sábado, 19 de agosto de 2017

Curso Go Equipped (Fazedores de Tendas) em Belo Horizonte


O curso Go Equipped é designado para estudantes, empresários, profissionais que desejam alcançar as nações. É também indicado para qualquer pessoa que queira saber mais sobre o assunto. O curso têm foco transcultural mas é também valioso se você planeja trabalhar em seu país de origem. Pessoas de mais de 50 países já participaram deste curso. Eles foram para mais de 80 nações para viverem como embaixadores de Cristo. O curso foi desenvolvido em colaboração entre a Global Opportunities e a Tent e oferece capacitação em temas que são essenciais para todo cristão, incluindo áreas como:
1) As bases bíblicas para ser um Fazedor de Tendas (Tentmaker); 2) Análise do mercado de trabalho internacional; 3) Como conseguir emprego em outro país; 4)Hospitalidade e evangelismo; 5) Negócios como Missões; 6) Como desenvolver um estudo bíblico na sua casa; 7) Permanecendo focado e evitando as armadilhas da expatriação; 8) Disciplinas .

Para maiores informações, acesse: http://www.goequipped.org

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Irmã Doraci, Missionária e Mártir


Ulrico Sperb
Na terça-feira, dia 24 de fevereiro de 2004, a IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) foi atingida pela notícia do assassinato da Irmã Doraci Julita Edinger, em Nampula, capital da Província de Nampula, no Norte de Moçambique.
A Irmã Doraci foi encontrada morta no seu apartamento em Nampula, assassinada. A morte ocorrera dias antes, pois foram os vizinhos que deram o alerta, por causa do mau cheiro. Ficou provado que ela foi morta no sábado, dia 21 de fevereiro de 2004.
Irmã Doraci foi diaconisa da IECLB e estava em Moçambique desde 1998. Apesar de grandes dificuldades, realizou um belo trabalho, conquistando as comunidades.
Sua atuação aconteceu em aldeias da cidade de Morna, onde ajudou a edificar nove comunidades. Ela realizava estudos bíblicos, cuidava da área da saúde e da alimentação. Sob sua liderança, foram construídos quatro poços comunitários, diversas igrejas e escolas, e também foram plantados pés de caju, visando à manutenção das comunidades.
A conversão do rei
Na primeira visita que fiz à Irmã Doraci, enquanto viajávamos de Nampula para as aldeias, ela me contou o seguinte fato:
— Aqui, todas as aldeias têm um rei. Esta é uma tradição que vem de antes da colonização portuguesa. A tradução da palavra na língua deles — o macua —para o português, do líder da aldeia é rei. Os portugueses não respeitavam muito esta tradição e colocavam líderes próprios, mas os macuas continuaram com a sua tradição. Quando eu estive uma vez na aldeia de Chalaua me pediram para visitar o rei, que estava muito doente. Enquanto íamos à sua choupana me pediram:
— Irmã, o rei não é cristão. Por isso a senhora não pode rezar com ele.
— Sempre que eu faço uma visita, respondi, eu oro com a pessoa ou por ela. Nós já vamos ver o que vai acontecer.
De fato, o rei estava muito doente, deitado numa esteira no chão batido da sua choupana. Procurei na minha maleta de remédios o que poderia lhe dar. Expliquei bem à sua mulher tudo que tinha que fazer e me ajoelhei junto a ele e fiz uma oração. Quando voltei dois meses depois a Chalaua ele veio ao meu encontro, ainda fraco e apoiado em um pedaço de taquara e me disse:
— Irmã, eu quero ser batizado e fazer parte da sua Igreja.
Eu ensinei doutrina para ele, o pastor o batizou e hoje ele faz parte do nosso Conselho.
Este foi o relato da Irmã Doraci. Na ocasião conheci o rei de Chalaua.
O batismo de centenas
Em fevereiro de 2002, pessoas de uma aldeia da província vizinha — Cabo Delgado — solicitaram a presença da Irmã Doraci, cuja fama já chegara àquela região. Em algumas aldeias de lá, ela criou diversas congregações. Ajudou o povo na aquisição de instrumentos agrícolas (pás, enxadas, etc.). Ensinou o Evangelho de Jesus Cristo. Em novembro daquele ano, um pastor foi para aquelas aldeias e num fim de semana foram batizadas mais de oitocentas pessoas.
Doraci - Diaconisa e Missionária
Com a atuação de Irmã Doraci, a pequena Igreja Evangélica Luterana em Moçambique literalmente duplicou de membros, ou seja, chegou a ter mais de três mil pessoas afiliadas.
Quando estive com ela nas aldeias de Moma, pude constatar o quanto ela era amada por aquele povo simples e sofrido. Até as autoridades locais me testemunharam que a qualidade de vida havia melhorado com os serviços que ela estava prestando.
A Irmã Doraci, em 2001, compartilhou suas atividades em Moçambique num dos cultos de sábado à noite, em nossa Igreja da Reconciliação, da Paróquia Matriz em Porto Alegre. Naquela época foi realizada uma coleta e uma rifa em favor do seu trabalho (uma mulher doou uma aliança de esmeraldas e outra, um álbum artesanal). Numa das visitas que lhe fiz levei o dinheiro (convertido em dólares), para que ela o usasse na aquisição de medicamentos. Como em tudo que fazia, ela nos prestou contas dos gastos desta verba.
Todo o trabalho da Irmã Doraci era mantido pela IECLB. A Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos ajudava nos projetos maiores, como a construção dos poços.
A tragédia da sua morte torna a Irmã Doraci mártir de nossa Igreja. Devido às circunstâncias locais, difíceis e perigosas, podemos dizer que ela concretizou a palavra de Jesus Cristo, em João 15.13: Ninguém tem amor maior do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.
O autor é Pastor da IECLB e reside em Porto Alegre/RS

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Encontro Missionário da Língua Portuguesa em São Paulo



LOCAL: Rua Onze de Junho, 312, Centro, Santo André - SP, 09015-520, Brasil


Cremos a prioridade missionária da Igreja Brasileira são os grupos minoritários no Brasil, os países de língua portuguesa e seus cidadãos dispersos pelo mundo. Por isso vamos realizar o Segundo Encontro Missionário da Língua Portuguesa nos dias 15 e 16 de setembro em Santo André - SP. Faça agora a sua inscrição preenchendo o formulário on-line em Para inscrição gratuita preencha o formulário em:

Para maiores informações, acesse: 


ENTRADA GRATUITA

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Pastor e missionário Joed Venturini lança livro com seus contos reunidos



Além de pastor, missionário e médico, Joed Venturini é um escritor com diversos títulos na área de Missões, além de dois romances evangélicos. Neste e-book reunimos alguns de seus contos, cujos enredos vão dos tempos bíblicos a Portugal, Brasil e Guiné Bissau. Um passeio pitoresco pela lusofonia, em histórias e estórias sempre baseadas em alguma lição das Escrituras.
Chamo a atenção para o último conto do livro, O Sonho de Demba, que narra uma emocionante história de teor missionário ocorrida na Guiné Bissau (onde Joed foi por muitos anos missionário). Além de bela, pode ser usada na promoção missionária, com adultos, jovens e mesmo crianças.
O livro é gratuito.

Para baixar o e-book pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o e-book pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar o e-book pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.

Para baixar o e-book pelo site Slideshare, CLIQUE AQUI.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Curso de aquisição de línguas para missionários em SP


Agora em agosto será oferecido, em São Paulo, o curso de Aquisição de Línguas, com o professor, missionário há mais de 30 anos entre os Arara, no Pará, Isaac Costa (ALEM). Como o curso é uma parceria da APMT com a Universidade Mackenzie, o aluno recebe o certificado da UPM. 50 horas/aula. O valor é o mesmo há 3 anos: 231 reais. Ferramenta excelente para missionários que precisam aprender outras línguas.




domingo, 23 de julho de 2017

‘Todos os Povos Te Louvem’ será realizado pela primeira vez no Rio


‘Todos os Povos Te Louvem’ será
realizado pela primeira vez no Rio
Evento contará com shows de Laura Souguellis e Lorena Chaves

O Grupo Povos e Línguas está na contagem regressiva para a 8ª edição de um dos maiores eventos de mobilização missionária da Igreja no Brasil – o ‘Todos os Povos Te Louvem’. O encontro está marcado para os dias 27, 28 e 29 de julho, em Campos dos Goytacazes. Pela primeira vez no estado do Rio de Janeiro, o projeto acontece como fruto de uma parceria entre o Grupo e a Igreja Batista Eldorado que está oferecendo toda infraestrutura e apoio logístico. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 2 mil pessoas nos três dias de evento.
Na programação estão shows, palestras, workshops, dinâmicas e testemunhos de missionários sobre a realidade e os desafios de evangelização no Brasil (sertão nordestino), Europa e Ásia (Tailândia). Entre os preletores estão pastor Estevam Fernandes, da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, e a missionária Marina Burgueño, da Missão Alma da Espanha. Já a música fica por conta de Vinícius Zulato (Igreja Batista da Lagoinha e líder do Ministério Cristo Vivo), Laura Souguellis e Lorena Chaves.
De acordo com o pastor titular da Igreja Batista Eldorado, Fernando Trindade, toda a igreja está feliz em participar e ser anfitriã desse primeiro encontro missionário no estado do Rio. “Estamos de braços abertos para receber todo o Brasil, em especial a população do nosso estado. Esse será um momento importante e muito bonito de unidade entre as igrejas para a cidade de Campos. Estamos contando os dias para o congresso que será uma linha divisória em todo entendimento e revelação que temos recebido do Senhor para vivermos a perspectiva de Atos dos Apóstolos 1,8”, comenta Trindade.
Segundo o mobilizador do Grupo Povos e Línguas, Breno Vieitas, o momento é de muito trabalho e expectativa. “Pensamos carinhosamente em cada detalhe do evento, desde os cantores e preletores até a equipe envolvida no projeto. Deus está direcionando tudo e estamos muito felizes por realizar o ‘Todos os Povos Te Louvem’ pela primeira vez no estado do Rio. E paralelo ao encontro, promoveremos um treinamento de missões para os pastores – o SIMI (Sistema de Implantação de Missões para Igrejas)”, conta Breno.
Ainda, de acordo com Vieitas, estão previstas mais três edições do evento para esse ano. “Ainda estamos articulando, mas a ideia é promover o encontro missionário no Rio de Janeiro, em São Paulo e Salvador (BA). E realizar pelo menos uma edição em cada região do país nos próximos anos”, afirma Breno, ao comentar que a mobilização missionária acontece desde 2014 e já passou por Belo Horizonte (MG), Vila Velha (ES) e João Pessoa (PB).

Inscrição – Podem participar adolescentes, jovens e adultos cristãos e qualquer pessoa que se interesse por missões. A taxa de inscrição única no valor de R$ 30,00 (trinta reais) vale para os três dias e será revertida para causa missionária.
Para se inscrever é necessário acessar o site www.povoselinguas.com e clicar no banner do evento. Ou acessar direto o link de inscrição que é https://www.e-inscricao.com/povoselinguas/todosospovostelouvemrj

Endereço – A Igreja Batista Eldorado fica na Rua Manoel Rabello, nº 77, Parque Eldorado. Campos dos Goytacazes (RJ). Mais informações pelo telefone (22) 2733-5457.

Grupo Povos e Línguas – O grupo surgiu em 2013 a partir de conversas entre pastores, músicos, missionários e líderes envolvidos com o movimento missionário brasileiro que viram a necessidade da Igreja ter um núcleo estratégico desenvolvedor, mobilizador e fomentador de ações missionárias no país. O Grupo atua como um movimento interdenominacional com o papel de mobilizar pastores para o envio de missionários a partir da igreja local. Para isso, o Povos e Línguas utiliza diferentes ferramentas de comunicação e mobilização, como o Todos os Povos Te Louvem e o SIMI, com o objetivo de capacitar e apoiar igrejas, missionários e todos os cristãos que desejam participar da Grande Comissão chamada por Jesus há mais de dois mil anos. Tal chamado pode ser lido em Mateus 28,19-20 quando Jesus diz: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”.

Estevam Fernandes – Pastor da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, com 35 anos de experiência pastoral. Graduado em Teologia, História, Psicologia e Administração. É mestre em Sociologia da Religião e doutor em Sociologia pela UFPB. Palestrante em vários congressos regionais, nacionais e internacionais nas áreas de liderança, crescimento de igrejas e famílias.

Marina Burgueño - Natural de Sevilha, na Espanha. É missionária da Missão Alma da Espanha, trabalha junto à Fundação Paixão e Compromisso. Atualmente atua com mobilização missionária para plantação de novas igrejas nos pueblos espanhóis onde não possuem presença evangélica. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A amizade que nos leva até os confins da Terra


“…mas tenho-vos chamado de amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.” Jo 15: 15
A amizade de Deus é algo que toda a Igreja de Cristo deveria ansiar. Quando você é amigo de alguém, você participa daquilo que é importante para ele, seja na tristeza ou na alegria, na saúde ou na doença, na fartura ou na escassez. Você simplesmente compartilha da vida e dos sonhos deste grande companheiro de caminhada. Com o Senhor Jesus, não deve ser diferente. Precisamos não só aprender com Ele, e obedecê-lO, mas também participar dos seus sonhos nesta terra.
A Palavra do Senhor nos mostra que Ele tem uma missão: que o evangelho chegue a todas as etnias deste mundo. No livro do profeta Isaías, no capítulo 49, versículo 6, podemos observar um pouco deste desejo de Deus ao falar sobre Cristo: “…também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra.”
É interessante notar que o último discurso de Jesus registrado no livro de Atos 1: 8 revela que o poder do Espírito Santo viria sobre os que ali estavam e que estes seriam testemunhas das palavras de Jesus até os confins da terra. Por fim, não podemos nos esquecer das palavras de Jesus enviando a igreja para pregar as boas novas a toda criatura: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo…” Mc 16: 15-16a.
Fica nítido, para todos aqueles que amam os ensinamentos do Senhor, ao examinar bem as Escrituras, que é interesse do Espírito Santo que todos tenham, ao menos uma vez, a oportunidade de ouvir sobre a graça redentora de Deus Pai, através de Cristo Jesus.
Não podemos ignorar o coração do nosso Amigo em relação aos povos não alcançados. Não podemos simplesmente focar todos os nossos esforços em pregar para aqueles que já ouviram muitas vezes e têm rejeitado as palavras de vida eterna. Precisamos compreender que esta mesma palavra nos indica, em Isaías 42, que as terras do mar, os confins da terra, aguardam a doutrina do Deus vivo, a proclamação oficial de que os gentios, aqueles que não faziam parte da velha aliança, através da crença em Jesus, possuem o direito de serem chamados filhos de Deus.
Mas como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?
Atualmente, há centenas de etnias espalhadas no globo terrestre que nunca obtiveram um testemunho do evangelho da perseverança em sua própria língua e cultura.
No capítulo 10 do livro de Romanos, podemos visualizar que toda a igreja pode fazer parte desta obra magnífica que o Senhor está realizando, seja indo ou enviando. Com certeza o Senhor levantará pessoas para cumprir este chamado, pois é promessa dEle que o evangelho chegue a todas as etnias da terra antes que venha o fim de todas as coisas (Mt 24: 14), mas, onde estaremos quando esta promessa se cumprir? Seremos coparticipantes ou meros espectadores? Viveremos a missão do nosso melhor amigo ou apenas os nossos sonhos terrenos?
Aquele que possui o Espírito Santo examine-se a si mesmo.
Dan

sábado, 15 de julho de 2017

Poderá a obra de Missões ser salva?

A revista TIME em uma de suas publicações no ano de 2003, trouxe uma matéria com a seguinte chamada: PODERÁ A IGREJA SER SALVA? Na época da publicação da matéria em questão, ela referia-se a Igreja Católica em suas lutas com a vida moral de seus sacerdotes ao redor do mundo. Creio que   essa pergunta é também pertinente a nós como Igreja Evangélica no Brasil, porém, aqui, quero me referir à obra missionária transcultural e a nossa tarefa em obedecer ao mandato de Mt. 28:19 “Portanto, ide (indo), fazei discípulos de todas as nações (etnias)…”, aqui encontramos uma definição Bíblica do Mandamento da Grande Comissão “fazer discípulos” onde o Evangelho não está disponível (Rm 15: 14.21). Portanto a questão a qual quero me referir, é a seguinte: A nossa parte na tarefa de evangelizar os que não ouviram o evangelho, será levada a salvo ate aquele dia quando encontraremos o nosso amado Salvador e Senhor?  Guardaremos o “bom depósito”, como Paulo exorta seu filho na fé Timóteo, a faze-lo em sua segunda carta, escrita em uma prisão de segurança máxima em Roma? (II Tm. 1:14)
PODERÁ A OBRA DE MISSÕES SER SALVA?
Alguém poderá indagar: Qual a razão para tal pergunta? É possível que a obra de missões no Brasil se perca em sua caminhada? Corre perigo de morte a obra de missões transculturais a partir da Igreja Brasileira? Será possível morrer a compaixão pelos PNAs no coração e ministério daquele que teve seus olhos abertos para além das fronteiras? É possível um homem de Deus perder a visão da direção em que Deus está se movendo? É possível perder o foco e caminhar com a vida, família e ministério de forma desfocada? Cambaleante? Como um Navio à deriva?

Pessoalmente creio que é possível, podemos ser no futuro uma igreja nominal e uma geração de crentes sonolentos e frios em nosso Amor ao Amado de nossa alma.
A Bíblia mostra-nos que a Igreja de Éfeso perdeu seu primeiro amor (Ap.2:4), no final do primeiro século quando a igreja começava seu declínio depois de um período de maturidade, quando foram escritas as chamadas “cartas da prisão”, Paulo, escreveu aos irmãos de Éfeso, Filipos, Colossos e ao seu amigo Filemon. A Igreja que recebeu o ouro da Palavra em relação a nossa posição em Cristo e tudo que recebemos nEle e dEle,  esta carta é considerada a coroa da teologia paulina, esta igreja quando as luzes do primeiro século estão se apagando, estes irmãos de Éfeso, revelam uma conduta que sob os olhos do Senhor da Igreja, necessita de reprovação. Era uma Igreja de muitas obras, perseverante, não suportava homens sem caráter, identificaram os falsos apóstolos e não receberam seu ministério, porém, com todo este “currículo eclesiástico”, seu candeeiro foi removido até os nossos dias. (Ap.2:5). Trinta anos antes (60 e 61 d.C.) essa igreja fora elogiada por seu amor ao Senhor Jesus (Ef. 1: 15,16). O amor estava lá na vida dos irmãos de Éfeso, mas, agora 30 anos depois (93 e 95 d.C.) eles perderam, o amor pelo Noivo, estava ausente, as afeições desta igreja estavam no lugar errado. Quando perdemos o amor por nosso amado Salvador, significa que nosso coração pertence a “outro” deus, Nosso Senhor Jesus condenou esse comportamento quando disse no Sermão do Monte “Ninguém pode servir a dois senhores…” (Mt. 6:24). Quando perdemos o amor por aquele que morreu por nós, deixamos de ser uma igreja missionária, nossos afetos estão nas coisas, nos eventos, nos números, na estrutura, no ministério. “Mestre! Que pedras, que construções!”, esta foi a afirmação de um dos seus discípulos, Jesus, respondeu “Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.” Esta profecia cumpriu-se nos anos 70, quando o General Tito, invadiu a cidade.
A igreja no norte da África nos primeiros séculos envolveu-se com discussões tais como: “A mulher tem ou não tem alma?” Também foi atacada por influências heréticas externas, mas o verdadeiro significado da salvação e a necessidade de proclamar o evangelho eram virtualmente ignorados, como está a igreja hoje nesta região do mundo?  Hoje contemplamos com profunda tristeza uma igreja agonizante na Europa de onde recebemos o evangelho e de onde saíram os reformadores e grandes avivalistas que incendiaram sua época e produziram milhares de missionários para o mundo inteiro. A Europa foi palco de um movimento de oração que durou 100 anos, como resultado da visão de um homem; Conde Zizendorf e então nasceram os Moravianos. Da Igreja da Europa recebemos: John Wycliffe (1328); John Huss (1373), na Boemia; Ulrich Zwinglio (1486), em Zurique-Suiça; John Calvino (1509), de Genebra; Martinho Lutero (1483), John Owen, nascido em 1616, um dos mais renomados teólogos puritanos; John Wesley (1703); Campell Morgan, principe dos expositorres, Charles Spurgeon, príncipe dos pregadores; George Mullher, pai de mais de 6.000 orfãos. O irmão George Mullher foi um dos grandes mantenedores de Hudson Taylor no Interior da China, William Booth, fundador do Exercito da Salvação, Dr. D.L.Johnes; John Stott que já está com o Senhor, e muitos outros. É quando perdemos nosso primeiro amor, que perdemos o entusiasmo por Jesus Cristo e conseqüentemente perdemos a visão, a paixão, a unção e já não temos nenhuma ação eficaz em direção aos que nada ouviram.  O candeeiro foi removido.
Queridos irmãos, nossa convicção de fé em relação a tarefa em dar o Evangelho aos que  não ouviram, isto é: Nossa parte como Igreja Evangélica Brasileira foi corrompida (1ª Ts. 3:5) e as portas do nosso coração foram abertas para a incredulidade, o pessimismo, o desânimo, as dúvidas, e as diversas correntes teológicas, que batem fortemente contra a Igreja de Cristo. Nossa convicção não é mais a mesma. O irmão Frank Dietz pergunta em uma de suas mensagens: Nossa visão é uma CONVICÇÃO ou uma PREFERNCIA? Convicção você não muda, preferência você troca. Ventos fortes sopram contra a Igreja brasileira, estamos sendo transformados em uma igreja templista, onde o templo construído aqui é mais importante que o edifício de  Éfesios 4.1.16. De repente o materialismo chegou; nossos sonhos em ver os povos serem alcançados estão sendo corrompidos; nossa ousadia cede ao ceticismo; nossa intrepidez cede à lógica humana; nossa coragem cede aos questionamentos tais como: E a alta do dólar? E a crise na economia? E o desemprego? E o lugar para o estacionamento dos nossos carros? E o sistema de ar condicionado? E a área de lazer da igreja? E a gravação do grupo de musica? E os que não ouviram em nossa cidade? E os pobres? E agora por último, a nova onda: A Missão Integral, que é o novo modismo dos burocratas eclesiásticos. Missões está em perigo. Poderemos salvar a obra de missões transculturais que nos foi dada como responsabilidade? Chegamos até aqui como resultado da obediência de missionários que vieram ao Brasil e nos deram o evangelho, deixando-nos uma herança que precisa ser transferida à geração futura. Corremos o risco de deixarmos como herança para a geração que nos sucederá um vale de ossos secos, chamado missões.
O que fazer? Olhemos para a igreja de Tessalônica que se tornou modelo em missões em um contexto de crises e lutas (1ª Ts. 1: 7,8) sigamos o exemplo dos irmãos de Filipos que tornaram-se cooperadores com Paulo, quando outras igrejas já não respondiam as necessidades dos missionários, a igreja de Filipos entra na história como uma igreja que “cooperou desde o começo até aquele momento…” (Fil. 1:5). Olhemos para o missionário Paulo quando diante do rei Agripa em Atos 26:19, ele declara: “Pelo que, ó  Rei Agripa, não fui desobediente a visão celestial. Qual era a visão de Paulo? Alguém tem dúvida que sua visão era dar o evangelho aos gentios e oferecê-los como uma oferta a Deus? (At.26:18.20, Rm.15:16). Creio que precisamos perguntar a nós mesmos hoje; qual é a visão que recebemos de Deus? Lembro de um colega de ministério que disse-me certa vez: “a ênfase do meu ministério não é missões, é ação social”. Então perguntei-lhe: Caro colega, missões é uma questão de ênfase ou uma questão de obediência? Temos a liberdade de  escolher qual será a ênfase do nosso ministério, ou somos chamados a seguir e imitar a vida daquele que nos salvou e nos chamou com Santa Vocação (2ª.Tm.1:9)? Precisamos perguntar a nós mesmos e uns aos outros: qual é a nossa visão? Qual é a nossa convicção? Precisamos perguntar a nos mesmos: qual é o meu negócio? Pergunte ao irmão que está ao seu lado, ao seu colega de ministério, de presbitério, de diaconato, de liderança: Qual é o seu negócio? Certa vez o Evangelista Moody abordou um homem em uma das ruas de sua cidade: Você já ouviu falar de Jesus Cristo? O homem respondeu-lhe: vá cuidar do seu negócio! Prontamente o grande evangelista respondeu: O meu negócio é pregar o evangelho. Tarde da noite alguém bateu à porta do irmão Moody. Quem será? Era aquele homem que mandou Moody cuidar de seu negócio. “Por favor, fale-me sobre o evangelho”.
Precisamos redefinir o nosso ministério? O que é o ministério? Fomos chamados porque e para que? E a igreja? Precisamos voltar ao Novo Testamento e à luz das escrituras redefinir a identidade da igreja e sua missão. Quando teremos coragem para discutir e refletir sobre estas questões?  Fomos chamados para quê? Quais os passos para mudar esse quadro? Quero compartilhar quatro passos que podemos dar.
Primeiro: Vamos voltar à Palavra de Deus, vamos pregar sobre missões em nossos púlpitos, vamos dar uma dieta missionária à Igreja que está extremamente OBESA. Vamos pregar expositivamente, vamos abrir a Bíblia e assim como Esdras ensinar as escrituras (Ed.7:10.27). Nossos púlpitos estão vazios da Palavra de Deus e cheios de “artistas”, “atletas”, “comediantes”, “mentores” que se dizem discipuladores, porem nunca geraram filhos espirituais, temos “coreografias, bandas de “estrelas cadentes”, tecnologia, nossos púlpitos foram transformados em picadeiros, palcos, o sentimento que experimentamos é que vivemos nos dias de Samuel: “A Palavra de Deus era mui rara” (1ª. Sm.3:1), e as ovelhas andam (como bêbados) com fome e sede (Amós 8:11.12). Como teremos uma igreja missionária? Vamos fazer como Paulo em  Tessalonica (At. 17:1.3). Oh! Meus queridos irmãos, precisamos hoje de uma pregação poderosa com uma Palavra poderosa, através de lábios cheios de fogo e com ações  poderosas que cheguem ate aos confins da terra (At. 1:5.8).
Segundo: Vamos orar com perseverança, criatividade e fervor espiritual. Vamos gerar um movimento de oração que dure até a volta do Senhor Jesus. Nossos cultos de oração desapareceram e o que sobrou tornou-se um culto humanista, a intercessão gira em torno da nossa vida, da nossa familia, da nossa segurança, das bênçãos que desejamos a qualquer preço. Necessitamos que o mesmo Espírito que estava em Epafras em Cl.4:12; venha sobre nós afim de batalharmos para que a Igreja de Deus no Brasil e no mundo seja perfeita, isto é: Madura, Completa, Adulta e que a nossa convicção seja restaurada, afim de cumprirmos a vontade de Deus em relação àqueles que ainda não ouviram.
Terceiro:
Vamos trabalhar até a exaustão (Cl.1:28.29), gerar novos obreiros, discípula-los, restaura-los e equipa-los para que se tornem o nossos Timóteos, Titos, Aquilas e Priscilas, Joãos Marcos: Provados e Aprovados, que servirão ao evangelho (Fp. 2:19.22).
Quarto: Vamos tomar a decisão de levar nosso ministério para missões e decidir que nossas igrejas serão missionárias e vamos direcionar nossos orçamentos financeiros para o sustento de mais obreiros transculturais, em campos ainda não alcançados. Hoje a nossa Igreja no Brasil, cresceu numericamente, cresceu financeiramente, crescemos na área de recursos teológicos e tecnológicos, porém, somos como a Igreja de Éfeso, perdemos o nosso primeiro amor.
Deus tenha misericórdia de nós, vamos ouvir o chamado do nosso Amado Salvador ao arrependimento, o mesmo chamado que foi dado aos irmãos de Éfeso:
Ap. 2:5 – Lembra-te, pois, donde caíste, arrepende-te e volta a pratica das primeiras obras; de outra forma, venho a ti, e removerei o teu candeeiro do seu lugar, se não te arrependeres.
Vamos em frente, sem desanimar, vamos AVANTE em nome do Senhor Jesus!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Cooperadores de Deus entre as Nações


Uma tendência que observamos nos relatórios e giros missionários é a ênfase dada aos pontos negativos de determina área ou país em que o missionário está atuando. Não raras vezes, vemos nas igrejas, redes sociais e blogs, fotos de crianças negras passando fome, casebres lotados de gente, pessoas doentes, cidades destruídas, calamidades naturais etc. É como se a miséria validasse o trabalho missionário, nos transmitindo uma visão pessimista do mundo, e os missionários têm a solução para todos os problemas. Porém, algo de errado está acontecendo aqui!
Eu gosto de ter uma visão positiva – a do copo meio cheio e não meio vazio – buscando sempre animar, e não colocando culpa e medo. O meu positivismo (não teológico!), não tem a ver com acreditar que o homem é bom em si mesmo (somos todos pecadores), mas, sim, no Deus imutável e poderoso. Quando prego sobre missões, não enfatizo a pobreza na África, tampouco o terrorismo do Islã, muito menos o narcotráfico latino-americano ou ainda a vida primitiva dos índios Papua. Então qual deveria ser a nossa ênfase? Que mensagem deve ser transmitida?
Eu corro junto com Patrick Johnstone, um missiólogo e pesquisador britânico, ao dizer que Deus está fazendo a sua obra no mundo e Ele nos convida a participar dela. Há muito que regozijar-se. Tantos avivamentos e milagres de Deus ocorrendo nesse exato momento! Por que não falarmos dos mais de 15 mil missionários sul-coreanos no mundo? Por que não anunciarmos o avivamento chinês com crescimento de mais 7.400% (de 1 milhão para 75 milhões) evangélicos em apenas 50 anos? Porque não afirmamos que os maiores plantadores de igrejas na Europa são nigerianos? Ou ainda a perseverança e crescimento dos cristãos iranianos (em 1979 havia por volta de 500 cristãos e em 2008 foi registrado mais de 1 milhão de servos de Cristo)?
Parece-me que a estratégia para levantar novos missionários é baseada na culpa – “estão morrendo sem Jesus porque você não prega” – ou ainda no medo – “se você não pregar, Deus vai te cobrar essas vidas”. Mesmo assim, eu consigo ouvir vozes me contrapondo: “mas se nós somente enfatizarmos as coisas boas, as pessoas não vão querer ser missionárias, porque pensarão que Deus não precisa delas”. Exatamente! Deus não precisa de nós e nunca precisará. Nós é que necessitamos dele. Se realmente acreditamos na “Missio Dei” e que Deus é o dono da História e da Igreja, devemos confiar que, ao enfatizar a obra que é dele, e não a nossa, o Senhor irá tocar nos corações que estão desejosos a participar da obra que Deus já está fazendo nas nações, e não aqueles que querem ser os protagonistas da missão.
Por isso, fiquei muito feliz ao ver no ano passado no 7° CBM (Congresso Brasileiro de Missões) o lançamento do DVD “Envolva-se”, coordenado pela minha amiga missionária Mila, com apoio da AMTB e Martureo. Nesse material desenvolvido pela “Create International” (Austrália) fica clara a obra que Deus está fazendo em todas as etnias. É a visão positiva que estamos precisando no Brasil, olharmos para as nações com uma visão de amor e de cooperadores, e não de pena e de solucionadores dos problemas. Os europeus e americanos não são maiores que os latinos, e nós não somos melhores que os africanos. Somos um corpo, e cada um tem sua parte e contribuição dentro dele. Paulo já dizia isso há muitos anos:
“... de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento. O que planta e o que rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com o seu próprio trabalho. Pois nós somos cooperadores de Deus; vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus”. (1 Coríntios 3.7-9).


• Felipe Fulanetto tem 23 anos, nascido em Campinas-SP, torcedor do Palmeiras, ama filmes, livros e viajar. Formado em técnico de Web Design, bacharel em Teologia pela UNICESUMAR, mestrando em Missiologia no CEM e especializando em Etnomusicologia pela “Summer Institute Linguistic” (SIL). Foi missionário no Peru e Paraguai e hoje é pastor pela Igreja do Nazareno, coordenador de pesquisas missionárias institucional da AMTB, pertence à equipe do projeto Vocacionados (vocacionados.org.br) e da organização do Congresso VOCARE.

sábado, 1 de julho de 2017

Livros de Missões gratuitos em espanhol


O Ministério Preciosa Sangre, associação baseada na Espanha voltada para promover a obra de Cristo no Oriente Médio, disponibiliza cinco e-books de interesse missiológico gratuitamente (todos em espanhol). 

São eles: 
Opresión Espiritual del Islam (Opressão Espiritual do Islã);
Llamada a servir a mi pueblo Iraní (Chamada a servir a meu povo iraniano - Testemunho de uma irmã iraniana);
12 Consejos antes de ir a las Misiones (12 Conselhos antes de ir para Missões);
Voces que Claman (Vocês que Clamam - Preparando o caminho para o Rei Jesus);
12 Datos que todo cristiano debe saber sobre Turquía (12 dados que todo cristão deve saber sobre a Turquia).

Para baixar os livros, clique diretamente sobre os títulos ou acesse AQUI a página dos livros no site de Preciosa Sangre.


domingo, 25 de junho de 2017

Apresentando as boas novas para os hindus


Como evitar que o pacote se perca, seja roubado ou danificado

O hinduísmo afirma possuir 900 milhões de seguidores em todo o mundo, o que o tornaria a terceira maior religião mundial depois do cristianismo e do islamismo. A grande maioria, mais 827 milhões, vive na Índia.
O evangelho tem contribuído para o bem estar e o desenvolvimento holístico de comunidades marginalizadas, disseminação da educação e da saúde e crescimento de comunidades que cultuam Cristo entre os hindus. Em muitos lugares, porém, os que levam as Boas Novas falham na encarnação do evangelho, de modo que a comunidade não tem oportunidade de investigar a autenticidade das Boas Novas.
Hoje, quando oferecemos as Boas Novas a comunidades dentro do mundo hindu, não somos capazes de separá-las das embalagens culturais do Ocidente. Assim, o que oferecemos é rejeitado porque as Boas Novas ou ficaram perdidas ou danificadas sob as embalagens de uma cultura estranha ou foram roubadas, de modo que tudo o que realmente entregamos é a embalagem.
Infelizmente, ficamos mais confortáveis com símbolos e rituais ocidentais. Nós nos apegamos a eles como se fossem mandamentos bíblicos e somos menos tolerantes com expressões hindus de fé. Comunidades hindus baseiam-se em famílias e comunidades muito bem entrelaçadas. É comum dizerem para os jovens que as práticas da família e da comunidade são más e precisam ser renegadas, de modo que precisam optar entre a família e a fé. A vida deles fica dilacerada por questões de cultura, não de Cristo. O medo de serem extirpados da família é um dos obstáculos para pessoas de formação hindu seguirem Jesus.
A ênfase na conversão cultural em lugar da verdadeira transformação espiritual interior tem prejudicado o evangelho. Temos transportado o evangelho com toda sua embalagem cultural e esperamos que uma civilização antiga, com uma profunda consciência de Deus e fundamentação filosófica e teológica, jogue fora sua identidade, cultura e valores para ficar com nosso pacote. Precisamos nos fazer vulneráveis, atrevendo-nos a desembrulhar as Boas Novas e oferecê-las para que as comunidades possam inspecionar, alterar, aceitar ou rejeitar.
Quando estendemos essa graça a eles em oração, podemos ter a certeza de que o evangelho também irá inspecionar e transformar os hindus, sua cultura e comunidades de maneira singular que talvez nem imaginemos. Relacionamentos profundos caracterizados por aceitação incondicional, interesse genuíno e atitudes não condenatórias levarão as pessoas a examinar melhor as Boas Novas.
O caminho do progresso é o caminho do diálogo em que estamos primeiramente prontos a ouvir, aprender, nos humilhar e a sermos acessíveis; e a partir disso apresentar nossa vida e palavras para serem contempladas por nossos amigos hindus. Nosso envolvimento em diálogo e missão é uma aventura, antevendo surpresas à medida que o Espírito nos guia a um entendimento mais profundo. A beleza do evangelho é que se apresenta de novas maneiras em cada situação, quando permitimos que o Espírito Santo nos dirija.
O caráter maravilhoso do mundo hindu é que a maioria das pessoas acredita profundamente em Deus e está tentando relacionar-se com ele, conhecê-lo, agradá-lo e receber sua ajuda. Deus está empenhado em alcançar os hindus, apesar dos erros que nós, seus seguidores, cometemos em nossas ações missionárias. Como um mestre tecelão, ele é capaz de tecer desenhos grandiosos, se estivermos dispostos a lhe devolver o controle, fazendo-nos vulneráveis, saindo de nossa área de conforto, e lhe permitir que nos corrija, nos ensine e nos mantenha humildes. 
Traduzido por: Lucy Yamakami

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Geografia Missionária da Índia - Paul Mathews



Palestra realizada por Paul Mathews, missionário na Índia, na conferência bienal Todos os Povos Te Louvem Aliança realizado em Belo Horizonte - MG em novembro de 2016 pelo Grupo Povos e Línguas.

domingo, 18 de junho de 2017

Missio Dei X Missio Ecclesiae


Romildo Gurgel
Acho que não é fácil entender o conceito de missão sem que haja um atrelamento entre a missão de Deus e a missão da Igreja. Não há quem perceba que o assunto de missão acontece entre duas direções se é que podemos fazer alguma  distinção. Numa direção, missão está muito presa às ações da Igreja, quanto a sua existência missiológica.  Aqui, serve aos seus ministérios bem ordenados, desenvolvem programas, criam projetos na intenção não só de manter, mas principalmente de expandir-se como Igreja. Um dos conceitos que mais contribui para a expansão nessa argumentação é expandir através do plantio de Igrejas (plantatio ecclesiae), supostamente quando assim acontece em áreas onde não exista igreja no local.
Noutra direção, missão caracteriza também aquelas atividades e projetos que tem em vista um publico bem mais amplo, além dos vínculos da instituição, cujo foco situa-se nas estruturas sociais desfavorecidas que apresentem sinais de injustiça e discriminação.
Em 1974, na cidade de Lausanne – Suíça, realizou-se o Congresso Internacional de Evangelização Mundial que contou com a participação e o tom dos teólogos latino-americanos, e, dentre eles, René Padilla. O documento final desse congresso foi denominado Pacto de Lausanne. Nele, fica claro que o Evangelho deve alcançar o ser humano, em sua totalidade:
A mensagem da salvação implica também em uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, opressão e discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que prevaleçam. Quando alguém recebe a Cristo, nasce de novo no seu reino e, conseqüentemente, deve buscar não somente manifestar como também divulgar a sua justiça em meio a um mundo ímpio. A salvação que afirmamos usufruir deve produzir em nós uma transformação total, em termos de nossas responsabilidades pessoais e sociais.
Perceba que dentro deste aspecto de reino o sentido de missão adquire um caráter mais testemunhal da fé do que de proclamação ou anúncio unicamente.
Assim, cabe aqui citar um texto escrito por Tiago, o irmão de Jesus:
“De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta”. (Tiago. 2.14-17 NVI)
Lembramos ainda  aquilo que foi dito pelo Senhor Jesus registrado em Mateus 25:35ss “tive fome (…) tive sede (…) era estrangeiro (…) estava nu, (…) adoeci, (…) estive na prisão, (…)”. As palavras de Tiago 2:14-17 corroboram com estas ditas por Jesus, mesmo assim, devemos ter o cuidado para não super valorizar as obras a ponto de tê-la como meio de salvação, lembrando sempre  as palavras do apóstolo Paulo bastante conhecida em Efésios 2:8-9 “Pela graça sois salvos mediante a fé,  isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie”.
Sendo assim, parece razoável que a população marginalizada necessita de cristãos que estejam comprometidos com o que é, de fato, a pregação do Evangelho, dentro de uma perspectiva bem mais ampla. Ela necessita de “pessoas que creem que o propósito de Deus é unir todas as coisas sob a autoridade de Cristo e que definem o significado de sua própria existência à luz desse propósito” (PADILLA, 2009, p. 53). Ou seja, ela necessita de cristãos que vivam uma vida pessoal e comunitária voltadas para o reino e a justiça de Deus. A missão da igreja não é separar-se do mundo, mas ser enviada ao mundo. “Portanto, ide por todo o mundo e pregai o evangelho” (Marcos 16:15), e “Ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1:8).

MISSIO DEI
No ano de 1932, Karl Barth foi o primeiro teólogo a declamar sobre missão como atividade articulada por Deus em uma conferência missiológica em Brandemburgo na Alemanha. Se existe uma missão, essa missão é a de Deus (missio Dei). No entanto o pensamento de Barth atingiu o auge em 1952 na Conferência de Willingen, onde foi revivenciado o termo “missio Dei”. Foi de lá que a ideia de missio Dei emergiu pela primeira vez de uma forma mais esclarecida. Compreendeu-se a missão como derivada da própria natureza de Deus. Ela foi colocada no contexto da doutrina da Trindade, e não da eclesiologia ou da soteriologia.
George Vicedom, nesta mesma conferência, destacou-se pela famosa obra Missio Dei:  Introduction to the Science of Mission. Cuja ênfase foi:
  1. a)      “Deus é o sujeito ativo da missão”.
  2. b)      Deus o Pai enviou o Seu Filho (João 1:1-5 e 1:14)
  3. c)      E ambos enviaram o Espírito Santo (João 14:16)
  4. d)     A trindade envia a Igreja e os crentes em particular, para cumprir a tarefa da Grande comissão (Atos 1:8 e 2:4). Ou seja, Pai, Filho e o Espírito Santo enviando a igreja para dentro do mundo.
Foi nesta conferência que houve o reconhecimento que a igreja não poderia ser nem o ponto de partida e o alvo da missão. A obra salvífica de Deus precede tanto a igreja quanto a missão. Não se deveria subordinar a missão à igreja e, tampouco, a igreja à missão; pelo contrário, ambas deveria ser inseridas na missio Dei que se tornou então o conceito abrangente. A missão de Deus institui a missão da Igreja. A Igreja deixa de ser a remetente para ser a remetida. A missão não é a atividade primordial da Igreja, mas um atributo de Deus. Deus é um Deus missionário. Compreende-se a missão, desse modo, como um movimento de Deus em direção ao mundo; a igreja é vista como um instrumento para essa missão. Deus teve um único Filho e fez dele um missionário.
Como igreja, nossa missão não tem vida própria: só Deus que envia pode denominar verdadeiramente a missão. Nossas atividades missionárias só são autênticas na medida em que refletirem a participação na missão de Deus. A missio Dei é a atividade de Deus, a qual abarca tanto a igreja quanto o mundo e na qual a igreja tem o privilégio de poder participar.  “ Não é a igreja que tem uma missão na terra, é o Deus da Missão que tem uma igreja na terra.” A Igreja não  anuncia ela mesma, o kerigma consiste em saber que: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2Coríntios 5:19). Quem reconcilia é Deus e não a igreja.
A estreita relação do ser da igreja é ser enviada por Deus e é nisso que consiste o  cerne da forma de se fazer a missão. O texto de (João 17:18), deve ser visto como inquebrável, já que não há outra igreja, mas a Igreja enviada ao mundo e nenhuma outra agência missionária, mas a Igreja de Cristo. Aqui merece um sério questionamento aos modelos vigentes de Igreja na atualidade.
Em O Que É Missão Integral?, René Padilla mostra que a igreja que se compromete com a missão integral entende que seu propósito não é chegar a ser grande, rica ou politicamente influente, mas sim encarnar os valores do reino de Deus e manifestar o amor e a justiça, tanto em âmbito pessoal como em âmbito comunitário.
As igrejas precisam rever  as suas ações e  cumprir a missão que lhe foi confiada  para que não esteja alheia ao clamor do povo. Assim como os profetas denunciavam as autoridades quanto à exploração dos pobres, a igreja precisa denunciar a injustiça social, ter voz profética somada com ações que transformam não somente o estado deprimente espiritual, mas também o contexto que elas vivem. Se a igreja falhar na sua voz profética, quem irá clamar serão as pedras contra a missão da igreja. A igreja é a corporificação da missão de Deus na comunidade onde ela está inserida. O maior pecado da Igreja é fechar-se por causa da sua saúde e ignorar a comunidade em volta dela, que sofre toda espécie de alienação. A igreja não pode isolar-se frente ao clamor e a indagação de um povo que sofre e vive a margem da sociedade.
Entendo que se a igreja incorporar a missão que lhe foi atribuída, as metáforas bíblicas ficarão bem mais fácil de serem entendidas, como p. ex., “o sal da terra”, “a luz do mundo”, “uma cidade sobre um monte” e outras semelhantes.
Que o Senhor nos ajude.

Questionário:
1 – Em que consiste a missio Dei?
2 – Quais os principais aspectos da missio Dei?
3 –  Como se deve compreender a missão da Igreja?
4 – Como é a prática da missão da sua Igreja?

BIBLIOGRAFIA
1 – PADILLA, C. René. O que é Missão Integral? Viçosa: Ultimato, 2009.
2 – CABRIAL, Silvano Silas R. Missio Dei. Londrina – PR: Descoberta, 1ª Edição: Janeiro/2005.
3 – BOSCH,  David J. Missão Transformadora, Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. Editora Sinodal, 1998.
4 – http://estudos.gospelmais.com.br/missio-dei.html  – Acessado em 01/10/2013.
5 – http://www.postost.net/2011/01/missio-dei-historical-perspectives-part-1 – Acessado em 01/10/2013.
6 – 
http://conversation.lausanne.org/en/conversations/detail/10505#.UkpPXIY04wI
 – Acessado em 01/10/2013.

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