sexta-feira, 25 de novembro de 2022
Oferte suas férias para a causa de Cristo
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
Missões Urbanas: Frases de Alan Basilio
Alan Basilio é um jovem pastor fluminense, atualmente sediado na cidade de Guaramirim - SC. Ele tem desenvolvido há anos um ministério prolífico de ação e pregação, capitaneando a Missão Raabe, que alcança moradores em situação de rua, prostitutas e outros invisibilizados. Alan tem ainda um trabalho focado no treinamento missionário para ações nas cidades. Publicou recentemente o livro A Justiça do Reino.
Facebook: https://www.facebook.com/alanbasiliorj
Aqui, reunimos um pouco das frases - edificantes e exortativas - do autor.
Quem faz das
ruas o seu púlpito, tem a cidade como igreja.
Os homens
querem uma igreja na cidade, Deus quer a cidade como igreja.
A cidade precisa de uma igreja espiritualmente ativa, humanamente sensível e socialmente missionaria.
A
igreja precisa ser pai e mãe dos órfãos da cidade.
A paternidade pregada dentro da igreja precisa ser para assumir os órfãos que estão pelas ruas da cidade.
Falar
de missão na cidade é falar de um Evangelho que atinge Nicodemos, Zaqueu, o
Gadareno e o cego a beira do caminho.
É
um Evangelho que desce ao gueto e entra no condomínio de luxo.
A
igreja não pode cometer o mesmo erro da sociedade.
A
sociedade esqueceu o morador de rua, a prostituta e o viciado, mas a igreja não
pode esquecer do rico, do empresário e nem do playboyzinho.
Igreja
não é lugar de encontrar Deus. Igreja é lugar onde aqueles que já encontraram
Deus se encontram. Deus mora nas RUAS com o que tem fome, frio e sede.
domingo, 30 de outubro de 2022
BRASIL: O Celeiro de Missões que não deu certo?
Raquel Elana
Enquanto reescrevo a conclusão deste livro (O Guia do Missionário), não posso deixar de mencionar o grande milagre que o Senhor nos concedeu ao libertar da prisão meu pastor de campo, Andrew Brunson. Ele passou 2 anos encarcerado numa prisão gelada da Turquia, acusado injustamente de terrorismo, depois de servir fielmente 23 anos nesta nação.
Durante
seu tempo no confinamento, Andrew conta que passou boa parte na solitária.
Foram dias de angústia e depressão em que muitas vezes pensou na morte. Tudo
começou a mudar, contudo, quando ele percebeu que através de sua prisão,
milhões de cristãos estavam orando por ele e pela Turquia. De fato, o que
aconteceu foi um movimento de oração global sem precedentes na História Moderna
da Igreja.
Pastor
Andrew conta que certo dia, enquanto falava com Deus, foi levado a orar por
duas nações: A China e o Brasil. Ele disse que enquanto orava pela China, a
palavra “Brasil” saía de sua boca e nem ele mesmo entendia por quê. Foi então
que percebeu que o Senhor deseja usar a Igreja Brasileira para a colheita no
Oriente Médio. Isto para ele foi uma visão muito clara.
Confesso
que a primeira vez que o ouvi falar sobre isso fiquei muito surpresa. Pensei
comigo mesma, por que Deus lembraria a um pastor americano encarcerado, do
Brasil?
Muitos
de nós ainda se lembram das profecias de um passado não muito distante onde se
dizia que o Brasil seria levantado como um Celeiro de Missões para o Mundo.
Você se lembra? Porém, depois de anos no campo, lutando com a escassez de obreiros,
especialmente que pudessem juntamente comigo ministrar na língua árabe,
desacreditei desta promessa.
Enquanto
tomávamos café, durante sua visita ao Brasil, perguntei ao Pastor: se a
promessa era verdadeira e se o Senhor estava nos lembrando desta Palavra, por
que os brasileiros não estavam indo ao campo? Qual era nosso problema? Ele
então disse: "Os brasileiros não estão dispostos a sacrificar': E eu
acrescentaria que este problema não inclui só os brasileiros. Na verdade, os
cristãos de hoje não estão dispostos a sacrificar, mesmo os que se dispõem ao
trabalho missionário.
Mesmo
na Missão, não estamos preparados para sacrificar. De forma voluntária, a
maioria não escolheria sacrificar sonhos, família e a própria vida para que o
Evangelho do Reino se torne conhecido entre os Não- -Alcançados. Mas esta mentalidade pode mudar. E como
os heróis da fé do passado, podemos continuar crendo que o Senhor fará cumprir
Sua Palavra, levantando a Igreja Brasileira num novo mover missionário.
Levantando você, vocacionado, candidato ou jovem missionário. Seja você
resposta do clamor do mundo. Posso dizer que para mim tem valido a pena, mesmo
em meio às dores e ao sofrimento. Vale a pena servir ao Senhor e ser parte
deste plano glorioso de redenção entre todas as famílias da terra.
Raquel Elana, no livro O Guia do Missionário - Um manual de sobrevivência para o campo missionário transcultural (Editora Descoberta). O livro pode ser adquirido diretamente com a autora (veja AQUI), e os lucros ajudarão na obra que ela realiza no Oriente Médio.
terça-feira, 18 de outubro de 2022
Programa Conversa de Missões - O universo missionário brasileiro em perspectiva
Apresentado por Sylvia Maia de Souza, o programa Conversa de Missões traz, a cada edição, algum tema de importância para a obra missionária da igreja de Cristo. Sempre contando com convidados especiais - missionários, missiólogos, pastores e outros - o universo de missionário abarcado pela igreja brasileira, no Brasil e no mundo, é posto em perspectiva.
Os programas vão ao ar às segundas-feiras, no horário das 20h. Com duração de 1h20 em média, já são mais de 120 programas disponíveis. Um verdadeiro tesouro de informação e edificação.
Conheça e se inscreva no canal: https://www.youtube.com/c/conversademiss%C3%B5es
Alguns programas para sua apreciação:
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Três poemas missionais de Sammis Reachers
Descalços
Andamos nossos passos
nazarenos
Numa comissão feita de
restaurações
De encontro ao abraço que
do alto sol
nos aquece com seu banho
morno
Somos luas nômades, vinte
séculos
De cisma e audácia
bordados:
Ágapes em busca de âmagos,
almas
Arautos de uma missão sem
centros
Nossa força nem é fé, nem
esperança
Apenas, mas estarmos
sempre confortáveis
No desconforto: rosas e
lótus e girassóis
De amor sempre indiviso,
sempre irisado.
A integralidade da missão
A vereda do arauto
É um mais que
solfejar esperanças.
É enfornar, cozinhar
e transportar os tijolos
empregados na construção
crística, ou seja, comunitária
de um abraço.
Ambrósio de Pádua, o Cão
Entrando em seus aposentos
- um catre e um Livro -
E cerrando sobre si o ferrolho,
O principal dos pecadores
Arrancava de seu corpo as vestes,
De seus ossos as honras da missão
Antes de inclinar seus joelhos
De pó até o pó, nu sobre o abismo:
Como pano ou ilusão quaisquer
Poderiam mascarar suas misérias?
Os poemas podem ser livremente compartilhados e republicados, sem necessidade de autorização do autor.
domingo, 25 de setembro de 2022
ALGUNS PRECEITOS PRINCIPAIS DE MISSIOLOGIA BÍBLICA
1. Deus deseja que toda pessoa e todo
povo sejam reconciliados com Ele.
2. O método principal de Deus no
mundo é a igreja local.
3. Deus já providenciou TODOS os recursos
necessários para as igrejas efetuarem obediência frutífera à Grande Comissão.
4. A diversidade cultural de hoje é
devido à maneira de Deus encher a terra. Ele mesmo criou a variedade de
línguas, e as usou para guiar pessoas juntas, e povos à parte.
5. TODA sociedade na terra é capaz de
entender e abraçar o evangelho em termos de seu próprio idioma cultural, e de
gozar a presença de igrejas bíblicas adaptadas ao ambiente cultural.
6. Toda comunicação é a troca de
símbolos. Os comunicadores transculturais devem, então, aprender a usar os
sistemas de símbolos em vigor no ambiente cultural onde divulgam o evangelho.
7. Deus gosta de se comunicar por
encarnação, isto é, por se integrar na população da qual Ele foi alienado.
Encarnação, então, é o nosso método de preferência para apresentar Cristo ao
mundo. Ele vive em nós, e se manifesta à medida que vivemos entre os povos.
8. O âmago da religião é agir na
VERDADE sobre DEUS, e não só melhorar o conforto dos ansiosos nem se harmonizar
com o ambiente hostil. O alvo da religião é a reconciliação com o Único Deus Verdadeiro.
Existem muitas religiões falsas.
9. Em algumas sociedades, decisões
importantes sio feitas individualmente. Mas em muitas sociedades, decisões
importantes se fazem coletivamente por discutir as questões até chegarem ao
consenso. Decisões comunais são válidas, e são ratificadas pelos indivíduos
envolvidos dentro da sociedade.
10. O objetivo do trabalho missionário
é a salvação de almas e o estabelecimento de novas igrejas, em vez do
melhoramento duma sociedade. Mesmo assim, a redenção e transformação de
cidadãos vai sempre melhorar a sociedade de dentro para fora. Nossa ajuda
compassiva, em nome de Cristo com os problemas sociais, pode despertar uma
consciência de precisar de Cristo. Tais esforços podem se desempenhar juntos.
11. Os missionários estrangeiros são
sempre o elemento temporário, de fora da vida das igrejas que eles estabelecem.
O propósito é descobrir e desenvolver a liderança dentro da sociedade para
dirigir as igrejas pelo longo prazo.
Do livro Missiologia: Mensageiros de Cristo para o Mundo.
terça-feira, 13 de setembro de 2022
Dica de leitura: O Guia do Missionário - Um manual de sobrevivência para o campo missionário transcultural
Prova da maturidade do movimento missionário brasileiro é a publicação de livros de instrução teórica e prática, baseados em estudos e EXPERIÊNCIAS de nossos autores, realizados nos mais diversos lugares do mundo. Isso demonstra que nosso esforço missional se retroalimenta, completando o ciclo de mobilização - preparo - envio - cuidado - manutenção. Autores-missionários como Jairo de Oliveira e Raquel Elana são a prova viva desta maturidade.
Nesta segunda edição (revista e ampliada) de seu O Guia do Missionário - Um manual de sobrevivência para o campo missionário transcultural, a missionária Raquel Elana, que possui graduações em Teologia e Jornalismo, além de larga experiência servindo em diversos países do Oriente Médio, oferece um completo panorama das etapas e processos sobre o preparo e a atuação missionária.
Escrito numa linguagem clara e direta, a autora apresenta dicas práticas e exemplos reais de como proceder (ou não) na jornada pré, intra e pós-campo. Embora um livro focado nas práticas, a autora não descuida dos assuntos da alma, e transcorre sobre problemas diversos que a missão transcultural pode apresentar para o missionário no seu trato individual e relacional. Uma leitura oportuna tanto para vocacionados quanto para missionários já em atuação, além de pastores, mobilizadores e qualquer cristão que entenda que a obra missionária é obrigação de todos, seja como enviadores, mantenedores ou missionários de apoio ou de campo.
Dois trechos do livro, sobre chamado, mobilização e mantenedores:
"O chamado de Deus sobre você é o que o capacita a desafiar, na unção do Espírito, igrejas e multidões à obra missionária. Exercite sua fé e creia que Aquele que chama é o mesmo que providencia. Não perca seu tempo amargurado ou transferindo responsabilidades. Trabalhe e lute pelo cumprimento da promessa de Deus em sua vida. A responsabilidade final é sua e não das igrejas, organizações o quem quer que seja."
"Missionário: Antes que você se levante convidando amigos e igreja
para que se disponham a sustentá-lo na oração, ore. Primeiramente, ore para que
Deus levante as pessoas certas. Depois disto torne-se um intercessor (ou
intercessora) em favor de cada um deles. Assim, através do seu clamor, o
Espírito Santo manterá a chama acesa no coração deles e fará além daquilo que
você possa imaginar. Uns poderão ser chamados ao ministério e outros ainda
poderão enviar recursos."
O livro possui 272 páginas, e foi publicado pela Editora Descoberta. Pode ser adquirido no site da editora, CLICANDO AQUI.
sábado, 3 de setembro de 2022
Informações para Missões - Conferência Virtual
Informações para Missões - Mission Information Workers
Conferência virtual
Na semana de 19 a 22 de setembro de 2022, todos os dias, das 10h às 12h de Brasília, a Comunidade Global de Informações para Missões (CMIW), o Harvest Information Standards (HIS) e a Rede Lausanne de Pesquisa e Informação Estratégica estarão patrocinando uma conferência virtual. O objetivo da conferência é:
Acelerar o desenvolvimento da comunidade de informações para missões (individualmente e em conjunto) fazendo contribuições debaixo de oração, com coração piedoso, respeitosas, cruciais e amplamente compreendidas para a missão da igreja de Deus na próxima década ou mais.
A conferência abordará vários temas, tais como:
1. Treinamento e Capacitação
2. A Iniciativa de Dados Globais
3. Lausanne 4
4. Comissão de Missão da WEA
5. Padrões de dados sobre a Seara pelo HIS
6. Os Surdos e as Informações para missões
Teremos tradução em português. Participe! Faça sua inscrição: https://bit.ly/3Tad71l
terça-feira, 23 de agosto de 2022
A Escória da Sociedade Evangélica Brasileira do Século XXI
D. Botelho
"Vocês já têm tudo o que querem! Já se tornaram ricos! Chegaram a ser reis — e sem nós! Como eu gostaria que vocês realmente fossem reis, para que nós também reinássemos com vocês! Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte. Temo-nos tornado um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados!
Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo". Apóstolo Paulo
Em
termos sintéticos podemos afirmar com muita convicção que o missionário
brasileiro transcultural é a escória da sociedade evangélica.
Neste
momento de grande frustração, desilusão e decepção, desejamos tornar público o
nosso desabafo, será que temos direito a isso?.
Cremos
que seriam necessários mais apologistas para defender esta classe que é
esquecida, desprezada, ignorada, menosprezada e por que não dizer que é até
mesmo rejeitada.
Não
nos foi implorado para fazer tal declaração, mas diante da crua realidade vista
em nossa pátria, nesta conjuntura, há uma demanda intrínseca em nossas vidas
que não pode se emudecer diante dos fatos aqui relatados.
É
verdade que há alguns raros privilegiados, apoiados por igrejas e pastores
sérios que amam a causa missionária.
Mas
são exceção.
O
que quero chamar a atenção aqui é para a maioria humilhada, sofrida, resignada
e distinta categoria de milhares de missionários que, embora imprescindíveis
para a expansão do reino de Deus na terra, hoje é desprezada e abandonada.
O que é um missionário transcultural?
É aquele que trabalha com outra cultura diferente da sua.
Ele
não precisa ir para outro país para ser incluído em tal classificação, pode
trabalhar com povos indígenas, que possui mais de 100 tribos sem nenhum
obreiro, ou outras etnias: bolivianos, chineses, árabes, japoneses ou haitianos
que moram aqui.
Ele
não precisa aprender outra língua para ter tal ministério, pois pode trabalhar
em Guiné Bissau, Angola, Moçambique ou Portugal, países que têm culturas
totalmente diferentes da nossa.
Infelizmente,
desvirtuaram o termo "missionário" nos dias de hoje no contexto
brasileiro.
Missionário
é o tele-evangelista, a esposa do pastor, o obreiro de obra social, o líder de
alguma congregação ou de um grupo de oração.
Cremos
que foi por isso que os missiólogos brasileiros cunharam um novo termo,
"missionário transcultural", para definir a classe esquecida,
menosprezada e rejeitada e que precisa do nosso amor.
Ele
deve receber o nosso carinho e apoio tanto quando estão nos campos como quando
retornam à pátria. Devemos recebê-lo com muito apreço em nossos lares e
igrejas, pois a Bíblia diz que alguns sem saber receberam anjos.
Este
grupo de servos dedicados tem pago um alto preço, pois deixa família, amigos,
irmãos, língua, cultura e país para se embrenhar em lugares difíceis e
inóspitos para levar a mensagem de esperança, alegria e salvação, até mesmo
disponilizar a bíblia na língua do povo.
Eles
podem e devem figurar na lista do escritor aos Hebreus que os inclui na
classificação daqueles de quem o mundo não era digno deles.
Por que mencionamos e o classificamos como escória?
Por
definição, escória é a bolha, borra ou resíduo áspero proveniente da combustão
de certas matérias e que para nada servem a não ser lixo, portanto, a escória
representa o lixo de uma sociedade.
Talvez
você questione: não seria um exagero considerar o “missionário transcultural”
como escória da sociedade evangélica brasileira?
Contra
fatos não há argumentos, então vejamos alguns deles expostos:
1 – Raramente, os pais cristãos brasileiros, desejam para seus filhos a carreira ministerial de missionário, pois subsiste a ideia, segundo Tonica, uma catedrática de missões, de que o missionário é “mártir, mendigo e maluco”.
Poderíamos
acrescentar ainda que muitos o consideram um ignorante. Alguns líderes
contestam o investimento no projeto REGIÃO, que contempla a graduação e pós
graduação universitária como estratégia para evangelizar os estudantes em
países "restritos".
2
- Quando alguém escolhe a carreira ministerial, é enfaticamente desencorajado
pela maioria dos pastores, amigos crentes e familiares. Imediatamente, os mais
próximos mostram outras áreas onde ele possa servir, normalmente dentro da
igreja local. Se ele persistir na visão transcultural não encontrará o apoio
necessário para que possa prosseguir no ministério, isso ocasiona muitas
desistências. Essa ideia é do tempo do Egito antigo onde o faraó disse que não
deveria adorar aqui e quando o povo insistiu sair sua resposta foi que não
deveria ir longe.
3 – Persiste a ideia de que o missionário é um ET ao escolher tal carreira, pois ele vai para os lugares que ocorrem desastres, fomes, pestes, desgraças, calamidade e onde o povo é oprimido. A maioria dos crentes foge de tais situações desconfortáveis. Há motivos para lhe ser impingido tal estereótipo, pois os desafios os motiva para ir aos lugares e situações mais perigosas, age como uma andorinha na expectativa de reverter os quadros tristes.
O apóstolo Paulo ao ver a fome que assolava a igreja na Judeia rodou o mundo da época para sanear tal situação, além de ir aos lugares mais difíceis e perigosos.
Jesus
ao ver a multidão sofredora chorou! Esse sentimento de compaixão é inerente à
vida do missionário.
4
- Os motivos para não investir no missionário são os mais diversos: alguns
consideram a causa missionária como uma “loucura”; outros acham que o
missionário é um “preguiçoso que não trabalha”; tem gente que acha que ser
missionário é viver passeando devido a necessidade de se deslocar para diversos
lugares levando a mensagem; há ainda os que questionam o fato de um missionário
não pastorear igrejas, esquecem que ele é um desbravador ou pioneiro e que,
muitas vezes, o pastoreio pode não ser a vontade de Deus para ele.
5 – Outra imagem persistente é a do missionário como um coitado a quem qualquer coisa serve e come qualquer coisa, aquele que ganha roupas e sapatos usados; que não pode possuir um carro novo e uma casa própria. Tal estigma contribui para justificar o não investimento em Missões. Muitos irmãos acreditam que o missionário não precisa de um bom sustento, pode passar fome e até morrer no campo, e não sentem nenhum remorso por pensar assim.
A
realidade mostra que a média de investimento do crente brasileiro é de um
vergonhoso valor de R$ 1,66 anual e que cerca de 99% da igreja brasileira não
possui um missionário transcultural.
6
- Muitos pastores são sinceros e dizem que não querem que o missionário
compartilhe suas experiências com a igreja, porque julgam o missionário como
alguém em busca de dinheiro e não como alguém em busca de uma oportunidade para
compartilhar o poder do Evangelho para salvar o pecador mais renitente.
7 - A prosperidade do Brasil, que está entre uma das 10 maiores economia mundial, levou a maioria dos crentes a um “anestesiamento” a ponto de não querer ouvir os relatos dos campos. Um missionário na Indonésia, maior país muçulmano, com 768 línguas e culturas em 17.000 ilhas, nos disse que a maioria das pessoas lhe dá somente dois minutos para compartilhar suas experiências, mesmo sendo uma pessoa dinâmica e bem preparada.
Sabemos
que o que tem motivado muitos crentes no momento é a marca do carro, o
apartamento ou a casa a serem adquiridos; o curso a ser feito ou o lugar das
próximas férias. A maioria dos evangélicos e líderes está tão centrada em si
mesma que não se interessa nem em ouvir os relatos dos campos.
8
- O crescimento astronômico das igrejas no Brasil e a prosperidade da nação
levaram a um aumento na arrecadação das mega igrejas. Esta grande entrada de
dinheiro nas igrejas leva alguns pastores presidentes a receber valores
abusivos de 200 salários mínimos mensais, adquirir carros importados, mansões,
fazendas, jatinhos e helicópteros.
Será
que isso ocorreu por causa da grande influência da "Teologia da
Prosperidade" e do pensamento egoísta que não contempla o coração generoso
de servir ao Senhor com os bens que foram entregues por Ele para expansão do
Seu Reino na terra e abençoar os menos privilegiados?
9
- O quadro econômico atual mostra que, em alguns anos, o valor do salário
mínimo, saltou de US$ 75 para US$ 200, mas que antes do aumento chegou US$ 300.
Isso poderia ter levado a quadruplicar o número de missionários, mas não foi o
que ocorreu.
As
estatísticas revelam que no final dos anos 80 havia um crescimento de 12,8% no
envio de missionários, mas que em meados da década passada esse percentual caiu
para 3,5%.
Qual
é a realidade no momento?
Pouquíssimas
igrejas sustentam integralmente um missionário, a maioria depende do apoio de
diversas igrejas e pessoas, o que ocasiona um outro problema: quando volta do
campo para descansar, o missionário ainda tem o trabalho estafante de visitar a
todos para manter o sustento.
Alguns
chegam a ter o sustento cortado quando estão de volta à sua pátria. Até líderes
de missões super dimensionaram as estatísticas acrescentando na lista de
missionários transculturais os que trabalham no sertão, ribeirinhos e outros
não transculturais. Uma lástima!
10
- Para cada grupo de 100.000 crentes brasileiros temos um missionário
transcultural na Janela 10-40, região onde se encontra 95% dos povos não
alcançados da terra. 99% das igrejas no Brasil não tem um missionário
transcultural.
O
contraste é visto na igreja moraviana do século XVIII, que não tinha os mesmos
recursos financeiros, informações e meios tecnológicos como avião, internet,
TV, carros, computadores, mas havia um missionário para cada 12 membros.
O
que os diferenciava é que possuíam uma paixão e compaixão inatas.
Eles
chegaram aos cinco continentes e o exemplo deles nunca mais foi repetido na
história.
As
palavras a seguir foram proferidas pelo apóstolo Paulo em continuação ao texto
bíblico inicial registrado em 1 Corinthians capítulo quatro da NVI.
"Não
estou tentando envergonhá-los ao escrever estas coisas, mas procuro
adverti-los, como a meus filhos amados".
Que o Senhor ajude a igreja e os líderes a reconhecer e valorizar o ministério transcultural! Que aqueles que verdadeiramente amam ao Senhor possam investir na formação, envio e cuidado dos missionários!
Que
o estigma aqui exposto possa ser mudado para que o término da tarefa da
evangelização mundial possa ser realizado ainda nesta geração!
No
amor do Senhor das nações,
D. Botelho
sexta-feira, 12 de agosto de 2022
Cooperação e Missões - Barbara Burns
Barbara Helen Burns - https://barbaraburns.com.br/
II Congresso Brasileiro de Missões
9-13 de novembro de 1998
Perguntas Para Discussão: 1) Por que falar de cooperação? 2) Quais as desvantagens de Cooperação? 3) Quais as vantagens?
Introdução
- “O futuro de missões está baseado na formação de redes internacionais mais do que em organizações multinacionais. Redes edificam pessoas, não programas; enfatizam parceria e espírito de servo, não hieraquia; edifica a igreja local, não prejudica-a” (Paul Hiebert, em Kraakavik e Welliver, sd, p. xiii)
- “Cooperação Interdependente”
- Como nunca na história da Igreja Evangélica no Brasil havia cooperação como dentro do movimento missionário (consultas, conversas, amizade, projetos).
Por que Cooperar em Missões
- Razões Bíblicas (Ef 4 e 2 Fp 2, Rm 12, 1 Cor 12, Salmo 133, João 17)
- Mais riqueza de idéias – criatividade
- Cada um pode enfatizar o trabalho na área forte, no dom dele
- Compartilhar recursos
- Nenhuma organização pode fazer tudo. Preenchimento da faltas dos outros
- Menos erros – um corrige o outro (Provérbios)
- Evita duplicação e competição
- É a razão da AMTB, APMB e ACMI – construção de um forum onde há ajuda mútua e troca de idéias e recursos. APMB: apostilas, idéias, crescimento do conhecimento, artigos, consultas)
- Exemplos:
1. Mongólia – 100 anos atrás 50 missionários foram martirizados. Em 1991 tinha 2 – 3 agências trabalhando. Hoje há 35 ministérios de mais que 10 nações. Já publicaram o NT, traduziram e mostraram o filme Jesus para milhares, há rádio e televisão e 10-12,000 pessoas assistindo cultos em mais que 30 igrejas evangélicas (Phil Butler, 1996:29).
2. Ahmed, no norte da África, ouviu programa de rádio. Escreveu, pedindo curso por correspondência. Outra missão foi alertada, e começou enviar o material. Eles alertaram outra missão, que enviou alguem pessoalmente para levar Ahmed à salvação. Depois Ahmed foi para uma escola bíblica noturna em uma outra cidade, de outra missão ainda, e agora está trabalhando em uma igreja começada por uma ainda outra missão! (Phil Butler, 1993:2)
Com Quem Cooperar em Missões?
No Brasil
1. Igrejas
1.1 Igreja – Igreja: precisa de reunir recursos para o sustento; Conferências (ex. 1ª de Santo André); PAM;
1.2 Igrejas – Escolas: No preparo, o básico acontece na igreja, mas a escola é necessária para um contacto mais profundo e mais abrangente da teologia e da especialização em missiologia.
1.3 Igrejas – Agências: Se cada igreja enviasse seus próprios missionários, seria uma confusão só! A igreja necessita do conhecimento e das ferramentas da Agência em l) saber mais sobre qualificações do missionário, 2) burocracia do envio e 3) coordenação e supervisão do trabalho no campo. A igreja deve enviar pessoas adequadas – sem mentir no formulário ou nas conversas sobre a pessoa!
2. Escolas
2.1 Escolas – Escolas: podem montar programas em que cada uma oferece uma especialidade. Pode oferecer cursos de reciclagem e especialização de curto prazo. Pode enviar professores para outras escolas (no campo também) para ajudar. Pode deixar o seu material didático disponível para outras escolas e professores.
2.2 Escolas – Igrejas: A escola necessita da igreja. Somente a igreja pode trabalhar o caráter, o ministério, o desenvolvimento dos dons da pessoa. Deve ter um constante contato com as igrejas dos alunos, para dar relatórios, planejar currículo e experiências práticas,
2.3 Escolas – Agências: A escola deve deixar espaço para as agências poderem apresentar seus desafios. Devem consultar as agências para decisões curriculares e objetivos e direções no preparo. A escola deve ter em mente a finalidade do treinamento – o campo através da agência.
3. Agências
3.1 Agência – Igreja: A agência nunca deve se desligar da igreja. O candidato e a agência precisam da base eclesiástica e da comunidade e apoio e amor da igreja. Aceitação do candidato deve ter pleno apoio da igreja local. Decisões sobre os candidatos e os missionários no campo devem ser feitas em conjunto, não isoladas. A agência deve ajudar a igreja a entender a realidade e as necessidades do campo. Necessita de diálogo, conhecimento pessoal, aperfeiçoamento.
3.2 Agência – Escola: A agência deve consultar a escola sobre o nível do candidato. A agência não deve tentar treinar o candidato sozinha. Há muitos recursos de estudo teológico e missiológico no Brasil para cada agência missionária tentar fazer tudo isoladamente! Ou enviar pessoas sem nenhum estudo formal… Deve abrir oportunidades de estágios.
3.3 Agência – Agência: É importante, pois nossas agências não são tão desenvolvidas ainda para serem independentes. Devemos ter projetos em comum, alcançar povos com estratégias cooperativas, ajudar os missionários de outras agências com visitas e ministério pastoral e socorro em casos de emergência.
No Campo
1. Exemplo negativo da Rússia
2. Do ponto de vista do nacional, quando cada um faz separado.
3. Muitas possibilidades: Missão – Igreja Nacional; Missionários – Nacionais; Várias agências com projetos em comum; Missionários de várias agências (isto acontece mesmo..); Agências internacionais, com pessoas trabalhando juntas que vêm de muitas nacionalidades. A necessidade de identificação e contextualização nos relacionamentos e trabalho.
4. Servir os outros
5. Tudo isso requer HUMILDADE e ESPÍRITO DE SERVO.
Como Cooperar em Missões: pontos práticos
1. Dicas dadas em página xiii em Partners (veja Bibliografia)
2. Reuniões
3. Textos, currículos, programas, descobertas
4. Recursos financeiros
Critérios de Cooperação
1. Não é cooperação apenas para dizer que coopera.
2. Exige planejamento e esforço
3. Deve ter os mesmos alvos – um projeto em comum.
4. Os alvos devem ser realistas.
5. Devem ser biblicamente compatíveis (vamos mandar ou apoiar pessoas ou projetos que não vão contribuir para o Reino de Deus?)
6. Não é para uma organização “engolir” outra, mas fortalecer uma a outra.
7. Não deve minimizar ou ignorar diferenças.
Portanto é necessário:
1. Alvos Definidos
2. Organização e administração planejado e concordado
3. Papeis de cada parte definidos
4. Humildade e apoio mútuo
Bibliografia
BURNS, Barbara. “O Desenvolvimento do Currículo Missiológico Brasileiro.” Capacitando para Missões Transculturais, Nº 6, 1998, pp 9-10.
BUTLER, Phil. “An Open Letter to North America’s Mission Agency Leadership” e “Do Strategic Partnerships Really Make a Difference: Case Studies in Partnership With Some Remarkable Outcomes”. Mission Frontiers, v. 18, Nº 9-10 (September-October 1996) pp. 26-30.


















