quarta-feira, 12 de agosto de 2009

TRÊS RECEITAS DE UMA MISSIONÁRIA

Amados irmãos, publicamos abaixo o texto que nos foi enviado pela missionária Alzira Esterque. É um texto edificante, e ao mesmo tempo pitoresco e divertido, sobre algumas experiências de campo.
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TRÊS RECEITAS DE UMA MISSIONÁRIA


Alzira Sterque


Introdução

Já faz algum tempo que gostaria de escrever este opúsculo. Ele já estava todo preparado, mas faltava o tempo necessário para fazê-lo...e eis que chegou o bendito! Estas receitas foram aprendidas no campo missionário. Todas as histórias são verdadeiras. Lindas, poéticas, mostram a dimensão do amor de Deus por nós, o carinho e o cuidado que Ele nos dispensa em todos os momentos... Muitas vezes sem o merecermos ( tenho a convicção de que nada merecemos) . Por isso resolvi compartilhá-lo com aqueles que amam ao Senhor, e entendem Seus lindos caminhos.

A Autora
Florianópolis, Agosto de 2008


PUDIM DO CÉU


Conheci uma irmã, na cidade de Camboriú –SC. Esta irmã de nome Mariza estava enferma, e numa tarde me uni a ela em oração, para louvarmos a Deus e pedirmos juntas por uma cura para o seu corpo. Ao findarmos nossas orações ela me serviu um pudim muito gostoso. Jamais havia comido algo tão levemente adocicado e macio. Então ela passou a me relatar a história do tal pudim, que ainda não tinha nome, mas que pedi permissão a ela para chamá-lo de: PUDIM DO CÉU. Ela aceitou a sugestão e, a partir daquele dia, em nossas reuniões de oração, não mais faltava aquela deliciosa iguaria...a nos deleitar ( e nos encher de celulite!)... Vamos à história:

Estava muito doente, há cerca de um ano atrás, mal me levantava da cama. Mas um dia fiquei com muita vontade de comer um pudim. E não sabia como fazê-lo. Pelo telefone passei a ligar para as minhas amigas e pedir as receitas dos pudins que elas faziam. Algumas não queriam passar suas receitas, outras falaram que iriam me entregar a receita --- coisas de mulher!. Nessa espera fiquei quinze dias... e nada de nenhuma receita chegar. Foi quando, num impulso me ajoelhei e falei com Deus:

Ó Senhor, o Senhor é aquEle que pode tudo, que sabe todas as coisas. Pela Sua misericórdia: me dê a receita do pudim, eu quero comer o pudim. Obrigada, Senhor!

Imediatamente após o Senhor me levou até a cozinha, e lá passou a me ditar a receita:
Coloque no liquidificador:
1 lata de leite condensado
1 lata de creme de leite
1 medida (da lata) de leite in natura
1 pão francês picado
1 colher (sopa) de queijo parmesão ralado
1 garrafa de 200 ml de leite de côco
5 ovos

Bata durante 5 minutos
Caramelize uma forma de pudim.
No forno ponha uma assadeira com água por cima da grelha, na grelha superior coloque o pudim na assadeira caramelizada Aguarde 40 minutos no forno a 180C. Espere esfriar e se delicie!

A coisa mais linda foi saber que todos os ingredientes estavam em minha despensa. Deus conhece tudo!


Nota da missionária: Jamais limite a Deus! Ele pode todas as coisas. Ah, Deus curou a irmã Mariza, que até os dias de hoje vive nas montanhas de Camboriú, onde louva ao Senhor nas madrugadas... ela e seus sabiás.


TAINHA AO FORNO

Um certo dia, após ter realizado uma visita muita abençoada, fui caminhando até a minha casa. Caminhada essa que duraria cerca de uma hora. No caminho senti uma grande vontade de comer tainha assada. Mas, falei com Deus: o problema é que estávamos em dezembro. E dezembro não é mês de pesca de tainha! Não é, Deus?
O fato é, para quem mora no Sul do Brasil , sabe que a época da safra de pesca da tainha vai de maio a agosto. No resto do ano ela não é encontrada em lugar algum. E as pessoas consomem, preferencialmente, peixes frescos, da época. Mas a vontade era grande...
Meia hora depois uma outra missionária amiga, a irmã Elizabeth, me avistou. E, de longe, acenou insistentemente para mim. Cheguei perto dela para saber o que ela queria:
---Irmã, irmã, a irmã Tereza está procurando por você “que nem louca”! Ela já foi até a sua casa e deu a volta no centro da cidade para lhe procurar ( o que demora cerca de quinze minutos, pois a cidade só tinha 45 mil habitantes, cujo centro ocupa 6 quarteirões).
E perguntei preocupada:
---Mas, aconteceu alguma coisa com ela, irmã Elizabeth?
---Sabe irmã, há cerca de meia hora atrás o freezer da irmã Tereza desligou completamente. E ela só pensava na irmã.
Adivinhem o que tinha dentro? Um monte de tainhas congeladas!
E a irmã Elizabeth continuou:
--- A irmã Tereza só pensava em você. Você não saía da cabeça dela. Então ela pegou as duas maiores tainhas que haviam, entrou no carro, procurou a irmã e, como não a encontrou deixou comigo para lhe entregar. Vamos assá-las hoje à noite?
---A noite, não, querida. Agora mesmo!
Contei-lhe a história e pudemos repartir as tainhas com muitas outras pessoas.

Oh, bênçãos maravilhosas do Senhor, que não acrescentam dores!


Receita de Tainha Assada:

Lave e limpe muito bem uma tainha inteira e a tempere com temperos frescos, tais como: 1 amarrado de orégano verde e fresco, cebolinha verde, salsinha verde, suco de 4 limões cravo, 1 colher (de sopa) de sal,1 cebola inteira cortada em cubos, meia xícara de azeite extra virgem, 2 dentes de alho amassados, 1 colher (chá) de pimenta caiena. Deixe marinar no tempero por 1 hora. Numa assadeira coloque a tainha e ponha-a para assar por 40 minutos a 200 C, ou até dourar.
Acompanha: uma salada de agrião, arroz branco e pirão de camarão.

Nota da missionária: Quando Deus nos abençoa nos pequenos detalhes, não devemos colocar em dúvida de que Ele não está trabalhando nos maiores.projetos de nossas vidas. Deus é surpreendentemente fiel!



CÉREBRO DE MACACO e PÃO DE CUSPE

Esta história quem me contou foi o Pastor Virgílio, que desde 2007 dorme com o Senhor. O Pastor Virgílio era um sábio. E tive a maravilhosa oportunidade de compartilhar com ele sua fé e amor pela obra de Deus nos últimos três anos de sua vida. Ele, que juntamente com Daniel Berg havia desbravado o interior de Santa Catarina num lombo de cavalo.
Sozinho ele fundara 117 igrejas nesse Estado. Mas o fizera desbravando selvas, conquistando os índios e construindo sedes de madeira com suas próprias mãos. Era um obreiro da Palavra e da marcenaria, da carpintaria, da pedraria, do machado, da foice, do facão e do cimento, mas principalmente do amor pelas almas que perecem.
Passei muitas tardes orando com este pastor, ouvindo suas histórias, bebendo dessa fonte de sabedoria divina... e ele já estava com mais de 80 anos de idade. Mas que vigor! Que alegria estampada no rosto quando ele falava de Deus! Que brilho nos olhos, que faiscavam a cada bênção contada.
E ali ficava ele em sua cama, deitado, pois suas pernas já não agüentavam o ter cruzado rios de águas frias, já alta a lua no céu, em busca de almas para o Senhor, em sua juventude, sempre no interior de Santa Catarina.
Dois anos antes de seu falecimento fazíamos cultos em sua casa. Cultos da igreja primitiva. Ele pregava, sob uma cama, deitado, e o culto ocorria de forma sublime, livre...todos sendo usados poderosamente pelo Senhor. Aquela casa enchia tanto de gente, que vinham pessoas até de outras cidades e estados ( um dia chegamos a contar 150 pessoas!). A unção que aquele servo possuía era tamanha, que ele foi proibido de continuar a fazer os cultos pela igreja que depois o rejeitou nos últimos anos de sua vida.
Os verdadeiros obreiros são servos unicamente de Deus, e não dos homens, nem de sistemas.
Foi uma fase de grandes aprendizados na obra do Senhor! E eu louvo a Deus por isso.

Certa vez o Pastor Virgílio estava abrindo uma picada no meio do mato para chegar a uma tribo indígena, isso pelos idos de 1945. De repente, os índios o cercaram. Ele só havia levado um pouco de farinha d´água e água. Os índios não gostaram daquela invasão, mas o levaram até a tribo. Ele estava tranqüilo, pois sabia que os seus passos eram confirmados pela direção de Deus.Todos o cercaram e começaram a fazer muitas perguntas, na língua guarani. Ele não entendeu nada. Olhou para o lado e observou uma velha índia fazendo um pão. Ela cuspia na massa e continuava a sová-lo. Os dentes da índia já estavam podres. E ele só observou isso porque ela bocejou. O pastor sentiu nojo de tudo aquilo, mas procurou não demonstrar.
De repente alguns jovens chegaram da caça com muitos macacos já mortos . A tensão na tribo aumentava a cada minuto, pois os índios falavam guarani,e o pastor nada entendia, e então eles passaram a cutucá-lo, de tão irritados que estavam.
De repente um índio se aproximou e falou algo que o Espírito Santo fez o pastor entender:
--- Se você comer o que nós iremos lhe servir você será bem-vindo, pois sua recusa será entendida como uma agressão a nós e a nossa cultura.
Imediatamente eles começaram a cortar a cabeça dos macacos ( e parecia que aquilo era um banquete para eles).Ofereceram ao pastor um pedaço do cérebro do macaco, que parecia sorrir, dormindo o sono da morte. Ele o engoliu rapidamente e não esboçou nenhum contragosto. Os índios ficaram felizes com isso e sorriram.
Logo depois o pão já estava assado. Lembra? Aquele pão de cuspe? Pois é, o pastor também teve de comê-lo, só que nada o fazia esquecer dos dentes podres da índia velha, daquelas unhas grandes e imundas que o sovaram.
Resultado: os índios deixaram que o pastor lá se estabelecesse por um tempo. Tempo suficiente para construir uma igreja, preparar discípulos, almas. Dali saíram alguns missionários

Nota da missionária: Muitas vezes, na obra, não entendemos imediatamente as provas pelas quais o Senhor nos permite passar, mas passado o tempo compreeedemos que ...tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus.

Este opúsculo pode ser livremente copiado em quaisquer formatos, pois apenas fui usada para transcrever em palavras aquilo que o Senhor Jesus Cristo, pela Sua infinita graça e poder fez, faz e continuará a fazer. Porque dEle e por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja dada toda a glória, honra e louvor para todo o sempre. Amém!


Leia gratuitamente o livro DA ARTE DE PREGAR ATRAVÉS DAS ILUSTRAÇÕES, livremente disponibilizado pela autora (e aproveite para conhecer um interessante site para publicação online):

2 comentários:

Pavarini disse...

noves fora o pão de cuspe e o cerébro de macaco, que texto delicioso da minha querida alzira. =)

aproveitei a visita p/ me tornar seguidor do blog, sammis.

big abraço

Sammis Reachers disse...

Falou Pava, valeu pela moral.

Um abraço!

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