terça-feira, 12 de maio de 2020

DEPENDÊNCIA DA IGREJA LOCAL EM RELAÇÃO AOS MISSIONÁRIOS DE FORA: UM PROBLEMA



Steve Saint

A dependência não é somente um estado de bem-estar. Ela se torna um estado mental traiçoeiro que pode adoecer geração após geração uma vez que ganha uma posição segura. Em igrejas novas e inexperientes, pode ser uma doença debilitadora e até fatal.
O objetivo de missões é plantar entre grupos nativos a igreja de Cristo com cara nativa. O propósito não é transplantar a cara da nossa igreja de Cristo para os povos indígenas e eles se acostumarem com ela. As verdadeiras igrejas nativas são enviadoras, autônomas e autossustentáveis. A igreja não é realmente nativa até que ela possa funcionar por si só ao realizar a comissão de Cristo, sem contribuição externa. Mas o objetivo de desenvolver igrejas independentes não é só para que sejam independentes. A razão para fazermos igrejas capazes de se autogovernar é que cada igreja tem uma missão a cumprir. As barreiras políticas nos diferentes países vão e vem. Quando as barreiras se levantam, os estrangeiros geralmente tem de sair do país. Se a igreja é dependente dos estrangeiros que estão saindo, ela não pode mais cumprir sua missão.
Outra razão pela qual todas as igrejas locais devem ser capazes de funcionar independentemente é que esta é a maneira mais eficiente de cumprir a Grande Comissão de Cristo para a Sua igreja. E esta é a forma que Cristo nos ensinou a construir Sua igreja. O objetivo de fazer igrejas independentes das missões que as plantam não é de se livrar dos missionários. É para que os crentes locais assumam as responsabilidades dos missionários fundadores e assim estes possam se mudar para outras localidades onde são mais desesperadamente esperados. Ainda há milhares de grupos de pessoas que não tem testemunhas para contar o que Cristo fez para salvá-los. Ao liberar um missionário para seguir adiante também os crentes locais são liberados para fazer o que Deus os comissionou a fazer. Além disso, o quanto antes uma igreja nativa funcionar bem sozinha, mais cedo ela será capaz de enviar seus próprios missionários para ajudar a alcançar grupos semelhantes.
A dependência tem duas características muito perigosas. A primeira: pode espalhar-se com boas intenções e com malícia; é um veneno mortal se administrada por engano. A segunda: é muito mais difícil parar que começar; o melhor remédio para a dependência é a prevenção.
Dar aos crentes de uma nova igreja os meios para sustentar a igreja por conta própria e as ferramentas para governá-la é tão importante quanto ensiná-los a compartilhar sua fé. Tornar-se enviadora é natural para a maioria das novas congregações. Qualquer pessoa pode dizer a outra pessoa como sua vida foi mudada e é natural para um novo crente querer contar o que aconteceu com ele ou ela.
Aprender a ser autogovernável é mais difícil e aprender a ser financeiramente autossustentável é quase sempre o mais desafiador de tudo. Prestamos aos missionários um grande desserviço quando medimos sua eficácia primariamente pelo número de pessoas nas igrejas que eles plantam. A coisa mais espiritual que eles podem fazer por uma igreja enviadora que também pode se autogovernar é ajudar as pessoas a encontrar empregos, de forma que estes apoiem o ministério. Hoje há uma necessidade maior em muitas regiões por missionários com treinamentos em negócios/administração do que com diplomas de teologia avançada.
É bem mais fácil dar alguma coisa a alguém do que ensiná-lo a fazer essa mesma coisa, assim como é mais fácil dar um peixe do que ensiná-lo a pescar. Se você dá um peixe a uma pessoa, você a alimentou por um dia e provavelmente gerou o princípio da dependência. Se você a alimentar por muitos dias e então parar, ela vai ressentir-se por causa disso. No entanto, se ensinar essa pessoa a pescar, você a terá alimentado para o resto da vida e desenvolvido nela a habilidade de alimentar outros.

Trecho do livro A Grande Omissão (Horizontes América Latina).

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