do McDonald's!

Ultimato - Segundo dados do governo, em 2005 16.700 quilômetros quadrados da floresta amazônica foram transformados em terras agricultáveis, com a derrubada de 1 bilhão de árvores. A Amazônia poderá vir a ser uma região independente do Brasil por sua importância no cenário mundial?

Lidório - A destruição da floresta é assunto preocupante, porém não ocorre de maneira uniforme na Amazônia. Em algumas áreas indígenas, como no Alto Rio Negro, por exemplo, não é perceptível. Nos arredores de Porto Velho, Rondônia, é evidente. Creio que o problema está localizado especialmente próximo a centros urbanos, onde se escoa mais facilmente a madeira, e em setores de expansão agrícola, onde há grandes queimadas. Não creio que a Amazônia venha a ser independente justamente por sua importância nos cenários mundial e, conseqüentemente, nacional. Penso que o desenvolvimento da política de conservação ambiental só acontecerá quando ela for trabalhada com a população local - que é a única capaz de coibir o desmatamento, seja por não praticá-lo, seja por fiscalizar aqueles que o praticam. Políticas externas dissociadas de uma consciência local não surtirão efeito.

Ultimato - A relação entre a FUNAI e as missões indígenas está melhor agora?

Lidório - Minha impressão é que há uma boa relação que caminha para se consolidar. O trabalho da FUNAI é relevante e desafiador, tendo em mente a diversidade étnica indígena no Brasil e sua função de fiscalizá-la. Hoje vivemos um momento em que também cresce o movimento missionário formado pelos próprios indígenas. O CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Indígenas) tem demonstrado de forma acentuada essa força. Costumo dizer que a necessidade humana é a mesma, em qualquer cultura e contexto, e é preciso juntar forças para minimizá-la. Apenas a roupagem muda. Ao lembrar-me do indígena excluído e discriminado, sem alimento nem dignidade, nas margens do rio Solimões, percebo nele a mesma dor e constrangimento do rapaz urbano e também excluído, sentado na calçada em uma rua de Recife, invisível na multidão. Jesus, ao falar sobre um homem judeu caído ao longo do caminho e socorrido por um samaritano, nos aponta que as crises humanas são idênticas e ocorrem em qualquer sociedade. Muda apenas a roupagem externa, como língua, cultura, cosmovisão e contexto.

Ultimato - Quando o reitor do Seminário Presbiteriano do Norte sugeriu que você trancasse a matrícula e passasse um ano na África, para testar a sua vocação missionária, como você reagiu? Foi nessa ocasião que você começou a se interessar pela tradução do Novo Testamento na língua dos Konkomba de Gana e Togo?

Lidório - O rev. Francisco Leonardo é um homem de muita influência em minha vida. Sua conciliação de conhecimento teológico com piedade e vida cristã é marcante. Quando sugeriu que eu testasse minha vocação passando um ano na África juntamente com outro colega, Alfredo de Souza, recebi como uma oportunidade dada por Deus, pois poderia ver de perto missionários experientes que atuavam em plantio de igrejas, tradução da Bíblia e desenvolvimento social.

Esta experiência foi confirmadora e percebi que nada mais encheria meu coração. Ali, vendo o quanto a Palavra de Deus abençoa um povo, nasceu o desejo de trabalhar também com tradução bíblica. Certa ocasião vi uma família inteira, da etnia Balanta em Guiné-Bissau, sentada ao redor de uma fogueira numa noite sem luar, lendo atentamente alguns trechos sobre Jesus nos Evangelhos e traduzindo como lições para sua vida diária. Esta cena foi transformadora. Todos nós precisamos de Deus. Seja em uma floresta, seja em um condomínio fechado.

Ultimato - Qual foi o trabalho que você e Rossana desenvolveram em Gana na década de 90?

Lidório - Fomos para Gana em 1993 e lá permanecemos até 2001, quando viemos trabalhar na Amazônia. Na África atuamos com a etnia Konkomba-Limonkpeln, uma das quatro etnias Konkomba, com plantio de igrejas e tradução bíblica, e desenvolvimento de projetos sociais na área de educação e saúde. Pela graça de Deus há hoje ali 23 igrejas, pastoreadas por cinco pastores Konkomba. Várias delas foram plantadas por iniciativa do próprio povo. A clínica médica, que atende mais de 6 mil pessoas por ano, e as escolas, que educam mais de 400 crianças, são totalmente dirigidas pelos Konkomba.

Um dos ministérios naquele lugar que encheu nosso coração foi a tradução do Novo Testamento para a língua Limonkpeln. Fomos despertados para essa necessidade porque no início os crentes vinham de aldeias distantes para participar de estudos bíblicos na aldeia onde morávamos, Koni. Passavam alguns dias conosco e memorizavam versículos que transmitiriam a outros. Uma mulher veio de Kadjokorá, uma aldeia que ficava a quatro dias de caminhada. Ela também memorizou os treze versículos e participou do encontro. Voltando para sua aldeia, depois de dois dias de caminhada, ela esqueceu um dos versos. Não pensou duas vezes. Voltou aonde estávamos e disse que estava ali porque a Palavra de Deus era preciosa demais para se perder ao longo do caminho. Memorizou de novo o verso e recomeçou sua jornada de quatro dias de caminhada para casa. Naquele momento nos comprometemos com a tradução do Novo Testamento para o Limonkpeln, que, pela graça de Deus, foi entregue em outubro de 2004 em uma linda festa com cerca de mil Konkombas louvando a Deus sob a sombra de algumas mangueiras.


Visite o site de Ronaldo Lidório: www.ronaldo.lidorio.com.br

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Uma noite assustadora...


"Era uma noite fria e com muita chuva na vila de Taipu. De repente, acordei com o som de um facão batendo em alguma coisa, e uma pessoa gritando: "Aqui o senhor não vai entrar!..."

Pulei rapidamente da cama, ainda meio sonolento e presenciei, na casa ao lado, um homem tentando golpear seu próprio filho com o facão. Este homem, chegando em casa embriagado, tentou violentar a filha de apenas dez anos. A mãe, pegando a menina, fugiu para a casa do filho buscando proteção. Ele então, inconformado, tomou o facão e foi atrás das duas, tentando invadir a casa do próprio filho.

Com muito cuidado, puxei o rapaz, afastando-o do perigo; enquanto outros moradores convenciam o velho a abandonar seus planos. Após alguns instantes, tudo aparentemente havia voltado ao normal.

Isto acabou abrindo a oportunidade de me aproximar do filho daquele homem, que está sendo evangelizado ..."

Este fato, relatado pelo missionário Reginaldo Menezes, que trabalha na região de Camamu (BA), mostra um lado terrível da cultura ribeirinha. Infelizmente, a maioria dos pescadores é dada à bebida, que tem causado muita destruição entre eles.

Outra triste verdade diz respeito ao senso de imoralidade que permeia suas mentes. A cada dia tomamos conhecimento de mais histórias como esta, onde meninas pequenas são vítimas de seus próprios pais e de outros familiares. O estado de pobreza em que vivem acaba favorecendo este tipo de situação, uma vez que é comum dormirem juntos em pequenos cômodos.

Não há outra fonte de liberdade para os pescadores, a não ser o Evangelho de Jesus Cristo. É por isso que continuamos insistindo com a igreja brasileira, para que atente para este grupo social ainda não alcançado. É necessário que haja um esforço em comum para que, juntos, como povo do Senhor, possamos dar a estas pessoas uma nova opção de vida.

Também não adianta evangelizá-los, se não estivermos prontos a nos sacrificar para minimizar algumas de suas carências mais comuns. Seria uma utopia dar evangelho e esconder as mãos. É um trabalho árduo, que exige dedicação e muito investimento; um verdadeiro desafio que, pela Graça do Senhor e pelo esforço comum do Seu povo, há de ser vencido, em nome de Jesus.

Você, que já tem tomado conhecimento deste ministério, está sendo desafiado a juntar-se a nós, para que possamos completar a obra que o Senhor nos chamou a realizar: Alcançar os pescadores artesanais de toda a costa brasileira.

Fonte: Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores (MEAP) - http://meap.backsite.com.br

sábado, 3 de maio de 2008

DIP - Domingo da Igreja Perseguida


O que é o Domingo da Igreja Perseguida?


O Domingo da Igreja Perseguida (DIP) foi criado pelo Irmão André, fundador da Portas Abertas, com o objetivo de unir cristãos em torno de um só motivo: nossos irmãos e irmãs que pagam um alto preço por sua fé.

A data varia de ano em ano, pois é marcada para o domingo seguinte ao de Pentecostes. Este critério foi adotado porque, no relato bíblico em Atos 4, o início das perseguições aos cristãos acontece logo após a descida do Espírito Santo, com a prisão de Pedro e João. Simbolicamente, pode-se dizer que esta foi a "fundação" da Igreja Perseguida. Em 2008, o DIP acontecerá no dia 18 de maio.


Um dia inteiro de atividades: você escolhe a melhor para sua igreja

Em 2007, 1.350 igrejas participaram do DIP. Você, parceiro da Missão Portas Abertas, já pode organizar em sua igreja uma celebração especial para o próximo evento!

Um dia inteiro dedicado à oração e à lembrança desses irmãos que sofrem por sua fé! Irmãos que são exemplo de perseverança e de amor ao nosso Deus. As classes de escola dominical, as reuniões dos departamento e os cultos desse dia poderão ser inteiramente dedicados ao DIP.

Essa é uma oportunidade para envolver mais irmãos com a Igreja Perseguida e com a oração, por meio do relato de histórias e de variadas situações vividas por nossos irmãos perseguidos.

Qualquer dúvida ou para maiores esclarecimentos, ligue para (0--11) 5181 3330 ou envie um e-mail para dip@portasabertas.org.br .


Clique aqui e faça a sua inscrição
Faça o download do material de apoio para o DIP 2008
Clique aqui e leia os depoimentos sobre o DIP 2007

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Dois livros missionários para download


Amados irmãos, conseguimos no site da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, dois excelentes e-books missionários!

O primeiro é o livro ‘DE BRAÇOS ABERTOS - Em busca das criaturas de Deus -, do pastor A n t o n i o C a r l o s N a s s e r . O livro tem 70 páginas, onde o Pr. relata sobre seu envolvimento com os refugiados de todas as nações. Leia um trecho do prefácio do livro:

“Escrevi esse livro sob a luz de experiências vividas e de meditações nascidas de lágrimas diante da realidade de milhões de pessoas de nosso mundo. Elas são fruto da resistência humana às perseguições, às violências e aos maus tratos. Pessoas como cada um de nós que insistem em prosseguir no caminho da vida. Já não têm seus lares, perderam pessoas queridas, precisam aprender novas línguas e costumes para sobreviverem no caminho de fuga. ”

Uma leitura fascinante, que apresentará o leitor a questões em sua grande maioria desconhecidas, mas que nos chamam poderosamente a orar e agir! Leitura altamente recomendada.

Para baixar DE BRAÇOS ABERTOS - Em busca das criaturas de Deus, Clique Aqui.



O segundo livro chama-se O Sonho de Demba, escrito pelo Pr. Joed Venturini de Souza. Trata-se de uma interessante ficção missionária, porém baseada em fatos reais. A ação do enredo se passa na Guiné-Bissau. São 15 páginas que você lê de uma pegada só.

Para baixar O Sonho de Demba, Clique Aqui.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A CAMINHADA MISSIONÁRIA E A QUESTÃO DOS TRÊS MEDIDORES


O que você faria se, viajando no seu automóvel, percebesse no painel do veiculo uma luz acesa indicando que a temperatura do motor está além do normal ?

· primeira possibilidade: você continuaria com o pé no acelerador, tranqüilamente;

· segunda, retiraria o fusível que possibilita aquela luz de se acender ou

· terceira, pararia o carro tão logo pudesse, tendo o cuidado de mantê-lo ligado para não trancar o motor ?

A questão é simples, os automóveis têm medidores que mostram como está a temperatura do motor, a carga da bateria, a quantidade de combustível no tanque, a velocidade do carro na pista, etc.

Ignorar os fatos que esses medidores mostram ao motorista, pode resultar em graves acidentes, e, quando não, em desagradáveis momentos.

Qual motorista, e parece que a maioria já passou por este momento, andou sorridente e satisfeito aqueles longos dois quilômetros atrás de um posto de gasolina, porque não prestou a atenção devida ou ignorou o que o medidor do combustível dizia ?

Sem contar que alguns caminharam aquela parte da estrada de noite e debaixo de chuva.

Mas, que tem a ver de interessante o painel de um automóvel para a com a caminhada missionária ? Tem muito a ver.

Na vida missionária ha também alguns medidores que, se ignorados, podem resultar em estresses desnecessários, desânimos, retornos, ferimentos de difícil recuperação, etc.

Todos nós, não importa quem somos, temos pelo menos três áreas que devem funcionar bem para avançarmos. E, mesmo que estejamos muito bem em duas delas se, apenas uma, for ignorada, pararemos na estrada, e nada alegres.

Atentemos para os três medidores: O medidor físico, o medidor emocional e o medidor espiritual.

O MEDIDOR FÍSICO:

Todo o homem, enquanto nesta terra, e, portanto, também o obreiro cristão, precisa de um corpo para existir e trabalhar.

Deus nos fez corpo, alma e espírito. Seria tolice pensar que podemos desenvolver nosso ministério sem uma dessas três partes. Logo, é sensatez questionar como esta o estado do nosso corpo, o que o seu medidor esta marcando.

Ha reservas ou as energias estão esgotadas ?

O missionário se expõe a desgastes físicos, dantes, desconhecidos:

O aprendizado de idiomas, - o contato com um povo diferente, - atividades que fogem dos horários normais de trabalho, - uma nova alimentação que pode refletir no seu desempenho físico, etc., alem do estresse natural das tarefas diárias.

O próprio fato de estar em um país que não o seu, o expõe a novas doenças que podem acometê-lo.

As diferenças do clima, da alimentação, condições de vida, poderão afetar, de uma forma ou outra, na saúde física do obreiro.Ignorar o mal funcionamento do organismo, uma doença, ou o simples cansaço semanal, pode levar o missionário de volta aa sua terra para, simplesmente, ter umas ferias para descanso ou um tempo de recuperação física.Mas, porque não, ainda no campo, o obreiro não considerar a importância do sono, do descanso físico, de um dia de descanso semanal, de uma alimentação balanceada, etc. ?!

Se o medidor físico esta mostrando que o corpo está sendo usado alem do que se deve, e é fácil perceber seu sinal, seu dono deve considerar “estacionar o veiculo para um descanso ou diminuir a marcha.”

A mãe está cansada da casa, o pai está cansado do escritório ou do movimento do centro da cidade, as crianças estão cansadas da escola e das tarefas de casa, todos se sentem esgotados e continuam acelerando o carro.

Quando a questão em foco é DESCANSO FÍSICO, estão buscando mais e mais atividades desconsiderando em que pode resultar todo esse esforço.

E, quando alguém da sinal de que não caminhara nem um metro a mais, vem os descansos programados, mas, mais para escaparem de uma situação constrangedora do que como uma filosofia de trabalho. No momento em que se puder mexer com os dedos, as atividades voltarão com todos os atrasos do descanso.

Ou então, muitos saem para um passeio com seus companheiros de trabalho e levam, cada qual, alem das cestas de lanche, todas as discussões que ficaram pendentes na ultima reunião da equipe.

Um complemento para o descanso físico pode estar, também, na própria companhia no lazer. Às vezes os missionários passam, toda a semana, em trabalho conjunto com um circulo de companheiros. E, quando saem para descansar, saem, sempre, com aquele grupo fechado. Não que seja negativo a unidade do grupo também no lazer, mas quantas vezes uma pitada de variação não traria um resultado melhor ?

Outra consideração sobre o descanso está no que fazer. Normalmente a esposa e filhos, devido ao tempo que ficam em casa, não se sentirão descansados em programas realizados no seu local de trabalho. Por outro lado, o marido passou a semana fora de casa e, no dia de descanso, sonha em poder dormir até mais tarde, um boa espreguiçada depois do almoço fará muito bem. Para que pais e filhos possam ter, realmente, um dia de descanso, deve-se levar em conta esses fatos para que uma parte da família não fique sempre no prejuízo.

Outra fonte de descanso pode estar na própria amizade cultivada entre marido e esposa, em escapes que podem ter juntos, depois de um dia de atividade. Mesmo que não fizesse isso todos os dias, mas o fato despercebido de que juntos e a sós, poderiam conversar livres dos ouvidos e participação dos pequenos, e já se sentiriam, sem dúvida, um tanto descansados.

Alem da questão do descanso físico, entra também o fato de uma alimentação correta. A alimentação do campo missionário nem sempre é o que se pode chamar de ideal. Pode faltar vitaminas necessárias para o corpo nos alimentos mais consumidos pelo povo em geral ou o missionário se limita a uma alimentação comprometedora em razão do que recebe no campo. Alem do mencionado acima, entra o fato das doenças e o obreiro deve encará-lo com sensatez.

Quais as doenças que ha no campo missionário ?

Ha medicação no caso de contraí-las ?

O obreiro esta fazendo a prevenção correta para não contraí-la, ou a esta menosprezando ?

Em suma, o fato e a saúde física comprometida, comprometerá a presença missionária no campo.

O SEGUNDO MEDIDOR QUE DEVEMOS OBSERVAR BEM É: O MEDIDOR EMOCIONAL:


Como estamos emocionalmente ?

O desgaste físico, o cansaço, os desafios do campo, as dificuldades de adaptação, as diferenças culturais, a falta dos resultados esperados, o processo de assentamento no campo, preparação de documentos, aluguel de casa, escola para as crianças, a adaptação com os da equipe de trabalho, essas e muitas outras facetas das atividades missionárias afetarão, de uma forma ou de outra, desgastando emocionalmente o obreiro e sua família.

Pode chegar o momento em que o obreiro ficará surpreso por suas reações com fatos que, antes, eram fontes de risos de si para si mesmo. Porque sempre riem do meu sotaque ?

Porque não posso errar um termo na língua deles ? Porque tenho que comer deste prato ?

Porque estão sempre na minha casa ? Já não agüento ouvir esta língua !

Que povo mais estranho!...Que forma de negociar mais esquisita! Porque comem deste jeito ?!

E aquelas curiosidades que o missionário colocava nas cartas de oração, logo que chegara ao campo, se tornaram ocasiões para debates ferrenhos com nacionais, entre marido e esposa, colegas de equipe ou outros obreiros que trabalham no país.

O missionário não agüenta sair na rua e se isola no seu escritório de trabalho e estudo. Pede para não receber pessoas ou se afasta dos locais onde possa ser encontrado.

A esposa corre para o mercado e passa horas e horas vendo vitrines. Perguntas inocentes ganham respostas mal educadas, a altura do dialogo no lar aumenta de volume ou o silencio toma o espaço do dialogo do inicio. A obrigação toma o lugar do coração voluntário.

O medidor emocional acendeu sua luzinha há muito tempo e o obreiro , ele, ela ou eles, não a consideraram ou crêem que este estilo de ser, faz parte de toda caminhada missionária e seguem avante, ferindo e sendo feridos.

Até quando agüentarão será só uma questão de tempo

O momento virá que, emocionalmente atrofiados e com um forte sentimento de vitima, se quedarão inertes e, muitas vezes, ressentidos. A gota d'agua que fará entornar o copo serão enfermidades que surgirão do nada, sem explicação aparente e, ao mesmo tempo, com graves e assustadores sintomas.

A saúde emocional desceu água abaixo e já afeta a saúde física que ecoa novamente nas emoções em frangalhos.

Os ecos desses dois pólos comprometidos é, antes de tudo, desastroso. O missionário não vigiou nos primeiros alertas que recebeu, desconsiderou princípios, valores, prioridades, não estabeleceu uma filosofia de trabalho, ignorou horários, não deu atenção as suas resistências, partiu para uma caminhada competitiva, trocou os papeis no lar, cobrou de si o que é obra do Espírito de Deus, não teve paciência de esperar, partiu para uma marcha estafante e, agora, se sente inútil, envergonhado, desiludo com o campo e com o trabalho missionário.

Se sente incompreendido e, quase que amargurado, se vê usado e descartado. Neste clima de derrota, o dialogo no lar perde espaço, e quando vem, surge na forma de acusações ou depreciações. E a situação se agrava. Os filhos não compreendem tudo o que está se passando, os familiares tomam partido, a igreja edita desiludida e não previa esses resultados. Algumas das igrejas cortam o apoio aos missionários em questão. Abismo chama abismo. E verdade que nem sempre se chega a este nível de coisas, todavia, quantos não estão além deste estado, mas acobertados com uma capa, avançam como se tudo vai bem ?!...

A recuperação emocional envolve mais tempo que uma recuperação física e o medico não será um clinico geral ou um psicólogo não cristão. E verdade que serão exigidos vários exames médicos, mas a recuperação emocional é feita sob o acompanhamento de cristãos maduros e leva mais tempo do que gostaríamos que levasse. Mas, não precisamos esperar que nos afundemos nessa areia movediça. No momento em que percebemos o medidor mostrando que alguma coisa esta errada no nosso viver emocional diário, devemos reavaliar nossas prioridades, valores, atitudes, princípios, papeis, e tudo o mais que o Espírito nos mostrar.

POIS BEM, O TERCEIRO É O MEDIDOR ESPIRITUAL:

O que faria sua luz acender-se no painel ?

Nada tocará mais na nossa consciência que a impureza do pecado. A falta de vigilância na vida crista terminará em tropeço que resultará em sinais na consciência mostrando que nem tudo vai tão bem quanto parece. E, uma consciência sem paz é um arrastar de pés. A vida crista é, antes de tudo, uma vida de comunhão com Deus. Tê-lo e amá-lo será o que podemos pensar como o leito do rio. E o rio que corre também será obra do Espírito Santo. Pecados serão obstruções que impedirão o fluir do Espírito, e, nessa caminhada, a vida do missionário se tornará seca, sem vida e infrutífera. Qualquer resultado aparente ali, em nada melhorará ou fará que Deus se torne complacente com uma vida desajustada espiritualmente.

Outra questão que torna a vida do crente um pingue-pongue espiritual é a maneira como ele trabalha na sua lista de valores.

Jesus nos ensinara que seu reino e sua justiça deveriam ser buscados em primeiro lugar. As demais coisas, nos disse Ele, seriam acrescentadas por Ele mesmo e em seguida. Logo, nossa preocupação real deve ser se seu reino fora ou não, com todos seus valores, implantados no nosso coração. E o seu reino, nos assegura o Mestre, não é isso ou aquilo, mas gozo, paz e alegria no Espírito Santo. Gozo, paz e alegria no Espírito. Eis uma vida saudável espiritualmente.

Nossa vida crista tem sido uma fonte de gozo ou caminhamos ressentidos com Deus, com a igreja e com os que nos cercam ?

A paz de Deus que excede todo o entendimento tem sido nossa passarela segura ou estamos tentando atravessar a rodovia temerosos e inseguros porque, na passarela, o Pai nos veria com facilidade? Por fim, a alegria do Senhor tem sido nossa força ou estamos correndo atrás de paliativos ou de mascaras que escondem um estado crítico de tristeza? O reino de Deus não é para ser apenas estabelecido em nosso coração. E, também, para ser vivido dia a dia. Outra consideração sobre nossa saúde espiritual está em como encaramos o valor da oração e da Palavra de Deus em nossa vida. Através da oração falamos com nosso Pai Celeste e ele nos reponde.

O corpo de Cristo, a igreja, deve saber das nossas necessidades a fim de nos acompanharem em oração. Mas, quem agirá na nossa vida será o Senhor. Logo, mais do que todos, Ele deve estar a par de nossas necessidades, temores, lutas, carências, tropeços e outros sentimentos que nos assaltam no dia a dia.

Não que Ele já não saiba antes mesmo de orarmos. Não está a palavra na nossa língua, e Ele já a conhece.

Mas, o fato é que Ele estabeleceu princípios de relacionamento no qual ele espera que lhe contemos pessoalmente.

Outra fonte de saúde é a Palavra de Deus. Jesus deixou claro a importância da Palavra na nossa frutificação.

Ela nos limpa, nos lava, nos direciona, nos cura. O Espírito de Deus atua através da Palavra de Deus. Qual é o contato que temos com a Palavra do nosso Pai e qual é a atitude que temos ao lê-la? Seria sensato perguntar até que ponto amamos a sua lei, e se ela é nossa meditação todo o dia. Em suma, se queremos ter vida saudável espiritualmente, convém questionar qual tem sido nossa atitude para com a comunhão com Deus, para com sua Palavra, oração, nossa atitude para com os valores do reino, para com o pecado e uma vida de santidade.

Considerar os medidores Físico, Emocional e Espiritual, não é uma opção na caminhada missionária. E, sobretudo, um dever. Ignorá-los não será uma falta pequena, poderá devolver o missionário de volta a sua pátria em tristeza incontida ou em contumaz revolta. E, considerar o que os medidores dizem não é tarefa para especialistas.

Qualquer um sabe quando o cansaço bate a porta.

Todos sabem se o sono está sendo o bastante para a caminhada. Qualquer um percebe quando as emoções se descontrolaram e o tratamento para com os filhos, esposa, amigos de equipe e, sobretudo, para com povo alvo, se tornou de amigável para espinhoso. Ninguém é tão surdo que não possa ouvir a voz do Espírito Santo que avisa que tal e tal área da vida precisa de uma entrega total e definitiva. Mas, estaríamos todos abertos para dirigir nosso carro, considerando os medidores de temperatura, óleo, velocidade, e tudo o que for necessário? Ou queremos sentir o vento da velocidade batendo no nosso rosto e a alegria de termos, pelo nosso pé no acelerador e nossa mão ao volante, avançado alguns quilômetros na estrada da vida ?!

Se o carro fosse nosso e nós, os únicos no veiculo, todo o prejuízo resultante de qualquer insensatez seria unicamente nosso.

E verdade que nem isso justificaria nossas ações, mas de uma forma já limitaria os resultados do acidente.

Contudo, na caminhada missionária não estamos sozinhos. A igreja de Cristo segue conosco, há uma equipe que segue junto. Nossa família, esposa ou esposo, e filhos, estão conosco no campo. Enfim, é um sem numero de pessoas ligadas a nós.

Os próprios não cristãos estão de olho em nosso desempenho. Se ele parte para boas obras, Jesus disse que eles glorificariam ao Pai do céu. Se nosso desempenho parte para uma caminhada insensata, é certo que virá o escândalo. Que o Senhor nos ajude.

Baseado numa palestra do Pr.Eduardo Dudek a nossa equipe no Senegal.
Moises Suriba. Equipe da Missão Betania.

Fonte: http://www.missaoavante.org.br

sexta-feira, 18 de abril de 2008

[ DIVULGAÇÃO ] - VI Encontro de Mobilizadores e Lideres de Missões

Tema: Anunciando as insondáveis riquezas de Cristo

Data: 07 de Junho de 2008.
Local : Ig. Presbiteriana Unida de São Paulo - SP

Preletores:

Rev. Ronaldo Almeida Lidorio - APMT
Rev. Mauricio Rolim - APMT
Rev. Jair Morais - JMN
Rev. Ricardo Guttérrez - APMT
Rev. Lourival Prado - JMN

Inscrições e Informações:
APMT : (11) 3341-8339/3207-2139

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Sugestão de Alguns Bons Livros Missionários


APÓSTOLO DOS PÉS SANGRENTOS, O
RIBEIRO, BOANERGES
C.P.A.D.

ATÉ AOS CONFINS DA TERRA
TUCKER, RUTH A.
EDIÇÕES VIDA NOVA

ATREVI-ME A CHAMAR-LHE PAI
SHEIKH, BILQUIS
EDITORA VIDA

CAMBOJA, PREPARADOS P/ MORRER
BURKE, TODD / BURKE, DeANN
EDITORA BETÂNIA

CAPACITANDO FORÇA MISS. INTERNAC.
TAYLOR, WILLIAM DAVID
EDITORA ULTIMATO

CARÁTER DAQUELE QUE ORDENA ‘IDE’,O
DAWSON, JOY
EDITORA BETÂNIA

CAÇA AO DRAGÃO
PULLINGER, JACKIE
EDITORA BETÂNIA

CHARLES T. STUDD
GRUBB, NORMAN
EDITORA LUZ E VIDA

CLAMOR DO MUNDO, O
SMITH, OSWALD
EDITORA VIDA

COMUN. TRANSCULTURAL DO EV. V. III
HESSELGRAVE, DAVID
EDIÇÕES VIDA NOVA

CONTEXTUAL, UMA TEOL. EV. E CULT.
NICHOLLS, BRUCE J.
EDIÇÕES VIDA NOVA

CONTOS DO CAMPO MISSIONÁRIO
SMITH, OSWALD
EDITORA VIDA

COSTUMES E CULTURA
NIDA, E. A.
EDIÇÕES VIDA NOVA

DE TODAS AS TRIBOS A MISS DA IGREJA
SOUZA, ISAAC COSTA DE
EDITORA ULTIMATO

ENTREVISTAS COM A. G. SIMONTON
CESAR, ELBEN M. LENZ
EDITORA ULTIMATO

ENTREVISTAS COM WILLIAN CAREY
CESAR, ELBEN M. LENZ
EDITORA ULTIMATO

EVANGELHO E DIVERSIDADE CULTURAS
HIEBERT, PAUL
EDIÇÕES VIDA NOVA

EVANGELISMO EM AÇÃO
SMITH, OSWALD
EDITORA VIDA

EVANGELIZEMOS O MUNDO
SMITH, OSWALD
EDITORA VIDA

FATOR MELQUISEDEQUE, O
RICHARDSON, DON
EDIÇÕES VIDA NOVA

FIEL TESTEMUNHA (WILLIAN CAREY)
GEORGE, TIMOTHY
EDIÇÕES VIDA NOVA

HISTÓRIA DAS MISSÕES
NEILL, STEPHEN
EDIÇÕES VIDA NOVA

IGREJA LOCAL E MISSÕES
QUEIROZ, EDISON
EDIÇÕES VIDA NOVA

INTERCESSÃO MUNDIAL
JOHNSTONE, PATRICK
MISSÃO AMEM

LIVRE DAS GARRAS DO DRAGÃO
HUNT, CARROLL F.
EDITORA VIDA

MELHOR PARA MISSÕES, O
QUEIROZ, EDISON
DESCOBERTA EDITORA

MISSIOLOGIA, A MISS.TRANSCULTURAL
PATE, LARRY D.
EDITORA VIDA

MISSÕES: PREPARANDO AQUELE QUE VAI
DR. DAVID HARLEY
EDIÇÕES VIDA NOVA

MISSÕES TRANCULTURAIS - PERSPECTIVA BÍBLICA
WINTER, RALPH D.
EDITORA MUNDO CRISTÃO

MISSÕES TRANCULTURAIS - PERSPECTIVA CULTURAL
WINTER, RALPH D.
EDITORA MUNDO CRISTÃO

MISSÕES TRANCULTURAIS - PERSPECTIVA ESTRATÉGICA
WINTER, RALPH D.
EDITORA MUNDO CRISTÃO

MISSÕES TRANCULTURAIS - PERSPECTIVA HISTÓRICA
WINTER, RALPH D.
EDITORA MUNDO CRISTÃO

PAIXÃO PELAS ALMAS
SMITH, OSWALD
EDITORA VIDA

POR ESTA CRUZ TE MATAREI
OLSON, BRUCE
EDITORA VIDA

QUANDO VEM A PERSEGUIÇÃO
PIT, JAN
C. P. A. D.

QUE AINDA NÃO OUVIRAM, AOS
Shedd, Russell; Queiroz, Edison; Costa, José Wellington da; e outros
Palestras do Congr.Bras.de Missões-Bertil Ekström
EDITORA SEPAL

SAMUEL MORRIS
BALDWIN, LINDLEY
EDITORA BETÂNIA

SEGREDO ESPIRIT. HUDSON TAYLOR, O
TAYLOR, HOWARD
EDITORA MUNDO CRISTÃO

SENHORES DA TERRA, OS
RICHARDSON, DON
EDITORA BETÂNIA

TOCHAS DE JÚBILO
DEKKER, JOHN
EDITORA VIDA

TOTEM DA PAZ, O
RICHARDSON, DON
EDITORA BETÂNIA

VALIOSO DEMAIS PARA QUE SE PERCA
William D. Taylor (Bill Taylor)
DESCOBERTA EDITORA

VOCÊ PODE MUDAR O MUNDO
JOHNSTONE, JILL
EDITORA UNILIT

www.missaoavante.org.br

O Desafio do Preparo Missionário em um Contexto de Prejuízo Histórico

Para entendermos os critérios das mudanças na área de ensino missiológico em todo o mundo nos últimos 30 anos precisamos estudar as tendências teológicas presentes em cada contexto.
A grosso modo veríamos que nos anos 70 a missiologia possuía uma ênfase eclesiológica localizada e pragmática. Avaliava-se na época a identidade da Igreja como comunidade responsável por transmitir o evangelho de Cristo por toda a terra. Esta ênfase eclesiológica com aplicabilidade pastoral/eclesiástica definia a formação da mentalidade evangélica levando à uma consciência de quem nós somos e para que fomos chamados. Foi uma época de fundamentação missiológica, a época dos conceitos, que preparou também a Igreja dos países missionário emergentes para a segunda década. Nos anos 80 iniciou-se um processo centrado na análise e avaliação do campo missionário e notamos o que tenho chamado de "Efeito PNA" (Povos Não Alcançados) fazendo com que o assunto Missões passasse a ter uma forma gráfica e estatística. Quem são os PNAs, onde estão e como alcançá-los. Surgiram os pesquisadores, os movimentos de categorização da prioridade missionária no mundo e a ênfase na definição do que seria a grande meta missionária da Igreja nos próximos anos. Movimentos como AD 2.000, WEC International (AMEM), World Mission e outras dedicavam-se intensamente à tarefa de definir quem eram, onde estavam e qual a chance de alcançar os grupos ainda intocados pelo evangelho. Definiu-se a janela 10X40, entendeu-se a dimensão do desafio islâmico, foi revelada a necessidade de investimento missionário entre o crescente grupo dos "Sem Religião" e compreendeu-se melhor a permanente resistência dos grupos animistas além do sempre presente perigo do sincretismo religioso. Era a década da definição da largura, extensão e profundidade do restante não alcançado em nossa geração e do que ainda precisava ser feito. Dois grandes passos haviam sido dados até então: a fundamentação de uma missiologia voltada para a identidade da Igreja e o estudo dos grupos alvos do esforço missionário. Neste ínterim, através do massivo envio missionários nos anos 80, percebeu-se a existência de uma brecha entre o ideal missionário e a realização missionária e assim entramos na década seguinte com uma forte consciência de que faltava algo. Nos anos 90, com a visão das limitações missionárias, problemas frequentes de contextualização e comunicação transcultural, limitada aplicabilidade das teologias bíblicas em contexto inter-cultural e reduzido número de igrejas autóctones entre os grupos recém alcançados, fomos levados a crer que a formação missiológica (a descrição de nossa identidade funcional, princípios e conceitos como Corpo chamado a fazer diferença na terra) era insuficiente perante o sonho de plantio de igrejas no restante intocado do planeta. Faltavam-nos instrumentos, preparo prático, instrução sobre como fazer, tecnicabilidade; enfim, faltava-nos um manual sobre "como fazer" - treinamento missionário. Ao longo dos anos 90 nos rendemos à conclusão de que o grande desafio da década, e possivelmente da década seguinte, seria a preparação teológica, ortoprática e funcional de obreiros transculturais e assim passamos a falar em redefinição de currículos, idealização de melhores treinamentos, fundação de novas escolas de Missões e toda a ênfase voltou-se para a pessoa do missionário gerando também um aprofundamento nos critérios de aceitação, treinamento e envio de novos missionários. Fenomenologia da Religião, Antropologia Cultural, Fonética, Aprendizado de Línguas, Tradução e Teologia de Missões ganharam ênfase em várias instituições de ensino. Após esta retrospectiva vejamos um pouco do momento atual. Prejuízo Histórico Vivemos em um prejuízo histórico missionário como todos os países missiologicamente embrionários onde possuímos uma pequena leva de missiólogos para um grande número de instituições de treinamento missionário onde a grande maioria de nossos professores não tiveram a oportunidade de ser expostos a um contexto transcultural missionário e por outro lado, o grosso dos nossos missionários mais experientes ainda encontram-se na ativa em diferentes campos. Este é um prejuízo histórico comum no momento que nos encontramos, basicamente vivendo a nossa segunda geração missionária e possivelmente apenas entre a terceira e quarta é que passaremos a experimentar um número maior de missionários envolvidos missiologicamente no preparo de novos obreiros. Entretanto devemos lembrar que missionários funcionalmente capazes em seus campos não são necessariamente missiólogos ou professores de missões. Países como a Coréia do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Brasil e Tanzânia vivem situações parecidas do ponto de vista do preparo: a falta de uma ponte que una a realidade do desafio do campo missionário e a presente proposta de preparo missiológico. É certo que não podemos lidar com todas as implicações desta realidade histórica na qual nos encontramos entretanto creio que podemos minimizar seus efeitos. Precisamos definir nossas prioridades e limitações em nosso treinamento e formação missionária. Costumo afirmar que, pela índole evangelística da Igreja brasileira, temos em nosso território um laboratório natural para a formação de plantadores de igrejas. Somos uma nação etnicamente multicultural e nossas raízes histórico/culturais remontam a um passado menos distante que países com homogenia étnica fazendo com que a chamada "Expectativa Cultural" seja menos gritante. Para minimizarmos os efeitos do prejuízo histórico no qual nos encontramos creio que poderíamos pensar e tentar enfatizar, sob as definições de sua aplicabilidade funcional, três áreas da formação missionária as quais, pelo simples fato de serem comumente apontadas por obreiros provindos de 'novos países' como as principais barreiras na tentativa de uma verdadeira comunicação do evangelho, constituem para mim o supra sumo da nossa carência de treinamento integral. São elas a Antropologia Cultural, Teologia Bíblica e Aprendizado de Línguas. Menciono estas áreas, entretanto, sob o pressuposto de que já temos em mente que o caráter missionário fala mais alto que sua habilidade. Portanto seria nulo o conhecimento missiológico em um homem desprovido do caráter de Cristo. Antropologia Cultural Entendamos inicialmente a relevância da Antropologia Cultural, ou "Antropologia da Observação Cultural" como definia M. Stuart no início dos anos 50, na necessária tarefa de 'explorar a possibilidade da comunicação do evangelho a outro grupo que, culturalmente, possua outros padrões de valores existenciais na transmissão de uma mensagem'. Fala a respeito da possibilidade de real comunicação entre dois grupos distintos com diferentes (e as vezes divergentes) cosmovisões. Respondendo a um missionário que fortemente indagava "mas qual a aplicabilidade da Antropologia Cultural em meu ministério" comecei a responder dizendo: A Antropologia Cultural, funcionalmente definindo, é um instrumento de reconhecimento das perguntas existentes em certa cultura, socialmente interpretadas ou não pelo próprio grupo, entretanto necessárias para se diagnosticar os pontos de tensão social ali existentes. Provê as ferramentas necessárias para o mapeamento cultural do grupo alvo através da definição da hierarquia social, hierarquia socio-espiritual, expressões ritualísticas e cerimoniais, cosmologia, cosmovisões e costumes, linguagem interativa e comunicabilidade. O alvo da antropologia cultural, missiologicamente falando, é levantar as perguntas socialmente relevantes afim de receber respostas biblicamente centradas. O alvo final é fomentar transformação de vida e sociedade através de um evangelho que faça sentido na cultura receptora e não apenas na mente e coração daquele que transmite. Ou seja, entender o contexto para que o Evangelho exposto seja inteligível ao que ouve. Como exemplo poderíamos pensar sobre o tempo linear e cíclico. Quando um povo animista possui toda a sua cosmologia definida pelo tempo cíclico (baseado em acontecimentos que 'marcam' o tempo e necessariamente se repetem, não avançam ou retrocedem) e não linear (como o nosso tempo ocidental que segue uma linha contínua progressiva e não repetitiva) fazendo com que o dia 4 de julho de 1999 nunca venha a se repetir em nossos calendários, mentes e cosmologia, isto gera questionamentos socio-existenciais que precisam ser respondidos para a compreensão, aceitação e viabilidade cultural do evangelho dentre o povo. Em termos práticos, é necessário saber quais são as perguntas (este é o trabalho da Antropologia Cultural) antes de tentar respondê-las (Teologia bíblica). Por exemplo, expor o evangelho numa perspectiva linear para um povo com cosmovisão cíclica terá um dos três possíveis resultados: a) entendê-lo como uma mensagem alienígena e possivelmente aplicável apenas a uma cultura estrangeira; b) entendê-lo parcialmente e tentar preencher os vácuos deixados com respostas da religião materna; o que geraria sincretismo religioso; c) não entendê-lo. Deixando o simplismo óbvio com o qual estamos lidando seria necessário pensarmos, numa perspectiva do prejuízo histórico no qual vivemos, quais seriam as áreas de estudo na Antropologia Cultural que fariam nossos missionários mais bem preparados para o grande desafio. Dentre as mais variadas áreas da Antropologia como Antropologia Cultural, Etnicismo, Etnologia, Costumes e Culturas, Fenomenologia Religiosa e Comunicação Social há duas altamente relevantes para nossos candidatos à obra missionária transcultural que são Fenomenologia da Religião e Etnologia. A relevância destas duas áreas de estudo deve-se mais à observação dos comuns erros de campo (inclusive e principalmente os meus) do que em uma tentativa de estruturar um currículo ideal de conhecimento antropológico. Dentre estes 'erros comuns' há três que tem vindo à tona quase sempre quando a comunicação é restritiva, parcial ou simplesmente ausente. Eles giram em torno da falta de compreensão de que: Nem tudo o que é diferente é religioso Entre os Bassaris, tribo vizinha aos Konkombas com os quais trabalhamos, há um complexo ritual onde um composto de água e gordura é derramado constantemente sobre o corpo de alguém morto recentemente, usando-se uma cuia de madeira enquanto algumas palavras são ditas por uma pequena multidão que se coloca ao redor. Próximo dali é acesa uma fogueira onde folhas verdes são queimadas enquanto um pouco de água é aspergida sobre o fogo por pessoas ligadas àquele que morreu. Lendo um relato de um missionário que esteve entre eles 20 anos atrás ele ao fim conclui: "É um ato de invocação demoníaca afim de pedir aos espíritos que guiem aquele que morreu". Nada mais longe da verdade. Apesar da tribo Bassari ser animista e estar debaixo de forte influência do mal, este ato em particular não passa de uma forma de conservar o corpo do morto durante os dias de espera pelos parentes de aldeias distantes. A água e gordura têm uma propriedade de retardar a decomposição do corpo; a cuia é usada porque não há panelas ou copos; a multidão posta-se ao redor da fogueira porque é assim que reúnem-se todas as noites mesmo porquê não há energia elétrica, e folhas verdes são queimadas (com um pouco de água sendo aspergida) afim de produzir bastante fumaça e espantar os mosquitos. As palavras ditas são provavelmente os cumprimentos a cada pessoa que chega de outras aldeias para o funeral. Na verdade este não é um ato religioso mas sim um processo cultural-científico, ou 'apenas um ato social' como diria Kenner. Denomino de 'neurose espírito-fenomenológica' a tendência que nós missionários temos de analisar religiosamente todo e qualquer fenômeno interpretando-o como quem chegou para dissecar a religiosidade cultural sem entretanto ver o povo como uma sociedade que vive e não apenas cultua. Nem tudo o que é cerimonial é demoníaco Duas posturas são destrutivas na ação missionária para fins de comunicação: não crer na ação demoníaca e crer que tudo é ação demoníaca. Afim de entender a diferença entre os dois pontos podemos usar o conhecimento missiológico, nossa teologia, observação e sabedoria. Entretanto creio que nunca entenderemos a raiz do que é diariamente posto à nossa frente se do alto não nos for dado discernimento espiritual. Um fator agravante é que os fenômenos religiosos em uma cultura recém alcançada devem ser entendidos e interpretados o mais cedo possível afim de ativar a comunicação aplicativa do Evangelho, o que nos força a tomar posições interpretativas quanto a fenômenos locais muito cedo, quando ainda estamos pouco imersos culturalmente. Olhando ao redor do universo Konkomba poderia citar um grupo expressivo de fenômenos sociais ou religiosos que necessitam de um esforço de discernimento afim de identificá-los do ponto de vista espiritual como por exemplo a circuncisão de rapazes quando passam para a idade adulta tornando-se 'ujaman' - homens; o corte da pele facial formando cicatrizes que apontam para o clã ao qual pertencem; a dança cerimonial após a morte de alguém; o banho de lama e óleo antes de um trabalho pesado ou longa viagem; a 'venda' das crianças que nascem após haver morte infantil na família etc. Outros são claramente negativos mas igualmente carentes de interpretação social como a morte de uma criança quando nascem gêmeos abandonando-a numa floresta a noite ou mesmo o sacrifício de crianças 'defeituosas' ou profundamente enfermas. Devemos entender que uma classificação normativa (demoníaco ou não demoníaco) pode saciar nossa sede de definições teológicas mas não são suficientes para alinhar um processo na ética de uma igreja que nasce entre um grupo recém alcançado. Há necessidade de uma interpretação um pouco mais profunda levando em consideração que entre vários grupos (como animistas, hindus ou budistas) o comum não se dissocia do sagrado nem o material do espiritual havendo o que pode ser chamado, quase que paradoxalmente, de 'integração dialética'. Entretanto nossa tendência exorcista brasileira pode levar-nos a uma maior dificuldade no discernir da linha divisória entre religioso e comum e na precipitação do julgamento cultural. Nem tudo o que é cultural é puro Este é o outro lado da moeda. O etnicismo defende a pureza natural das culturas intocadas o que pode, em certa instância, influenciar a comunicação. Devemos ser sempre relembrados de que o pecado é cultural. Ele não ocorre em um plano supra humano mas brota do coração do homem envolto em seus conceitos e costumes, manifestando-se moldado às circunstâncias externas como língua, costumes e meio ambiente e por fim caindo no mesmo abismo que foi aberto desde o início: a separação entre o homem caído e o Deus santo. O pecado é cultural, manifesta-se culturalmente e o homem, em sua cultura, necessita de redenção. O Evangelho, entretanto, é supra cultural pois não se limita às estruturas da sociedade. É aplicado a todo homem, de todas as culturas, em todas as gerações. Entre os povos isolados (meninas dos olhos dos antropólogos etnicistas) não encontramos um paraíso de pureza cultural, como alguma vezes se pensa, mas sim povos curvados ao inimigo vivendo um inferno na terra e procurando quase desesperados alguma maneira de redenção, mesmo que temporária. Procuram redenção nos sacrifícios, ídolos, amuletos, tabus, magias, rituais demoníacos e penitências. A verdade bíblica universal, entretanto, afirma que a redenção está em Jesus, a mensagem é o Evangelho e entregá-la a outros chama-se Missões. Esta é a nossa fé e para isto trabalhamos. Teologia Bíblica Teologia bíblica é um termo que deve ser pré conceituado antes de prosseguirmos. Utilizo-o sob o pressuposto temático. Não se trata portanto de ramos teológicos, teologia sistemática ou de teologia verdadeiramente bíblica mas simplesmente da sistematização bíblico-temática de assuntos específicos, como 'teologia de anjos', 'teologia de pecado' ou 'teologia de sofrimento': um estudo bíblico temático vetero e neotestamentário. Definindo o termo, sigamos em frente. A Antropologia Cultural tem como missão mapear, localizar e fazer as perguntas certas. Se olharmos para o Brasil, por exemplo, veremos um grande número de igrejas e pregadores que provêem diariamente respostas (muitas delas corretas teologicamente) para perguntas que nunca são feitas. Poucos interessam-se em estudar e compreender sobre câncer nos ossos quando na verdade o que os aflige é uma terrível gastrite. Esta é a primeira instrução antropológica cultural na abordagem de um novo grupo social: descubra as perguntas certas. Denominações que, em países da América Latina, apresentam uma teologia de 'prosperidade e sofrimento' ou mesmo de 'bênção e maldição' (apenas para ficar em dois exemplos) acham público; não necessariamente pela seriedade das respostas (muitas sérias e outras não) mas sim pela identificação das perguntas. Em um superficial mapeamento cultural realizado em países socialmente existenciais como o Brasil facilmente veríamos que duas claras perguntas na mente do povo são: "Porque sofremos ?" e "Como melhoraremos ?" Entretanto localizar as perguntas certas não pressupõe sucesso na comunicação do evangelho. É necessário apresentar as respostas certas. Alerta: não as respostas que irão surtir efeito, satisfazer a alma ou gerar impacto social: mas sim respostas biblicamente certas. Dar respostas certas às perguntas certas normalmente é uma tarefa conflitante. Aqueles que o fizeram, já no primeiro século, foram apedrejados, expulsos, perseguidos, denominados de 'peste' e 'transtornadores'. Para aqueles que pensam que uma genuína e culturalmente coerente exposição do evangelho redundará necessariamente em um positivo impacto social além de muitos frutos, precisamos ser relembrados que não se define Missões em termos de resultados mas sim de fidelidade ao Senhor. A questão final para a apresentação de uma teologia bíblica que responda à pergunta do coração do homem em sua cultura e língua não são os resultados humanos mas sim fidelidade ao Senhor e à Sua Palavra. Nesta altura há duas verdades óbvias quanto ao treinamento missionário: primeiramente nossos candidatos à obra missionária precisam ser preparados biblicamente. Estudar a Palavra, conhecê-la, pesquisá-la textualmente, contextualmente e tematicamente. Investir em um bom preparo bíblico é investir diretamente no campo. Em segundo lugar precisamos entender que a fidelidade transpõe a habilidade. Neste momento o caráter cristão deveria ser a mais enfática disciplina em nossos cursos de formação missionária. Como um caráter à imagem de Cristo não pode ser forjado simplesmente em salas de aula precisamos urgentemente de discipuladores entre nossos professores de missões. Uma grande descoberta pessoal tem sido a primária importância do caráter do missionário acima de sua habilidade de comunicar inteligivelmente o evangelho transpondo barreiras lingüísticas, culturais e missiológicas. Após três anos entre os Konkombas, quando a Igreja crescia rapidamente e o Evangelho alcançava lugares remotos perguntei certa vez aos líderes locais sobre a principal razão que colaborava para a nossa boa comunicação, mencionando três opções: a) habilidade de falar no dialeto local e ser entendido com facilidade; b) entendimento cultural, dos costumes e forma de vida Konkomba; c) envolvimento pessoal com a sociedade tribal, sendo aceito e aceitando-a. Eles então responderam: "O nosso povo senta-se para ouvi-lo simplesmente porque você sorri quando nos vê e nos cumprimenta quando passa por nós". Naquele dia escrevi em meu diário: "caráter é mais importante que habilidade". Segundo Hustmann a história das missões se divide em três partes quanto ao conhecimento antropológico e aplicabilidade de teologia bíblica. Na etapa em que nos encontramos os erros antropológicos residem não na falta do conhecimento mas na falta da disposição em aplicar o conhecimento. Em suma, um número reduzido de missionários erra hoje, em um nível básico de comunicação, devido à falta de entendimento da cultura ou conhecimento bíblico. Os grandes erros de comunicação são conseqüência de uma decisão em não aplicar o conhecimento adquirido. Problema de caráter, não de estudo. Este princípio é também aplicável em todo um universo de existência missionária onde a grande maioria dos obreiros que voltam forçosamente do campo o fazem devido a problemas de relacionamento enquanto um pequeno índice apontaria para a falta de habilidade em aculturar-se. Caráter, em última instância, é o fator primordial que define relacionamentos, e relacionamentos, citando Abdulai Syin , definem a pressuposição social de aceitação ou rejeição da mensagem que será pregada. Isto implicaria no fato de que, mesmo sendo o evangelho o poder de Deus, este Deus deseja que nós que o transmitimos, o façamos com fidelidade de vida e não apenas conhecimento de causa. Aprendizado de Línguas O aprendizado de línguas, juntamente à tradução da Palavra, é uma área de gritante necessidade de atenção em nossos cursos de formação de obreiros transculturais. Pela óbvia necessidade do obreiro transcultural aprender uma nova língua para sobreviver, se relacionar e expor o evangelho. Enfim: comunicar-se. Quando falamos sobre aprendizagem de línguas estamos tratando sobre um ponto vital na comunicação missionária. Grande parte da força missionária que envolve-se com um grupo pouco evangelizado fora do nosso país necessitará, no mínimo, de aprender duas novas línguas: a primeira delas chamamos de 'básica' (inglês, francês, árabe etc) que será usada para se estabelecer em um novo país onde habita o grupo alvo. A segunda chamamos 'missiológica' e é justamente a língua ou dialeto do grupo alvo. Em muitas circunstâncias o grupo alvo pode usar mais de uma língua ou dialeto criando novas ramificações. Há portanto grande necessidade de investirmos a nível lingüístico-prático na formação de nossos obreiros transculturais: enfatizar um bom curso de aprendizagem de línguas; expô-los à uma segunda língua, desafiá-los a romper a barreira da adaptação lingüística, ensinar-lhes fonética, fonologia, morfologia e conceitos de tradução da Palavra, mesmo que informal e para transmissão verbal do evangelho. Enfim, dar-lhes as ferramentas. Do ponto de vista lingüístico há uma grande diferença entre o ideal missionário e a realidade missionária. Um exemplo pessoal. Quando chegamos em Gana fomos desafiados a trabalhar com um grupo conhecido como 'Konkombas' que, segundo os registros, falavam uma variação de 4 ou 5 dialetos. Chegando até eles e conhecendo-os de perto vemos hoje que 'Konkombas' é apenas uma expressão estrangeira sendo esta uma palavra totalmente desconhecida e sem sentido para a própria tribo. Também não são uma tribo mas algo que poderíamos chamar de 'Nação Tribal': um agrupamento de etnias irmãs sem concentração social mas com interesses comuns, onde são faladas 23 línguas e 64 dialetos diferentes, apenas dentre os grupos e sub grupos que conseguimos estudar. Nós hoje trabalhamos com 1 destes 23 grupos (que para facilitar a comunicação no Brasil continuamos a tratar como 'Konkombas') que se auto-entitula Bimonkpelnn onde são falados 9 diferentes dialetos, alguns tão distantes ao ponto de necessitarmos em média de três intérpretes a cada culto, apenas entre os 'Bimonkpelnn'. A realidade não romântica do campo força-nos a investir na formação lingüística de nossos obreiros pois as barreiras existem para serem ultrapassadas e foi-nos confiada esta tarefa. Conclusão É necessário avançar. Usar os instrumentos de instrução que o Senhor tem nos dado. Investir no entendimento antropológico cultural, conhecer a Palavra afim de propor um evangelho inteligível e estudar as línguas para que haja comunicação. Entretanto é necessário sempre lembrar que nenhum conhecimento acadêmico fala mais alto do que uma vida transformada. Que o caráter transpõe a habilidade. É preciso seguir Jesus.
Ronaldo Lidório

www.ronaldo.lidorio.com.br

terça-feira, 8 de abril de 2008

O Papel Estratégico de Brasileiros em Missões Transculturais


POR QUE O BRASIL e os BRASILEIROS
É crescentemente reconhecido pela igreja e pelos líderes missionários ao redor do mundo que os brasileiros possuem uma função chave para o desenvolvimento da evangelização mundial. Segue alguns pontos a serem considerados:
  • Espiritualmente: Com mais de 25 milhões de adeptos, a igreja evangélica brasileira é a terceira maior do mundo. É uma igreja jovem e pulsante.
  • Culturalmente: Brasileiros são pessoas relacionais, que geralmente possuem mais aspectos em comum com os povos não alcançados que as pessoas de lugares que tradicionalmente enviam missionários como Norte América e Europa.
  • Etnicamente: O Brasil é um país com grande diversidade étnica (com milhões de imigrantes do Oriente Médio, Japão, China, Portugal, Itália, Alemanha, Polônia, Ucrânia, Rússia, Letônia, etc.) o que ajuda a minimizar muitos obstáculos para os missionários brasileiros no campo missionário.
  • Historicamente: O Brasil nunca foi um colonizador em nenhum sentido da palavra, ao invés disso, foi colonizado, tendo isso em comum com muitas nações não alcançadas do mundo.
  • Politicamente: O Brasil é tradicionalmente um país neutro e causou poucas ofensas ao redor do mundo (ninguém queima a bandeira do Brasil no meio da rua,....exceto, talvez, a Alemanha, após a copa do mundo!!).
  • Economicamente: O Brasil está entre a oitava e décima maior economia do mundo e está cada vez mais forte.
  • Biblicamente: Nós devemos nos lembrar que Deus chamou todo o seu povo, Sua família global , não somente a igreja do ocidente, para levar Sua glória para as nações.
  • Para não esquecer: Os brasileiros são os melhores jogadores de futebol do mundo e o mundo adora futebol, “o esporte encantador”! Futebol, e várias outras coisas distintas ou unicamente brasileiras, que abrem portas de oportunidades em lugares onde os ocidentais não podem freqüentar livremente, ou não serão verdadeiros se forem.
A CCI-Brasil existe para ajudar a direcionar o foco dessa igreja jovem e pulsante em uma das nações mais necessitadas do mundo, especialmente os mulçumanos turcos, curdos e árabes.


Fonte:
Missão CCI Brasil

sábado, 5 de abril de 2008

Uma crente morreu de fome!


E eu com isso? Num município minúsculo e paupérrimo do sertão da Paraíba uma senhora morreu por causa da subnutrição aguda que lhe atingiu em conseqüência da ausência quase total de alimentação em sua casa. E isso foi divulgado amplamente como denuncia pela Juvep. Uma irmã de Curitiba, em estado de choque, querendo resposta que explicasse esse lamentável fato, já que se tratava de uma serva de Deus, nos escreveu buscando resposta(s).

Crentes morrem atropelados, vitimas de assalto, queda de avião, afogado, de câncer, falta de atendimento em hospitais públicos... Há até casos de raios que caem e matam servos de Deus.
... Alguns morrem de fome...

O que nos diferencia de um não crente, fundamentalmente é que temos a salvação e, por conseguinte vamos reinar de forma plena com o Senhor quando da sua vinda....

A irmã não pode ser considerada mártir. Ela não morreu conscientemente pela causa do evangelho, nem morreu por que confessava a Jesus como seu único salvador. Não foi vitima clara de perseguição religiosa. Ela morreu por causa da injustiça social, da corrupção que assola esse país, também da omissão de boa parte da igreja brasileira que repete e imita àqueles que controlam o poder econômico. Segmento egoísta, acumuladora de capitais, materialista e excessivamente consumista, contribuinte também e mantenedora da industria de supérfluos com etiquetas e design "belissimamente" impressionantes. Vitima de distorções teológicas, de pregações superficiais, atrofiadas ou cheias de acréscimos perniciosos ao evangelho, do pecado que assola de uma forma profunda, forte e brutal à sociedade brasileira. Igreja evangélica que é, em grande parte omissa, volúvel... dispersa, desunida, não sabe encarar seus defeitos com maturidade. Fragmenta-se em infidaveis pedaços. Pobre e frágil igreja evangélica nacional.

Quantos irmãos não estão desempregados, endividados, falidos, amordaçados, "amarrados", passando necessidades? As vezes membros de igrejas onde grande parte tem um poder aquisitivo de fazer inveja.

Algumas tendências no meio cristão afirmam que toda dificuldade financeira, miséria, fome é causada por pecado ou falta de fé individual (da vitima), a parte da sociedade detentora do poder financeiro alega que os pobres são pobres porque são preguiçosos. Isso é simplismo, fruto de mentes alienadas, um falso desencargo de consciência legitimador de um genocídio silencioso que assola a nossa nação.
Há muito mais injustiça, opressão, descaso e omissão em nosso meio.

Denunciemos, oremos, profetizemos.

Pedro Luis
Fonte: Missão JUVEP

quinta-feira, 3 de abril de 2008

NAVIOS MISSIONÁRIOS


O blog do repórter Joziel Alves (Revista Enfoque Gospel, entre outras publicações) traz uma excelente matéria sobre os Navios Missionários. Repleto de fotos e informações, o artigo relata a fundo a história dessa belíssima iniciativa missionária. Vale a pena você ler!
Clique no link abaixo para acessar a matéria:
http://ozielfalves.blogspot.com/2008/02/navios-missionrios.html#links

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