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quarta-feira, 11 de março de 2026

Um e-book edificante e evangelístico: PALAVRAS DE VIDA - Auxílios da Bíblia para todos os momentos

 

Há uma certeza que se apresenta a todos na vida: Cada um de nós, num momento ou noutro, passará por dificuldades. Dificuldades que podem se manifestar das mais diversas formas, de doenças a questionamentos sobre o sentido da vida.

Neste e-book reunimos respostas e direcionamentos da Bíblia Sagrada para ajudar aqueles que enfrentam dificuldades.

Seja qual for a sua religião, ou mesmo se você não possui uma, saiba que nas Escrituras um oásis de sabedoria milenar está à sua disposição, para ajudá-lo.

Este é um e-book breve e bastante prático, composto de textos independentes, feitos como pequenos roteiros, a serem lidos e consultados sempre que necessário; você também pode utilizá-los como estudos guiados, aumentando seu conhecimento das verdades eternas.

Esperamos que tais auxílios possam trazer esperança e entendimento, paz e conforto ao seu coração.


OPÇÕES DE DOWNLOAD:

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terça-feira, 27 de maio de 2025

MESSIANISMO INDÍGENA NO CONTEXTO MISSIOLÓGICO - Onésimo Martins de Castro

 


Este artigo propõe resumir os fatos narrados no livro “Esperando a volta do Criador – Expectativa messiânica de um povo indígena ‘isolado’ na Amazônia, publicado em 2008 pela Transcultural Editora e Livraria e republicado neste ano com o mesmo título pela UICLAP Editora e Distribuidora Ltda.[1] Título inspirado na fala de um senhor indígena de aproximadamente 65 anos na época, perguntando ao missionário se ele havia visto o Porapohat (criador dos seus antepassados), que eles esperam um dia voltar para curar os doentes e ressuscitar os mortos.

Trata-se de relato fidedigno sobre os primeiros contatos com um povo indígena isolado na época, efetivado em 1987 e assistidos por uma missão Evangélica por um período de 04 anos, livrando-os do processo de extinção a que já estavam fadados. Aborda também os fatos relacionados à perseguição religiosa, que afetou drasticamente a vida dessa população, em nome de uma suposta preservação física e cultural. Porém negando-lhes o direito de conhecerem a mensagem do Criador, expectativa messiânica inerente à sua cosmovisão.

 

RELATO HISTÓRICO

 

No final da década de 1970 e início de 1980, uma equipe de assistência aos povos indígenas localizou-se na cidade de Santarém, na confluência dos rios Amazonas e Tapajós, no Oeste do Pará. Tinham como objetivo definido o mapeamento da região quanto à existência de etnias carentes de atendimento físico, social e espiritual. Eram filiados a uma Instituição Evangélica, que a cerca de 40 anos prestava relevantes serviços aos povos indígenas no Brasil em parceira com o antigo SPI – Serviço de Proteção aos Índios e posteriormente com a FUNAI- Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Estando devidamente preparados e qualificados para essa tarefa e firmados no princípio de amor a Deus e ao próximo, empreenderam viagens aéreas, por estradas, rios e matas à procura dessas etnias. Vários grupos indígenas ainda necessitados desse atendimento foram localizados e passaram a ser assistidos in loco por membros dessa instituição conveniada com a Funai.

         Nesse tempo, tomaram conhecimento de um povo ainda isolado da sociedade envolvente, nas imediações do rio Cuminapanema[2] ao norte do rio Amazonas. Região explorada apenas por castanheiros, balateiros (extratores de borracha) e caçadores, que singravam suas águas. No final dos anos 1970, trabalhadores de uma companhia de exploração mineral (IDESP)[3], acamparam-se em uma savana conhecida como Campos Gerais[4], bem próximo das cabeceiras desse rio. Certo dia, enquanto sobrevoavam o local, depararam com uma aldeia encravada na mata, distando apenas 08 km de seu acampamento.

A Funai que, até então desconhecia a existência desse grupo, foi até a região para averiguação e possível aproximação com essa população. Mas abandonaram o projeto, alegando falta de recurso e com o argumento de que a tribo não sofria ameaça que justificasse a realização do contato. No entanto, ignoraram o fato de que a presença desses exploradores da floresta poderia ter contaminado essa gente com malária ou outras doenças e colocando suas vidas em risco.

         De posse desses dados e levando a sério seu objetivo assistencial a todos os povos necessitados de socorro externo, esses obreiros foram até às cidades vizinhas em busca de mais informações a respeito. Nessa pesquisa, foi confirmada a existência dos indígenas isolados naquela região, inclusive, com relatos de que alguns caçadores haviam se aproximado das aldeias e até encontrado alguns deles na mata. Diante disso, entenderam ser urgente a efetivação do contato para prestar-lhes socorro em tempo ainda oportuno.

Tão logo possível, empreenderam viagem rio acima e posteriormente pela mata até próximo dessas aldeias. E, como estratégia de segurança e com anuência da Funai, construíram uma pista de pouso e uma base de apoio assistencial, que recebeu o nome de Base Esperança.

Isso depois de longos oito anos de árduo trabalho preparatório, envolvendo viagens por um rio caudaloso e tomado de cachoeiras. Depois abriram caminho pela mata até onde construíram uma pista de pouso de 600 metros de comprimento em plena selva amazônica. Trabalho feito com apenas machados, enxadas, enxadões e um motosserra para atorarem os troncos mais grossos. Porém movidos pelo amor de Deus pelos indígenas, se deram de corpo e alma, deixando esposas e filhos na cidade, para que um dia essas pessoas pudessem conhecer o Evangelho.

Suas esposas, verdadeiras heroínas nesse empreendimento, ficavam na cidade com seus filhos ainda pequenos. Para elas, além da saudade e do peso das situações envolventes, havia a falta de comunicação direta com eles. Desde quando tomavam uma embarcação no porto de Santarém para uma cidade vizinha e de lá seguiam por rios e matas em direção ao objetivo proposto, a ausência de notícias era torturante. E, por se tratar de contato com um povo isolado, não sabiam o que poderia estar lhes acontecendo. Porém na dependência do Senhor, cumpriram fielmente sua parte no sublime propósito de Deus para com essa gente.

O primeiro encontro com esses indígenas se deu quando ambos caminhavam pela selva. Momento de muita tensão, emoção e grande realização, vendo o resultado de todos esses anos de luta e ações de Deus. Graças à intervenção divina e o fato de que nos encontros anteriores não houve atrito dos indígenas com os exploradores da região, esse contato foi pacífico. Embora tenso e sem nenhum entendimento na comunicação verbal, essas indígenas foram bem amistosas e cordatas com os visitantes, sendo o contato efetivado no final de 1987.

Até porque, nos encontros relâmpagos que ocorreram anteriormente, os caboclos da região fugiram deixando para trás machados, facões e rede de dormir, que eles pegaram, usaram e estavam ansiosos para novamente adquiri-los. Encontrando-se de novo com quem possuía esses objetos, seu desejo pelos bens de consumo tão essenciais às suas atividades cotidianas foi aflorado. Por isso, logo vieram à base missionária em busca desses utensílios, que tanto desejavam possuir.

Após virem com suas famílias e os obreiros levarem também suas esposas e filhos até o local, o relacionamento mútuo foi solidificado. Mas, quando visitaram as aldeias perceberam que essa população já havia entrado em sério processo de extinção. Isso devido à malária, possivelmente contraída das pessoas que transitavam até próximo de seu habitat.

Graças à ação de Deus e determinação desses obreiros, indo de aldeia em aldeia tratando os doentes, essa moléstia foi sendo aos poucos erradica. Resultando no crescimento dessa população de 119 pessoas no primeiro censo para 136 no final dos 04 anos de permanência da equipe missionária entre eles.

Ao contrário do que se propaga nos meios de comunicação, o contato efetivado com esse povo, conhecido posteriormente como Zo’é (gente legítima), foi preponderante para a preservação da vida e da saúde dessas pessoas. Caso contrário, talvez nem mais existissem, como aconteceu com tantos grupos isolados no Brasil e no mundo.

No entanto, depois de dois anos do contato efetivado, desencadeou-se uma forte perseguição contra a Missão e seus membros. Um dos sertanistas da Funai, declaradamente contrário ao trabalho missionário entre os indígenas, criou o Departamento de Índios Isolados (DII) dessa Fundação, e se fez diretor. E, a partir de 1989, juntamente com outros sertanistas de mesma ideologia, fizeram uma primeira expedição oficial a essa localidade, já com propósito de intervenção no trabalho em andamento.

Nesse mesmo ano, uma antropóloga belga e seu orientando de mestrado iniciaram incursões naquela terra indígena. Juntando-se a esses opositores, produziram falsos relatórios, na tentativa de tornar verdadeiras as calúnias contra os servos de Deus que ali atuavam. Sem conhecimento suficiente da língua, levaram os indígenas a rememorarem as mortes ocorridas a longo do tempo e atribuíram a maioria delas ao período de atuação da Missão entre eles. No entanto, quando esses dados foram analisados por um perito no assunto, veio à tona os graves erros cometidos por esses elementos, tais como:

 

pessoas que foram mortas duas ou três vezes; elemento do sexo masculino que morrera por problema de geração de filho; dor de dente alistada como causa mortis; muitas pessoas que, se estivessem vivos naquela época, teria mais de cem anos, quando a expectativa de vida entre eles era de apenas 56 anos.[5]

 

A mídia anticristã, com jornalistas e diretores tendenciosos, passaram a publicar matérias recheadas de acusações infundadas contra pessoas que estavam gastando suas vidas no socorro àquela população. Não foram poucas as vezes que a Missão teve que ir a público contestar documentalmente tais declarações, para que o povo brasileiro não ficasse ludibriado por tamanhas aberrações.

Em abril de 1991, os antropólogos acima citados, enviaram ao ex-diretor do Departamento de Indígenas Isolados, recém nomeado presidente da Funai, um projeto financiado por “instituições internacionais”, com “levantamento cartorial e requerimentos minerais” e com “monitoramento via satélite”. E, como inimigos da cruz de Cristo, estabeleceram que a condição para implantação de sua proposta seria a retirada da Missão.[6] Isso caiu como uma luva nas mãos desse sertanista e de outros que, juntos articulavam o fechamento do trabalho missionário nessa etnia.

Coincidentemente, em outubro desse mesmo ano, a Missão foi surpreendida com a ordem de que sua equipe deveria deixar a Base Esperança dentro de três a quatro dias. Isso, em um fim de semana, quando as repartições públicas estavam fechadas e sem nenhum processo legal que justificasse tal atitude. E sem ao menos ouvirem a comunidade indígena, como prescreve a legislação indigenista.

Todavia, os Zo’é, mesmo desconhecendo que o Art. 231 da CF preceitua que “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre suas terras que tradicionalmente ocupam...” (grifo nosso), apelavam insistentemente para que seus amigos de quatro anos de convivência não saíssem. E, como legítimos donos daquela terra, propuseram que os representantes da Funai poderiam se estabelecer em outra aldeia, contanto que os missionários permanecessem entre eles, sendo isso registrado no relatório do líder daquela expedição.

 

[...] os Índio em número bastante elevado, mostrando-se exaltados, colocaram o Coordenador em um círculo (...) mandando que voltássemos imediatamente, porque aquele lugar não foi a Funai que construiu, e sim os missionários junto com eles (...) que as pessoas seus conhecidos, puderiam (sic) ficar (...) indo morar na aldeia Keiñã contanto que a Missão continuasse onde estava... [7]

 

Assim, em 23 de outubro de 1991, com os corações partidos, mas esperançosos de um dia voltarem, tiveram que deixar a Base Esperança, não obstante ao apelo constante dos indígenas, que em prantos diziam:

 

—Não vão embora! Vocês foram os primeiros a chegar aqui e, quando estávamos doentes e morrendo de malária, foram vocês que nos deram remédio e saramos; se vocês forem embora nós voltaremos a morrer.[8]

 

No entanto, mesmo saindo com a promessa de que dentro de pouco tempo a equipe poderia retornar, não puderam nem mesmo ir buscar seus pertences que lá ficaram. Consequentemente, a expectativa messiânica dos Zo’é foi retardada, visto que aqueles que possuíam a mensagem do Criador e haviam prometido lhes anunciar e desenhá-la em sua língua, foram afastados do seu convívio.

 

 

REFLEXÃO

 

Infelizmente, essa situação tem perdurado por longos anos e, até o momento, nenhum missionário evangélico tem acesso a essa etnia. Até mesmo os líderes de igrejas indígenas dessa região têm sido impedidos de visitar os seus patrícios.

Uma constante batalha tem sido travada junto às autoridades constituídas para que os direitos constitucionais desse povo sejam contemplados, dentre eles a oportunidade de ouvir a mensagem do Porapohat (o Criador), que tanto esperam.

Assim sendo, conclamo aos amados leitores e a todo o povo de Deus a um movimento de intercessão por essa etnia e tantas outras ainda não alcançadas. Para que o Todo-Poderoso, que tem o coração dos reis em Suas mãos”, derrube as barreiras existentes e levante novos trabalhadores para a Sua Seara.

E com o mesmo empenho, ouvindo atentamente o desafio do Senhor, por meio do profeta Isaias: “A quem enviarei e quem há de ir por nós?” Oxalá possamos também dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim!” - Isaias 6:8 – preenchendo assim as vagas ainda existentes nos campos brancos para ceifa. E dessa forma, participando da colheita final, quando “todas as nações, tribos, povos e línguas” estarão representadas diante do trono do Cordeiro.  Apocalipse 7:9

 

 

Onésimo Martins de Castro

Agência Presbiteriana de Missões Transculturais - APMT

 


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NOTAS

[1] 📖 Formato físico - https://loja.uiclap.com/titulo/ua87956; 📖 Formato e-book - https://a.co/d/5iwyndg

[2] Principal afluente do rio Curuá, que por sua vez lança suas águas em um dos muitos lagos à esquerda do rio Amazonas, nas imediações da cidade de Alenquer.

[3] Dominique T. Gallois e Luís Donizete 13. Grupioni, Aconteceu Especial 18, Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI, 1991, p.210

[4] . Lugar de vegetação baixa semelhante ao serrado de Goiás.

[6] Carta de Dominique Gallois a Sidney Possuelo em 17/04/91

[7] Relatório do sertanista João Evangelista de Carvalho, em 23/11/91

[8] Dados contidos em gravações em fita cassete em outubro de 1991

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Almanaque do Mobilizador Missionário: Mais de 1.000 páginas de recursos para promover missões, em e-book GRATUITO

 


Espero que o título deste livro não tenha lhe assustado, meu irmão, minha irmã. Se você não é diretamente ou mesmo perifericamente engajado, ligado ou interessado na obra missionária, pode concluir que este é um livro de nicho, um livro para especialistas. De maneira nenhuma. Este é um livro para todo cristão. Pois missões é trabalho para todos, sem exceção; é o motivo de todos aqui ainda estarmos, coração e motor do que chamamos de igreja.

Todo cristão está sob a ordem e de posse do mandato de ir – comunicar a boa nova a todos quanto possa. Mas, na prática, demandas da vida e desígnios de Deus estabelecem que nem todos cheguem a ir – no sentido verdadeiramente missionário do termo, que é ultrapassar fronteiras geográficas e/ou culturais em direção aos que pouco ou nada sabem de Cristo.

Ainda que nem todo cristão possa ser aquele que especificamente vai, todo cristão – e aqui não há escapatória – precisa ser um incentivador de que se vá, de quem vá, de que se envie e sustente alguém. Logo, todo cristão precisa ser inescapavelmente um mobilizador, um promotor de missões.

Ao longo dos anos, temos publicado livros gratuitos, tais como: Teatro Missionário; Poesia Missionária (3 volumes); Hinário Hinos Missionários; Dinâmicas Missionárias; Sermões Missionários; Ilustrações Missionárias e até Citações Missionárias (ufa!). Tais livros, seus títulos não negam, possuem como tema a missão cristã.

Assim, de que trata então o presente livro? Seria um apanhado do melhor de cada uma das coletâneas anteriores? Não, não é este o caso, amigo leitor. Temos aqui apenas MATERIAIS INÉDITOS, inéditos no sentido de não terem entrado nos volumes citados; assim, disponibilizamos à igreja ainda mais dinâmicas, representações teatrais, poemas, ilustrações e esboços de sermão. Gêneros que por si só dariam para compor novas obras individuais, mas que achamos por bem reunir num único volume. Um compêndio, um manual, um almanaque.

Usufrua desta obra com sabedoria, adapte os recursos às suas necessidades – e compartilhe-a com quantos cristãos você puder.

Que as manhãs, o transcurso dos dias e as noites encontrem em seus lábios e em suas ações a palavra Maranata (vem, Senhor Jesus!), e que, doando-se de todas as formas por cumprir a Grande Comissão, você possa ver a obra concluída e tal palavra se cumprir, no retorno do Rei.

Sammis Reachers, editor


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domingo, 14 de julho de 2024

O(S) FRUTO(S) DO ESPÍRITO E MISSÕES – Gl 5.22, um esboço de sermão/estudo bíblico

 



O(S) FRUTO(S) DO ESPÍRITO E MISSÕES – Gl 5.22

 

Amor (caridade) – O amor é o vínculo da perfeição (Cl 3.14), explicação maior do que é nosso Deus (1 Jo 4.8) e bandeira do cristianismo aos homens e suas nações. “Levou-me à sala do banquete, e o seu estandarte em mim era o amor” (Ct. 2.4). Ao banquete celestial somos ordenados a convidar os homens!

Alegria (gozo) – É preciso alegria em cumprir a missão, pois quem se alegra a si mesmo fortalece (Ne 8.10). Paulo recomenda aos colaboradores do evangelho que se alegrem no Senhor (Fp 4.2-4). Muitos indivíduos e culturas ao longo da história sofreram o primeiro impacto positivo não pelas palavras dos cristãos, mas observando a sua alegria, mesmo em meio a condições e oposições as mais adversas (At 2.46,47).

Paz – Todo indivíduo, povo e cultura que não conhece a Cristo vive em conflagração, levados por ventos do engano e autojustificação para lá e cá. Mas, “Quão suaves são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52.7)

Longanimidade (paciência) – Sem paciência não se pode ser agricultor e suportar o ciclo do plantar e do colher (Ec 3.2), a variedade de solos (Mt 13.1-9), e a resignação crente e paciente em cumprir uma parte do trabalho sabendo que outro a concluirá, e vice-versa, como Paulo e Apolo (1 Co 3.6-8).

Benignidade (amabilidade/afabilidade) – Sem amabilidade perde-se a chave que abre as portas dos corações e das culturas. “O falar amável é árvore de vida, mas o falar enganoso esmaga o espírito” (Pv 15.4). Ver ainda Fp 4.5; 2Tm 2.24.

Bondade – A bondade de Dorcas a fazia costurar túnicas para assistir a órfãos e viúvas, além de colaborar de todas as formas com o evangelho. Seu nome é até hoje celebrado como obreira fiel e exemplar (At 9.36-42).

(Fidelidade) – Sem fidelidade perdemos força diante de Deus e moral diante dos homens. Arruinamos nossa espiritualidade e nosso testemunho. Quando os habitantes de Listra tentaram adorar a Paulo e Silas, crendo-os deuses, estes foram fiéis ao Senhor e repudiaram honra para si próprios (At 14.8-16). Antes deles, e diante do próprio Saulo/Paulo, Estevão teve a honra de ser o primeiro mártir de Cristo, sendo fiel até a morte (At 7.54-59).

Mansidão (brandura/humildade) – Cultivando a mansidão damos ao mundo prova de nossa fé, como imitadores de Cristo. Pois somos imitadores daquele que disse: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29). É, pois, com mansidão que devemos pregar a Cristo: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito” [...] (1 Pe 3.15,16).           

Temperança (domínio próprio) – Sem domínio próprio não suportamos as ofensas e desabamos no dia mau. Francisco Xavier, pioneiro de Cristo no Japão, certa feita foi cuspido em face numa praça pública, grande ofensa em tal cultura de honra. Permaneceu impassível e seguiu sua pregação, o que levou um maioral da comunidade a querer para si aquela doutrina capaz de conferir tal domínio próprio aos homens.

Sammis Reachers



Se desejar, baixe gratuitamente nosso pequenino e-book Pregue a Missão: 15 Esboços de sermões sobre Missões e Evangelização. CLIQUE AQUI.

O e-book fora publicado em 2019, com 11 esboços, e agora foi ampliado para 15.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Empreendedorismo incomparável: Ganhar almas (esboço de estudo/sermão)

 


1. O MELHOR NEGÓCIO: “E o que ganha almas é sábio” – Pv 11.30.

 

2. UM NEGÓCIO LASTREADO EM MOEDA FORTE, COM MÁXIMO RENDIMENTO: “Os sábios, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente” – Dn 12.3.

 

3. O NÉGÓCIO MAIS SEGURO: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam” – Mt 6.19,20.

 

4. UM NEGÓCIO QUE CUMPRE AS OBRIGAÇÕES DA LEGALIDADE: “Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para desviar o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o demandarei da tua mão. Mas, quando tu tiveres falado para desviar o ímpio do seu caminho, para que se converta dele, e ele se não converter do seu caminho, ele morrerá na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma” – Ez 3.8,9

 

5. UM NEGÓCIO ONDE É PEQUENA (infelizmente!) A CONCORRÊNCIA: “E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara” – Lc 10.2

 

6. UM NEGÓCIO APADRINHADO PELO MELHOR INVENSTIDOR: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” – Mt 28.18-20

 

7. UM NEGÓCIO MENTORIADO PELA MELHOR MENTORIA: “E, quando vos conduzirem às sinagogas, aos magistrados e potestades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer. Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar” – Lc 12.11,12

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” – At 1.8

 

Sammis Reachers

 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

A música no contexto da missão

 Luiz Carlos Ramos  - https://www.luizcarlosramos.net/

Introdução

A música tem caráter universal. Se pensarmos em melodia, harmonia e ritmo, elementos nucleares da expressão musical, podemos constatar que o próprio Universo é música. Dizem os cientistas que as estrelas pulsam, que o cosmo se move harmonicamente, que se se prestar bem a atenção, pode-se ouvir o eco do “big bang”.

E, segundo os poetas, o próprio Deus é música: “No princípio era a música, e a música estava com Deus, e a música era Deus…” (Carlos A. R. Alves). O fato de que, na narrativa bíblica, ao criar o mundo, Deus o faz mediante a sua palavra (“Disse Deus…” – Gn 1.3), já é um indício de que nós somos o resultado de um canto primordial, de um hino primevo, de uma música divina.

Não é de se admirar, então, que se diga que o cântico tenha caráter existencial, na medida em que não somente expressa o “tom” da nossa existência, como tem a capacidade de sugerir, condicionar e até mesmo criar diversas condições vitais.

Um dos mais extensos blocos literários da Bíblia, e que ocupa a região central das suas edições habituais, é o livro dos Salmos. Muito embora se diga que a Bíblia é a Palavra de Deus descida dos céus a nós, particularmente nos Salmos, quem toma essa palavra é o ser humano orante, que eleva aos céus as suas súplicas, as suas dores, os seus louvores, as suas ações de graças. Sabe-se que a maioria dos salmos se prestavam ao canto, particularmente ao canto congregacional. São canções que inspiram e instruem o povo em suas peregrinações, em suas celebrações cúlticas e em seus momentos devocionais.

As Escrituras Sagradas também falam em hinos, os quais a tradição eclesiástica fez questão de preservar e, principalmente, entoar. Os hinos, um pouco diferente dos cânticos e dos salmos mencionados há pouco, têm um caráter teológico profundo e evidente. Expressam as verdades eternas, reveladas para o sustento da nossa fé e o louvor da glória de Deus.

Em diferentes épocas da história da Igreja, particularmente durante os seus períodos de maior crescimento e vigor, foram os hinos evangelísticos que deram o ritmo do testemunho e marcaram o passo do avanço missionário. Tais hinos, de caráter testemunhal, proclamam, em alto e bom som, as boas novas de salvação, e funcionam como arautos do Evangelho de Jesus, chamado Cristo.


A música na Vida: uma questão existencial

A música faz parte da vida. Não há cultura no mundo que não tenha na música uma parte constitutiva de sua formação social. Também é praticamente impossível pensarmos na existência da própria Igreja sem a música. Individualmente, cada um, cada uma de nós poderia traçar uma memória da sua história de vida apenas recordando as músicas que cantava ou ouvia nas diferentes fases do seu desenvolvimento.

Assim, quando uma criança nasce, desde o colo da mãe, é embalada ao som das cantigas de ninar. Na Igreja, essa criança é recebida com afeto por ocasião do seu Batismo que, geralmente, é acompanhado de significativos cânticos que exclamam: “vinde, meninos/as, vinde a Jesus…”. A criança ainda não entende o que se diz, nem o significado das letras das canções que lhe entoamos, mas já reage com evidente expressão de contentamento. Ela não compreende o conceito, mas entende o sentido: ela é bem vinda, ela é amada… A música, nesta fase, é marcada pelo seu caráter celebrativo.

Durante a infância e a puberdade, além do caráter divertido, próprio das canções de roda e todas as que acompanham suas brincadeiras, a música também assume um caráter formativo, pedagógico. As músicas ensinam lições novas e reforçam conteúdos antigos. A música ajuda a se aprender outra língua, a decorar conceitos, e até a assimilar doutrinas.

Quando chega a adolescência e a juventude, a música desempenha um papel mais militante. A música não somente diverte e instrui, mas com freqüência também assume um caráter de confissão de fé. Representa uma “bandeira” ostentada pelo jovem que expressa suas convicções, seu sentimento de pertença a determinado grupo, sua motivação, sua opinião política, seu inconformismo e sua disposição para transformar o mundo.

Quando a paixão se instala de maneira mais duradoura com o namoro, o casamento e, mais tarde, as bodas, busca-se na música a expressão do compromisso assumido (com o cônjuge ou com uma causa). Na idade adulta, o caráter de diversão, de formação e de afirmação, dá lugar a um tipo de relação com a música, inclusive na Igreja, que busca coerência, constância, lealdade, responsabilidade… Canções de caráter volúvel e passageiro já não satisfazem. Busca-se inspiração, não mais nas “paradas de sucesso”, mas nas “canções eternas”, naquelas cuja qualidade estética e significados resistem ao tempo, tal como as pessoas maduras pretendem enfrentar as vicissitudes da vida.

Finalmente, quando chega a velhice, e as lutas contra as enfermidades ganham proeminência, e a morte iminente é a única certeza, a música se reveste de especial significado. Muito ao contrário de serem esquecidas ou descartadas, elas passam a ter força como nunca tiveram. É nessa hora que aquelas canções ouvidas desde a infância, tais como as canções de ninar, as canções de roda, as músicas da juventude… mas principalmente os hinos cantados na Igreja, adquirem uma força e um sentido antes inimaginados. Na hora da dor e da morte, não haveremos de querer aprender cânticos novos, nem de ouvir as novidades das “paradas de sucesso”… Haveremos, antes, de querer retornar aos hinos da nossa infância e da infância da nossa fé, porque essas canções são aquelas cujo caráter de consolação e alento nos ajudarão a transpor os últimos limites da nossa existência.


A música na Igreja: uma questão congregacional

Como já dito, não se pode conceber a Igreja sem a música. Ela está presente em todas os momentos e de diferentes formas nas várias atividades e expressões eclesiais.

Nas reuniões, mesmo aquelas administrativas, das diversas instâncias da Igreja (crianças, jovens, mulheres, homens, concílios e assembléias…), a música é entoada para marcar o aspecto devocional e comunitário do encontro. O cântico evidencia o fato de estarmos diante de Deus e de que buscamos nEle as forças para os nossos atos. Ao cantarmos a uma só voz, expressamos a nossa comunhão e a nossa disposição para atuarmos em cooperação.

Nas atividades educativas da Igreja, tais como a Escola Dominical, cursos de formação e grupos de discipulado, o cântico revela seu aspecto didático-pedagógico. Não se canta o que está em contradição com os ensinamentos propostos (pelo menos não se deveria!), ao contrário, os cânticos inspiram, confirmam e reafirmam os princípios teológico-doutrinários assumidos e ensinados pela Igreja.

Mas é principalmente nos cultos que a música revela toda a sua força e sentido. Sendo o culto o encontro celebrativo entre Deus e o ser humano, isto é, entre o eterno e o efêmero, entre o infinito e o finito, a música pode muito bem ser entendida como uma maravilhosa síntese desse encontro: a sublimidade da melodia, a beleza da harmonia e o envolvimento proporcionado pelo ritmo, tudo isso associado a sentido expresso pela letra, revelam o aspecto litúrgico daquilo que se canta nos cultos. Além disso, a música estabelece um vínculo como raramente se consegue entre razão-emoção-afetividade. A música fala ao coração, mas também fala ao nosso entendimento, além de sensibilizar nosso afeto, tornando-nos capazes de perceber “verdades” que, sem a música, talvez, nunca teríamos alcançado (cf. 1Co 14.15: “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.”).


A música na Evangelização: uma questão missionária

São famosas as campanhas missionárias promovidas pela Igreja ao longo de sua história de crescimento. Quando a Igreja quer proclamar a sua fé e repartir seu testemunho, serve-se da música com notórias vantagens. Entretanto, não se trata de qualquer música, mas de um tipo de hinologia muito particular, cujo caráter kerigmático seja a principal tônica. Os hinos evangelísticos, como já apontado, juntamente com a pregação da Palavra, ajudam no processo de assimilação sintético de uma fé que tem aspectos racionais, emocionais e afetivos. Os hinos alcançam “regiões” do coração humano que os melhores argumentos lógicos jamais atingiriam. A história das missões também é a história do hino evangelístico.

Quando a igreja deve exercer sua função pública e, ao lado de sua mensagem evangelística, praticar a cidadania, o sopro do Espírito Santo faz com que transcenda os limites restritos das edificações religiosas e ganhe as praças públicas. Aqui também, quando tratamos do aspecto profético da Igreja, a música é parte integrante. Há hinos que se constituem em verdadeiros símbolos de resistência, ou de transformação, ou de compromisso solidário. A Igreja canta quando atua ao lado das crianças de rua, quando reivindica melhores condições de vida junto aos operários, quando busca reconquistar a dignidade com os que estão privados da terra ou de teto, quando chora o abandono com os sofredores de rua, enfim, quando a Igreja cumpre sua missão de vestir os nus, visitar os prisioneiros, amparar os forasteiros, alimentar os famintos, etc. (cf. Mt 25.31-46)

A Igreja não somente evangeliza e profetiza, mas também educa e ensina. A ordem do Cristo ressurreto dada aos discípulos é clara: “fazei discípulos de todas as nações […] ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19-20). A música é uma das formas mais didáticas de ensinar, ou ainda mais, de educar, porque o faz com a razão e com o coração. Quando cantamos, não somente pronunciamos palavras, mas as sentimos. Ainda que não tenha a pretensão consciente, toda música tem um aspecto catequético ou pedagógico. Ensinar um hino é ensinar uma tradição, uma idéia, um conceito, uma doutrina, uma cosmovisão, um estilo de vida. Aqui vale uma advertência quanto ao cuidado com que tais cânticos devem ser escolhidos, particularmente no contexto da Igreja, pois eles podem reforçar idéias bastante contraditórias em relação ao Evangelho de Jesus: algumas canções podem carregar concepções individualistas, ou belicistas, ou ainda discriminatórias e preconceituosas. Saber o que se canta é tão importante quanto saber como se canta.


A título de conclusão: a missão da música

Há elementos que fazem com que certas músicas sejam melhores que outras. Alguns desses elementos são bastante subjetivos, entretanto, outros são mais objetivos e podem ser discutidos aqui.

afinação: ora, é evidente que uma música afinada é mais bonita que aquela que é entoada desafinadamente. Daqui depreende-se que todo esforço para se buscar a afinação, principalmente no canto congregacional, será justificado. Mas associado ao conceito de afinação, podemos invocar o compromisso do cantante com aquilo que canta. À medida que um hino nos venha de um passado, próximo ou longínquo, ele carrega consigo uma tradição, uma história, uma memória. Sem consciência do passado não há consciência do presente e, muito menos, perspectiva de futuro. Buscarmos a afinação da nossa fé é ainda mais importante do que buscarmos a afinação das nossas vozes, para que o nosso canto soe como um louvor e glorifique ao nosso Pai que está nos céus.

O pulso: toda música é concebida a partir de um contexto cultural e histórico concreto. Assim, o andamento, o ritmo, a cadência de uma canção denunciam o seu contexto vivencial (ou, como gostam de dizer os eruditos, o seu sitz im leben). Rejeitar uma cultura significa excluí-la dos nossos momentos de intercessão e celebração. Assumir o pulso cultural da nossa terra nada mais é do que, a exemplo do Filho de Deus, encarnarmo-nos também nós em nossa terra e entre nossa gente para que, também aí, se manifeste as obras de Deus (ver Jo 9.1-3)

dinâmica: as músicas mais bonitas não são aquelas que são entoadas de maneira plana, sem coadunação da forma com seu conteúdo. Se a letra de um hino celebra temas alegres, a dinâmica musical deve ser coerente com isso; se a letra expressa pesar e dor, da mesma forma a dinâmica deve corresponder a essa intenção. Por isso a música alterna seus movimentos do pianíssimo ao fortíssimo, para que a coerência entre forma e conteúdo seja perfeita. Note-se aqui, que a tônica é a sincronia entre o compromisso de fé expresso pela letra e o sentimento do executante da melodia. Não se espera que o compromisso destoe do sentimento de quem canta. Buscar essa coerência é tarefa de todos os que, na Igreja e na vida, cantam sua fé.

consonância: em música, trata-se do intervalo ou acorde agradável, que gera distensão e harmonia. Etimologicamente, o termo refere-se ao ato ou efeito de soar concomitantemente. Em muitas ocasiões se pode notar como uma melodia singela e despretensiosa pode se tornar algo arrebatador e impressionante pelo efeito da harmonização. Trata-se de uma arte que exige muito estudo, esforço e talento. Na Igreja, quando não há concordância, acordo, nem conformidade, não haverá hinologia que seja consonante. Para que um grupo de pessoas entoe harmonias “harmônicas”, é preciso que (1) cada um conheça bem a sua voz; (2) que cada um ouça as demais vozes enquanto entoa; (3) que ninguém cante mais forte, ou mais alto, do que os demais; e (4) que todos observem as instruções do Maestro, cuja função é fazer surgir, da combinação das partes, aquela música única e arrebatadora, expressiva e impressionante.

fermata: este é um elemento curioso previsto pela teoria musical, porque, enquanto a escrita e a notação indicadas nas partituras servem para delimitar sua execução dentro de padrões previstos por seus autores ou arranjadores, quando o sinal indicativo da fermata surge, o resultado ou efeito do que será executado passa a depender inteiramente do executante. Este, sentindo o momento, poderá retardar o ritmo, alongar uma nota, sustentar um acorde, enfim, expressar a intenção do seu coração, da sua intuição, de acordo com o momento exato em que a música está sendo tocada e/ou cantada. Daqui resulta que toda partitura é diferentemente interpretada não só por diferentes musicistas, instrumentistas, cantores e cantoras, mas que um mesmo musicista ou cantor pode interpretar diferentemente uma mesma música em diferentes ocasiões. Ainda que as partituras obedeçam a regras bem definidas, haverá sempre uma abertura para aspectos imponderáveis e imprevisíveis da dinâmica existencial. Toda música, neste sentido, é um compromisso com a liberdade.

Creative Commons License
A música no contexto da missão by Luiz Carlos Ramos is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.


domingo, 25 de setembro de 2022

ALGUNS PRECEITOS PRINCIPAIS DE MISSIOLOGIA BÍBLICA

 


 William H. Smallman


1. Deus deseja que toda pessoa e todo povo sejam reconciliados com Ele.

2. O método principal de Deus no mundo é a igreja local.

3. Deus já providenciou TODOS os recursos necessários para as igrejas efetuarem obediência frutífera à Grande Comissão.

4. A diversidade cultural de hoje é devido à maneira de Deus encher a terra. Ele mesmo criou a variedade de línguas, e as usou para guiar pessoas juntas, e povos à parte.

5. TODA sociedade na terra é capaz de entender e abraçar o evangelho em termos de seu próprio idioma cultural, e de gozar a presença de igrejas bíblicas adaptadas ao ambiente cultural.

6. Toda comunicação é a troca de símbolos. Os comunicadores transculturais devem, então, aprender a usar os sistemas de símbolos em vigor no ambiente cultural onde divulgam o evangelho.

7. Deus gosta de se comunicar por encarnação, isto é, por se integrar na população da qual Ele foi alienado. Encarnação, então, é o nosso método de preferência para apresentar Cristo ao mundo. Ele vive em nós, e se manifesta à medida que vivemos entre os povos.

8. O âmago da religião é agir na VERDADE sobre DEUS, e não só melhorar o conforto dos ansiosos nem se harmonizar com o ambiente hostil. O alvo da religião é a reconciliação com o Único Deus Verdadeiro. Existem muitas religiões falsas.

9. Em algumas sociedades, decisões importantes sio feitas individualmente. Mas em muitas sociedades, decisões importantes se fazem coletivamente por discutir as questões até chegarem ao consenso. Decisões comunais são válidas, e são ratificadas pelos indivíduos envolvidos dentro da sociedade.

10. O objetivo do trabalho missionário é a salvação de almas e o estabelecimento de novas igrejas, em vez do melhoramento duma sociedade. Mesmo assim, a redenção e transformação de cidadãos vai sempre melhorar a sociedade de dentro para fora. Nossa ajuda compassiva, em nome de Cristo com os problemas sociais, pode despertar uma consciência de precisar de Cristo. Tais esforços podem se desempenhar juntos.

11. Os missionários estrangeiros são sempre o elemento temporário, de fora da vida das igrejas que eles estabelecem. O propósito é descobrir e desenvolver a liderança dentro da sociedade para dirigir as igrejas pelo longo prazo.


Do livro Missiologia: Mensageiros de Cristo para o Mundo.


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