sábado, 28 de março de 2026

As perdas preciosas – e evitáveis – quando o missionário rompe com sua igreja local

 


Paulo Bottrel

Quando se rompe com a igreja, ou não se criam vínculos muito fortes, três grupos perdem com isso. O primeiro é o próprio missionário, porque o missionário que não vai realmente enviado pela sua igreja local, vai passar muita necessidade, seja financeira, espiritual ou de outra sorte; não haverá cobertura. Quando a igreja não envia o missionário, ele fica batendo de porta em porta, apresentando o seu projeto. E o que eles precisam para ir para o campo? Precisam de muitos mantenedores. Às vezes vão em 30 igrejas. Muitas nem recebem com carinho, outras prometem que vão ajudar e às vezes ajudam com uma quantia muito pequena e algumas prometem e depois nem ajudam mais. E quantos missionários estão lá no campo e têm que voltar porque uma igreja cortou, de repente, o sustento porque começaram a construir, por exemplo? O missionário que não é enviado por sua igreja acaba ficando em último lugar nas prioridades de outras igrejas que, muitas vezes, nem conhecem direito aquele missionário. A questão financeira é muito estressante. Há muitos missionários que estão nesse modelo. Sofrem muito, sim, com a questão financeira, com esse estresse de toda hora precisar voltar para conseguir mais mantenedores. Esse é um exemplo de como o missionário perde.

Mas não é só ele que perde. O grupo-alvo também perde. O povo, com o qual o missionário está trabalhando. Isso porque quando o missionário vai como freelancer, independente, o povo ganha apenas aquele missionário e, no máximo, a sua família. Mas se o missionário vai realmente sustentado, apoiado de verdade pela sua igreja local, que conhece os seus defeitos, suas qualidades, que está realmente ligada a ele, o povo ganha uma igreja inteira.  Vemos isso acontecendo na IB Central. Em todas as férias há alguma viagem missionária nas quais vão 40-60 pessoas.

Para onde vão? Para onde estão nossos missionários. E ali, então, aquele povo-alvo recebe médico, dentista, gente que vai trabalhar na área de agronomia, que vai ensinar sobre microcrédito... E é impressionante como o povo é abençoado não só pelo missionário, mas pela igreja daquele missionário. Por isso é algo muito mais completo quando o missionário paga o preço de esperar o tempo certo para ser realmente enviado pela sua igreja.

Mas ainda há um terceiro grupo que perde quando o missionário rompe com a sua igreja local, dizendo que a igreja não tem visão missionária. Qual é esse grupo? A própria igreja local, naturalmente. Por que a igreja perde com isso? Porque exatamente aquela pessoa incendiada por missões, que poderia incendiar a igreja toda, vai embora. E então, quem é que vai passar essa chama para o restante da igreja se o missionário rompe com ela? Mas quando o missionário paga um preço e espera a igreja amadurecer na visão, porque ele a está alimentando com a visão missionária, fomentando tudo isso que vimos acima, o que acontece? A igreja, quando envia o missionário, sente que está indo juntamente com ele.

Ela se sente parte daquela obra, e ela é realimentada constantemente com a visão missionária. Então o pessoal da igreja vai numa viagem para visitar o seu missionário e volta incendiado. Quem vai numa viagem missionária, mesmo de curto prazo, em geral, nunca volta a mesma pessoa. E acaba então incendiando a igreja. Não é incomum que muitos dos que participaram dessas viagens queiram também ser missionários. Então, a igreja perde muito quando aqueles que têm o ardor missionário resolvem romper com a igreja local.


 Trecho do artigo Enviar e acolher: Duas faces do cuidado responsável e amoroso. In Gestão de Missões na Igreja Local (org. de Seir Vasconcelos; Descoberta, 2025).


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