domingo, 7 de junho de 2026

RAZÕES PARA IR AO CAMPO MISSIONÁRIO

 


RAZÕES PARA IR AO CAMPO MISSIONÁRIO

João Petreceli

Inicialmente, é comum atribuir ao plantio de igrejas uma das finalidades últimas da missão. Interessante lembrar que a ordem de Cristo não versava especificamente sobre isso, pois o intuito não é constituir uma réplica de um modelo empresarial, como uma franquia. Não são requisitos encontrar um ponto adequado, oferecer um bom pacote de serviços que atendam a necessidade do público-alvo e, assim, esperar as pessoas comparecerem. Infelizmente, quem detém esse ímpeto, até consegue algumas adesões, porém, normalmente, estão insatisfeitos com suas antigas igrejas. Não foi essa a missão entregue a nós pelo nosso Senhor.

Por que não há na Bíblia um mandamento para plantarmos igrejas? Ora, não é necessário. Se o alicerce estiver apoiado em fazer discípulos, o plantio será saudável. Desde a fundação dessa comunidade, veremos discípulos que crescem no firme propósito de serem mais parecidos com Cristo e, por isso, brilharão a luz do evangelho e salgarão a terra. Certamente, também descobriremos nesse meio outras pessoas que, apesar de declarar publicamente a fé, vivem para seus sonhos. No entanto, o discipulado será a chave para transformar esse grupo em terreno fértil para aperfeiçoá-lo na visão de Cristo.

Como vimos, defender apenas o evangelismo para iniciativa missionária é superficial e, se estiver desvinculado do discipulado, significa preparar terreno para as seitas e quaisquer ventos de doutrinas. Além disso, existe o perigo de gerar pessoas que perpetuarão mal testemunho e envergonharão o nome de Cristo, pois elas não assimilaram a real dimensão da vida cristã. Não alimente essa visão exclusiva de evangelizar, planeje formar discípulos para Cristo, sim, investir em homens e mulheres com teologia saudável e, sobretudo, desenvolver ética e missão que caminham juntos. A verdade é que obra missionária sem discipulado é [ou pode ser] um desserviço ao reino de Deus.

Outros são motivados para ir ao campo para se tornarem professores de seminários e, em certos casos, é oportuno; no entanto, o ato de ensinar teologia não reflete, necessariamente, em formar discípulos para Cristo. Enganam-se os que pensam que a simples transmissão de informações, como propõe o modelo grego, será o alvo da missão. Aprender a Palavra do Senhor com profundidade tem lugar reservado durante o discipulado, como ficou nítido no ministério de Cristo e dos apóstolos. Contudo, eles seguiam o modelo judaico, que alinha a doutrina e a prática, ou seja, propõe o ensino e obediência de tudo o que Jesus ministrou. Essa aplicabilidade estende-se para além da sala de aula, atinge a caminhada cristã como um todo e cria oportunidades para os conceitos se encaixarem no cotidiano. Não se dedique apenas ao magistério tradicional, aspire por servir ao reino, formando discípulos por meio do ensino formal e informal.

Por fim, a razão de alguns irem ao campo é para tão somente cuidar e amar pessoas. Esses indivíduos assim se expressam: "Não vou para pregar ou ensinar, mas para servi-las" e, dessa forma, concebem a versão evangélica da ordem dos franciscanos. Nesse afã, muitos citam a famosa frase atribuída a Francisco de Assis: "Evangelize, evangelize, evangelize e, se necessário, use palavras." Jesus não nos deu uma tarefa social para resolver problemas temporais e externos dos homens, mas uma missão espiritual, eterna e profundamente arraigada na raiz de todos os seres humanos. As estratégias sociais, esportivas, educacionais e artísticas são válidas desde que não sejam um fim em si mesmos.



Trecho do livro Conselhos para vocacionados à missão transcultural (Kingdom Words, 2025).


 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...