quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Confissão de fé missionária


Sâmia Laila
http://www.teologiabrasileira.com.br/
Havendo Deus outrora falado muitas vezes, de muitas maneiras, aos nossos pais, pelos profetas, hoje nos fala pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem de sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação de nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; feito tanto mais excelente do que anjos, disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei. Eu lhe serei por Pai, E Ele me será por Filho. (Hb 1. 1-5)

Ora, sendo Jesus Cristo o único Senhor e Rei soberano, e começando a Missão em Deus e convergindo para ele mesmo, então, somos parte dos seus propósitos eternos para levar sua salvação aos homens que de antemão ele escolheu para herdarem a vida eterna. A atitude correta na obra missionária, em conformidade com as verdades reveladas na Palavra de Deus, deve ser:

1. Humildade diante daquele que nos chamou, sabendo que ele é o autor da salvação. Assim, não está em nossas mãos o destino final de cada vida, mas é tarefa do Espírito Santo convencê-los do pecado, da justiça e do juízo. Somos apenas parceiros de Deus na Missão que é dele;

2. A centralidade da Missão envolve comunhão perfeita e permanente com Deus. Viver a prática do Evangelho requer também compreendê-lo e buscá-lo de forma racional, ainda que não desprovida de emoções inerentes à vida de quem é adorador e está em união com o seu Senhor;

3. A obra missionária deve ser feita de joelhos e na total dependência do Espírito Santo. Excluir a direção e controle do Espírito Santo do ministério é cair em ativismo e egocentrismo, mesmo em função da própria obra. Essa seria, portanto, uma atitude de idolatria;

4. Devemos ter uma vida de retidão moral e ética cristã, revelando ao mundo, de forma visível, a presença de Deus entre os homens; 

5. Jesus é a Boa Nova e a única verdade. De forma alguma devemos fazer qualquer tipo de união sincrética ou reducionista da Palavra de Deus. Jamais esvaziar Jesus do seu conteúdo, ou negar que ele existiu dentro do tempo (Kairós) e na história geral;

6. Seguir os passos do mestre: A Missão deve ser feita sob a cruz, sabedores que fazer a vontade de Deus implica diretamente em lutas, perseguições e, quem sabe, perigos, dores e até morte pelo nome de Cristo Jesus;

7. Temos que ter o compromisso de denunciar o pecado, para que pecadores se arrependam; proclamar o perdão em nome de Jesus; fazer discípulos. Também preparar lideranças autóctones, para assumirem o trabalho local;

8. Ao pregar para um mundo caído e sem Cristo, não nos cabe uma atitude triunfalista. Apesar de sermos instrumento de Deus devemos reconhecer nossa imperfeição e fraqueza humana. Além disso, nem sempre a missão desemboca em vitórias na perspectiva dos homens, mas para os planos divinos tudo está se cumprindo, mesmo diante das adversidades e intempéries na causa missionária;

9. Estando na missão que o Senhor Jesus nos confiou, sob o signo da cruz, temos que ter comunhão com os demais irmãos no Campo, Agência (Junta) e Igreja, em uma atitude de submissão e amor cristão;

10. A missão deve ser sempre kerigmática (proclamação das Boas Novas), porém não excludente da prática das boas obras que Deus de antemão preparou para nós (Ef. 2.10). O Evangelho deve ser apresentado de forma integral e em todas as dimensões da vida humana, em atos de justiça e misericórdia, conforme descrito na Palavra de Deus (Ap 19.7,8);

11. Jamais devemos pregar a mensagem do Evangelho sem considerar a cosmovisão do povo ou menosprezando a importância da contextualização da mensagem. A pregação do Evangelho deve ser sempre feita de forma cristocêntrica, relevante e aplicável, caso contrário nossa pregação será etnocêntrica e antibíblica;

12. A obra salvífica de Cristo tem caráter eterno, portanto, o cristianismo é mais do que levar pecadores para o céu apontando a redenção num plano futuro, mas é a integralidade entre a presente era e o porvir. Então, trazer o Reino de Deus em toda sua amplitude para o agora, através do ministério que Deus nos confiou, visa também à glorificação do Filho hoje e até o final dos tempos.


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