Paulo Bottrel
Quando se
rompe com a igreja, ou não se criam vínculos muito fortes, três grupos perdem
com isso. O primeiro é o próprio missionário, porque o missionário que
não vai realmente enviado pela sua igreja local, vai passar muita necessidade,
seja financeira, espiritual ou de outra sorte; não haverá cobertura. Quando a
igreja não envia o missionário, ele fica batendo de porta em porta, apresentando
o seu projeto. E o que eles precisam para ir para o campo? Precisam de muitos
mantenedores. Às vezes vão em 30 igrejas. Muitas nem recebem com carinho, outras
prometem que vão ajudar e às vezes ajudam com uma quantia muito pequena e
algumas prometem e depois nem ajudam mais. E quantos missionários estão lá no
campo e têm que voltar porque uma igreja cortou, de repente, o sustento porque
começaram a construir, por exemplo? O missionário que não é enviado por sua igreja
acaba ficando em último lugar nas prioridades de outras igrejas que, muitas
vezes, nem conhecem direito aquele missionário. A questão financeira é muito
estressante. Há muitos missionários que estão nesse modelo. Sofrem muito, sim,
com a questão financeira, com esse estresse de toda hora precisar voltar para
conseguir mais mantenedores. Esse é um exemplo de como o missionário perde.
Mas não é só
ele que perde. O grupo-alvo também perde. O povo, com o qual o
missionário está trabalhando. Isso porque quando o missionário vai como freelancer,
independente, o povo ganha apenas aquele missionário e, no máximo, a sua
família. Mas se o missionário vai realmente sustentado, apoiado de verdade pela
sua igreja local, que conhece os seus defeitos, suas qualidades, que está realmente
ligada a ele, o povo ganha uma igreja inteira.
Vemos isso acontecendo na IB Central. Em todas as férias há alguma
viagem missionária nas quais vão 40-60 pessoas.
Para onde
vão? Para onde estão nossos missionários. E ali, então, aquele povo-alvo recebe
médico, dentista, gente que vai trabalhar na área de agronomia, que vai ensinar
sobre microcrédito... E é impressionante como o povo é abençoado não só pelo
missionário, mas pela igreja daquele missionário. Por isso é algo muito mais
completo quando o missionário paga o preço de esperar o tempo certo para ser
realmente enviado pela sua igreja.
Mas ainda há
um terceiro grupo que perde quando o missionário rompe com a sua igreja local,
dizendo que a igreja não tem visão missionária. Qual é esse grupo? A própria igreja
local, naturalmente. Por que a igreja perde com isso? Porque exatamente
aquela pessoa incendiada por missões, que poderia incendiar a igreja toda, vai
embora. E então, quem é que vai passar essa chama para o restante da igreja se
o missionário rompe com ela? Mas quando o missionário paga um preço e espera a
igreja amadurecer na visão, porque ele a está alimentando com a visão
missionária, fomentando tudo isso que vimos acima, o que acontece? A igreja,
quando envia o missionário, sente que está indo juntamente com ele.
Ela se sente
parte daquela obra, e ela é realimentada constantemente com a visão
missionária. Então o pessoal da igreja vai numa viagem para visitar o seu
missionário e volta incendiado. Quem vai numa viagem missionária, mesmo de
curto prazo, em geral, nunca volta a mesma pessoa. E acaba então incendiando a
igreja. Não é incomum que muitos dos que participaram dessas viagens queiram
também ser missionários. Então, a igreja perde muito quando aqueles que têm o
ardor missionário resolvem romper com a igreja local.

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