RAZÕES PARA IR AO CAMPO
MISSIONÁRIO
João Petreceli
Inicialmente,
é comum atribuir ao plantio de igrejas uma das finalidades últimas da missão.
Interessante lembrar que a ordem de Cristo não versava especificamente sobre
isso, pois o intuito não é constituir uma réplica de um modelo empresarial,
como uma franquia. Não são requisitos encontrar um ponto adequado, oferecer um
bom pacote de serviços que atendam a necessidade do público-alvo e, assim,
esperar as pessoas comparecerem. Infelizmente, quem detém esse ímpeto, até
consegue algumas adesões, porém, normalmente, estão insatisfeitos com suas
antigas igrejas. Não foi essa a missão entregue a nós pelo nosso Senhor.
Por que não
há na Bíblia um mandamento para plantarmos igrejas? Ora, não é necessário. Se o
alicerce estiver apoiado em fazer discípulos, o plantio será saudável. Desde a
fundação dessa comunidade, veremos discípulos que crescem no firme propósito de
serem mais parecidos com Cristo e, por isso, brilharão a luz do evangelho e
salgarão a terra. Certamente, também descobriremos nesse meio outras pessoas
que, apesar de declarar publicamente a fé, vivem para seus sonhos. No entanto,
o discipulado será a chave para transformar esse grupo em terreno fértil para
aperfeiçoá-lo na visão de Cristo.
Como vimos,
defender apenas o evangelismo para iniciativa missionária é superficial e, se
estiver desvinculado do discipulado, significa preparar terreno para as seitas
e quaisquer ventos de doutrinas. Além disso, existe o perigo de gerar pessoas
que perpetuarão mal testemunho e envergonharão o nome de Cristo, pois elas não
assimilaram a real dimensão da vida cristã. Não alimente essa visão exclusiva
de evangelizar, planeje formar discípulos para Cristo, sim, investir em homens
e mulheres com teologia saudável e, sobretudo, desenvolver ética e missão que
caminham juntos. A verdade é que obra missionária sem discipulado é [ou pode
ser] um desserviço ao reino de Deus.
Outros são
motivados para ir ao campo para se tornarem professores de seminários e, em
certos casos, é oportuno; no entanto, o ato de ensinar teologia não reflete,
necessariamente, em formar discípulos para Cristo. Enganam-se os que pensam que
a simples transmissão de informações, como propõe o modelo grego, será o alvo
da missão. Aprender a Palavra do Senhor com profundidade tem lugar reservado
durante o discipulado, como ficou nítido no ministério de Cristo e dos
apóstolos. Contudo, eles seguiam o modelo judaico, que alinha a doutrina e a
prática, ou seja, propõe o ensino e obediência de tudo o que Jesus ministrou.
Essa aplicabilidade estende-se para além da sala de aula, atinge a caminhada
cristã como um todo e cria oportunidades para os conceitos se encaixarem no
cotidiano. Não se dedique apenas ao magistério tradicional, aspire por servir
ao reino, formando discípulos por meio do ensino formal e informal.
Por fim, a
razão de alguns irem ao campo é para tão somente cuidar e amar pessoas. Esses
indivíduos assim se expressam: "Não vou para pregar ou ensinar, mas para
servi-las" e, dessa forma, concebem a versão evangélica da ordem dos franciscanos.
Nesse afã, muitos citam a famosa frase atribuída a Francisco de Assis:
"Evangelize, evangelize, evangelize e, se necessário, use palavras."
Jesus não nos deu uma tarefa social para resolver problemas temporais e
externos dos homens, mas uma missão espiritual, eterna e profundamente arraigada
na raiz de todos os seres humanos. As estratégias sociais, esportivas,
educacionais e artísticas são válidas desde que não sejam um fim em si mesmos.
Trecho do livro Conselhos para vocacionados à missão transcultural (Kingdom Words, 2025).


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