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domingo, 16 de março de 2025

Pregando na Índia: "E o Verbo se fez Carne" - Stanley Jones

 


Quero vos falar hoje a respeito do que é para mim o versículo mais importante da Bíblia. Talvez eu sinta assim porque estou escrevendo um livro sobre o assunto. Vai ser publicado nos Estados Unidos e leva o titulo "E O VERBO SE FEZ CARNE". Se eu tivesse que escolher o versículo mais importante das Escrituras, apontaria este que dá o título ao meu livro, porque é o que distingue a fé cristã das demais.

Quando fui trabalhar na Índia encontrei essa atitude por parte do povo: tudo o que havia de bom na Bíblia se encontrava em seus livros sagrados. A Índia tem passado por três fases quanto à fé cristã. A primeira foi: "O cristianismo não é a verdade". Não puderam provar isso, então mudaram de opinião e chegaram a uma segunda fase: "O cristianismo não é uma coisa nova". A terceira fase é a atual: "O cristianismo não é vivido pelos cristãos". A maior parte de minha vida na Índia, passei-a quando vigorava a segunda fase. Tudo o que dizia para eles, encontravam um paralelo. Pegavam de seus livros sagrados e liam para mim algo semelhante.

Na América do Norte fui entrevistado em um programa de televisão por uma senhora israelita. Ela me perguntou: "Por que o Senhor anda percorrendo o mundo para pregar? O que o senhor tem que os outros não têm?" Respondi-lhe com uma única palavra: "Cristo. Eu tenho Cristo". Esta é a única coisa diferente que temos dos demais. Sadhu Sundar Singh foi um grande místico da Índia. Entrevistado por um europeu que se havia convertido ao Hinduísmo, este lhe perguntou: "O que você encontrou na sua nova fé que não havia encontrado na velha?" O Sadhu respondeu: "Cristo". "Sim", disse o europeu, "mas eu quero saber o que encontrou que nunca viu antes". A resposta veio rápida: "Esta coisa especifica é Cristo". Ele estava absolutamente certo. Mas o que é esta coisa única nesta pessoa única? É "O VERBO SE FEZ CARNE". Todas as demais religiões eram a palavra tornando-se palavra, uma filosofia, um moralismo. Quando cheguei à Índia há 56 anos atrás encontrei esta situação de norte a sul.

Encontrava-me na cabine de um trem, na Índia, com um cavalheiro maometano. Pensei comigo mesmo: "sou um missionário e devo começar a trabalhar". Li, então, para ele o Sermão do Monte. Quando terminei a leitura ele me disse: "É muito lindo, mas temos isto nos nossos livros sagrados". E quando apontei o versículo que diz: "quando te baterem na face direita, oferece também a outra", simplesmente respondeu: "temos isto também nos nossos livros sagrados" e citou uma afirmação tirada de seus livros: "Sê como o sândalo que perfuma o machado que o fere". "Então isto não é amar os inimigos?" "Sim", confessei". Então falei de Cristo oferecendo-se em sacrifício por nós. "Temos a mesma coisa", disse, "os Vedas dizem que Projapti, o Senhor das criaturas, deu-se a si mesmo em sacrifício. Não é Deus oferecendo-se por nós?" Tive de confessar que era. Então falei sobre Deus levando sobre si nossos pecados. Ele respondeu: "Temos isto também. Shiva do Pescoço Azul é assim chamada porque bebeu veneno para fazer sacrifício pelos nossos pecados, para que nós provássemos a ambrosia. O veneno parou em seu pescoço, tornando-o azul. Não é Deus tomando sobre si os nossos pecados?". "Sim", tive que responder. E assim por diante, tudo que eu falava, ele encontrava um paralelo. Então o que era novo?

Permaneci contra a parede durante vários anos até que percebi num relance o que era novo. E quando tive esta nova concepção, vi um mundo novo. Quando eles me falavam de todas essas passagens paralelas, via que se tratava de palavras transformadas em palavras. Mas quando Jesus, na cruz, disse: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem", isto não era palavra tornando-se palavra, mas palavra tornando-se carne. Quando eles diziam que seu Deus se deu por eles, era mera lenda, sem qualquer referência histórica. E quando falavam de Shiva, que tomou veneno, era outra lenda, não era um fato. Não havia nenhuma prova de que ele tivesse algum dia bebido aquele veneno. Mas quando Cristo se deu na cruz, era um fato histórico, era a palavra do sacrifício, fazendo-se carne. Ele bebeu o veneno dos nossos pecados para que tivéssemos a ambrosia da vida eterna. Então eu vi a diferença entre o cristianismo e as demais religiões. Todas as outras eram meras palavras que se faziam palavras. Mas Cristo é o Verbo que se fez carne. Esta é a diferença essencial, fundamental.

Todas as grandes filosofias do mundo estavam completas antes da vinda de Cristo ao mundo. As grandes nações filosóficas do mundo, Grécia, China e Índia, já haviam completado suas filosofias. Além destas filosofias assentadas o mundo não vai mais adiante. Religião é a busca do homem a Deus, por isso há muitas religiões. Mas o Evangelho é Deus buscando o homem, por isto mesmo há somente um Evangelho.

Trecho do livro Jesus É Senhor (baseado em palestras que Stanley Jones proferiu quando de uma de suas visitas ao Brasil). Shedd Publicações, 2005.


sexta-feira, 29 de março de 2024

O ABORTO em Frases, Poemas e Reflexões: Antologia em e-book gratuito para download

 

O tema do aborto tem mobilizado mentes, corações e culturas ao longo da história. Nos dias de hoje, tornou-se questão incontornável, transcendendo delimitações sanitárias, sociológicas, políticas e religiosas para inserir-se no centro do debate público.

Temos, ao longo dos anos, editado diversas antologias, dos mais variados escopos e amplitudes. Em sua maioria, antologias poéticas ou de citações. Para execução de tal atividade, é de praxe a aquisição e/ou consulta de livros no gênero, e o leitor deve saber que é relativamente farta a disponibilidade – no caso das citações – de livros de frases em nossas prateleiras. No entanto, transitando, por prazer e a trabalho, por dezenas de antologias e mesmo dicionários de citações, jamais vimos o verbete “aborto” categorizado em obra alguma. Até citações esparsas sobre um tema tão significativo estão curiosamente ausentes deste gênero de literatura. Assim, tomamos para nós a tarefa de, mesmo reféns da brevidade, organizar e disponibilizar a presente obra, de maneira alguma exaustiva, sobre esse assunto vital.

E este pequeno livro é na verdade uma antologia multigêneros: às diversas citações sobre o aborto, unimos uma seleção de poemas e, por fim, uma coleção de pequenos textos de reflexão que ajudarão a iluminar nosso entendimento sobre o assunto.


       Esse é um livro gratuito, que nasce em serviço da sociedade e da melhor das intenções. Convidamos você a ler e também a compartilhar este conteúdo, com quantos achar conveniente.

Para baixar o seu exemplar gratuitamente pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


domingo, 17 de janeiro de 2021

A Cadeia Alcoólica - Frases, Poemas e Reflexões e sobre o alcoolismo em e-book gratuito

O álcool é o que podemos chamar de droga “lícita”. Sua aceitação pela sociedade é disseminada, em muitas, mas não em todas as culturas. No entanto, apesar de sua tolerância social, ele é uma poderosíssima droga psicotrópica com poder de causar dependência e alteração de comportamento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não há nível seguro de consumo de álcool. Fígado, coração, estômago e vasos sanguíneos são diretamente afetados e prejudicados pelo seu consumo excessivo.

Flagelo que não escolhe idade, gênero ou classe social, a armadilha representada pelo álcool, ao contrário do que muitos pensam, não aprisiona apenas os alcoólatras inveterados: Uma primeira ou única embriaguez pode causar brigas e a destruição de um relacionamento ou mesmo de vidas; um exagero durante a festa de formatura pode redundar num acidente grave por dirigir embriagado... E assim por diante.

O problema do álcool é muitas vezes socializado ou repartido com os demais: família, amigos, vizinhos, companheiros de trabalho e desconhecidos acabam afetados de alguma maneira pela rede de consequências ou a “cadeia” alcoólica. Sim, pois este fenômeno não configura apenas um cárcere ou prisão particular, mas uma rede, corrente ou cadeia que afeta a toda a sociedade – daí o título desta pequena obra.

O objetivo do que aqui vai exposto não é demonizar o álcool, mas apenas alertar para seus muitos riscos e para o preço caro que ele costuma cobrar – riscos e preço infelizmente cada vez mais relativizados.

Aqui estão reunidas 100 frases sobre o álcool e sua problemática, bem como alguns pequenos textos em alusão ao tema – artigos, ilustrações e histórias. E, concluindo a seleta, poemas diversos sobre o alcoolismo.

Que esta humilde coletânea forneça argumentos e esclarecimentos para sua reflexão, de sua família e grupo de amigos, e seja útil para ajudar seja na prevenção, seja na libertação deste problema que afeta a tantas vidas. 


PARA BAIXAR O LIVRO PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


sábado, 1 de agosto de 2020

O ALDEÃO CHINÊS E A SUA BÍBLIA DE DEZ PÁGINAS, uma peça teatral missionária


  
O ALDEÃO CHINÊS E A SUA 
BÍBLIA DE DEZ PÁGINAS

Peça teatral

A peça reflete a situação de cristãos secretos no interior da China. Por tais grupos só possuírem poucos exemplares da Bíblia, muitas vezes apenas um por igreja, ela é rasgada em blocos ou em cada livro, e as partes são distribuídas entre os irmãos, para que todos possam ler e decorar os versículos.
Nosso personagem, que vive numa província onde a circulação de Bíblias tinha sido proibida, fica com o Livro de Romanos, e, tendo sido interceptado por soldados em patrulha, precisa pregar para esses homens, utilizando apenas o fragmento que possui. Ele vale-se da chamada Estrada Romana, que é um roteiro de evangelização baseado unicamente em versículos do livro de Romanos. (Essa explicação ou uma adaptação dela pode ser dada pelo apresentador da peça, a título de introdução).
A peça se presta tanto a representações com foco ou em momento missionário (culto de Missões etc.), quanto referentes ao Dia da Bíblia, e também a propósitos de cunho evangelístico.

Personagens: CRISTÃO (Chaosheng), TENENTE (Win Lu), SOLDADO 1 (Quon), SOLDADO 2 (Kun Lao) e SOLDADO 3 (Meng).


Cena inicia com personagem CRISTÃO caminhando pelo cenário. Ele veste roupas humildes, como de camponês, e leva às costas uma pequena e surrada bolsa ou trouxa de pano. Aproximando-se de outra direção, vem um grupo de quatro soldados uniformizados e armados.
SOLDADO 1 (apontando a arma): - Ei! Você aí! Pare aí!
Parando assustado, CRISTÃO levanta as mãos, rendido, e depois as abaixa. Os soldados o cercam, o revistam e abrem sua bolsa. Encontram pequenas peças de roupa, uma garrafa d’água e um pedaço de algum sanduíche embrulhado num papel. Um dos soldados bebe a água, e outro come o sanduíche. Um deles puxa um pequeno bloco de papel impresso, bastante surrado, de umas dez páginas, representando o livro de Romanos. Começa a ler, e diz:
SOLDADO 1: - Hum... Veja, tenente. Que livrinho estranho... Este parece ser aquele livro dos cristãos!
TENENTE: - Não pode ser, soldado. O livro cristão possui muitas páginas. Deixe-me ver (apanhando com truculência o livrete, e lendo). Realmente me parece suspeito... Sim, é ele mesmo. Você, aldeão, de onde está vindo?
CRISTÃO: - Senhor tenente, eu estava em casa de amigos, onde fui levar algumas abóboras de minha plantação, que me haviam sido encomendadas.
TENENTE: - E este livro cristão? Não sabe que é proibido portar tal livro nesta província? Qual o seu nome?
CRISTÃO: - Senhor militar, é apenas um pequenino trecho, veja você; e apenas para minha leitura particular. Veja como está desgastado e sujo. Quanto a mim, sou o menor dos chineses, e meu nome é insignificante; sou o seu servo, Chaosheng.
TENENTE: - Não importa. O que um humilde agricultor como você faz com esse livro ocidental? Que benefícios ele pode lhe trazer? Que sabe sobre esse engano contrarrevolucionário?
CRISTÃO: - Venerável oficial, nada intento contra a revolução ou nossa mãe, a república chinesa; este pedaço do livro cristão é apenas para minha reflexão. Na verdade, é um livro oriental, vindo do país chamado Israel; e este livro santo é tesouro de sabedoria e saúde para todos os homens, podendo ajudar com boas coisas e conselhos a qualquer um que o ler.
SOLDADO 3: - “Livro oriental”... Ora veja! Temos Confúcio que nos aconselha em todo bom procedimento. Não lhe basta, aldeão?
CRISTÃO: - Camarada soldado, muito aprecio a doutrina moral de nosso antepassado Confúcio; e foi ele mesmo quem disse: “Os homens de mentalidade superior se empenham primeiro em penetrar na raiz das coisas; conseguido isto, abre-se lhes o rumo certo”.  Assim, busco estudar tudo que minhas humildes mãos alcançam; e tenho obtido sabedoria ao aprofundar-me no estudo deste livro. Confúcio nos instrui para esta vida; no entanto, este livro fala desta e da vida vindoura, a vida eterna.
SOLDADO 2: - Esse já teve a mente corrompida pelo livro estrangeiro! Win Lu, vamos espancá-lo ou coisa pior... Esse porco não vale nem a ração que comerá no presídio.
TENENTE: - Quieto, Kun Lao! Eu dou as ordens aqui.
TENENTE (para Cristão): - Sabe, cristão... Minha avó tinha uma Bíblia. Eu nunca a li, pois sempre soube que era um livro contrarrevolucionário. Mas me lembro de que era um livro bem grande... E você aí, com essas dez folhinhas, dizendo que seu livro é santo e bom e que pode nos ajudar! Como, cão? Diga: Como essa reles e incompreensível migalha pode conter algo de bom?
CRISTÃO: - Senhor tenente, com sua licença lhe afirmo que este livro não é contrarrevolucionário, mas ele próprio é uma revolução. Não política, não terrena, mas nos corações dos homens. Esse livro fez uma mudança em meu coração sombrio, e pode fazer da mesma forma no coração de todos aqui.
SOLDADO 3: - Não ouviu o tenente, traidorzinho? Que livro, se tudo o que você tem são dez páginas amareladas?
CRISTÃO: - Pois acreditem em mim: Apenas este humilde pedaço é suficiente para comunicar os melhores conselhos que um homem poderá obter em sua vida.
SOLDADO 3: - Bah! Veja o que este traidorzinho do campo diz! Teu livro então é maior do que o Tao Te King, o Livro das Virtudes de nosso antepassado Lao Tsé?
SOLDADO 2: - É um puxador de carroças, e amargará alguns bons anos de cadeia e fome! Onde já se viu, um livro “revolucionário”! Se o fosse não seria usado por norte-americanos...
CRISTÃO: - Nobre soldado, este não é um livro norte-americano, e sequer ocidental; conforme disse, todo ele foi redigido em Israel, no Médio Oriente, muito antes de existirem os Estados Unidos... Nosso antepassado, o sábio Lao Tsé, falava-nos do Tao, o estado de pacificação mental e reunião na unidade. Uma doutrina dura e fria, confusa para os humildes. No entanto, este livro traz revelações que até uma criança pode compreender, e uma estrada segura para a salvação de nossa triste condição humana!
TENENTE: - Oh, o caipira tem conhecimentos! Agora nos dá aulas de Geografia e de História das Religiões? Que seja, caipira. Pois lhe faço um desafio: Se este livro é mesmo revolucionário “para os corações dos homens”, se este livro é sagrado, se este livro é mesmo a forma do tal Deus verdadeiro se comunicar com os homens e ajudá-los, leia-o. Leia estas poucas folhas esfarrapadas e prove que apenas nelas há tanta sabedoria, superior mesmo a Confúcio e Lao Tsé! Sua vida depende disso, “plantador de abóboras”.
SOLDADO 1: - Sim, camarada tenente! Se o tal Deus existe e o livro é inspirado desde os céus, essas poucas páginas bastarão para nos convencer. Quem sabe não larguemos até mesmo a bebida e as jogatinas (gargalha).
CRISTÃO: - Nobres senhores, com prazer lhes apresentarei, humildemente, o pouco conteúdo que possuo aqui, da Palavra de Deus. No entanto, rogo que me permitam fazer uma breve oração, para pedir a Deus que me ilumine.
SOLDADO 2: - Hahaha! Pois faça, velhaco! Mas faça sua reza em voz baixa. Melhor, reze em silêncio!
(O Cristão abaixa a cabeça, chega as folhas da Bíblia ao peito e ora em silêncio por alguns segundos. Antes que ele acabe, um dos guardas [SOLDADO 1] lhe dá um pontapé no traseiro, dizendo):
SOLDADO 1: - Como é, cristão? Já basta.
CRISTÃO: - Veneráveis amigos, antes de iniciar, lhes recordo que possuo apenas uma muito pequena parte do Livro Santo. No entanto, já a li bastante e com grande proveito, e creio que, pela graça de Deus, posso compartilhar seu maravilhoso plano para socorro dos homens a partir destas humildes páginas. A Bíblia foi escrita ao longo de milênios, por mais de trinta autores diferentes, muitos dos quais sequer sabiam uns dos outros. Seu conjunto é composto por 66 livros que, uma vez reunidos, formaram um todo harmonioso e coeso. Este fragmento que possuo é o livro de Romanos. Trata-se de um tipo de carta que um grande autor cristão enviou para o povo da antiga Roma imperial. Comecemos por este trecho, em Romanos 1.20,21. Tais numerações referem-se às divisões inseridas no texto, sendo a primeira referente ao capítulo e a segunda ao versículo, para que se possa melhor memorizar e estudar as escrituras (sendo bruscamente interrompido)
SOLDADO 2: - Pare de nos enfadar com explicações e leia o maldito livro!
CRISTÃO: - Mil perdões, honorável soldado. Lerei e lhes mostrarei: (Lê o trecho):
“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” Amigos, aqui a Bíblia diz que o Deus criador de todas as coisas pode ser percebido nas maravilhas da sua criação; no entanto, muitos homens e povos endurecem seus corações contra este conhecimento, e voltam as costas ao Deus verdadeiro. Perdem-se em vãs especulações! Antes de tudo, precisamos reconhecer que Deus é o Criador de tudo e aceitar nossa posição humilde na ordem e propósito criados por Ele.
SOLDADO 3: - Realmente o Universo é maravilhoso, e talvez tenha sido criado por algum ser superior...
SOLDADO 1: - Veja o que o soldado Meng diz, tenente!
TENENTE: - Quieto, Quon! Deixemos o aldeão expor sua doutrina; isso nunca lhe intrigou? Quem sabe realmente não tenhamos sido criados por alguma inteligência maior, assim como foram criados os objetos como nossos casacos e nossos fuzis, e tudo o que fazem os homens? De mais a mais, comporte-se à altura de um investigador. Lembre-se do que nos diz o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung: “As conclusões extraem-se do fim da investigação e não no seu começo. Apenas os tolos se lançam, sós ou em grupo, na tortura mental de encontrar uma solução, de descobrir uma ideia, sem proceder a investigações.”
CRISTÃO: - Sábias palavras pronunciaste, honorável tenente. Continuarei, com vossa licença, senhores. Lerei agora o trecho de Romanos 3.23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Amigos, isto é muito importante: Nossos primeiros pais pecaram contra Deus, causando a separação entre nossa espécie e o Criador. Somos herdeiros de uma condenação. Situação terrível em que fomos lançados! Sabemos que há um Deus pelo que vemos na natureza, mas nós mesmos o afastamos, e temos por isso vivido num mundo de dores e trabalhos, sem poder jamais vê-lo realmente! Mas como nos achegarmos novamente a Ele, como sermos perdoados?
Leiamos este trecho, um pouco adiante, aqui em Romanos 5.8: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Queridos camaradas militares, não podíamos pagar a dívida feita ou contraída; e não podendo fugir de diante do Deus de todas as coisas, aguardávamos tristemente nosso castigo final. Mas este mesmo Deus, vendo nossa impossibilidade de pagar a dívida, movido de grande amor enviou seu próprio Filho, Jesus, para pagar essa dívida em nosso lugar. Coisa fabulosa foi isto, camaradas! Um homem sem pecado algum foi morto para que nós, grandes pecadores, pudéssemos ser aceitos por Deus.
SOLDADO 3: - Ora, então é isso que o tal Jesus dos cristãos fez, morreu por todos nós? Um deus que morre pelos fiéis... Não deveria ser o contrário? E de mais a mais, como isso é possível: Sendo ele um só, pagar por todos?
CRISTÃO: - Amigos, lembram que lhes falei que, pelo pecado de nosso pai, o primeiro homem, fomos separados de Deus, pois o erro dele passou em herança para todos nós? Pois se o pecado entrou no mundo por um único homem, da mesma forma o preço do pecado foi pago por um único homem! O que não tinha pecados quebrou a cadeia de causa e efeito dos pecados, a roda a que estávamos presos.
TENENTE: - A roda, você diz... Como samsara, a roda das reencarnações a que os budistas dizem estarmos todos aprisionados?
CRISTÃO: - Honrado tenente, não se trata da mesma coisa, embora o mecanismo possa ser algo parecido. No entanto, Buda diz, assim como o fazem todas as demais religiões dos homens, que podemos nos libertar por nosso próprio esforço; no entanto, o amigo percebe como, ao invés disso, mais e mais pessoas nascem neste mundo miserável, e tornam-se reféns da pobreza, da opressão, e da falta de sentido? Se Buda estivesse certo, deveríamos ver se multiplicar o número de iluminados – mas miseravelmente é o contrário o que ocorre! E tudo isso, camaradas, está bem diante de nossos olhos!
TENENTE: - Especulações interessantes, senhor aldeão, mas muito difíceis de acreditar. No entanto, continue o seu relato...
CRISTÃO: - Lerei agora o trecho de Romanos, 6.3: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." Vejam, amigos, esta ao mesmo tempo terrível e maravilhosa notícia! É dela que este livro, tanto essa humilde porção como o exemplar completo, trata! Se estávamos condenados à morte pelo pecado, o prêmio que recebemos pelo sacrifício do melhor dos homens, Jesus o filho de Deus, nos traz a cura contra a morte, e nos oferece uma vida eterna de paz e amizade com Deus. E tudo isso, vejam vocês, é dom de Deus, ou seja, um presente que nada nos custa! Isso é salvação!
SOLDADO 2: (Gargalhando) – Ora vejam! Então é fácil assim?! Pois onde está essa tal salvação? Vamos, me dê um pouco. Quero ver o tal Deus e quero descansar de minha dura rotina militar. Minhas botas me matam! (sapateia, enquanto aponta para os pés)
CRISTÃO: - A resposta a esta questão, venerável soldado, está neste trecho do livro, em Romanos 10.9,10: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação.” Amigos, a salvação é oferecida para todos aqueles que nela crerem, ou melhor, crerem naquele que a proporcionou, Jesus Cristo, a ponte que nos religa ao Deus que tudo fez.
TENENTE: - Explique melhor sua doutrina, cidadão. Então é simples assim? E os rituais, e as penitências, e os sacrifícios a que é preciso submeter-se para alcançarmos tal beatitude? E os ancestrais, não é preciso lhes tributar oferendas e sacrifícios? Que pede este Deus de nós, para nos dar esta tal salvação?
SOLDADO 3: - Sim, camarada tenente; na instrução militar, quando estudamos o venerável Sun Tzu e sua Arte da Guerra, nos é ensinado que “a vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço”. Que preço paga você em honra a esse teu grande Deus salvador, aldeão?
CRISTÃO: - Honorável camarada tenente, honorável companheiro soldado, aí é que está a maravilha! Basta apenas crer nesse mesmo Jesus, pois o preço já foi pago, como lhes disse. Trata-se de um presente. Os senhores jamais terão recebido presentes? Os outros deuses exigem que nos sacrifiquemos, e mesmo sacrifiquemos a outros, por eles; outros elaboram rituais de purificação severos e falam até em reencarnações quase infinitas até nos livrarmos deste mundo de dores; mas este, o Deus verdadeiro, Ele mesmo se sacrifica por amor a nós! Em Romanos 10.13 lemos palavras que são como ouro: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Deus nada requer do homem, senão fé e obediência. Mas, se tropeçarmos em nosso esforço para obedecê-lo, não somos massacrados: Arrependendo-nos do erro, Ele é misericordioso para nos perdoar e renovar nossas forças.
SOLDADO 1: - Se esse Jesus morreu por nós, para nos salvar, ele mesmo se perdeu?
CRISTÃO: - De maneira nenhuma, venerável camarada. Esse mesmo Jesus, o campeão do amor que se ofereceu por nós, foi morto pregado numa cruz, mas dentro de três dias ressuscitou, vencendo a morte! E ao ressurgir subiu aos céus, onde reina e aguarda o fim e a consumação de todas as coisas, quando Ele se reunirá com os que nele creram, para uma vida eterna de gozo e alegria. Gozo e alegria que então serão perfeitas, quando teremos novos céus e nova terra, onde a dor e a lágrima não mais existirão. Infelizmente, aqueles que não crerem em tão gracioso presente, em tão favorável dádiva, continuarão reféns da morte aqui e no além, e serão por fim lançados em castigos eternos... Sim, pois somos seres eternos; após nossa forte física, haverá um juízo, pois “o salário do pecado é a morte”.
SOLDADO 1: - Ora! Então serei lançado em castigos por não crer em Jesus? Pois lançaremos a você, seu tolo, na cadeia, e veremos se esse Jesus vem lhe resgatar!
CRISTÃO: - Amigos, vejam que não desejo o mal de nenhum de vocês, e rogo que não me prendam sem que eu nada de grave tenha feito; apenas lhes comunico a verdade como a aprendi, e a ofereço a vocês, que a solicitaram. Ofereço como a amigos, a informação que pode mudar suas vidas aqui e na eternidade.
TENENTE: - Ancião, confesso que até aqui não vejo em quê sua doutrina seja ofensiva ou contrarrevolucionária. No entanto, fico cada vez mais curioso com este livro “proibido”... Continue a leitura.
CRISTÃO: - Venerável tenente, realmente este livro, a Bíblia, é o livro dos livros, e a maior fonte de sabedoria universal! Não em vão é o livro mais impresso e vendido em todo o mundo, mais até que o Livro Vermelho de Mao. No entanto, eu tenho apenas este humilde trecho, e não há muito mais que lhes explicar aqui. Convido os amigos militares a buscarem aprender mais dessa boa doutrina, e se achegarem a este Deus de amor, como não há nenhum outro, em nenhuma das religiões dos homens. Em Romanos 11.36, temos que: “Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente.”
TENENTE: - Não pensei jamais que esse livro falasse sobre coisas tais; sempre acreditei que era um livro maligno, criado no Ocidente com o objetivo perverter os povos. No entanto, nesses poucos trechos que nos leste e nos explicaste, vejo apenas uma mensagem de esperança. Tal mensagem está mesmo presente nas outras partes faltantes deste livro?
CRISTÃO: - Sim, honorável amigo; infelizmente sou um humilde camponês e a muito custo obtive este trecho; mas já tive a oportunidade de ler ou ouvir boa parte da Bíblia, e é um livro magnífico, como nenhum outro. Recomendo que o venerável tenente, se não lhe for ofensivo, busque adquirir um desses livros, para sua leitura e reflexão. Sua mensagem jamais se esgota; a cada dia, o próprio Deus revela novas verdades àquele que se entrega com fé e humildade à leitura de seu livro.
SOLDADO 1: - Veja, tenente, além de portar tal livro, ele ainda recomenda que o adquiramos! Vamos prendê-lo afinal ou não, senhor?
TENENTE: - Soldado, por acaso você ouviu alguma coisa que lhe ofendeu? Algo que lhe inspirou a praticar o mal, ou a insurgir-se contra o Partido? Não foi somente uma mensagem de vida e esperança o que ouvimos aqui?
SOLDADO 2: - Senhor, realmente. Eu temia dizer, mas agora que vejo que o senhor pensa assim, afirmo que também conhecia um pouco deste livro, mas agora a sua mensagem me pareceu bem mais clara... Também gostei muito do que ouvi; peço humildemente perdão ao senhor agricultor pelas ofensas e maus tratos (faz a mesura tradicional chinesa – juntando as mãos e abaixando o tronco)
SOLDADO 3: - Camaradas, confesso também que tais palavras me pareceram claras e de boa saúde. Vejo humildemente que tal sabedoria não nos trouxe ofensa, mas ao contrário, deixou-me também com vontade de aprender mais... Quem sabe possamos convidar este aldeão num outro dia para nos expor melhor a sabedoria deste livro?
TENENTE: - Sim, nobre camarada Meng. Mas a hora é avançada e precisamos retornar ao posto de controle. Deixemos ir a este humilde camponês. (Dirigindo-se ao CRISTÃO:) Senhor, sabe que não deve portar tal livro em público, pois em nossa província ele é proibido de circular, e somos aqui os guardiões da lei. Portanto, doravante tenha cuidado ao andar com seu livro; embora seja dito em sua defesa que o que você possui é apenas um pequeno fragmento. Sua palavra nos foi agradável; como um mestre ancião, humildemente nos expôs palavras de vida, superiores talvez às de Confúcio e Lao Tsé. Vá em paz, e que esse Deus de que fala possa lhe proteger e abençoar, e também a nós. Confesso que espero algum dia poder ler esse misterioso mas desejável livro, e saber mais desse fascinante herói chamado Jesus, “o campeão do amor” que, se morreu para a salvação de todos os homens, me parece ser o maior herói que já viveu, e realmente o filho de Deus.
Caem os panos.

NARRADOR EM OFF: - E você, espectador: É capaz de pregar a palavra a um descrente a partir de um pequeno trecho das Escrituras? Porventura você já maneja bem a palavra da verdade?
E quando vier a verdadeira perseguição, estará pronto para não silenciar, mas sofrer a ofensa enquanto fala daquilo em que crê?
E se você, espectador, não é ainda um dos discípulos de Jesus: O que está esperando? Somente Ele, que morreu por você, tem as palavras de vida eterna, vida eterna que Ele deseja lhe dar como presente. Pois o preço já foi pago. Você aceita?

FIM

Autor: Sammis Reachers

Veredas Missionárias    

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sábado, 13 de outubro de 2018

Marcadores de Página com temas missionários para você baixar e imprimir


Olá amigos e irmãos! A novidade em recursos edificantes que apresentamos desta vez é uma série de marcadores de página, todos com temas de utilidade missionária. São ao todo sete temas, que você poderá baixar, imprimir e recortar.

Confira os temas:
  • Marcador com versículo motivacional e espaço de anotações para você inserir nomes de missionários, e nomes de povos e lugares por quem deve orar;
  • Uma série de 4 marcadores contendo um significativo resumo da história de Missões (linha do tempo), e dicas de livros sobre a história missionária da igreja;
  • Um modelo trazendo a Estrada Romana, que na verdade é um roteiro de versículos, apenas do livro de Romanos, apresentando o plano de salvação completo, para você utilizar como guia em sua ação evangelística;
  • Dois modelos de marcador contendo cada um cinco Esboços de Sermões Missionários diferentes;
  • Um modelo contendo de um lado Dicas (de atividades) para promover Missões em sua igreja, e do outro lado links para download de diversos materiais (livros, apostilas etc.) focados em mobilização missionária; 
  • Um modelo de marcador contendo uma ampla seleção de Versículos Missionários (a base bíblica de Missões);
  • Um modelo apologético, contendo de um lado as heresias e equívocos em que o catolicismo romano incorreu ao longo de sua história (e os versículos que os refutam), e do outro lado uma série de versículos para refutar algumas crenças das Testemunhas de Jeová.


E atenção: há alguns anos já havíamos elaborado uma série de nada menos que 17 modelos de marcadores de página, todos eles com diversas utilidades e recursos cristãos, alguns também com temas missionários. Agora, para facilitar, reunimos num ÚNICO arquivo PDF esses 17 modelos, MAIS os novos modelos que apresentamos acima.


PARA BAIXAR O ARQUIVO COM TODOS OS MARCADORES PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

Lembramos aos irmãos que tais recursos NÃO PODEM SER VENDIDOS. São recursos de grande edificação e utilidade, elaborados apenas para proveito da Igreja de Cristo. Mas convidamos vocês a compartilharem o arquivo, bem como os marcadores impressos, com o máximo de irmãos ao seu alcance. Imprima quantos puder e distribua entre irmãos na fé!

FIQUE ATENTO: Todos os marcadores possuem dois lados (frente e verso); assim, você deverá recortar corretamente e dobrar cada um deles. Cada página a ser impressa consta na maior parte das vezes de dois marcadores (do mesmo modelo ou de modelos diferentes).

E PARA MUITOS NOSSOS RECURSOS GRATUITOS SOBRE MISSÕES, EVANGELIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO MISSIONÁRIA, ACESSE NOSSO SITE BIBLIOTECA DE MISSÕES: https://bibliotecademissoes.com/


sábado, 15 de julho de 2017

Poderá a obra de Missões ser salva?

A revista TIME em uma de suas publicações no ano de 2003, trouxe uma matéria com a seguinte chamada: PODERÁ A IGREJA SER SALVA? Na época da publicação da matéria em questão, ela referia-se a Igreja Católica em suas lutas com a vida moral de seus sacerdotes ao redor do mundo. Creio que   essa pergunta é também pertinente a nós como Igreja Evangélica no Brasil, porém, aqui, quero me referir à obra missionária transcultural e a nossa tarefa em obedecer ao mandato de Mt. 28:19 “Portanto, ide (indo), fazei discípulos de todas as nações (etnias)…”, aqui encontramos uma definição Bíblica do Mandamento da Grande Comissão “fazer discípulos” onde o Evangelho não está disponível (Rm 15: 14.21). Portanto a questão a qual quero me referir, é a seguinte: A nossa parte na tarefa de evangelizar os que não ouviram o evangelho, será levada a salvo ate aquele dia quando encontraremos o nosso amado Salvador e Senhor?  Guardaremos o “bom depósito”, como Paulo exorta seu filho na fé Timóteo, a faze-lo em sua segunda carta, escrita em uma prisão de segurança máxima em Roma? (II Tm. 1:14)
PODERÁ A OBRA DE MISSÕES SER SALVA?
Alguém poderá indagar: Qual a razão para tal pergunta? É possível que a obra de missões no Brasil se perca em sua caminhada? Corre perigo de morte a obra de missões transculturais a partir da Igreja Brasileira? Será possível morrer a compaixão pelos PNAs no coração e ministério daquele que teve seus olhos abertos para além das fronteiras? É possível um homem de Deus perder a visão da direção em que Deus está se movendo? É possível perder o foco e caminhar com a vida, família e ministério de forma desfocada? Cambaleante? Como um Navio à deriva?

Pessoalmente creio que é possível, podemos ser no futuro uma igreja nominal e uma geração de crentes sonolentos e frios em nosso Amor ao Amado de nossa alma.
A Bíblia mostra-nos que a Igreja de Éfeso perdeu seu primeiro amor (Ap.2:4), no final do primeiro século quando a igreja começava seu declínio depois de um período de maturidade, quando foram escritas as chamadas “cartas da prisão”, Paulo, escreveu aos irmãos de Éfeso, Filipos, Colossos e ao seu amigo Filemon. A Igreja que recebeu o ouro da Palavra em relação a nossa posição em Cristo e tudo que recebemos nEle e dEle,  esta carta é considerada a coroa da teologia paulina, esta igreja quando as luzes do primeiro século estão se apagando, estes irmãos de Éfeso, revelam uma conduta que sob os olhos do Senhor da Igreja, necessita de reprovação. Era uma Igreja de muitas obras, perseverante, não suportava homens sem caráter, identificaram os falsos apóstolos e não receberam seu ministério, porém, com todo este “currículo eclesiástico”, seu candeeiro foi removido até os nossos dias. (Ap.2:5). Trinta anos antes (60 e 61 d.C.) essa igreja fora elogiada por seu amor ao Senhor Jesus (Ef. 1: 15,16). O amor estava lá na vida dos irmãos de Éfeso, mas, agora 30 anos depois (93 e 95 d.C.) eles perderam, o amor pelo Noivo, estava ausente, as afeições desta igreja estavam no lugar errado. Quando perdemos o amor por nosso amado Salvador, significa que nosso coração pertence a “outro” deus, Nosso Senhor Jesus condenou esse comportamento quando disse no Sermão do Monte “Ninguém pode servir a dois senhores…” (Mt. 6:24). Quando perdemos o amor por aquele que morreu por nós, deixamos de ser uma igreja missionária, nossos afetos estão nas coisas, nos eventos, nos números, na estrutura, no ministério. “Mestre! Que pedras, que construções!”, esta foi a afirmação de um dos seus discípulos, Jesus, respondeu “Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.” Esta profecia cumpriu-se nos anos 70, quando o General Tito, invadiu a cidade.
A igreja no norte da África nos primeiros séculos envolveu-se com discussões tais como: “A mulher tem ou não tem alma?” Também foi atacada por influências heréticas externas, mas o verdadeiro significado da salvação e a necessidade de proclamar o evangelho eram virtualmente ignorados, como está a igreja hoje nesta região do mundo?  Hoje contemplamos com profunda tristeza uma igreja agonizante na Europa de onde recebemos o evangelho e de onde saíram os reformadores e grandes avivalistas que incendiaram sua época e produziram milhares de missionários para o mundo inteiro. A Europa foi palco de um movimento de oração que durou 100 anos, como resultado da visão de um homem; Conde Zizendorf e então nasceram os Moravianos. Da Igreja da Europa recebemos: John Wycliffe (1328); John Huss (1373), na Boemia; Ulrich Zwinglio (1486), em Zurique-Suiça; John Calvino (1509), de Genebra; Martinho Lutero (1483), John Owen, nascido em 1616, um dos mais renomados teólogos puritanos; John Wesley (1703); Campell Morgan, principe dos expositorres, Charles Spurgeon, príncipe dos pregadores; George Mullher, pai de mais de 6.000 orfãos. O irmão George Mullher foi um dos grandes mantenedores de Hudson Taylor no Interior da China, William Booth, fundador do Exercito da Salvação, Dr. D.L.Johnes; John Stott que já está com o Senhor, e muitos outros. É quando perdemos nosso primeiro amor, que perdemos o entusiasmo por Jesus Cristo e conseqüentemente perdemos a visão, a paixão, a unção e já não temos nenhuma ação eficaz em direção aos que nada ouviram.  O candeeiro foi removido.
Queridos irmãos, nossa convicção de fé em relação a tarefa em dar o Evangelho aos que  não ouviram, isto é: Nossa parte como Igreja Evangélica Brasileira foi corrompida (1ª Ts. 3:5) e as portas do nosso coração foram abertas para a incredulidade, o pessimismo, o desânimo, as dúvidas, e as diversas correntes teológicas, que batem fortemente contra a Igreja de Cristo. Nossa convicção não é mais a mesma. O irmão Frank Dietz pergunta em uma de suas mensagens: Nossa visão é uma CONVICÇÃO ou uma PREFERNCIA? Convicção você não muda, preferência você troca. Ventos fortes sopram contra a Igreja brasileira, estamos sendo transformados em uma igreja templista, onde o templo construído aqui é mais importante que o edifício de  Éfesios 4.1.16. De repente o materialismo chegou; nossos sonhos em ver os povos serem alcançados estão sendo corrompidos; nossa ousadia cede ao ceticismo; nossa intrepidez cede à lógica humana; nossa coragem cede aos questionamentos tais como: E a alta do dólar? E a crise na economia? E o desemprego? E o lugar para o estacionamento dos nossos carros? E o sistema de ar condicionado? E a área de lazer da igreja? E a gravação do grupo de musica? E os que não ouviram em nossa cidade? E os pobres? E agora por último, a nova onda: A Missão Integral, que é o novo modismo dos burocratas eclesiásticos. Missões está em perigo. Poderemos salvar a obra de missões transculturais que nos foi dada como responsabilidade? Chegamos até aqui como resultado da obediência de missionários que vieram ao Brasil e nos deram o evangelho, deixando-nos uma herança que precisa ser transferida à geração futura. Corremos o risco de deixarmos como herança para a geração que nos sucederá um vale de ossos secos, chamado missões.
O que fazer? Olhemos para a igreja de Tessalônica que se tornou modelo em missões em um contexto de crises e lutas (1ª Ts. 1: 7,8) sigamos o exemplo dos irmãos de Filipos que tornaram-se cooperadores com Paulo, quando outras igrejas já não respondiam as necessidades dos missionários, a igreja de Filipos entra na história como uma igreja que “cooperou desde o começo até aquele momento…” (Fil. 1:5). Olhemos para o missionário Paulo quando diante do rei Agripa em Atos 26:19, ele declara: “Pelo que, ó  Rei Agripa, não fui desobediente a visão celestial. Qual era a visão de Paulo? Alguém tem dúvida que sua visão era dar o evangelho aos gentios e oferecê-los como uma oferta a Deus? (At.26:18.20, Rm.15:16). Creio que precisamos perguntar a nós mesmos hoje; qual é a visão que recebemos de Deus? Lembro de um colega de ministério que disse-me certa vez: “a ênfase do meu ministério não é missões, é ação social”. Então perguntei-lhe: Caro colega, missões é uma questão de ênfase ou uma questão de obediência? Temos a liberdade de  escolher qual será a ênfase do nosso ministério, ou somos chamados a seguir e imitar a vida daquele que nos salvou e nos chamou com Santa Vocação (2ª.Tm.1:9)? Precisamos perguntar a nós mesmos e uns aos outros: qual é a nossa visão? Qual é a nossa convicção? Precisamos perguntar a nos mesmos: qual é o meu negócio? Pergunte ao irmão que está ao seu lado, ao seu colega de ministério, de presbitério, de diaconato, de liderança: Qual é o seu negócio? Certa vez o Evangelista Moody abordou um homem em uma das ruas de sua cidade: Você já ouviu falar de Jesus Cristo? O homem respondeu-lhe: vá cuidar do seu negócio! Prontamente o grande evangelista respondeu: O meu negócio é pregar o evangelho. Tarde da noite alguém bateu à porta do irmão Moody. Quem será? Era aquele homem que mandou Moody cuidar de seu negócio. “Por favor, fale-me sobre o evangelho”.
Precisamos redefinir o nosso ministério? O que é o ministério? Fomos chamados porque e para que? E a igreja? Precisamos voltar ao Novo Testamento e à luz das escrituras redefinir a identidade da igreja e sua missão. Quando teremos coragem para discutir e refletir sobre estas questões?  Fomos chamados para quê? Quais os passos para mudar esse quadro? Quero compartilhar quatro passos que podemos dar.
Primeiro: Vamos voltar à Palavra de Deus, vamos pregar sobre missões em nossos púlpitos, vamos dar uma dieta missionária à Igreja que está extremamente OBESA. Vamos pregar expositivamente, vamos abrir a Bíblia e assim como Esdras ensinar as escrituras (Ed.7:10.27). Nossos púlpitos estão vazios da Palavra de Deus e cheios de “artistas”, “atletas”, “comediantes”, “mentores” que se dizem discipuladores, porem nunca geraram filhos espirituais, temos “coreografias, bandas de “estrelas cadentes”, tecnologia, nossos púlpitos foram transformados em picadeiros, palcos, o sentimento que experimentamos é que vivemos nos dias de Samuel: “A Palavra de Deus era mui rara” (1ª. Sm.3:1), e as ovelhas andam (como bêbados) com fome e sede (Amós 8:11.12). Como teremos uma igreja missionária? Vamos fazer como Paulo em  Tessalonica (At. 17:1.3). Oh! Meus queridos irmãos, precisamos hoje de uma pregação poderosa com uma Palavra poderosa, através de lábios cheios de fogo e com ações  poderosas que cheguem ate aos confins da terra (At. 1:5.8).
Segundo: Vamos orar com perseverança, criatividade e fervor espiritual. Vamos gerar um movimento de oração que dure até a volta do Senhor Jesus. Nossos cultos de oração desapareceram e o que sobrou tornou-se um culto humanista, a intercessão gira em torno da nossa vida, da nossa familia, da nossa segurança, das bênçãos que desejamos a qualquer preço. Necessitamos que o mesmo Espírito que estava em Epafras em Cl.4:12; venha sobre nós afim de batalharmos para que a Igreja de Deus no Brasil e no mundo seja perfeita, isto é: Madura, Completa, Adulta e que a nossa convicção seja restaurada, afim de cumprirmos a vontade de Deus em relação àqueles que ainda não ouviram.
Terceiro:
Vamos trabalhar até a exaustão (Cl.1:28.29), gerar novos obreiros, discípula-los, restaura-los e equipa-los para que se tornem o nossos Timóteos, Titos, Aquilas e Priscilas, Joãos Marcos: Provados e Aprovados, que servirão ao evangelho (Fp. 2:19.22).
Quarto: Vamos tomar a decisão de levar nosso ministério para missões e decidir que nossas igrejas serão missionárias e vamos direcionar nossos orçamentos financeiros para o sustento de mais obreiros transculturais, em campos ainda não alcançados. Hoje a nossa Igreja no Brasil, cresceu numericamente, cresceu financeiramente, crescemos na área de recursos teológicos e tecnológicos, porém, somos como a Igreja de Éfeso, perdemos o nosso primeiro amor.
Deus tenha misericórdia de nós, vamos ouvir o chamado do nosso Amado Salvador ao arrependimento, o mesmo chamado que foi dado aos irmãos de Éfeso:
Ap. 2:5 – Lembra-te, pois, donde caíste, arrepende-te e volta a pratica das primeiras obras; de outra forma, venho a ti, e removerei o teu candeeiro do seu lugar, se não te arrependeres.
Vamos em frente, sem desanimar, vamos AVANTE em nome do Senhor Jesus!

sábado, 1 de julho de 2017

Livros de Missões gratuitos em espanhol


O Ministério Preciosa Sangre, associação baseada na Espanha voltada para promover a obra de Cristo no Oriente Médio, disponibiliza cinco e-books de interesse missiológico gratuitamente (todos em espanhol). 

São eles: 
Opresión Espiritual del Islam (Opressão Espiritual do Islã);
Llamada a servir a mi pueblo Iraní (Chamada a servir a meu povo iraniano - Testemunho de uma irmã iraniana);
12 Consejos antes de ir a las Misiones (12 Conselhos antes de ir para Missões);
Voces que Claman (Vocês que Clamam - Preparando o caminho para o Rei Jesus);
12 Datos que todo cristiano debe saber sobre Turquía (12 dados que todo cristão deve saber sobre a Turquia).

Para baixar os livros, clique diretamente sobre os títulos ou acesse AQUI a página dos livros no site de Preciosa Sangre.


domingo, 25 de junho de 2017

Apresentando as boas novas para os hindus


Como evitar que o pacote se perca, seja roubado ou danificado

O hinduísmo afirma possuir 900 milhões de seguidores em todo o mundo, o que o tornaria a terceira maior religião mundial depois do cristianismo e do islamismo. A grande maioria, mais 827 milhões, vive na Índia.
O evangelho tem contribuído para o bem estar e o desenvolvimento holístico de comunidades marginalizadas, disseminação da educação e da saúde e crescimento de comunidades que cultuam Cristo entre os hindus. Em muitos lugares, porém, os que levam as Boas Novas falham na encarnação do evangelho, de modo que a comunidade não tem oportunidade de investigar a autenticidade das Boas Novas.
Hoje, quando oferecemos as Boas Novas a comunidades dentro do mundo hindu, não somos capazes de separá-las das embalagens culturais do Ocidente. Assim, o que oferecemos é rejeitado porque as Boas Novas ou ficaram perdidas ou danificadas sob as embalagens de uma cultura estranha ou foram roubadas, de modo que tudo o que realmente entregamos é a embalagem.
Infelizmente, ficamos mais confortáveis com símbolos e rituais ocidentais. Nós nos apegamos a eles como se fossem mandamentos bíblicos e somos menos tolerantes com expressões hindus de fé. Comunidades hindus baseiam-se em famílias e comunidades muito bem entrelaçadas. É comum dizerem para os jovens que as práticas da família e da comunidade são más e precisam ser renegadas, de modo que precisam optar entre a família e a fé. A vida deles fica dilacerada por questões de cultura, não de Cristo. O medo de serem extirpados da família é um dos obstáculos para pessoas de formação hindu seguirem Jesus.
A ênfase na conversão cultural em lugar da verdadeira transformação espiritual interior tem prejudicado o evangelho. Temos transportado o evangelho com toda sua embalagem cultural e esperamos que uma civilização antiga, com uma profunda consciência de Deus e fundamentação filosófica e teológica, jogue fora sua identidade, cultura e valores para ficar com nosso pacote. Precisamos nos fazer vulneráveis, atrevendo-nos a desembrulhar as Boas Novas e oferecê-las para que as comunidades possam inspecionar, alterar, aceitar ou rejeitar.
Quando estendemos essa graça a eles em oração, podemos ter a certeza de que o evangelho também irá inspecionar e transformar os hindus, sua cultura e comunidades de maneira singular que talvez nem imaginemos. Relacionamentos profundos caracterizados por aceitação incondicional, interesse genuíno e atitudes não condenatórias levarão as pessoas a examinar melhor as Boas Novas.
O caminho do progresso é o caminho do diálogo em que estamos primeiramente prontos a ouvir, aprender, nos humilhar e a sermos acessíveis; e a partir disso apresentar nossa vida e palavras para serem contempladas por nossos amigos hindus. Nosso envolvimento em diálogo e missão é uma aventura, antevendo surpresas à medida que o Espírito nos guia a um entendimento mais profundo. A beleza do evangelho é que se apresenta de novas maneiras em cada situação, quando permitimos que o Espírito Santo nos dirija.
O caráter maravilhoso do mundo hindu é que a maioria das pessoas acredita profundamente em Deus e está tentando relacionar-se com ele, conhecê-lo, agradá-lo e receber sua ajuda. Deus está empenhado em alcançar os hindus, apesar dos erros que nós, seus seguidores, cometemos em nossas ações missionárias. Como um mestre tecelão, ele é capaz de tecer desenhos grandiosos, se estivermos dispostos a lhe devolver o controle, fazendo-nos vulneráveis, saindo de nossa área de conforto, e lhe permitir que nos corrija, nos ensine e nos mantenha humildes. 
Traduzido por: Lucy Yamakami

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Missiologia e a Teologia da Prosperidade


Wellison Barbosa dos Santos
Introdução
Nicodemos, membro do Sinédrio, o supremo tribunal dos judeus, foi procurar Jesus à noite, talvez com receio de ser visto com o Mestre, com uma argumentação interessante: “Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3:2)
Porém, a resposta de Jesus foi mais interessante: “A isto respondeu Jesus: em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3:3)
Jesus está mostrando que o reino de Deus não pode ser conhecido do lado de fora pelas evidências que sustentem as argumentações humanas, mas que o reino de Deus só pode ser visto e reconhecido em suas verdadeiras virtudes por quem estiver dentro dele.
A réplica de Nicodemos a Jesus foi proporcional ao que ele via e entendia: “Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (Jo 3:4)
Diante disso, Jesus fechou a questão, dizendo: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino dos céus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” (Jo 3:5-7)
Portanto, o reino de Deus tem na encarnação e Obra do Cristo e na sua consequência maior, o novo nascimento, o ápice das suas manifestações, o que parece ter mudado na concepção de muitos que dizem enxergar o reino estando do lado de dentro.
Sim, porque nos dias atuais quando a presença e a influência da teologia da prosperidade atingem até mesmo os redutos mais conservadores da fé cristã: não é mais Cristo e o novo nascimento, o ser uma nova criatura em Cristo Jesus, o grande sinal do reino de Deus entre nós.
O reino de Deus está entre nós porque agora somos prósperos e abençoados; não somos mais cauda, somos cabeça; não somos mais empregados, somos patrões; determinamos pela fé o que queremos de Deus e por aí vai.
Mais do que um produto da mídia habilmente manipulado, o que estamos assistindo no nosso país é um ataque frontal aos alicerces da fé reformada, cujas consequências atingem a obra missionária não somente na questão das contribuições financeiras e na disponibilidade de vocacionados, mas principalmente na teologia que norteia a nossa missiologia.
As igrejas adeptas da teologia da prosperidade estão repletas de “abençoados e prósperos”, mas não de verdadeiros discípulos de Cristo nascidos de novo; uma grande contingente resultante de um sincretismo tão perigoso quanto ao visto em várias localidades da África, onde a prática cristã e o ocultismo convivem em igual escala de importância.
Portanto, faz-se necessário refletirmos neste texto do evangelho de João, no capítulo 3, versículos 1-21, acerca dos impactos da teologia da prosperidade na teologia que norteia a nossa missiologia, tendo como premissas:
  1. A centralidade da Cruz
  2. A proclamação da Missão de Cristo
A Centralidade da Cruz (1ª Premissa)
Os sinais de quem via o reino de Deus pelo lado de fora inquietaram o coração de Nicodemos, assim como os supostos milagres da teologia da prosperidade preparados e veiculados na mídia tem inquietado o coração de muitas lideranças evangélicas brasileiras.
A grande maioria ávida em repetir as receitas de sucesso das grandes igrejas neopentecostais, reconfiguraram suas liturgias para atrair mais pessoas e consequentemente maiores arrecadações, mas não se preocuparam com os pressupostos teológicos preteridos em prol da adoção da “novidade” de sucesso financeiro e ministerial.
A centralidade da cruz foi o maior deles. Foi trocada pela centralidade de uma fé pragmática e de resultados extremamente duvidosos.
Jesus disse a Nicodemos: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem. E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3:13-15)
O propósito de Deus foi concentrar no Cristo levantado na cruz as esperanças de uma nova vida para todo aquele que Nele crer.
O sangue de Cristo é a oferta única e suficiente para esta nova vida e não os valores depositados num envelope ou as unções especiais, conforme o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: “Justificados, pois, mediante a fé temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos igualmente, acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5:1,2) .
O uso da fé, tão propagado pelos neopentecostais não é uma resposta à graça de Deus que, em Cristo Jesus concede a vida eterna a todo que Nele crer, mas sim uma proposta negociável fundamentada num paganismo que acredita poder manipular a divindade, a fim de obter seus benefícios, mediante o escambo espiritual. Parece-nos que a realidade das palavras do apóstolo aos Efésios foi esquecida: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2:1-9)
Não mais a cruz, mas a campanha fundamentada na oferta financeira é a porta que se abre no céu para toda sorte de benefício terreno. Assim, as palavras do apóstolo Paulo perderam o sentido para os adeptos da teologia da prosperidade: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra de reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Co 5:17-21)
Descentralizar a cruz é desenvolver uma missiologia de resultados justificados pela quantidade de templos inaugurados, pelas metas de arrecadação alcançadas e pelo público literalmente pagante presente nas reuniões de fé e milagres e não mais pela obediência à ordem de Jesus: ”Ide, portanto, fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou conosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (Mt 28:19,20).
Portanto, a centralidade da cruz deve ser refletida na nossa pregação, cujo mote maior não deve ser a popularidade, mas o compromisso inegociável com a verdade das Escrituras Sagradas, bem retratada pelo apóstolo Paulo à igreja em Corinto: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1 Co 1:21-24)
A pregação centrada na cruz não fechará as portas da teologia da prosperidade, mas certamente levará pessoas a uma fé cristocêntrica, conforme o apóstolo Paulo escreveu à igreja em Corinto: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza e temor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” (1 Co 2:2-5)
Tais pessoas serão potenciais candidatos ao campo missionário, formadas com bases teológicas que não negociam sua ética e seu conteúdo, refletindo-as na vida daqueles que hoje ainda nada ouviram de Cristo.
Façamos da cruz a nossa mensagem para “Jerusalém, Judéia, Samaria e até aos confins da terra”.
A Proclamação da Missão de Cristo (2ª Premissa)
Jesus explicou sua missão a Nicodemos nas seguintes palavras: “assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3:14,15)
Em seguida, Jesus explica o fator motivador da sua missão, o amor de Deus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16)
Este amor se manifestou de “tal maneira”, ou seja, na cruz onde Cristo foi levantado à semelhança à serpente no deserto levantada por Moisés.
O mundo estava sentenciado no “corredor da morte eterna”, mas o amor de Deus se manifestou em Cristo Jesus para dar vida eterna aos que crerem no Filho Bendito.
Está foi e é a missão de Jesus: tirar o pecador do “corredor da morte eterna”, conforme o apóstolo Paulo escreveu aos Colossenses: “Ele nos libertoouo do império das trevas e nos transportou ao reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção a remissão dos pecados.” (Cl 1:13,14).
A Igreja participa desta missão no poder do Espírito Santo, conforme o apóstolo Pedro escreveu: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” (1 Pe 2:9)
Considerando a missão de Jesus, a teologia da prosperidade é uma “anti-missão”, pois além de desfocar a centralidade da cruz, desfoca também a realidade das pessoas para um “mundo imaginário”, à margem da missão de Jesus.
Ela não considera que os pecadores estejam no “corredor da morte eterna”, nem tampouco advoga um mínimo de justiça pelos que sofrem.
Ela advoga em causa própria oferecendo uma solução irreal para os problemas do povo, escondendo o grande e maior vilão de todo ser humano: o pecado.
Na sua “anti-missão” a teologia da prosperidade consegue ofuscar a tenebrosa realidade do pecado, através do brilho falso do materialismo, a ponto de concentrar todas as esperanças do povo no consumismo tão em voga nos dias atuais.
Daí, a pergunta que se faz num cenário como este: Jesus morreu na cruz por que e para quê, se o nosso grande problema não é o pecado?
As palavras do apóstolo Paulo aos Romanos sequer são lidas e pregadas nos púlpitos neopentecostais: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5:12)
Benção e pecado convivem juntos na teologia da prosperidade, porque afinal de contas, o que importa é o carro novo na garagem, a mutação quase que automática de empregado para patrão, a certeza que as coisas a serem conquistadas dependem somente da aplicação financeira celestial, fixada em juros estratosféricos e resgate imediato.
Esta é a esperança oferecida pela teologia da prosperidade, a qual tem transformado e transtornado muitos púlpitos que outrora pregavam a mensagem da cruz.
Diferentemente, de tudo isso, o apóstolo Paulo escreveu à Igreja em Corinto que estava sendo afetada por ensinamentos que afirmavam não haver ressurreição dos mortos: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Co 15:19)
A “anti-missão” da teologia da prosperidade ignora o pecado e suas consequências eternas, fortalecendo a ideia da inexistência da eternidade, pois o que importa é desfrutar hoje do que Deus prometeu e tem que cumprir, porque a fé está em ação, determinando as bênçãos desejadas.
Jesus disse a Nicodemos o propósito da sua missão: “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3:17)
A “anti-missão” da teologia da prosperidade afirma que o grande inimigo das pessoas é satanás que não as deixa prosperar, que as faz adoecer, que destrói suas famílias, deixando-as numa condição humilhante.
Que satanás é o grande inimigo, ninguém discute. A questão é se o seu objetivo seria tão somente destruir o que é visível, até porque se for isso, fica mais fácil resolver.
Nas palavras do apóstolo Paulo à Igreja em Corinto não parece ser isso: “Mas, se o nosso evangelho está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.” (2 Co 4:3-6)
A “anti-missão” da teologia da prosperidade corrobora com o objetivo de satanás em manter as pessoas cegas quanto a “iluminação do conhecimento de Deus na face de Cristo”.
Na verdade, esta “anti-missão” estabelece um cativeiro disfarçado que leva o nome de Deus, mediante um apelo popular massivo travestido num falso evangelho, customizado pelos líderes neopentecostais a partir das suas revelações pessoais que contradizem as Escrituras Sagradas.
As advertências do apóstolo Paulo aos Gálatas são mais do que apropriadas nos dias de hoje às igrejas, outrora firmadas nas Escrituras, mas que se deixaram fascinar pela “anti-missão” da teologia da prosperidade: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.” (Gl 1:6-9)
Quais os resultados podem ser esperados do cativeiro da “anti-missão”? O apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas anteviu a frustração que aguarda muita gente: “Para a liberdade foi que Cristo vos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. Porque nós pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém de fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor. Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade/” (Gl 5:1-7)
Agora, é preciso considerar que Paulo escreveu a uma igreja, que se deixava levar pela doutrina dos judaizantes que confinava a salvação à observância da lei e não à fé em Cristo Jesus. E aqueles que nunca ouviram do evangelho e se convertem através da “anti-missão” da teologia da prosperidade?
O apóstolo Pedro escrevendo sobre os falsos mestres definiu o prejuízo que os mesmos causam aos incrédulos que estão se aproximando da fé, prejuízos esses semelhantes aos causados pela “anti-missão” da teologia da prosperidade: “Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas pelo temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor.” (2 Pe 2:17-19)
Os resultados da “anti-missão” da teologia da prosperidade implicam numa rota de colisão com a missão de Jesus: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.” (Jo 3:18,19)
Esta colisão se deve ao fato de que a “anti-missão” não tem como aplicar a luz à real condição do mundo sem Cristo, uma vez que se isto ocorrer as pessoas poderão enxergar seus pecados e a única possibilidade de serem livres deles, mediante a missão de Cristo na cruz.
Tais pessoas continuam em trevas, sem saber que poderiam ser salvas do que realmente as aprisiona: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com a sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade. Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. E a vós, outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” (Cl 2:8-15)
Sem saber, estão cada vez mais expostas ao julgamento que as tirará do corredor da morte para lança-las definitivamente na morte eterna.
Portanto, é preciso resgatar a missão de Jesus através da sua proclamação dentro e fora das igrejas, mediante a denúncia e rejeição da “anti-missão”, através do ensino das Escrituras Sagradas.
Para tanto, devemos cultivar ministérios alicerçados numa integridade pessoal e ministerial advindas das Escrituras Sagradas, ao invés de nos fascinarmos com as promessas de crescimento e fama, pois, já sabemos que o crescimento vem Dele.
Conclusão
Como em outros momentos da história, a Igreja custa perceber as portas do inferno, salvo alguns do seu escalão. Foi assim com o nazismo na Alemanha e com as ditaduras militares que assolam até hoje, principalmente, os países da América Latina e a África.
Guardadas as devidas proporções, o mesmo fenômeno se repete com a teologia da prosperidade que desembarcou e fincou raízes no Brasil, aproveitando-se não apenas do subdesenvolvimento social e econômico, como também do relativismo bíblico que assola os rincões ministeriais da nação.
Muitos ainda custam acreditar que é impossível alinhar uma missiologia que promova a missão de Cristo, a partir de uma teologia orientada pelos ventos da teologia da prosperidade.
Neste cenário, os que professam a fé reformada que resulta numa missiologia transformadora, devem estar conscientes que não apenas militamos contra uma mentira assumida, como também, contra uma mentira camuflada.
O nosso consolo e esperança está na soberania de Deus que, a despeito de tudo isso, “vela em cumprir a sua palavra”.
Que Deus nos abençoe e guarde.

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